BURGUESIA, SOCIALISMO, CAPITALISMO, COMUNISMO, SOCIAL-DEMOCRACIA… O QUE DIABO SÃO ESTAS FORMAS DE PENSAMENTO POLÍTICO?

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Em matéria de política eu sou um símio em dúvida com a Natureza.

Em matéria de política eu sou um símio em dúvida com a Natureza.

Sou o pior dos piores seres que vivem em Sociedade Humana para discorrer sobre tais correntes de pensamento que, no final das contas, azucrinam e infernizam nossas vidas. Portanto, se disser alguma bobagem – e provavelmente vou dizê-la – que me perdoem os doutos em tais assuntos e, principalmente os sectaristas. A meu ver, todo sectarista é cego por natureza justamente no assunto em que pensa ser o tal.

Comecemos introduzindo o significado para Burguesia, que encontrei em http://www.significados.com.br. Diz-se ali que “A palavra burguesia vem de “burgo”, nome dado às cidades medievais, habitadas em boa parte por mercadores, que foram chamados de burgueses. Essa burguesia comercial, enriquecida pela prática do comércio, foi aos poucos se infiltrando na aristocracia e passou a dominar a vida política, social e econômica a partir da Revolução Francesa, firmando-se no correr do século XIX.

Depois que inventaram o dinheiro a raça humana pirou de vez.

Depois que inventaram o dinheiro a raça humana pirou de vez.

Comércio, eis, para mim, a corda bamba sobre a qual a Humanidade nunca soube se equilibrar. Nos livros de História que andei lendo sei lá mais quando, sempre percebi que o Comércio foi o veneno da Pessoalidade humana (Pessoalidade no sentido que emprego na Teoria da Psicologia Sincrônica Ressonante, em substituição a Personalidade).

Comércio é um meio de troca de mercadorias através de uma coisinha danada de perigosa chamada dinheiro. A lide com o dinheiro trouxe à Pessoalidade humana o sentido de lucro. Em busca do lucro as Pessoas inventaram o jogo perigoso do Comércio Lucrativo. Ora, como nada há nesta terceira dimensão que só possua uma face, uma assertiva positiva, então, ao sentido de Lucro também veio o sentido oposto, de Prejuízo. Se as Pessoas tomaram Lucro como Positivo nas transações comerciais, deram, por sua vez, o sentido Negativo ao construto Prejuízo. E, a meu ver, foi aqui que a vida social humana se complicou, se perdeu e terminou na Dilma em nosso caminho. Mais

O MISTÉRIO DE PARGOS – CAPÍTULO XI – A OUTRA FACE DA REALIDADE QUE NÃO VEMOS (4º)

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Capítulo XI – Parte 4 – AS MISTERIOSAS TOCHAS AMARELAS DANÇANTES

Cérebro, a usina de energias que desconhecemos totalmente.

É nosso. Está em nosso sistema nobre, mas pouco ainda se conhece sobre seus poderes.

Tamara e Karina conversavam animadamente na suíte que lhes fora designada. O assunto era a morte de Khamal. Tamara estava muito impressionada com o detetive Damastor e Karina não tinha simpatizado com Ivaldo. A seu ver, ele era o tipo de policial safado, mulherengo e vulgar. Tama­ra ria dos conceitos sem fundamentos de sua colega. O detetive era-lhes desconhecido. Como julgá-lo e rotulá-lo? Depois, o rapaz se mostrara ativo e muito solícito. Se não fora mais simpático talvez isto se devesse a que estava muito cansado. Quando se tem a glicose baixa no sangue, diz a ciência médica, o humor fica deprimido e o comportamento tende a ser desagradável.

— Você está sendo muito radical com o jovem companheiro de Damastor, Karina. Eu também notei que ele quase sempre manteve a face fechada e falou pouco, mas o próprio Damastor afirmou que ele é diferente quando descansado. Que tal esperar até amanhã, para ver melhor as coisas? Mais

UM APELO ÀS MULHERES BRASILEIRAS

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Mulheres jovens do Brasil entrem na política e mostrem aos homens como se deve fazer para que nosso Brasil seja um país realmente livre e feliz.

Mulheres jovens do Brasil entrem na política e mostrem aos homens como se deve fazer para que nosso Brasil seja um país realmente livre e feliz.

