MAIS UM BERÇÁRIO DE ESTRELAS

A LEI DO KARMA

O leitor já tem idéia de como esta Lei Cósmica é complexa. Então, vamos-nos lembrar que desde o princípio ela atua em nós, pois desde quando surgimos, ainda quando na forma animalesca, nós nos movimentávamos e ao nos movimentar-nos criávamos fenômenos tanto no ambiente, quanto em nossa vida mesma. Se o resultado desta nossa movimentação fosse de molde a causar dano a terceiros ou ao ambiente, então criávamos Carma, no sentido, agora, de débito para com a Natureza. Se nossa movimentação afetava negativamente a um semelhante nosso ou à nossa comunidade, então o carma era de débito com um igual.


Quando afetamos a Natureza, seja no reino vegetal, seja no reino mineral, seja no reino animal, criamos débito para com estes reinos. Nosso débito sempre existe, visto que nós nos deixamos escravizar pelo Elemenal Físico. Vou esclarecer este ponto.

Chama-se Elemental Físico nosso corpo, nosso organismo. Este corpo tem vida própria – e se comprova isto pelo seu funcionamento independente de nossa vontade. Sentimos fome quando há carência de elementos necessários à manutenção da higidez fisiológica; sentimos sede na mesma situação; evitamos calor ou frio em demasia ou qualquer outra situação danosa porque nosso corpo reclama intensamente contra qualquer coisa que lhe cause dor. Na mesma proporção temos tendência à gula, à preguiça, à resistência ao trabalho ou a esforços que cansem nosso corpo porque o Elemental Físico não gosta de se submeter a isto. Para que se movimente e execute esforços que não condizem com sua natureza terrestre, o corpo tem de ser intensamente adestrado e constantemente forçado a se superar ou a abdicar de sua tendência à entropia. Tendência à entropia significa uma tendência à inércia, à conservação da energia disponível. Então, nosso corpo, por sua natureza, só se movimentaria quando fosse acicatado por uma necessidade fisiológica, caso contrário, ele permaneceria quieto, respirando o mínimo possível, apenas o suficiente para não sofrer. E é, agora, que entra em ação o Corpo Astral, mais conhecido entre os Teosofistas como Elemental de Desejos. Este elemental é o centro dos processos emocionais, desde a mais fraca e necessária ansiedade, aquela que nos mantém acordados e alertas, até a mais violenta apoplexia ou à mais profunda depressão. O Elemental de Desejos ou Corpo Emocional não tem vontade própria. Ele responde às solicitações ou do Corpo fisiológico ou da Mente. Se o Elemental Físico predomina na pessoa, então, os desejos que se manifestam no Elemental de Desejos são voltados para as coisas terrenas, imediatas, primitivas. O coito, por exemplo, é um impulso ao prazer orgásmico puramente material. Então, o desejo coital (vulgarmente e erroneamente chamado de desejo sexual) se torna predominante na pessoa e ela age como os filmes norte-americanos mostram seus heróis: movidos pelo pênis ou pela vagina. Você deve ter notado que a tônica fundamental dos filmes norte-americanos é uma cópula nos dez primeiros minutos da fita. O herói e a mulher, que pode ser a heroína ou não, mal começa o filme e já estão atracados furiosamente, geralmente copulando numa posição absolutamente anti-natural e esdrúxula: com a mulher escanchada na cintura do homem que, de pé, encosta-a na parede e se agita frenetica e rapidamente (até porque sustentar a parceira naquela posição é estenuante para qualquer amante); ou com a mulher sentada sobre uma penteadeira, um fogão, uma mesa… Enfim, numa posição que dificilmente haveria penetração satisfatória.

Geralmente o Elemental Físico age ferindo a Lei da Evolução. Seus impulsos são imediatistas, instintivos e elementares. Assim, não há nobreza, não há bondade, não há caridade, não há sacrifício, não há altruísmo. Há o egoísmo fisiológico.

A evolução do Elemental Físico é demasiadamente lenta, relativamente à entidade Homem. Assim, os movimentos gerados a partir do Elemental Físico são, quase totalmente, cármicos. Uma vez que o Elemental de Desejos tende a responder aos estímulos do Elemental dominente (ou o Físico ou o Mental), quando o Elemental Físico predomina na pessoa, ele multiplica a força dos impulsos fisiológicos e incrementa o Carma individual. Por desejo incontrolado é que muitos casais se enrolam na vida a dois; por desejo incontrolável é que homens matam mulheres por ciúmes estúpidos; por desejo incontrolável é que mulheres cometem traições a seus maridos e estes a elas; por desejo e apego à riqueza é que os homens violentam a Natureza sem qualquer respeito; por desejo e apego ao luxo é que homens se depravam moral e eticamente e assim por diante.

Além destes dois Elementais, a entidade homem também possui outro: o Elemental Mental. Mas aqui é necessário esclarecer o que se deve entender por Mental. Como já foi dito, os Dhyânis do Fogo foram obrigados a tomar posse dos corpos grosseiros inicialmente gerados pela Terra (Elementais Físicos) para, trabalhando neles, conseguir despertar a chama da Consciência Humana que eles possuíam latente, graças mesmo aos esforços ingentes, anteriores, que estes Dhyânis tinham despendido para lhes doar sua essência, esforços nos quais, infelizmente, fracassaram.

