ENFADO E INQUIETAÇÃO

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Tem momentos na vida que a gente se sente um verdadeiro asno...

Tem momentos na vida que a gente se sente um verdadeiro asno…

Eu estava diante do computador fazia meia-hora, sem ânimo nenhum para continuar escrevendo sobre o Piauí. Também não tinha nenhum ânimo para escrever sobre polititica nem sobre qualquer outro tema. Estava pensando seriamente em deixar o blog pra lá. Recostei-me no espaldar da cadeira, fechei os olhos e deixei a mente vaguear. Alguma coisa a estava bloqueando e eu tinha de tentar buscar a causa. Ou isto, ou deixar o blog parado ad infinitum.

Uma hora depois, cansado e desanimado, desliguei o computador e foi ler. Estou no final do volume VI de Cavalo de Tróia. Finalmente. Mais da metade deste volume é dedicado pelo autor à exploração das condições de vida dos hebreus e dos povos que viviam naquela época e cruzavam caminhos pela Palestina. É tremendamente cansativo e o estilo romanesco de Benítez francamente não é de meu agrado. Mas já quase no final do volume, eis que até que enfim o Major e seu companheiro de aventura que se apresenta como Jasão, estão, finalmente, no monte HERMON na companhia de Jesus. O Mestre está com 30 anos e lá em cima completa 31. E é naquele local “perigoso”, cheio de bandidos ferozes e ursos não  menos, que eles três passam cinco semanas. Mais

CAMPO MAIOR, 9 DE AGOSTO DE 1822 (II)

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Eis a Casa de Câmara e Cadeia, onde se estabelecera o Governo da província de São José do Piauí.

Eis a Casa de Câmara e Cadeia, onde se estabelecera o Governo da província de São José do Piauí.

Raimundo e Luis cruzaram a pequena e simpática pracinha onde imperava a Igreja Matriz de Oeiras, a Catedral de Nossa Senhora da Vitória, concluída em 1733, e avançaram a passo firme para o Palácio do Governo. Este se estabelecia na Casa de Câmara e Cadeia, mandada construir por Carlos Cesar Burlamaqui, e ficava ao lado da praça da Igreja Matriz.

Foram recebidos por um criado de libré, emproado, que, após receber as identidades dos dois visitantes, conduziu-os sem delongas à presença do Major João José da Cunha Fidié, Comandante das Armas.

O cenário mudou pouco, na velha Oeiras. A Igreja, a praça e os casarões continuam de pé, dando testemunho da História.

O cenário mudou pouco, na velha Oeiras. A Igreja, a praça e os casarões continuam de pé, dando testemunho da História.

A sala onde se encontrava o Comandante era sóbria, mas mobiliada com o que de melhor podia ser encontrado naquelas paragens. Mesa de mogno, rústica, cadeira de espaldar alto, um tinteiro com pena de ganso ao lado, um mata-borrão e várias folhas de papel espalhadas sobre o tampo da mesa. No lado direito, sobre uma mesinha auxiliar, descansava uma garrafa de vinho tinto e uma bandeja com meia-dúzia de taças. Sentado na cadeira de espaldar alto e assento seco, sem almofada, o Major os olhou fixamente, enquanto seus convidados paravam a uma distância respeitosa, no meio da sala. Algumas poltronas sobre um grande tapete persa, caríssimo; quadros do Rei de Portugal e de vistas do Rio de Janeiro e cortinas pesadas, abertas para permitir a entrada da luz através das longas janelas do segundo andar. Um candelabro com uma centena de pingentes de cristal pendia do centro do teto. A pintura era antiga, mas estava muito bem conservada. Era só.

Fidié pôs-se de pé e encaminhou-se até seus convidados, estendendo-lhes a mão, depois do cumprimento militar. Ao capitão não passou despercebido o olhar escrutinador do Major sobre seu uniforme, mas o homem não fez nenhum comentário.

— Senhores — disse o Comandante das Armas — agradeço que tenham tido a gentileza de me atenderem o convite. Queiram sentar-se, por favor. E fiquem à vontade. Aqui, dispenso as hierarquias da caserna.

Com acenos de cabeça os dois convidados agradeceram a gentileza da recepção, mas se mantiveram de boca fechada. Fidié voltou à sua cadeira e se debruçou por um tempo estudando os papéis de identificação dos seus convidados. Então, findo seu exame, estendeu-os a seus donos, desculpando-se pelo inconveniente daquela formalidade.