Sou feminista e não me pejo em dizer isto aos quatro cantos do mundo. Assevera-se que o YIN E O YANG, ou as energias Masculinas e Femininas do Espaço se alternam em tudo em períodos mais ou menos regulares. Esta alternância é muito marcante na raça humana. Houve tempos em que dominou o YIN e o mundo tinha mais paz, mais harmonia e mais felicidade. Mas este predomínio foi alterado e atualmente predomina com uma força arrasadora o YANG. E o retorno do domínio do YANG na Terra e na humanidade já é notório e apavorante na violência da Natureza e dos homens (e me refiro aos machos de nossa espécie) em todas as camadas sociais. Talvez seja necessário que tal mudança da Paz para a Guerra; do esforço em Educar e Construi para o esforço em Desconstruir e Reformar seja absolutamente necessário. Mas eu não sou adepto do YAG pelo simples fato de que tenho minha parte feminina, em minha constituição psicológica, bem forte, bem marcante. Ela me coloca em sintonia com Vênus, o planeta regente do Amor à Beleza, à Harmonia, à Alegria e à Paz em tudo e, principalmente, o amor à Mulher. Gosto imensamente de mulheres e foi nos braços de uma centena delas que encontrei o maior tesouro que um homem pode encontrar na face da terra. Isto, não há macho que supere; não há brutalidade que apague ou diminua. Só a mulher dá a paz, o carinho, o sossego ao homem. Mais

NINGUÉM PRESTA, ARRE DIABO!

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"Putzgrila!E não é que o danado do velho foi mexer na minha merda?"

“Putzgrila!E não é que o danado do velho foi mexer na minha merda?”

Jesus Cristo. Neste país não é possível crer em nada, nem em militares que se dizem bem informados. Há pouco tempo eu escrevi sobre o “affaire” Diaba Vermelha: “Quem deve assumir em seu lugar é Michel Temer, que, soube eu por pessoas dignas, é limpíssimo, mas também é duríssimo e egocêntrico” (ver Post de 20/08/2015). Como sou um bisbilhoteiro nato, lá fui rebuscar o passado escuso e tremendamente nebuloso de “nossos” polititicas e eis o que descubro, pasmo, que o ESTADÃO, em 02/12/2009, traz uma reportagem onde denuncia que TEMER é citado 21 vezes em uma planilha da CONSTRUTORA CAMARGO CORRÊA (atualíssima na fedentina da Lava-a-Jato) ao lado de quantias que somam “miseráveis tostões” de US$ 345.000,00 — no período que vai de 9/10/96 a 28/12/98. A coisa toda fedeu na Operação Castelo de Areia.

Fiquei descoroçoado. Você pode imaginar a titica em que tal notícia nos joga? Não há UM ÚNICO POLÍTICO SEQUER que possa assumir o leme de nosso Navio chamado Brasil sem o lançar diretamente contra a ponta afiada de um Iceberg chamado Corrupção.  Mais

O MISTÉRIO DE PARGOS – CAPÍTULO XI – A OUTRA FACE DA REALIDADE QUE NÃO VEMOS (3º)

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CAPÍTULO XI – Parte 3 – O Ritual

Uma ilha estranha substituiu a da milionária. Tudo era diferente ali. O que acontecia?

Uma ilha estranha substituiu a da milionária. Tudo era diferente ali. O que acontecia?

