Comida que virou lixo em Teresópolis

1-Tem-se encarado a defesa do meio ambiente como um modismo por:

– governos;

– grupos ecológicos;

– técnicos e cidadãos comuns.

Isto é um erro perigoso. A humanidade produz verdadeiras montanhas de lixo por dia e esta produção é altamente venenosa, devido mesmo aos inventos químicos e tecnológicos (óleo combustível, exploração de gases, isopor, plásticos, cerâmicas, tintas e outros) que, a cada dia surge no Mercado de Consumo. O homem pensa em duas coisas para sua vida:

a)  Comodismo

b)  Lucro

"Eu adoro isto que você chama de dois impostores..."

“Eu adoro isto que você chama de dois impostores…”

Fascinado por estes dois impostores, esquece-se de que vive num pequeno grão de pó que gira pelo espaço ao redor de uma estrela de quinta grandeza e que não há nenhum outro grão de pó igual a este em temperatura e pressão; em ecossistemas, águas e ares que possam abrigá-lo quando tiver envenenado irremediavelmente a Terra. Pelo menos não tão perto quanto cem milhões de anos-luz. Deus, quando aprisionou a raça humana neste minúsculo planeta sabia muito bem seu potencial nocivo e destruidor… Sabia que Sua criação teria, antes, que passar pelo estágio de criatura para, só então, avançar para o estágio de Espírito esclarecido. E nesta caminhada Sua criatura iria colocar em risco a própria existência. Um ônus necessário, ainda que perigoso.

Mas há um desafio do Criador para Sua criatura: descobrir como não sufocar sob o esterco que produz. Como bem dizia Lavoisier — e os alquimistas antes dele: “Na Natureza nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma”. Assim, o homem descobriu que pode aliar proteção do meio ambiente à Economia e, com isto, mais uma vez, cair no rio ilusório do Lucro. Ao inventar a moeda e o comércio e, com este, o Lucro, a criatura do Criador também criava, séculos passados, um meio de se defender de sua própria irresponsabilidade. “Nada se perde. Tudo se transforma”. E se a economia pode inspirar a ganância e a usura, também pode inspirar almas mais desenvolvidas que dela se servem para obter resultados sociais positivos; resultados ecológicos saudáveis e, também, inventar meios de manipulação dos resíduos venenosos para gerar economia de recursos naturais. Enquanto milhões e milhões produzem lixo inconscientes de que constroem seu próprio esquife (e entre esses, algumas centenas que o fazem conscientes do mal que criam), alguns milhares se atiram denodadamente à procura de meios de dar uma destinação adequada ao esterco mundial humano.

Estes esforçados defensores dos Ecossistemas, da Vida e do Planeta  tentam encontrar meios de aproveitar pelo menos parte do lixo para a produção de composto orgânico de boa qualidade. Tentam definir meios de reaproveitar os perigosos resíduos sólidos inorgânicos a partir da reciclagem de tais resíduos, pois sabem que este esterco industrial pode ser transformado em fonte inesgotável de boa energia. Eles ensinaram ao mundo que restos de alimentos, latas inutilizadas, vidros, plásticos, restos de construção… Enfim, tudo aquilo que outrora era simplesmente jogado ao Deus dará, não deve mais ser considerado como sem utilidade que não a de envenenar a Natureza.

O modo de o homem enfocar o lixo está mudando. O lixo, o esterco humano, é visto, agora, como uma solução viável para a sobrevivência da Terra. Criou-se, do fim de um ciclo de consumo, novo ciclo onde o papel e o plástico velhos podem ser transformados e se tornarem reutilizáveis; onde os restos dos alimentos, em vez de ficar a céu aberto alimentando insetos, vermes e bactérias nocivas à saúde e produzindo gás venenoso e chorume perigoso, se transformam em adubo e vão beneficiar o solo esgotado pela exploração agroindustrial.

