A gente falou dos adjetivos uniformes, está lembrado? Pois bem, continuando na formação do adjetivo feminino, vou dizer alguma coisa sobre os  biformes. Eles seguem de perto as mesmas regras válidas para os substantivos. Mas…

a) os adjetivos terminados em ês, or, e u, sofrem acréscimo de um a no feminino – na maioria das vezes, sacou?

Ex.:  chinês – chinesa; lutador – lutadora; cru-crua; freguês – freguesa;

Mas observe que:

cortês, descortês, montês e pedrês são invariáveis. Por isto, se ouvir alguém dizer esta besteira: “ela é uma mulher cortesa” saia de perto correndo. Do mesmo modo corra de quem disser: “ela foi muito descortesa“.


Os adjetivos terminados em “eu” passam, no feminino, a “eia” (e lá se foi o sinal diacrítico que indicava a acentuação tônica na vogal “e”). Ex.: europeu – europeia;  ateu – ateia..

Aposto que você é um dos que nunca ouviram falar no tal “sinal diacrítico”, não é mesmo? Pois fique sabendo que acento tônico é a sonoridade mais forte que nós, das línguas portuguesa e brasileira, colocamos na pronúncia de uma sílaba na palavra. Tome o vocábulo palavra. Se você a gritar, ficará assim: pa-LA-vra. “La” é a sílaba tônica porque é onde cai o acento tônico. Sacou? Agora, há palavras em nosso idioma que requerem que se coloque um sinal diacrítico (agudo, tônico etc…) na sílaba tônica para que saibamos como pronunciá-la. Sem este sinal, o vocábulo SÁBIO tenderia a ser pronunciado SABIO. Sacou?

Agora, preste atenção: há uma regra generalista que afirma que não podemos dizer mais bom nem mais mau. Que isto é grossa besteira. Mas não é bem assim não, carinha. Quando estamos comparando duas qualidades ou duas ações isto é perfeitamente possível e recomendável. Veja: “ele é mais mau que bom”; “Esta fábrica é mais grande do que pequena”; “Ela escreveu mais bem do que mal” e assim por diante. Então, não se esqueça disto, desta regrinha “boba” que pode lascar seu esforço para ser mais um mamador na teta do Serviço Público (ah! ah! ah!).

Agora, olha que artifícios lindos que nossos adjetivos possuem:

Podemos repetir o adjetivo para enfatizar uma expressão. Exemplo: “Minha filha é linda linda!” ou seja: “Minha filha é lindíssima!” “O garoto do vizinho é feio feio”, ou seja: “feíssimo”.

Com a intenção de enfatizar vivamente o elevado grau de uma qualidade do ser, a gente emprega comparações que melhor traduzem a idéia de superlativo :

Ele é pobre como Jó = paupérrimo; ela é magra como um palito = magérrima; “este garoto fala como uma maritaca” = falastrão”; “Aquela mulher é podre de rica” = riquíssima; “O homem é podre de feio” = feíssimo; O sujeito apanhou a mais não poder” = muitíssimo; “Aquele garoto é grande a valer” = grandíssimo.

Bonito, não é mesmo? Só as línguas derivadas do Latim têm esta riqueza de representação linguística no seu falar.

Outra beleza de nosso adjetivo: ele pode ser empregado, na forma diminutiva, para transmitir uma intenção de ridicularizar alguém. Exemplo: “É, trata-se de uma mulher bonitinha…”; Seu filho até que é engraçadinho…”; “Irra! Sua mania de rancor é horrivelzinha, hein?”

E, pasme, nosso adjetivo empregado no diminutivo pode adquirir valor superlativo. Exemplo: “É bem feiozinho este seu primo, benza-o Deus!”. “feiozinho”, aqui, quer dizer horrível; muito feio.

Não é lindo o nosso idioma? Então, ame-o como você ama  ao seu time de futebol, ô fanático por inglês!

Até nosso próximo encontro.