Milena não se deitou. Tomou demorado banho de imersão, enxugou­-se, penteou-se e sentou-se em confortável sofá, lado oposto à cama e de costas para a janela. Tinha uma xícara de chá de tília que preparara para si mesma na elegante chaleira de prata sobre a cômoda de pau-brasil e cedro-do-líbano. A bebida quente lhe revigorava o corpo. Em sua cabeça turbilhonavam as memórias daquele dia atabalhoado e sinistro. Sua vida, a ilha, tudo fora virado pelo avesso desde que aquela estranha repórter viera com ela. Milena meditou em como se haviam encontrado. Nas conversas e nos acontecimentos insólitos que lhes tinham acontecido durante o dia. A corcova no mar ainda lhe trazia forte emoção.  O que teria sido aquilo? A milionária começava a achar que não fora uma boa idéia ter convidado Ma­ra a vir até a ilha. Aquele seu cantinho paradisíaco nunca mais seria o mesmo depois daquela tarde macabra. Pobre e querido amigo Khamal, que fim trágico. Quem poderia adivinhar que ele morreria em um dos locais mais belos do Brasil, Angra dos Reis, devorado por um bicharoco pré-histórico e antepassado dos feios dinossauros? Aquilo era inglório demais para um ho­mem da estatura científica de Khamal. E de onde diabos surgira o maldi­to jacaré? Será que era o mesmo bicho que Mara fizera sair do esconderijo quando as duas subiam da praia? Milena inquietou-se diante da dúvida. E se houvesse dois deles?   “Não” — pensou ela.  — “Eles são raros. Um já é uma probabilidade em cem. Dois? Eu não creio. Prefiro acreditar que o amaldiçoado réptil é um só. Mesmo assim, por que tinha de estar na ilha justamente agora, quando Mara, Khamal e os outros vieram? Talvez desti­no… essa coisa misteriosa que ninguém sabe definir. Seria seu destino ter sido a intermediária da morte para Khamal? Fora ela, afinal de con­tas, quem o juntara a Mara, na ilha. Fora ela quem lhe telefonara insistindo para que viesse. Se não tivesse tido a bendita idéia de chamá-lo, tudo poderia ter sido bem diferente. Ele não estaria morto. Esta linha de pensamento fê-la sentir-se culpada e Milena não gostou. Sacudiu a cabeça. “Não, eu não sou culpada de nada. Também sou vítima. Como todos, aliás. Mara nem sabe do poder que possui. Eu não posso jogar toda a res­ponsabilidade sobre ela. Aliás, nem sei se ela tem alguma… Oh, meu Jesus, é tudo tão confuso… A única verdade que eu tenho é que minha adorada ilha agora tem um morto. O resto são… são… como posso dizer? O resto são imponderabilidades. Talvez até eu tenha alucinado tudo… Não e não. Assim é negar demais, ora. Aquela corcova no mar eu vi bem claramente. Havia um bicho enorme sob a água. Seria o jacaré? Não, eu não o creio. Ele não nadaria tão rapidamente sob a água…” Mais

I-PHONE: FORNECEDORES E VENDEDORES ENDOIDARAM DE VEZ

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"Essa alta de preços não tem nada haver com nossa ladroagem, cumpãeiro! É coisa de aproveitador que embarca na rabeira da gente!"

“Essa alta de preços não tem nada haver com nossa ladroagem, cumpãeiro! É coisa de aproveitador que embarca na rabeira da gente!”

Meu celular é um Samsung Slin III. Comprei por R$ 880,00 (em promoção nas lojas americanas), mais ou menos em fevereiro ou março de 2014. Ele vem-me enchendo o saco descarregando a bateria numa velocidade de super-homem. Bastou ligar e fazer uma chamada e lá se foi metade da carga. Fiquei fulo da vida e por pouco ele não vai parar na parede. E como o melhor judas a ser malhado hoje é o Lula, danei de xingar o desgraçado de todos os palavrões que sei e imaginei. Decidi ir a uma loja devidamente legalizada e adquirir outra bateria. Pressupus que o desgraçado estava com a bateria velha (tem oito meses, se não estou enganado), mas aí entrou em ação minha mulher que sempre busca “levar vantagem” e me convenceu a ir procurar a pilha no camelódromo. Não sou muito fã disto. Material vindo do Paraguai é sempre uma furada.  Mas cedi e fui. Levamos 45 minutos esperando enquanto o trambiqueiro tentava encontrar a bateria do desgraçadinho. Enfim, ele jogou a toalha e nos levou a um “cumpãeiro” seu que, segundo garantia, tinha a tal bateria. O sujeito colocou a peça no telefone, após três minutos de carga, e o peste funcionou. Todo satisfeito, paguei os R$ 50,00 e vim embora. No primeiro dia, beleza. Afinal, o celular ia da mesa de trabalho para minha mão e desta para a mesa de trabalho. Nenhum abalo importante. Mais

O MISTÉRIO DE PARGOS – CAPÍTULO XI – A OUTRA FACE DA REALIDADE QUE NÃO VEMOS

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CAPÍTULO XI – Parte 2 – O Primeiro Contato com o Passado

Podemos experimentar vivências simultâneas em dimensões diferentes? Em Pargos, sim.

Podemos experimentar vivências simultâneas em dimensões diferentes? Em Pargos, sim.