A primeira forma ou o primeiro ‘molde” da Mente começa a ser esboçada no animal-humano através do desenvolvimento das funções perceptivas e cognitivas. Com o despertar destas características psicológicas, superiores ao simples sensorial, o animal-humano começa a desenvolver um rudimento de Identidade (ou o que se chama vulgarmente de Personalidade). Na Identidade estão as funções superiores do homem – a percepção, a cognição, a associação de idéias, a memória, o pensamento, a capacidade de deduzir ou inferir algo a partir de outro fato observado, a capacidade de falar e se expressar coerentemente através da palavra etc… Todo este conjunto de funções altamente complexas forma o que é chamado de Mente Mortal humana, pois, quando o Elemental Físico deixa de ser habitado pelo seu Dhyâni do Fogo retorna à sua Mãe Terra e tudo aquilo morre, desfaz-se.

No início este processo de abandono do Elemental Físico decrépto, suponho eu, foi bem mais intenso, mas à medida em que a forma humana se aprimorava e naquele corpo rudimentar um cérebro se formava com capacidade de responder mais amplamente a estímulos sensoriais que, antes, não eram sentidos nem percebidos, os Dhyânis do Fogo foram-se afastando do homem e deixando espaço para que sua Mente Imortal, seu Espírito, se desenvolvesse a partir da semente que, talvez após decorrido um ou mais kali Yuga, se desenvolveu lentamente nele. Fiquemos, por enquanto, com esta hipótese para fins de desenvolvimento de nosso estudo. Só para esclarecer o quanto o processo evolutivo humano foi lento, afirmam os teosofistas que no início os animais-humanos tinham predileção por carniças e carne em decomposição, pois seus sentidos olfativos não distinguiam a putrefação como algo repugnante. Com o aprimoramento dos estratos cerebrais olfativos e gustativos que passaram a permitir ao animal-humano sentir o mau cheiro e o mau gosto daquele alimento, o animal humano foi deixando de se alimentar de carne pútrida. A evolução não foi somente no sistema encefálico. Deu-se em todo o corpo e, também, no aprimoramento do Elemental de Desejos, o Corpo Astral humano. No entanto, este estava preso ao Elemental Físico, como ainda está. Deste modo, os desejos despertados no animal-humano primitivo eram de molde a se adequar ao ambiente estremamente hostil onde viviam. Eles atacavam, matavam, destruiam o que vissem como perigoso para si. Com isto, interferiam, ainda que inconscientemente, com a Evolução da Forma em outros seres e, assim, criavam carma para si. Carma que, ao retornar à existência sob a regência de seu Dhyâni do Fogo, deviam aprender a não destruir e, ao contrário, conviver, proteger e ajudar no processo evolutivo. Encurtando a longa história, hoje temos os pecuaristas que, até certo ponto, agem de acordo com o que a Lei da Evolução deseja, porém, como todos estão submetidos ao império dos sentidos e, não, do Espírito, movem-se segundo os ditames do Poder Econômico e, deste modo, mantêm um pesado carma para com os animais que criam para vender vivos a frigorificos, onde são mortos, esquartejados e distribuídos aos milhares de açougues pelos países. Agora, veja você: se você é um carnívoro, então, você está profundamente envolvido no Carma Coletivo dos que ferem a Natureza, matando animais para auferir lucros às suas custas. Por sua causa é que existem os açougues; pela existência de açougues é que há os frigoríficos; pela existência dos frigoríficos é que há os matadouros; pela existência dos matadouros é que existem os pecuaristas. Esta é uma cadeia que aprisiona fortemente todos os que se alimentam da carne de seus irmãos animais. O Carma Coletivo dos carnívoros humanos é pesado e não se esgotará por muitos e muitos milênios…. E isto tem uma repercussão terrível para cada um de nós, como veremos ao estudarmos a próxima Lei Inviolável do Cosmos.

Com a evolução da forma que nos trouxe ao momento em que estamos vivendo, também houve uma tremenda evolução do Elemental Mental (a Mente Mortal) e o resultado é que estamos num momento crítico de nossa existência, pois tendemos fortemente para o material e abandonamos quase totalmente o espiritual. As religiões exotéricas são mímicas ridículas e se transformam em instrumentos de satisfação de ganância dos que se acham profundamente mergulhados no mundo do Mayâ (ou mundo da Vaidade, segundo a Qaballah judaica). Aumentamos estupidamente nossos Carmas, tanto o individual quanto o coletivo. Por isto, a Vida na Forma para o ser humano torna-se cada vez mais árdua, mais sofrida, mais difícil, pois os mal-feitos que cometemos em grande escala retorna a todos nós com a exigência de correção sem perdão. Ou corrigimos o que fizemos de errado e nos corrigimos para não mais cair em tais erros, ou vamos arcar com as conseqüências de nossas ações. E uma vez que temos três Elementais aos quais devemos domar, redefinir e dirigir, nós acumulamos carmas tanto com nosso Elemental Físico, quanto com os Emocional e Mental. Portanto, quando a Igreja Católica impõe ao seu fiel que ore o Ato de Contrição (Eu pecador me confesso a Deus todo Poderoso, à Santa Virgem Maria, aos santos Apóstolos São Pedro e São Paulo e a todos os santos, que pequei por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa…”) não está de modo algum errada. Nós cometemos carmas tanto nas nossas ações, como nas nossas emoções e nos nossos pensamentos.

Se você meditar um pouco mais profundamente neste assunto, verá o quão difícil é “o retorno à Casa do Pai”.