É incrível, mas a criatura de Deus só aprende quando o perigo é iminente e ela sente medo. Só pelo medo é que refreia sua tendência predatória e repensa seu comportamento destrutivo. Não devia ser assim. Mas é. Só quando os recursos naturais, que pareciam inesgotáveis, deram sinais de esgotamento e só quando o planeta se desequilibrou e põe em risco a própria existência da criatura humana é que ela volta sua atenção para o exterior e a Natureza e deixa de contemplar egoisticamente seu próprio umbigo.

E eis que uma guerra tenaz surge entre os predadores que ainda continuam ferozes, e aqueles que buscam um meio de frear o instinto predatório da criatura do Criador. Entre os ainda animais e os já espitirualizados. Guerra, eis a horrível palavra mágica que nos mostra que só através da dor e do sofrimento esta raça de pequenos deuses aprende a Verdadeira Lei: amai-vos uns aos outros e à Natureza como a si mesmos.

Fala-se de reciclar com tanta freqüência que esta palavra se banalizou nos ouvidos das populações citadinas. No entanto, ela é o atual “abre-te sésamo” que pode nos trazer de volta um planeta habitável e bonito, onde a Natureza Natural pode conviver com aquela, artificial, criada pela inventividade da criatura do Criador.

RECICLAR É:

– economizar energia natural;

– combater o desperdício;

– garantir um futuro para todos;

– aprender a Sabedoria da Natureza.

Todo cidadão deve aprender – e isto já na escolinha de alfabetização – que não deve jogar lixo em qualquer parte. Mas em mais de 50% das civilizações humanas não é o que acontece. Veja-se, por exemplo, o Brasil. O brasileiro joga pela janela do ônibus o papelzinho da bala que acaba de colocar na boca, sem qualquer consciência de que aquele pequeno retângulo tão flexível e macio irá colaborar para entupir os ralos e, nas enxurradas, causar enchentes que poderão, até mesmo, matá-lo afogado. E isto não é retórica.

O brasileiro joga em qualquer parte milhares e milhares de garrafas pet que, levadas pelas águas das chuvas, terminam no Pantanal Matogrossense, sendo devoradas por jacarés e outros animais selvagens os quais, envenenados, morrem. Garrafas pet que, nas cidades, nos terrenos baldios, servem à maravilha à proliferação do Aedis Aegipti, o vetor da perigosa dengue, que mata centenas de outros brasileiros e pode até mesmo matar o dono daquela mão irresponsável que lançou fora, em qualquer lugar, aquela produção industrial criada em função do Deus Lucro.

O lixo faz proliferar as baratas; estas, atraem seus predadores, os escorpiões; estes, os ratos e assim cresce o ciclo do Mal. E este ciclo é fruto da ignorância e da preguiça humanas. É preciso mobilizar os citadinos levando-os à tomada de consciência de que a dor que poderá afligi-los com a perda de um filho ou de um irmão ou da esposa, picados por um mosquito da dengue ou por um escorpião amarelo, nasceu de sua própria ação desrespeitosa para com o meio ambiente. Só por curiosidade, veja o tempo que algumas produções industriais levam para se degradar quando abandonados ao Deus dará:

Latas                10 anos;

Alumínio           de 200 a 500 anos;

Chiclete            5 anos;

Garrafas Pet      150 anos;

Filtros de cigarro  5 anos.

Como se pode ver, coisas aparentemente insignificantes, como a borrachinha do chiclete que se masca e depois lança fora, pode vir a ser um desastre. Até o filtro do venenoso cigarro é um mal à Natureza.

Reciclar não é invenção humana. Todos os animais que habitam este planeta já o faz desde quando surgiram aqui. Reciclar quer dizer dar um novo ciclo de vida a algo que já existe, mas chegou ao esgotamento de um ciclo.

A maioria do esterco humano atual é constituída de coisas e objetos artificiais, criados pela Química Industrial. Ainda assim, é possível reciclá-lo a fim de evitar que poluam e destruam até mesmo seu criador. É curioso: o que os seres da Natureza Natural fazem instintivamente, a criatura do Criador veio aprender agora, quando o Planeta onde vive se rebela contra sua irresponsabilidade.

