O crime enfeia a alma. Vejam a cara da ladra de Limeira. É preciso dizer mais?

O crime enfeia a alma. Vejam a cara da ladra de Limeira. É preciso dizer mais?

Oia, fio, véio tava na moita, quer dizê, iscundido, num sabe? Só zoiando aquela telinha mágica que só dá notícia ruim. E aí, véio Orozimbo teve um sobressarto. As muié dos prefeitos e seus indignos fios tão metendo a mão no pote de melado.

Uma tar de Constância Berbete Dutra e seus fiotes se fartavam. Ela era a primeira dama de Limeira, em Son Palo. Era uma gastança só. E óia que o dinhêro era destinado às iscola, pras merenda iscolá, num sabe E à saúde pública. qui sem-vergõia, né não?

E não era só a muié do prefeito, não. As irmãs dela tombém ‘tavam nadando no melado. Segundo a telinha mágica, chamam-se Lucimar Berbert Dutra e Verônica Dutra Amador. Agora, veja só. A gente inté pensava que as muié era mió qui os home, no Guverno. Apois não é qui elas tão botando as maguinhas de fora? Aí, véio ficô pesando: “Será que foi só essas daí? Será que há mais? Será que elas já tavam pondo as mangas de fora há muito tempo e ninguém tinha percebido? Quantas mais tão fazendo isso?” 

A quadria foi presa, mas já está sorta. O povão de Limeira quiria descer a lenha no lombo gorda da bandidona, mas a puliça num deixô. Qui pena, sô. Um lombo ruliço daquele tinha mais era qui ser açoitado em praça pública. O povo tem o dereito de ver a bicha e seus bichim piar feito galinha a cada chibatada. Às vezes véio pensa qui seria mió aqui no Brasil a gente fazê cuma fazem os muçulmanos. Roubô? Corta a mão dereita e joga fora. Roubô de novo? Corta a mão isquerda. Tornô a roubá? Corta o pescoço e pronto. Ixi! o que ia dar de cabeça sem corpo aqui no Brasil nem dá pra imaginá, né não?Fio, vem aí mais um ano de eleição. E véio viu, na telinha, um bando de bichão gordão deitando falação. E cuma falam, os pestes! E cuma são bonzim! Cada um gordim qui dá gosto… E tudo falando de Democracia; tudo cobrando da Vovozona o qui eles jamais fizerum, antes, quando madavam aqui. E os carrapatos, aqueles que só véve grudado nos fundo dos qui trabaiam, esses é que falam pra valer, gente. Agora, mecê já reparô qui todos eles, sem exceção, seguram alguma coisa entre as mãos, quando estão falando? Véio bem qui quiria sabê o qui é qui eles seguram ali… E deve ser pesado, pois só conseguem sacudir as mãos pra cima e pra baixo. Deve de sê a pouca vergõia, né não? Tarveiz o discaramento qui cada quá tem de sobra.

Esse aqui é o Paulinho riso frouxo, fio. Tá arrebentando de dinhêro robado. Entoce, vai lá! assarta ele tombém!

Esse aqui é o Paulinho riso frouxo, fio. Tá arrebentando de dinhêro robado. Entoce, vai lá! assarta ele tombém

Os pulíticu são responsarve pelos bandidos qui apurrinham a paciença do pessoá das cidades grandes e das pequenas tombém, pois agora eles adiscubriram qui é mió assartá nas cidades piquininhas onde a puliça é poca e despreparada. Agora, véio num sabe se bandido tombém lê ele aqui, neste tar de brog. Mas se lê, entonce tomem este conseio: vão assartá as muiés dos prefeitos. As muiés, as irmãs, os fios, os enteados e tudo o qui tiver dependurado nelas.

Essa gente, os pulíticu, ‘tão cum dinhêro qui era procês, quando suncês ‘tavam na iscola, num sabe? Se suncês nunca viram a merenda escolar é pruque o dinhêro foi surripiado pelas ladronas e pela curriola delas. Se o pai, a mãe, o fio, o irmão ou a irmã de suncês morreu à mingua na porta de um hospitá público é pruque os de colarinho branco levaram o dinhêro qui era para comprá os apareios de tratá dos doentes e num treinaram pessoá pra sabê mexer cum eles, num sabe? E foram as ladronas que estão sendo adiscubertas agora, qui meteram a mão no melado. E as ladronas são ou foram as muiés deles, num sabe? As bichas, por detrás dos bichões, mandavam ver. Óia, fio ladrão de chinelo, as danadas preferem comprá cumida cara pros cachorros delas do qui deixá fio de pobre merendá na iscola. E suncês, bandidinhos pé rapado, vieram daquelas iscolas sem merenda, num foi mermo? Durante munto tempo amargarum dor de barriga de fome, enquanto as danadas ‘tavam esbanjando à-toa o dinheirim da merenda de suncês. E apois! Os puliticu e as muié deles devem munto a suncês. Entonces, é certo qui suncês vão cobrá deles o qui eles tiraram de suncês, ora pois!