Mara tomou banho, penteou-se e foi direto para a cama de Ludmla. A suíte em que estavam era toda em rosa-claro e a luz indireta também era muito calmante. Ludmla estava acordada ainda esforçando-se para lembrar alguma coisa dos momentos em que ficara com Khamal e sua companheira de quarto lá na biblioteca. Nada lhe vinha à recordação e isto a in­comodava muito. Não podia admitir aquela súbita amnésia. A maciez da cama e o cheiro dos lençóis limpos e alvos não lhe davam qualquer relaxamento. Sentia-se inquieta, com uma incômoda sensação de perigo iminente a lhe atormentar os sentidos. Sua colega sentou-se ao lado, na cama. Vestia confortável “peignoir” e um roupão de linha que lhe caia muito bem.

— Em que pensa? — perguntou Mara.

— Em tudo. Principalmente em nós duas com Khamal, lá na biblioteca.

Mara sentiu-se subitamente incomodada e com uma leve sensação de contrariedade a lhe perturbar as emoções.

— Eu não acho isto importante… — disse ela, sem mesmo saber o que dizia.

— Ao contrário — rebateu Ludmla. — Minha mente está vazia como um tape que foi apagado. Quem fez isto comigo? Só pode ter sido o Dr. Khamal, mas por que? Por que ele me queria desmemoriada?

— Eu não sei… Mas não somos nós quem me preocupa — disse Mara. — O que me in­comoda é o jacaré. De onde veio ele?

— Ora, isso Milena já explicou — tornou Ludmla com uma leve e indisfarçada ponta de irritação na voz. — Acho que concordo com Damastor e sua tese de que o jacaré foi circunstan­cial. Nós e Khamal… Aqui é que está o…

Os olhos da ruiva fixaram-se na janela da suíte, com espanto. Mara seguiu-lhe o olhar e também assustou-se. Lá fora, banhada pela prateada luz da lua cheia, ela viu a razão do susto de sua companheira. Longe, um enorme contorno escuro de uma montanha surgia re­cortando-se contra o céu claro e dando uma inquietante sensação de ameaça, de perigo.

— Meu Deus! — exclamou Mara. — Aquilo… o que é? De…de onde é que veio?

— Você também está vendo? — e Ludmila olhou a amiga, perplexa.

— Sim, vejo, mas não acredito! — E Mara esfregou os olhos como se quisesse apagar a visão. Ludmila foi até à janela. Divisou, bem abaixo, uma luxuriante mata cerrada. O chalé parecia estar a quase trezentos metros de altura, sobre um penhasco. E lá embaixo tudo era es­curidão e ameaça.

— Não é possível! Estou ficando maluca! — E Ludmila recuou instintivamente de perto da janela. Uma tontura escureceu-lhe a vista e ela sentiu-se quase desmaiar. Recuou cambale­ando e teve de se apoiar na cômoda para não cair. O coração disparara-lhe no peito e chegava quase a doer de tão forte que lhe batia. Por sua vez, como que hipnotizada e fascinada pela cena inusitada que divisava lá fora, Mara foi também à janela. Não conteve um grito de espanto. A menos de duzentos metros ela via a praia. Uma nesga de areia grossa, brilhando à luz da lua. Ondas enormes, coroadas por espuma brilhante, arrebentavam-se com estrondo entre as paredes rochosas de pedras negras. Do lado direito ela viu o estuário do pequeno rio que desembocava no mar cercado de altos coqueiros. O chalé estava a uns quinhentos metros do rio, mas dava perfeitamente para divisá-lo correndo serenamente para o mar, pois o estuário situava-se bem a baixo, num leve declive que ia desde o chalé até ele.

— Céus! — gritou a repórter assombrada. — É  a praia! A praia de Pargos.

Ludmila olhou a colega com espanto. Endireitou-se, respirou fundo e olhou pela janela novamente, mas de onde estava. Só via o paredão escuro recortado contra o céu de luz diáfana.

— Praia? – perguntou com estranheza. — Que praia? Eu vi um enorme precipício escuro como breu bem abaixo de nós. Divisei algumas copas lá longe, mas não há praia nenhuma. Definitivamente não há praia, Mara. Lá fora tem tudo, menos praia. Acontece que aquilo não é a geografia da ilha em que estamos. Eu tenho absoluta certeza disto.

— Há praia, sim. Eu vejo e não estou sonhando, não! — E Mara apontou para o lado di­reito enquanto falava.