Quando sobrevêm as enchentes com o alagamento das ruas das cidades e o desespero angustiando seus moradores o que mais se vê são sacos e sacos de lixo boiando sobre as águas revoltas. Aquele lixo está entupindo as bocas de lobo e os leitos dos rios e quem o jogou ali foram os que agora, desesperados, gritam por socorro. Raivosos, acusam pelo seu sofrimento as autoridades constituídas. “Não há infraestrutura! Há muito tempo, há dezenas de ano que acontece esta calamidade. A culpa é do Governo que não investe em infraestrutura”. Não, isto não é totalmente verdadeiro. Não haverá infraestrutura capaz de conviver com e superar a má educação cívica de um povo. Não adianta criar galerias do tamanho de túneis de metrô para escoamento das águas das chuvas; não há limpeza de leitos de riachos e de rios que funcione, quando a população em uníssono age de modo a destruir o que houver à sua volta. O brasileiro joga nos leitos de rios e riachos geladeiras, sofás velhos, vasos sanitários, pneus, colchões e travesseiros usados e tudo o que o incomode em sua casa. Naqueles momentos de total preguiça e comodismo, não pensa que aquele curso d’água humilde um dia vai-se rebelar e derrubar sua casa, arrastando tudo furiosamente em sua marcha para o Oceano. Os “favelados”, então, são uma calamidade. Não retiram ordeiramente o lixo que, antes, levaram para seus barracos na forma de garrafas de bebida ou de embrulho para pacotes de comida ou de material de limpeza; principalmente não tomam cuidado especial com os plásticos para retirá-los de suas humildes residências. Simplesmente os lançam no barranco diante de seus barracos. Aí, quando vêm as chuvas, o solo impermeabilizado faz que tudo desça para o asfalto lá em baixo. Inclusive os barracos e seus moradores. Os “favelados” invadem locais onde o perigo grita e avisa a todo momento que está ali. Lugares que se constituem em delgada capa de terra sobre uma montanha de pedra e que, encharcada, certamente vai deslizar para o sopé da pedreira. Qualquer favelado conhece esta verdade até mesmo porque os inúmeros e seqüencias desastres anuais faz que as autoridades repitam à exaustão esta verdade. Mas não lhe dão atenção e o resultado é o que se viu e ainda se vê neste mês de janeiro de 2011. O pior é que não são somente os favelados os responsáveis pelos desastres calamitosos que causam dor e desespero. Ricos e abastados também colaboram para o perigo, devastando locais “bonitos e agradáveis” para construir mansões onde vão passara seus finais de semanas bebendo uísque e ignorando o mal que causam à Natureza Natural. Só se conscientizam de que o desastre não escolhe vítimas nem as distingue pelas posses ou pela instrução que possuam quando suas mansões também vão de embolada com os cacos de barracos de pobres e miseráveis. Seus corpos também se misturam, igualados na morte, àqueles dos excluídos. Ainda assim, o povo não aprende a se educar…

Os lixões a céu aberto, até os caboclos nordestinos do meio da caatinga sabe disto, é o viveiro para as mais diversas criaturas, desde bactérias a ratos e mosquitos. Estes lixões também produzem o chorume que envenena o subsolo e os lençóis aqüíferos subterrâneos. Febre tifóide, cólera, diarréias de diversas origens bacteriológicas, disenteria, tracoma, peste bubônica e muitos outros males provêm de lixões a céu aberto. O chorume é tão venenoso que supera até mesmo o famoso DDT. Além do perigoso chorume, os lixões geram o gás metano (CH4) e o gás sulfídrico que envenenam a atmosfera e nos coloca em risco no mundo todo (Ver o link http://www.reciclandooplaneta.webnode.com.br/home/).