Gordo, covarde, tolo e fútil, ele perdeu o Brasil porque não soube se tornar brasileiro.

Gordo, covarde, tolo e fútil, ele perdeu o Brasil porque não soube se tornar brasileiro.

— Como ambos sabem muito bem — falou, depois que os dois homens voltaram a se sentar. — Parnaíba tem dado dor de cabeça a El Rei, Dom João VI. Logo, logo, desconfio que partirei para aquelas terras a fim de colocar freios nos cabeças quentes que agitam inconsequentemente o povo bom e pacato da localidade. Mas, antes, pretendo contar com a colaboração dos senhores e foi para tratarmos deste detalhe que eu solicitei vossas presenças aqui, antes da cerimônia.

Houve um momento de silêncio, quando, incomodado, o Coronel Raimundo pigarreou e se remexeu na cadeira.

— Senhor Comandante — começou o Capitão Luis — mais precisamente, o que tensiona a nosso respeito?

O Coronel Raimundo lançou um olhar espantado para o Capital. O homem era temerário. Como é que podia inquirir o Comandante daquele modo seco e direto? Por momentos temeu uma reação desagradável de Fidié, mas não foi o que aconteceu. A reação foi desagradável, sim, mas já estava na cabeça do Comandante há muito tempo e foi o que o Coronel compreendeu depois que lhe ouviu a fala.

— Ótimo que tenha perguntado, Sr. Capitão. Ótimo que tenha perguntado. Serei direto: quero os senhores como meus aliados. O Coronel, já sou sabedor, é dono das cinco maiores fazendas na província de Campo Maior. Também sei que é um dos mais importantes fornecedores de gado para abate e que fornece esta carne para o Sul e o Sudeste do país. Quero garantir que o Coronel não sustará este fornecimento, independentemente dos rumos que possa tomar a política portuguesa no Brasil. Quanto ao senhor, Capitão Luis, desejo que se torne meu informante para o que anda acontecendo pelo interior deste imenso território. Sou sabedor de que o senhor tem contatos muito… estreitos com certos líderes revolucionários de outras províncias. Vou citar os nomes de alguns deles: João Cândido de Deus e Silva, civil; Simplício Dias da Silva, coronel; Domingos Dias da Silva, Capitão e irmão do coronel Simplício e do Sr. Cândido; José Ferreira Meireles, civil; Bernardo de Freitas Caldas, Capitão; e Joaquim Timóteo de Brito, tenente. Estas pessoas são suspeitas de serem partidárias do movimento de independência que se alastra por algumas províncias no Brasil. Como militar o senhor tem penetração junto a elas. Também sei que o senhor tem certa simpatia por este movimento caracteristicamente traiçoeiro à Coroa portuguesa, mas tenho autoridade para lhe relevar tal tendência, desde que se torne meu colaborador. O que me dizem?

Malandro, bom-vivant, namorador, aventureiro, este sim, soube ser brasileiro e terminou de caganeira às margens do Ipiranga.

Malandro, bom-vivant, namorador, aventureiro, este sim, soube ser brasileiro e terminou de caganeira às margens do Ipiranga. Foi assim, na merda, que nasceu nossa Independência.

O capitão Luis manteve-se em silêncio, olhando fixamente para o Comandante de Armas. Sabia que estava correndo perigo. O homem bem podia mandar prendê-lo ali mesmo sob a acusação de alta traição e a forca começaria a balançar sobre sua cabeça assim que fosse jogado na cadeia.

— Sou fazendeiro e comerciante — disse o Coronel Raimundo, percebendo a entaladela em que se encontrava o Capitão. — Não tenho nenhuma intenção de cortar o fornecimento de gado para as regiões que o senhor citou, Comandante. Seria dar um tiro no meu pé. Portanto, fique tranqüilo quanto a este detalhe. Quanto ao Capitão, sendo um militar de honra e digno da farda que veste e que pertence a Portugal, seria ilógico que não trouxesse para ela sua fidelidade. Conheço bem meu amigo para lhe afiançar que ele não trairá a coroa. No entanto, preciso chamar sua atenção para as pessoas que citou. Elas são da província de Parnaíba, que fica no extremo norte do Piauí, bastante longe de Campo Maior. Será muito difícil, senão impossível mesmo, ao Capitão Luis manter vigilância sobre tais pessoas.