— A mata está à direita, além do rio Marataxa. Parece perto vista daqui, mas na ver­dade ela é bem longe… Eu sei. Até a gente chegar a ela tem de percorrer um caminho rude, as­cendente e pedregoso… Meu Deus, eu sei, eu sei! Eu conheço aquele lugar!

— Mas de  que  rio  você  esta  falando,  criatura? Que praia? Lá fora não há praia nen­huma. Você está alucinando tudo isto. A gente está sobre um enorme precipício. Eu vi. Não posso dizer como é que viemos até aqui, mas o certo é que estamos dependuradas nele.

Ludmila passou a mão pelos cabelos, perplexa, e murmurou:

— Só pode ser um pesadelo. Só pode ser isto… Eu estou dormindo… tenho de estar…

— Venha ver! — chamou Mara imperativa. — Venha ver a praia e o rio Marataxa. Eu tomei muitos banhos ali, ora essa.

— Não há rio, Mara —  teimou Ludmila. — Nós estamos num pesadelo.

— Venha ver! — insistiu Mara nervosamente.

Ludmila aproximou-se novamente da janela. Com muito cuidado e com o coração aos sobressaltos, apoiou-se no peitoril e olhou lá para baixo. Sim, havia um enorme precipício es­curo como a boca do inferno abaixo delas. E à frente, o vácuo até onde podia enxergar. Lá, bem distante, o enorme paredão rochoso, negro como breu. Ao lado, dependuradas no pre­cipício, ela podia divisar copas de algumas árvores. Mas definitivamente não havia nenhuma praia ali. Nem ali, nem até onde podia divisar.

— A praia, veja!

E Mara apontou em frente.

— O abismo, lá embaixo! — E Ludmila apontou para baixo.

As moças olharam-se perplexas e confusas, cada qual mantendo o braço estendido na direção do que viam. Depois, olharam ao mesmo tempo lá para fora. Mara fixava a praia em frente, enquanto Ludmila olhava, ser ver, o fundo do abismo bem abaixo da janela.

— Santa Virgem, Ludi – murmurou com voz trêmula, Mara. — Eu vejo uma paisagem diferente da sua. E estamos olhando ao mesmo tempo e pela mesma janela. Como é possível?

Ludmila respirou fundo para controlar as batidas de seu coração e passou a mão pelo rosto.

 — Eu não sei. Isto é uma loucura. Se você não estivesse aqui, o­lhando pela janela e vendo quase tudo o que vejo, então eu já estaria desacordada, tenho certeza. Estou-me sentindo tonta.

Mara fechou os olhos com força e apertou as mãos até sentir as unhas se cravando em suas palmas. Respirou fundo várias vezes, a cabeça num torvelinho de pensamentos desencontrados. Então, subitamente, abriu os olhos e fitou decidida a face pálida de sua amiga.

— Pois eu quero decifrar este mistério de uma vez por todas — falou a moça com resolução. — E vou agora mesmo até aquela praia lá!

Ato contínuo a repórter passou uma perna sobre o peitoril da janela, mas foi contida pela forte mão de sua companheira que lhe segu­rou o braço, aflita.

— Não! — gritou Ludmila, olhos arregalados de medo. — Pode ser uma ilusão, mas o que vejo é muito real a meus olhos. Se saltar a janela você se esbagaçar lá em baixo. Estamos quase a trezentos metros… talvez até a mais que isto, de altura…Você me entende, não é? Estou falando con­fusamente, mas você me compreende, certo?

E Ludmila curvou-se sobre o peitoril, olhando com arrepio para o negror que subia das profundezas da terra até ela.

— Do que é que você está falando? — protestou Mara. — Lá fora está a praia e a areia está bem aqui, sob a nossa janela. E eu vou até lá, agora mesmo.

Mas a ruiva puxou a amiga com força, obrigando a que descesse da janela.

— Desça daí, diabo! Não vê que pode-se matar? Há um abismo!

— Mas que abismo que nada, Ludi. Olha, a areia está tão perto de nossa janela que eu até posso tocá-la com a mão.

E Mara lutava para se debruçar sobre o peitoril.

— Não há nenhuma areia, droga! É uma ilusão! Se saltar a janela você vai morrer, não está vendo? — E forcejando, Ludmila falava.

— Não! Vamos com calma, colega. Desça, ande. Não podemos ficar malucas também, além de alucinadas, certo?

Mara olhou a amiga por alguns momentos. Por mais desejosa que estivesse de ir até a praia e ver de perto o lugar misterioso de seus pesadelos, tinha de concordar com ela.