Com muita freqüência o lixo é queimado visando-se com isto diminuir seu volume incomodativo. Os catadores de lixo com muita freqüência põem fogo nas montanhas de refugos, que queimam por dias e dias seguidos. Sim, o fogo diminui a quantidade de vetores de doenças e pragas que vivem naqueles locais. No entanto, a queima produz outras qualidades de venenos até mais perigosos que aqueles “naturais” do ambiente de lixo. O plástico é o pior de todos os resíduos queimados nos lixões e, lamentavelmente, ele ali é encontrado em quantidade assombrosa. A queima do plástico gera ácidos halogenados a partir das moléculas de cloro presente em alguns tipos de plásticos, como o PVC.

Uma das boas atitudes para reduzir a quantidade de lixo gerado por cada pessoa é ela se servir de produtos fabricados de forma diferente, ou prolongando o tempo de vida útil do produto.

Costuma-se, por exemplo, utilizar copos descartáveis em festas, escritórios ou mesmo em casa. É muito difícil o mesmo copo plástico ser reutilizado, pois têm como finalidade serem descartáveis –  o que alimenta o comodismo humano – e porque, visando ao lucro, as empresas que os fabricam fazem-nos tão fracos que não é possível sua reutilização. A este material, deve-se preferir o uso de outros mais duráveis, como o vidro ou a porcelana.

Algumas atitudes de redução na fonte:

– Utilizar acendedor de fogão ao invés de fósforos. Os milhões de palitos de fósforos jogados no lixo levam consigo o resíduo do composto químico queimado, nas “cabeças” dos palitos e este material é altamente danoso ao meio ambiente;

Diminuir o uso excessivo de papel higiênico, papel toalha ou guardanapos, visto que este material leva para os lixões restos de fezes que podem conter ovos de vermes intestinais que têm alta probabilidade de ser levado pela chuva ou pelo chorume a lugares sãos e os contaminar. Utilize o bidê para se lavar e a toalha de rosto para limpar sua face, assim como guardanapos de pano em vez de papel toalha;

Sempre que puder, opte por produtos a granel e alimentos frescos, evitando embalagens desnecessárias (como é o caso das carnes embaladas em isopor e papel filme);

Opte, também, por produtos concentrados (sucos, molhos e produtos de limpeza), que tenham refil e aqueles com o menor número de embalagens plásticas;

Leve sacolas, embalagens e recipientes de casa para fazer compras (o ideal é levar carrinho de feira para fazer compras pequenas), evitando inúmeras sacolas plásticas e embalagens descartáveis que vão parar no lixo;

– Planeje bem suas compras e a quantidade de comida que põe no seu prato, para não haver desperdício; o excesso com certeza vai para no lixão;

– Não compre objetos, roupas e outros bens só por que estão em promoção, a não ser que você realmente esteja precisando deles. E ao se descartar dos antigos, veja como fazer para não permitir que vão para os lixões;

– Evite desperdícios também na hora de preparar as refeições (existem receitas, como tortas, sopas e vitaminas, que são feitas com “sobras” de alimentos antes do consumo. Por exemplo, talos e ramos de verduras e cascas de frutas são perfeitamente aproveitáveis  inclusive contribuem para a melhoria da sua saúde);

– Substitua ao máximo a fritura por outros métodos, evitando o descarte de óleo (Isto também melhora sua saúde.);

– Para anotar recados, procurar substituir papéis por lousa ou quadro negro ou utilizar lápis ao invés de caneta. A tinta das canetas são compostos químicos venenosos para o solo;

– Assine jornais e revistas em conjunto com outras pessoas. Sei que é um conselho que vai desagradar os donos das editoras, mas é melhor fazer isto que ajudar na desertificação do planeta…

• Dar preferência a certos produtos em relação a outros como:

– lâmpadas de baixo consumo (fluorescentes) que são oito vezes mais duráveis que as incandescentes;

– cartuchos de impressora e pilhas recarregáveis;

– produtos de embalagens recicláveis;

– produtos de embalagens retornáveis.

É claro que muitas destas recomendações parecem difíceis de se obedecer, mas é somente uma questão de hábito. Assim como você cultivou por anos o mau hábito de lançar seu lixo ao Deus dará, cultive, agora, os hábitos acima. Eles ajudam. E muito.

PENSE NISTO.