Fidié olhava fixamente para Luís, que sustentava com galhardia aquele olhar altamente inquiridor e penetrante.

— Eu gostaria de ouvir esta afirmação da boca do Capitão — disse o Major e sua voz estava grave e tensa.

— Faço minhas as palavras do coronel, comandante. Ele expressou muito bem o tema — fugiu o capitão. Fidié apenas balançou a cabeça afirmativamente. Então, olhando o relógio de bolso, levantou-se e convidou seus visitantes a seguirem com ele para o palanque cerimonial. Durante o trajeto não se falaram. A tensão era visível entre o Comandante e o Capitão. O Coronel Raimundo não estava gostando daquele clima. O capitão, em sua opinião, podia ter sido mais flexível. Mesmo que fizesse uma promessa mentirosa, devia ter dito ou feito alguma coisa. Seu silêncio era acusador e o tal Fidié já deveria tê-lo classificado negativamente em sua avaliação. Ao menos ficaria como suspeito, o que atrairia a vigilância do Comandante sobre Campo Maior, o que não era desejável do ponto de vista do Coronel.

A cerimônia não foi demorada. Não durou duas horas. E foi simples. Empossado, o novo Comandante de Armas fez sinal aos dois para que retornassem com ele ao Palácio. Contrariado, Raimundo olhou para Luis, que deu de ombros.

Já sentados diante do novo Comandante, tensos, eles aguardaram. O homem mexeu em alguns papéis, tomou da pena, molhou-a na tinta e escreveu qualquer coisa na folha. Depois, colocou nela seu sinete, dobrou-a em duas e a meteu num envelope, que selou e passou às mãos do Capitão.

— Aqui estão suas ordens, capitão. Espero receber seus relatórios a cada trinta dias, sem falta. Por favor, podem retirar-se. Estão dispensados.

Fazendo força para se controlar, Coronel Raimundo cumprimentou com um curvar de cabeça, enquanto o Capitão fazia a continência de praxe, batendo forte os calcanhares. Com dois passos marciais para trás, girou militarmente e ambos se retiraram sem dizer nem uma palavra.

Fidié permaneceu olhando a porta por onde os dois homens tinham saído. Então, tocou uma sineta e logo seu ajudante de ordens se apresentava diante dele.

Sentados à mesa da pousada, aguardando o almoço, os dois amigos conversavam.

— Você notou que poucos foram os que compareceram vindos de outras comarcas piauienses? E não eram pessoas significativas do ponto de vista político — dizia o capitão, tamborilando os dedos da mão direita sobre o tampo da mesa.

— Percebi isto. O Piauí não está nas boas graças do novo Comandante de Armas — comentou o Coronel, vagueando o olhar para fora do grande salão de refeições. — Esta tendência a apoiar o movimento separatista não me agrada. A mão portuguesa é bem pesada sobre as cabeças dos rebeldes.

— O interessante é que D. João nunca deu a mínima importância à nossa terra. A Coroa nos ignorou solenemente durante todos estes anos. Agora, quando o povo começa a se posicionar, eis que ela se volta para nós toda ciosa de nossas preferências. Não são mais importantes São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Porto Alegre?

— Capitão — disse o coronel, olhando Luis dentro dos olhos — Nós temos comida. Boa comida. E temos açúcar e algodão. Tudo é valioso quando se está de barriga cheia. Mas se há ameaça de ela vir a ficar vazia, então, a comida se torna mais valiosa que ouro e pedras preciosas. Não temos o suficiente nem de um, nem de outra. Mas temos de sobejo a carne e o açúcar. E é de carne e açúcar que o povo vive, meu amigo. Nisto, o Piauí dá de dez a zero nas outras comarcas, estejam elas onde estiverem.

— Eu creio que não vai demorar e nós, o Major Fidié e eu, entraremos em choque. Isto me preocupa. Sou o comandante da milícia em Campo Maior. Se ele interpretar minha resistência em obedecer às ordens estúpidas que me deu, poderá, por extensão, achar que toda a província campomaiorense é suspeita. Aquele homem é determinado, pode-se ver isto no seu olhar e na postura de seu corpo. E durante a solenidade observei que tem desprezo por nossa gente.