Óia, fio bandido, se por detrás de um grande home há uma grande muié, entonce é fácil deduzir qui por detrás de um grande ladrão há uma muié ladrona mais grande ainda. Entoce, caiam matando em cima das bichinhas, num sabe? E aproveitem e dêem uma sova bem dada nas donas, com relho de surrá burro empacado, sim sinhô. Faiz isso por preto véio qui véio vai ficá munto alegre, ora se vai.

Se suncê pensá qui esse Brasilzão é grande pra diabo, entonce, vai concluí qui o qui tem de bandido de bem, resguardado pelas Leis qui eles mermo aprovaram pra se precavê contra a Justiça, num tá no gibi. Eles roubam tudo o qui devia vir para suncê, bobão. Em veiz de ficá roubando trabaiadô idiota, qui no Ano da Democracia Obrigatória vai todo feliz atrás do carro de som dos ladrão distribuindo “santim”,  vancês vão atrás dos patifões. Eles, sim, devem ser assartados por suncês. Ah, e se puder, enfia uma azeitona de chumbo bem no meio da testa dos qui suncês assartarem. Assim, suncês tão colaborando para a limpeza da Casa do Poder no Brasil. Tarvez, com isto, os netos e os bisnetos de suncês herdem um Brasil mais limpo, quem sabe?

Óia, fio, este aqui pode ser assartado. Ele tá dizendo qui farta só um tiquim assim, para encher o baú cum dinhêro furtado do povo.

Óia, fio, este aqui pode ser assartado. Ele tá dizendo qui farta só um tiquim assim, para encher o baú cum dinhêro furtado do povo.

Ah, sim, suncês sabem o que é o tar de vereadô? São aqueles qui nada sabem e qui, por isso mermo, tão iniciando a carrêra de ladrão enganador. Entoce, caiam matando em riba deles tombém. Roubem os pestes. Assaltem suas mansões sem peso na consciência, pois já se diz há muito tempo que ladrão qui rôba ladrão tem cem ano de perdão. Entonce, o que qui suncês tão esperando? Cem anos de perdão, gente. Suncês podem pecar à vontade. Adispois, é só roubá puliticu e pronto. Tão sarvos. Pensem nisto, tá certo?

Óia o mundão de Deus, fio. Vê cuma é qui o povão tá subindo nas tamanca contra os qui estão mamando gordo na teta do dinherim público. Nos tar de Estados Unidos o povão tá doido pra desancá banqueiro, num sabe? Afinar eles adiscubriram que tão levando ferro grosso, quando pensavam qui só os do sur levavam o negócio no rabo. Mas agora qui adiscubriram qui nem os dele tão sendo aliviados, danaram e querem dar cascudo nos gordões qui mexem com o Puder. Mas num sei não… Os ricaços têm a puliça do lado deles. Ainda qui puliça ganhe poco no mundo todo, parece qui são escolhido a dedo, pois mêrmo sendo um pedaço do povão, desce o pau neste mêrmo povão, quando ele se rebela contra a injustiça.

Vá entender gente pobre, vá!

E véio ouviu qui na África, donde vierum seus antepassados, cumeça a fartá água inté nos tempo em qui ela era abundante. É bom pôr as barbas de moio, num sabe, fio? Imbora cá no Brasil água é o qui num farta, é bom ficá de zóios bem abertos e zureias bem espichadas. Se as chuva arrareá, cuma véio ouviu dizê na telinha mágica, entonce aqui tombém a coisa vai ficá feia pra diabo, ora se vai! Num adianta o fio pensá qui tem cerveja, não, pois cerveja só se faiz cum água, num sabe? Tem a pinga, mas a marvada tem a mania de deixá quem dá uma bicada no copo totalmente bêbado e num é bom ficá bêbado na rua, num sabe. Nem na rua nem atrás de uma direção, pois o bicho tá pegando. Quem anda a pé num perdoa quando arguém, bêbado e dirigindo um carro, mata um inocente. Num viu o caso do motorista de ônibus, não? O coitado atropelou pessoas pruque táva cage indo pras bandas de lá. O povão, doidão pelo pó, pela cachaça, por sei lá qui diabo tavam tomando naquela noite, puxaram o coitado para fora da boléia e desceram o cacete nele. Pois é! Se suncê é dos qui bebe pra dirigir, é bom fazê seguro de vida pra deixá um pé de meia prus seus, pois se fizé cagada atrás da direção, tá arriscado de ser linchado pelo povão…

Mas véio Orozimbo já falô demais. Tá na hora de ir prantá arguma coisa no quintá. Tarvez um poco de mandioca, num sabe? Mandioca é boa pra enganar a fome, fio. Véio sabe bem disto…

Mas vê se num isquece, minino bandido. Assarta pulitico e muié de pulitico. Vai dar mais lucro, num sabe?

Vão com Deus e que ele feche os óio quando suncês encontrarem um cabra da peste qui anda se lambuzando cum o qui não lhe pertence…

Inté mais vê!

.