A SABEDORIA DE OROZIMBO.

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Eu estava colocando água quente sobre meu braço esquerdo, que doía muito nos tendões e no cotovelo, quando o velho Orozimbo entrou pela porta. Licença! pediu, o que me causou estranheza, visto que ele sempre chega sem cerimônia e já estamos acostumados a isto, ele e eu. Trazia o cachimbo na mão e se sentou no toco sem mais aquela. Notei-lhe a carranca fechada e intuí que alguma coisa o aborrecia.

"Em nome de Jisus!" Ele vende milagre a granel.

"Em nome de Jisus!" Ele vende milagre a granel.

– O que aconteceu, meu amigo? Você parece irritado…

– Tô não. Eu tô mermo é arretado de aperriado, é isso qui véio tá, nhor sim.

– O que aconteceu?

– Véio andô arengando cum pereba evangélico, num sabe? O peba me saiu cum leriado safado a respeito de Exu. Esses sujeitim fantasiado de santo são amostrados, num sabe? véve se izibindo cuma se já tivesse sarvo. Num sei de quê. Tarvez dos gas fedorento que traz nas  tripa de tanto cumê carne.

– Hummm… Você andou arengando com um pastor evangélico, foi?

– Pió. Cum uma das oveia de um deles. Os bichos são antolhados, num sabe? Arrepete o qui o espertalhão diz e nem se dão ao trabaio de pensá no qui tão dizendo.

Aquilo era sério. O velho estava muito irritado.

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EM NOME DE JESUS.

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Este velho decrépito, tarado, de 84 anos, está na iminência de ir prestar contas de seus abusos "em nome de Jesus". Seu nome? Aldo Bertoni, pastor.

Este velho decrépito, tarado, de 84 anos, está na iminência de ir prestar contas de seus abusos "em nome de Jesus". Seu nome? Aldo Bertoni, pastor.

Ligado à TV em um canal evangélico, Orozimbo olhava carrancudo para o pastor que displicentemente anunciava milagres às carradas “em nome de Jisus”. Aliás, este é seu bordão. Diz duas frases e manda lá o bordão “em nome de Jesus”. Observeio-o, claro, ao Orozimbo, durante um longo tempo, mas ele não pareceu dar-se conta de minha presença. Então, também calado, sentei-me a seu lado e assisti ao tal programinha safado, “em nome de Jisus”.

Nunca o Grande Mestre foi tão insultado. Nem mesmo quando o dependuraram no madeiro injustamente. Por todo o Orbe terrestre milhares de espertalhões como o que estamos olhando agora gritam por seu nome e passam a sacolinha para encher a burra do safado que “faz milagres” em seu nome, tal e qual Ele mesmo tinha predito.

E confundem Jesus com Jeovah. E dizem que Jesus é seu filho dileto, quando não é nada disto. Mais

AS DÚVIDAS DE OROZIMBO.

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– Vosmicê tem um tempim pro véio? – Era Orozimbo que vinha se “abancá” no tamborete que mandei fazer exclusivamente para ele. Não gostava de cadeiras. Queria um tamborete que chamava de toco. Ele se sentou no toco e foi logo falando sobre o que o estava preocupando.

Mente Corpo e Emoção em uma só vibração. O Tai-Chi-Tchuen é lindo porque não se prende apenas a técnicas de defesa e contra-ataque.

Mente Corpo e Emoção em uma só vibração. O Tai-Chi-Tchuen é lindo porque não se prende apenas a técnicas de defesa e contra-ataque.

– Vancê dixe, na otra veiz, qui a gente véve pelo pensamento. Aí, véi ficô pensando: e se num for pelo pensamento, por onde a gente ia vivê? Véi quiria qui vancê ixpricasse isto mió.

Eu não tinha pensado na curiosidade enorme de Orozimbo. Eu lhe falara de coisas que ele não conhecia e, agora, ia ter de me explicar direitinho, pois ele, com toda a certeza, tinha muitas perguntas a me fazer. Então, o melhor era ter paciência para responder a todas.

Além do mais, sua curiosidade sempre resultava em algo bom  para nós ambos. Obrigado a falar sobre alguma coisa para lhe esclarecer dúvidas, eu tinha de pensar a respeito de detalhes que, antes, jamais havia levado em conta. Por isto, gostava muito quando ele vinha-me questionar.

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OROZIMBO E A INTROSPECÇÃO

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Relaxado sim, mas alerta sempre.

Relaxado sim, mas alerta sempre.

Ele veio de manhãzinha. Sentou-se e tomou o chá mate comigo. Então, acendendo seu indefectível cachimbo, olhou-me de frente e perguntou com aquele brilho no olhar que eu já conheço.

– Vancê vai-se metê na pulititica?

Eu me espantei. Olhei-o ressabiado. O que ele queria com aquela pergunta?

– É qui véio ouviu o netim lê o qui vancê iscreveu em seu brog, num sabe? A respeito da idéia daquele seu leitô discunhecido. e véi ficô pensando se vancê tombém tinha arresorvido metê a mão no melado.