O Coronel olhou para o Capitão com uma interrogação na face.

— Sim, sim —, respondeu o militar à pergunta muda contida naquele olhar. — li as ordens e sabe o que fiz com elas? Rasguei-as e joguei fora.

— Arre, capitão. O senhor não acha que foi precipitado, não?

— Mais cedo ou mais tarde teremos de tomar uma posição, caro Coronel Raimundo. E eu quero deixar nossa posição bem clara desde já. Campo Maior não vai optar por Portugal, de jeito nenhum. Não podemos fazer mesura para quem sempre nos tratou com desprezo. Muitas de nossas cidades já se agitam. Parnaíba e Piracuruca dão o exemplo, Coronel. Campo Maior não pode ficar atrás.

— O senhor é um militar. Deve obediência…

— Ao Brasil, meu caro Coronel. E somente ao Brasil e a Dom Pedro, quando ele nos separar da Coroa portuguesa.

Sem dizer mais nada Coronel Raimundo tirou um charuto do bolso e acendeu. Soltou a primeira baforada e, então, sugeriu.

— Acho melhor a gente cair fora daqui o mais depressa possível. O que…

— Já preparei tudo. Já paguei a hospedagem. Falta somente o senhor arriar sua montaria e pomos o pé na estrada. E desta vez a bom galope, pois desconfio que Fidié vai mandar chamar-nos ao Palácio do Governo assim que se livrar de todos os rapapés do cerimonial festivo naquela casa. E se isto acontecer vamos ficar em palpos de aranha, pois eu não aceitei as ordens de ser um entreguista e traidor, conforme me ordenou naquele papel imundo.

Raimundo olhou por um momento para o Capitão e, girando nos calcanhares, entrou na hospedaria. Não demorou para que os dois logo estivessem saindo de Oeiras a bom galope.

Eram as 16 horas e o dia para eles, ali na capital, tinha terminado.

CAMPO MAIOR, 9 DE AGOSTO DE 1822 (I)

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O rio Jenipapo, em Campo Maior, Piauí, nas margens do qual uma batalha sangrenta aconteceu e o Brasil todo esqueceu.

O rio Jenipapo, em Campo Maior, Piauí, nas margens do qual uma batalha sangrenta aconteceu e o Brasil todo esqueceu.

Nós, piauienses, maranhenses e cearenses, assim como o restante do Brasil, quase nada sabemos sobre uma batalha tremendamente sangrenta que aconteceu em Campo Maior, minha cidade natal, e que passou aos anais da História como A Batalha do Jenipapo. Romanceando um pouco, vamos visitar o Piauí daqueles idos e compreender que o brasileiro é brasileiro em qualquer parte deste país fabuloso. A Batalha do Jenipapo foi uma das mais sangrentas batalhas que aconteceram na Guerra da Independência do Brasil. Independência do domínio português sobre estas terras abençoadas por Deus. Mais

CONSIDERAÇÕES GERAIS…

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Eu não os apoio, mas também não lhes retiro o direito de pugnar pela moralidade, ainda que esta, entre eles, seja absolutamente míope.

Eu não os apoio, mas também não lhes retiro o direito de pugnar pela moralidade, ainda que esta, entre eles, seja absolutamente míope.

“O rabino Haim Kanievsky, considerado uma das cinco autoridades rabínicas mais influentes de Israel, emitiu um aviso a seus seguidores para que qualquer um que tenha em sua mão um smartphone iPhone o queime sem pena”. (…) “O anúncio faz parte de uma campanha iniciada anos atrás por líderes destas comunidades, que frequentemente denunciam que os telefones inteligentes e seu acesso à internet e à televisão são incompatíveis com as normas de moral judia pois facilitam conteúdos pornográficos e fontes de informação que vão além das estritas margens permitidas pelo mundo ultra-ortodoxo”. (…) “A seita fundamentalista judia Eda Haredit também declarou guerra ao aparelho, da mesma forma que à versão de Android, BlackBerry e similares, por causa do “Holocausto espiritual” que na sua opinião provocam estes gadgets eletrônicos” (Folha, 25/09/2012).

