A SEGUNDA LEI CÓSMICA

E Deus Geometriza… Outro berçário de estrelas – deslumbrante!

Falei da Lei que julgo ser a Primeira, dentre as quatro principais leis cósmicas, a Lei da Evolução. Agora, vou falar daquela que julgo ser a segunda dentre as quatro. Trata-se da Lei do Carma. Este termo, carma é confuso para a maioria das pessoas, que interpretam seu significado de modo geralmente simplista. A Lei do Carma é deveras extremamente complexa e não pretendo esgotar o assunto neste pequeno artigo, mas tão-só aclarar um pouco o tema.

Começo pelo significado desta palavra sânscrita em português: carma quer dizer movimento. Isto mesmo, movimento. Não destino ou dívida espiritual ou castigo, não. Carma é tão-só movimento. Como o leitor viu no artigo anterior, sobre a Primeira Lei, desde o início da formação de um Universo que este Arquétipo está presente, o Arquétipo Movimento. Eu o denomino de arquétipo (do grego: arkhé = além de; e typon = forma) porque o Movimento realmente está além da Forma, do mesmo jeito que Forma está além da matéria e, portanto, também é um arquétipo.


O Tzolkin Maia

A Física nos ensina que a toda ação corresponde uma reação que lhe é igual em força e contrária em direção e sentido. Ora, como toda ação implica o movimento, então, esta Lei da Física é válida para ele, também. Não há, portanto, como um ser, uma coisa, um ente, uma vez existindo dentro de um Universo, não se movimentar. E ao se movimentar, qualquer coisa cria uma cadeia de eventos fenomênicos que termina por gerar uma resultante, a qual tanto pode ser positiva para a Lei da Evolução, quanto negativa para ela. Quando esta resultante é positiva para a Evolução, diz-se que o ser gerou Dharma, isto é, gerou um resultado que está conforme a Lei, a Ordem e a Virtude. Não a virtude segundo os entendimentos relativos da Moral e da Ética humanas, mas a Virtude segundo os preceitos invioláveis e imutáveis da Verdadeira Religião, aquela esotérica.

Quando, entretanto, a resultante de uma cadeia fenomenológica de eventos gerados do movimento do ser é negativa para a Lei da Evolução, diz-se que aquele ser gerou Carma. É por isto que o público ignorante tem a tendência de julgar o carma como algo mau, ruim; um crime ou pecado que deve ser punido pelo Criador e coisas deste jaez.

A origem do Carma é muito complexa. O tema será abordado com maior profundidade em outro artigo, mas aqui vou esclarecer que no início da criação do Ser Humano havia uma espécie de Seres Etéreos, isto é, sem corpos densos, chamados na Verdadeira Religião de Dhyânis do Fogo. O termo fogo significa Mente – daí a expressão comum o fogo criador da Mente. Estes Dhyânys do Fogo são conhecidos no Cristianismo como Anjos e Arcanjos, como é o caso do Arcanjo Gabriel, entre outros.

Aos Dhyânis do Fogo foi dada a missão de criar o homem à sua imagem e semelhança. Entretanto, os Dhyânis do Fogo não podiam cumprir com esta ordem, visto que não possuíam senão o fogo da Mente. Eles podiam criar homens etéreos, mas jamais homens físicos. Esta impossibilidade foi interpretada, erradamente, pelas religiões exotéricas (Catolicismo e derivadas) como a rebeldia dos anjos maus liderados por Luzbel, sendo este Luzbel um Arcanjo integrante das falanges dos Dhyânis do Fogo.

Os Dhyânis tentaram criar o homem segundo os desígnios do Grande Arquiteto, mas só conseguiram fazê-los etéreos e incapazes de sentir, de se emocionar, pois a emoção está vinculada diretamente com a sensação. Para possuir sensação os Dhyânis teriam que ser possuidores de ossos e eles não o eram. Eram os sem-ossos. Entretanto, para ser completo, o homem tinha tanto de possuir o fogo quanto a água. O termo água, aqui, significa Sentimento, Emoção. Daí a razão de o vulgo falar em “ondas de emoção”; “um mar de sentimentos desencontrados” etc… Ou seja: o homem desejado pelo Supremo Arquiteto tinha de ser superior aos Anjos e Arcanjos, porque tinha de ser mais completo que eles.