– Ora, meu amigo. Você conhece minha vida de cabo a rabo. Tive inúmeras oportunidades de me mancomunar com crápulas que faziam isto. Tanto na polititica do Rio de Janeiro, quando trabalhei no Palácio Guanabara, quanto na EMBRATEL, quando trabalhei sob o comando de coronéis trapalhões e “espertos”. Nunca me deixei bandear para o lado de nenhum deles. Não seria agora, já vendo o ocaso do Sol de minha existência, que faria isto. Mais do que nunca estou convencido de que “meu reino não é deste mundo”. As ilusões que aqui se vive já não me atraem nem um pouco. Vejo a vida dos outros como brincadeiras inconseqüentes de crianças dopadas. Só isto. Mas não sinto nenhuma atração por qualquer coisa que se afigure “brilhante” para o resto das pessoas. A rigor, Orozimbo, a vida que se leva nesta existência é somente um teatro, apenas isto. O espetáculo sempre terá um fim e este fim quase sempre é solitário e melancólico para o ator que deixa a ribalta.

– Hummm… Mas a gente fica pensando qui suncê tá interessadim mermo pra entrá pra pulititica, moço. Mais

MSP – MOVIMENTO DOS SEM-POLÍTICOS. ONDE ANDAM SEUS MEMBROS?

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As vassouras ainda não estão varrendo a sujeira do nosso Poder Podre. Mas há esperança com a Ficha Limpa e Gente que Presta agindo, agora.

As vassouras ainda não estão varrendo a sujeira do nosso Poder Podre. Mas há esperança com a Ficha Limpa e Gente que Presta agindo, agora.

Este movimento é formado pelos sem-partidos, sem-bandeiras vermelhas, sem-políticos apadrinhadores, sem-apego-à-corrupção, mas com patriotismo, com esperança de ver um Brasil realmente político, com uma revolta fervendo no peito contra os que, ladrões convictos, se apossaram do Poder e dele não querem mais sair, jogando nosso país na mais absoluta miséria. SAÚDE PÚBLICA? Morre à míngua junto com os que, abandonados pelo Poder Público, expiram em agonia às portas dos hospitais. Enquanto isto, o Poder Público entrega sua obrigação e seu dever às Redes Sociais de Saúde, que cobram uma exorbitância para prestar um atendimento medíocre. EDUCAÇÃO? Não existe mais em lugar nenhum; nem nos lares, onde devia começar, nem nas escolas, onde devia se aprimorar; nem nos clubes desportivos; nem nas conduções públicas; nem entre os desconhecidos que picham os muros das casas das cidades impunemente e apoiados por “xicólogos” que encontram desculpas esfarrapadas para esta falta de educação cívica e moral; nem entre os motoristas; nem entre os pedestres; nem entre os policiais… Enfim, a Educação está agonizando no nosso país. Mais

OMESSA! VI A TAR DE TELINHA E FIQUEI BESTA, SÔ.

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Olha a mulherada aí, gente!Véio num gosta munto de ficá sem fazê nada, só oiando a televisão, num sabe. Mas às veiz meu netim me apoquenta as idéia e aí dou uma cuié de chá pr’ele me deixá im paiz. E apois. Num destes dias, acho que foi no domingo, fiquei assistindo as tar de Iscolas de Samba. Gente, qui locura! Tinha bunda pra todo gosto. Preta, magra, gorda, branca, com aquelas preguinhas qui enfeiam as coxas e qui as dona chamam de celulite; e tinha barriguinha e barrigona a dar com o pau. As muié tava tudo doida. Saracoteavam em riba de uns sapatim com sartim deste tamaninho, num sabe? Véio ficô de butuca arregalada de ispanto. E num é qui as danada num caiam dali, sô! E óia qui as dona tinha umas coxonas de metê inveja a carqué marmanjão fortão de cinema. Era cada pernona de arripiá. Véi ficô pensando qui se aquelas perna se fecha ao redor da cintura dum cabra naquela hora do fungado o bicho brocha, ora se brocha! Mais

FINALMENTE, BACO SE FOI.

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Bloco da Preta - briga estoura e Preta Gil diz que é por falta de sexo... Será?

Bloco da Preta - briga estoura e Preta Gil diz que é por falta de sexo... Será?

Acabou a loucura dos sentidos. O Mercado ri à-toa e cetenas de famílias pelo Brasil a fora chora seus mortos. Valeu a pena? A vida humana vale tão pouco? Vale um lucro passageiro que já está esquecido e seu Deus, o Mercado, já corre atrás de outro ópio para os sentidos consumistas do povo? O que vem agora? Dia das mães? Dia dos pais? Dia do sapato velho do vovô? Dia do cãozinho lulu da vizinha boazuda? O que vem agora?

Vem o dia da miséria humana. É sempre o que se segue à loucura do consumismo desenfreado, tocado sem dó nem piedade pelo aguilhão do Mercado. Eu não sei se há, neste momento, alguém que esteja lendo o que escrevo e sinta em seu íntimo a tristeza por se ter deixado levar pela loucura dos sentidos. A menina jovem que “perdeu o cabaço” e, agora, está angustiada temendo uma gravidez indesejada, cujo autor ela desconhece para sempre ou, o que é pior, é um “ficante” que deu no pé quando percebeu o perigo. Ou o pai de família que se endividou até o último fio de cabelo para viajar para a Bahia, ou Recife ou Rio de Janeiro e, agora, amarga a perda de um ente querido que desconhecidos violentos fizeram “subir mais cedo”.  Mas se há, seu único consolo é sabe que no Brasil, neste momento mesmo, há centenas de outros angustiados que de uma ou de outra forma choram o terem-se entregado ao império dos sentidos, o Reino de Baco. Mais

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