 — Veja, Mara, o que eu vejo é muito real. Se saltar a janela te­nho certeza de que vai cair no abismo. Agora, venha pra dentro. Vamos sair um pouco de perto desta… desta… sei lá como chamar a isto. Venha, vamos sentar e refletir com calma. Estamos perdendo nosso con­trole.

As duas voltaram a se sentar no leito. Mara ainda não estava certa de que Ludmila estivesse mesmo acreditando haver um abismo lá fora. A areia era tão alva e tão concreta como a cama onde estavam sentadas.

— Não é possível que não ouça o barulho das ondas, Ludi. Escute! Está ouvindo? Sente o chão tremer com a arrebentação? Sente?

Ludmila ficou quieta por alguns instantes e meneou negativamente a cabeça.

— Calma, Mara, calma. Vamos ficar calmas. Pelo menos aqui dentro estamos seguras. Lá fora a realidade mudou. Eu não sei como, mas mudou e foi para pior. Parece até a ilha da fantasia…

— Eu não estou interessada em nenhuma série de televisão, agora, Ludi — protestou Mara de olhos fixos no maciço lá longe. — Eu não sei a­té quando aquilo lá vai durar, mas é minha única chance de ver de perto, de sentir sob meus pés e respirar verdadeiramente o ar de Pargos. Eu te­nho certeza de que lá fora está a ilha de meus pesadelos de anos. Agora quero ir lá, compreende?

— Mas fazer o quê? O que espera encontrar naquele lugar de pesa­delo? Pode ser al­guma coisa como uma dimensão diferente da que estamos acostumadas. Quem sabe o que nos vai acontecer se formos até lá? Escute Mara, preste atenção. Esta é a nossa realidade. Aqui den­tro. O que vemos aqui, sob nossos pés, à nossa volta, isto é real. Você é real para mim e eu sou real para você. Nós temos certeza desta realidade. Nela, estamos, ambas, seguras. Mas lá, lá fora, a realidade é outra. Não podemos dizer que estamos alucinando juntas. Aquilo, ainda que não possamos compreen­der o que seja, também é real. A sua praia e o meu abismo de algum modo existem simultaneamente. São partes de uma realidade em dimensão de tem­po-espaço diversa da nossa. São duas realidades diferentes, mas que ocorrem simultaneamente, como já disse.  É fantástico, é enlouquecedor, mas é real. RE-AL, compreende?

E Ludmila começou a dar voltas e mais voltas no quarto, olhando fascinada para a janela. Mara, sentada, mais calma, achou que ela fizera bem não lhe permitindo ir lá fora. Afi­nal de contas, e se o tal abismo a que ela se referia tão veementemente existisse mesmo? E se fosse uma di­mensão diferente e ela se metesse lá dentro, como ficaria?

— Eu não posso acreditar no que está acontecendo — murmurou Mara também de olhos presos na janela. — Mas que aquilo lá é Pargos, disso tenho absoluta certeza. Só não sei ainda é como conheço o nome do rio, mas pretendo descobrir.

— Mara,  já  sei  o  que  vamos  fazer  —  disse  Ludmila olhando a amiga com olhar brilhante.

— O quê?

— Vamos buscar Karina e Tamara e lhes mostrar o que estamos ven­do. Na volta, trazemos Damastor, Ivaldo e Milena. O que acha?

— Eu não sei… A gente pode chamá-los pelo celular…

— Não. Vamos até eles. Os celulares podem estar desligados, o que é mais provável. E nós não sabemos que efeito as ondas hertzianas poderiam causar àquela aparição. Venha, va­mos!

Ludmila pegou na mão de Mara e a arrastou em direção à porta, porém parou quando já segurava a maçaneta.

— Espere, Mara. Não vamos nós duas, não.

— Por que? — espantou-se a moça.

— Bem, estou pensando. E se a realidade estranha lá fora desaparecer quando não hou­ver mais alguém a observando daqui, hum? Eu acho que ela só tem existência porque nós a vemos. De algum modo, sei lá, nós mantemos aquilo concretizado.

— Eu não estou entendendo onde você quer chegar — confessou Mara.

— Escute com atenção. Os druidas, sabe quem foram eles, não sabe minha amiga?

— Sei, sim. O que têm os druidas com nossa situação?