Os Dhyânis do Fogo receberam a ordem de descer ao mundo inferior e habitar os corpos que a Terra pudesse oferecer-lhes. Esta Ordem Suprema não lhes chegou através de um E-Mail celestial, nem por um telefonema através de microondas ou por um telegrama expresso, divino. Não, nada disto. Esta Ordem Suprema estava no próprio Fôhat criador. O homem tinha que ser criado e devia ser superior aos Dhyânis. Para isto o planeta Terra havia sido planejado num sistema estelar capaz de lhe oferecer condições de vida numa dimensão de matéria densa.

A terra podia ofercer corpos densos, mas desprovidos da capacidade intelectiva, que é fruto exclusivo da Mente Pensante. Só os Dhyânis do fogo podiam legar este bem ao homem. Então, eles tiveram que descer e habitar os corpos rústicos, primitivos, feios, que o Planeta tinha para oferecer. E é a partir da presença dos Dhyânis nestes corpos que a Evolução da Raça Humana começa a se fazer ativa.

Evidentemente que, investidos nos corpos primitivos e rudes, onde o império dos sentidos superava qualquer outro menos sutil, a consciência espiritual dos Dhyânis se obnubilou, isto é, escureceu. Eles tiveram que se adequar às condições limitadas e rústicas dos corpos densos e passar a trabalhar para não somente aprimorá-lo na Forma como também construir, para esta forma, uma Identidade Intelectual. Para tanto, tiveram que se movimentar e se movimentando foram realizando cadeias e mais cadeias de Carmas. Os corpos densos não podem durar muito, pois são atacados por millhões de vidas que têm que viver no ambiente orgânico. E estas vidas geralmente não são benéficas para este organismo, geralmente levando-os à destruição ou “morte”. Por isto, os Dhyânis do Fogo têm que voltar a novos corpos e prosseguir assim até quando tenham realizado a obra do Supremo Arquiteto: a criação definitiva do Homem Perfeito. E aqui eu acabo de tocar na Terceira Lei Inviolável do Grande Arquiteto – A Lei do Retorno, ou a Lei da Transmigração da Alma (geralmente mais conhecida como “reencarnação”, termo inadequado, visto que re-encaranar seria encarnar de novo no corpo morto, o que não é o que acontece).

Cada indivíduo vivo sobre a Terra cria carma. Como o carma é um evento contrário à Lei da Evolução, ele tem de ser consertado pelo ser que o criou. Esta Lei é perfeita, pois os Dhyânis não se conformam em ter que se submeter à Carne. O Elemental Físico, o corpo orgânico que habitam, é rude e possui uma vida primitiva, instintiva, que o volta tenazmente para sua mãe, a Terra, e para tudo o que ela produz, pois estas produções é que saciam suas necessidades e satisfazem seus impulsos, do mesmo modo como os Dhyânis do Fogo se voltam ansiosamente para o Seu Criador, Brahma. O drama dos Dhyânis é que na medida em que lentamente avançam para o despertar de suas consciências divinas ainda na condição de homens carnais, o elemental físico também avança em seu primitivismo terráqueo, aprimorando suas emoções e refinando seus desejos. E isto os leva a um grande choque, pois enquanto o Elemental Físico (o corpo) deseja as benesses que a inventividade do homem cria para lhe facilitar o viver, o Dhyâni do Fogo se volta à procura de suas origens divinas. Este confronto tem que ser resolvido, custe quantos manvantaras custar. O Equilibrio entre ambos tem de ser alcançado e ambos deverão, no futuro, formar a Unidade Humana Perfeita, conhecedora profunda da Matéria, mas sua Senhora absoluta.

As catástrofes que estão vindo sobre o homem não são frutos da ação dos Dhyânis, mas sim da ação dos Elementais Físicos que, dotados de Intelecto e de uma Mente mortal, se rebelam contra o Sagrado, pois temem a própria destruição se o anseio diânico vencer os anseios elementares. Só que sendo primitivos e rudes, os Elementais Físicos atacam e desarmonizam a Mãe que os gerou e esta, em resposta, volta-se contra eles com a determinação de os exterminar. Mais um desafio para os Dhyânis do Fogo: agir para controlar a impulsividade elemental do corpo que habita e regular sua ação, de modo a retomar o equilíbrio que a Terra está em vias de perder.