“Em meio à pressão do governo para que os bancos baixem as taxas do crédito rotativo dos cartões de crédito, o BRADESCO reduziu os juros da modalidade em 54%. A partir de 1º de novembro as taxas máximas do rotativo passam de . 14,9% para 6,9%” ao mês para os cartões com bandeira VISA, American Express, ELO e Mastercard” (Folha, 25/09/2012). Mais

E A DUPLA SATÂNICA MOSTRA AS CARAS DESLAVADAS

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Os barrigudos do meio são Pedro Eliseu Sobrinho e seu filho, Pedro Eliseu Filho. Não sou paulista e não sei de qual Pedro a repórter fala.

Os barrigudos do meio são Pedro Eliseu Sobrinho e seu filho, Pedro Eliseu Filho. Não sou paulista e não sei de qual Pedro a repórter fala.

“Líder em candidatos a prefeito barrados pelo país, o PSDB conseguiu driblar a Lei da Ficha Limpa no interior de SP. Em Araras, a 168 km da capital, um tucano cassado em 2009 e agora vetado pela Justiça Eleitoral deixou a disputa e colocou a mulher como candidata a prefeita. A substituição de candidatos é permitida pela legislação”.

Leio isto na Folha.uol.com, hoje, 2ª feira, 24/09/2012. O casal Séc. XXI é o “sujo” Pedro Eliseu (que já entrou para o folclórico “inho” com que todo bandido é tratado no Brasil) e sua má-sorte, Gábi (que deve ser muito íntima tanto da jornalista, Marília Rocha, como de toda a cidade de Araras, pois é tratada pelo apelido e seu nome completo não é citado). Consegui a foto ao lado na internet, mas não sei de qual dos Pedros a repórter fala, pois não sou paulista e estou por fora da ladroagem de colarinho branco daquele Estado e de seus municípios. Mas filho de peixe, peixinho é, não é mesmo? E polititica reza sempre por uma única cartilha… Mais

MEU PENSAMENTO TORTO.

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Nesta que se diz ser a única no mundo, trabalha meu filho, a 200 km de onde estou.

Nesta que se diz ser a única no mundo, trabalha meu filho, a 200 km de onde estou.

“Meu” filho saiu para o trabalho, a 200 km de distância. Era de madrugada cedinho, coisa de 5 horas da manhã. Ele atola o pé no acelerador e voa para chegar a Brasília no horário. Eu fico de coração nas mãos. Já fui igual a ele, viciado em velocidade. Na sua idade nós, homens, raramente temos a responsabilidade de pensar no enorme perigo que é andar pelas estradas do Brasil a mais de 150 km por hora. Com 26 anos a gente é onipotente. Pode tudo e não tem perigo nenhum nos rondando. Ah, a irresponsabilidade dos jovens! Se eu tivesse tido pais, certamente que eles também ficariam com o coração nas mãos quando me vissem sentar atrás da direção do automóvel. Mas, felizmente para eles, não os tive perto de mim na minha mocidade.  

Hoje é segunda-feira. O portão está aberto e eu não estou nem aí para o nervosismo de minha “des”-consorte. Estou mergulhado numa tomada de consciência fantástica. Percebi que AMO. Amo aquele homem de músculos rijos, um pouco mais alto que eu, nariz adunco, cabelos grossos e pelos também grossos pelo corpo todo. E descobri que não sei lidar com esta emoção. Mais

A VISÃO PERIFÉRICA COM FREQÜÊNCIA NOS DIRECIONA PARA DECISÕES CRUCIAIS

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Nada como papear descontraído em uma varanda aconchegante.

Nada como papear descontraído em uma varanda aconchegante.

Eu estava arrumando o canil quando a campainha soou. Abri o portão e eis que me deparo com a dupla dinâmica: Felício e Orozimbo. Sorridentes aguardaram que eu os convidasse a entrar. Enquanto Felício ia sentar-se em uma cadeira na varanda, Orozimbo atirou-se com afã a me ajudar e logo tudo estava pronto. Lavamo-nos e viemos juntar-nos ao vigário. Felício foi direto ao ponto.

— Doutor — começou ele — foi admirável e impressionante a sua intervenção junto aos 42 casais que participavam do encontro semanal de casais, que realizo na minha paróquia. Vim aqui agradecer-lhe o imenso favor que o senhor fez à Igreja.

Olhei-o com vontade de dizer o que pensava de sua Igreja, mas contive-me e apenas acenei com a cabeça, num gesto de “não foi nada”. Mais

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