— Não digo que eles tenham nada com o que nos está acontecendo. O que quero dizer é que eles ensinavam que a terra possui linhas de forças que são como os canais energéticos da acupuntura em nosso corpo. A Ter­ra é um ser vivo, sabemos disso, agora, mas os velhos druidas afirmavam isto há muitos séculos atrás. Pois bem, nos ensinamentos deles, as li­nhas de forças que circulam sob o solo geralmente acompanham os cursos d’água subterrâneos e são, umas, positivas e outras, negativas. Os seres vivos — e os humanos não escapam a isso — têm a tendência a acompanhar a linha de força negativa, pois ela é a que cede a energia kundaline. Já as positi­vas, estas nos roubam energia. É por isto que as trilhas das formigas assim como as dos homens no mato, são sinuosas. Instintivamente todos seguimos as emanações energéticas negativas ter­restres…

— Bem, o que tem isso com a realidade virtual lá fora? — impaci­entou-se Mara.

— Já chego lá, paciência, sim? Bom, as tais linhas de força cru­zam-se a toda hora. A este cruzamento deram-se o nome de Malha Hartman. A sabedoria druida construía os cromlech sobre um entroncamento destes para captar tais energias e dirigi-las para o alto. Não sei bem por que é que o faziam, mas a mesa de pedra existente no centro de um cromlech servia de leito para muitas operações mágicas e, também, para a cura de do­enças graves. Tudo através da energia terrestre. Os cristalomânticos da atualidade afirmam que se se puser um cristal facetado de uma determinada forma bem no meio de uma malha Hartman, pode-se abrir um portal para uma dimensão paralela à nossa.

— E daí? Você acredita que alguém colocou um cristal destes nal­guma malha existente aqui, na ilha de Milena? Se colocou, quando foi is­to?

— Não, eu não estou afirmando tal coisa. Não poderia. Mas quero dizer que de alguma forma há uma malha Hartman aqui. E ela foi ativada…

— Mas como e por quem?

— Talvez por nós… Talvez pelo Dr. Khamal… Eu não sei. Só sei que acho que não deve­mos sair as duas daqui de dentro. Uma tem de ficar olhando atentamente lá pra fora. Acho que assim a coisa não vai desaparecer e nos deixar com cara de bobas se, quando voltarmos com os outros, a realidade lá de fora tiver sumido. O que acha?

— Mirabolante — disse Mara, cética.

— Talvez, mas é uma suposição objetiva. Pelo menos, para mim.

— Tudo bem, não entendo nada de druidismo, mesmo. O que quer fa­zer?

— É o seguinte: você fica aqui. Não tira os olhos lá de fora por nada deste mundo, está entendendo? Eu vou lá fora e trago todo mundo pra cá. Aí, juntos, decidimos o que vamos fazer. O que acha?

— Bem… quer dizer… Diabos, tá tudo muito confuso, eu não consigo pensar direito. Mas… mas… bem, talvez você tenha razão… — tar­tamudeou Mara.

— Então, tudo bem. Você fica. Não vai fazer nenhum mal, não é? Agora, prometa pelo que há de mais sagrado para você que não vai correr a se atirar pela janela tão logo me veja fora daqui. Promete?

— Prometo. Mas não demora, sim?

— Não. Só o tempo de convencer a todos a me seguirem. Tudo bem?

— Tá.

E Mara voltou à cama onde se sentou e ficou a olhar para o estranho e lúgubre maciço lá fora, recortado contra um céu azul fantasmagóri­co pela luz de uma lua cheia muito clara.

Ludmila abriu a porta e saiu… para o nada. Seu pé desceu no vazio e ela caiu com lancinante grito de pavor. Seu corpo bateu na copa de um coqueiro que se dependurava sobre o abismo e suas mãos agarra­ram-se freneticamente na grande palma da árvore solitária. Escor­regou a­té quase a ponta da palma antes de poder fixar-se nela com todas as forças que possuía. A palma curvou-se perigosamente e a apavorada ruiva ficou pendendo sobre o vazio negro debaixo de seus pés. Uma das pantufas que calçava sumiu abismo abaixo e a moça sentiu o vento frio no pé descalço.  Ela olhou para  cima à procura do chalé. Queria pedir ajuda a Mara, mas seus olhos só viram a lapa escura e, acima, um céu iluminado pela grande lua cheia. Ludmila estava só, dependurada sobre um abismo sem fundo e num lugar absolutamente desconhecido.

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