A crer no que diz a Bíblia, Jesus acreditava, como qualquer judeu, na existência do Inferno. Ao lado e no link assinalado, você pode ver como é que o próprio homem descobriu,ou melhor, criou, a entrada para o Inferno. Fica no deserto doTurkomenistão. Foi uma tomada de decisão errada de militares comunistas. Mas eu não acredito que tenhamos de ir tão longe para descobrir a entrada para o Inferno. Este, se existe, está em cada um de nós. Podia ter sido encontrado até mesmo no Jesus homem. Afinal, esta história de que ele é o filho unigênto de Deus foi puro delírio criado pelo cobrador de impostos Saulo, que mais tarde passou para a História sob o nome de Paulo… Mas esta é outra história. Vamos ao que interessa, neste momento.Você já deve ter entendido aquela história dos Mudos Mi e Ma, da Qaballah. E deve ter sido capaz de empregar aquele modo de pensar, teosófico, em sua vida, no seu quotidiano. Se conseguiu fazer isto, compreendeu que a linguagem oculta não é tão difícil assim de se compreender e de se aplicar no mundo em que vivemos — os dois: o íntimo, pessoal; e o externo, social. E deve ter compreendido que assim como você está no mundo, o mundo está em você; e assim como o Mundo está no Espaço (o Pai-Mãe Cósmico), este está no Mundo e, logicamente, em você. Se o Pai-Mãe Cósmico (ou o Andrógino Sagrado como algumas escolas ocultistas denominam ao Incriado) é conhecido por você sob a alcunha de Deus, então, você pode facilmente concluir que Deus está em você tanto quanto está nos Universos infindáveis e incomensuráveis criados no Espaço. E se a Consciência Suprema e Eterna está em você, então, você é esta mesma Consciência. Portanto, não necessita de freqüentar templos de pedras para ir ao Seu encontro. Fui claro? Eu espero que sim.

Bom, a Torá mostra a Criação como sendo oriunda desta distinção entre os dois mundos. “Deus distingue a luz das trevas; o dia da noite;o homem da mulher”. Subliminarmente fica a mensagem de que luz, dia e homem estão em correspondência com o mundo do Mi, o Mundo dos Arquétipos, enquanto trevas, noite e mulher estão no mundo do Ma, o mundo do reflexo, o mundo da aparência, o mundo da Ilusão (talvez aqui esteja uma das explicações para a tendência machista dos hebreus).

É de notar que, de modo mais amplo e filosófico, o mundo do Mi (as águas acima do firmamento) corresponde ao mundo da Unidade Arquetípica e não-manifestada. Já o mundo do Ma é aquele da multiplicidade de formas manifestadas na Matéria. Uma manifestação que acontece em diferentes níveis de realidade.

Cada elemento, ou ser, ou coisa, que há no mundo do Ma é um reflexo, um sopro de seu correspondente no mundo do Mi. Portanto, este mundo superior se reflete continuamente sobre o mundo inferior, o qual não contem apenas sua imagem, mas também carrega sua potência. Assim, cada elemento do mundo do Ma é um símbolo dos Arquétipos que constituem o mundo do Mi. Atente bem para isto: o termo símbolo vem de syn-bolein que quer dizer “unir”, “juntar”, “lançar junto”. Então, o símbolo UNE ou JUNTA o “Ma” ao “Mi”. O significado de separar; desunir; lançar separado, contém-se no termo Dia-bolein. Assim, o dia-bolein separa o Ma do Mi; separa o reflexo de seu arquétipo perene e imorredouro. Quando isto acontece, o ser ou a coisa é deixado (ou deixada) vagando ao léu, privado (ou privada) de sua exata referência arquetípica e, por isto mesmo, de sua potência divina. Também aqui pode-se encontrar a explicação para a idéia de Diabo, aquele que não une, mas separa tudo. Separa o Homem de seu Criador. Diabo é um termo que se origina da corruptela de Dya-boleyn = Diabo(leyn).

Os hebreus denominam de Elohim ao “Homem do Alto”, e denominam de Adão ao”homem de baixo”. Então, Adão é um símbolo para representar a humanidade imperfeita, reflexo daquela, arquetípica e perfeita. Não foi um homem, o primeiro, colocado em um paraíso mítico por um Deus antropomórfico, como a lenda bíblica narra. Este modo de narrar os ensinamentos Qbalísticos tem por escopo ocultar dos olhos profanos e não preparados para o conhecimento, os ensinamentos sagrados. Mas o mito se transformou em um Quasímodo e, agora, milhões crêem firmemente na lenda de Adão como o primeiro homem criado por Deus. A meu ver a Igreja Católica erra quando continua encarando seus fiéis como ainda na ignorância dos tempos dos séculos de escuridão. A humanidade avançou muito em estudo e conhecimento. Se a Igreja fizesse um esforço real e honesto para afastar o véu da ignorância, seus fiéis a seguiriam com fidelidade e compreensão. Cultivar a fé baseado em uma ilusão é um erro que mantém em atraso milhões de crentes. Concomitantemente, mantém a humanidade em um estado de atraso inconcebível e inaceitável.

“Adão”, o “homem de baixo”, reúne em si a totalidade da realidade que constitui o mundo do Ma. Por isto o Mundo está nele tanto quanto Ele está no mundo. Adão contém em seu ser (seu germe, seu âmago), a promessa da realização, num futuro distante, do Elohim, o Homem Perfeito do Mundo do Mi. Por isto é que a Qaballah afirma que o homem é o ponto de encontro do Universo e dos Deuses. é aquele que está em contato simultâneo com o Céu e a Terra (a mesma coisa afirma o TAO chinês). Sua cabeça no ar significa que seu Espirito se volta para o Céu; seus pés no solo significa que seu corpo se prende à Terra. Ele é a cavilha que prente a carruagem aos cavalos; a vida à matéria;  o impulso para o alto à entropia que puxa para baixo. A estrela de David, composta de dois triângulos equiláteros, onde um tem seu vértice voltado para o alto (o Espírito) e o outro o vértice voltado para baixo (o Corpo Material) simboliza exatamente isto: Espirito e Matéria em união perfeita na busca da Ascenção.

Bom, mais um pouco de Qaballah para você meditar, estudar e aprender. Boa sorte e até à próxima.