A RESPEITO DE SANTA MARIA

1 Comentário

Incêndio na boate Kiss, em Santa Maria.

Incêndio na boate Kiss, em Santa Maria.

Orozimbo chegou agitado. Mal se sentou e foi perguntando: “Vancê num vai iscrevê nada sobre o qui acunteceu lá em Santa Maria?”

Eu o olhei intrigado. Nunca, antes, eu o vira assim, agitado por um acidente com muitos mortos. Ele insistiu na pergunta e eu lhe respondi que não, que não ia escrever nada sobre aquilo. Meu amigo me olhou espantado.

— Home, morreu munta gente! E cum toda certeza os pulititica tem responsabilidade nisto. Diz o povo qui a Rede Globo tá descendo o malho no prefeito e nos bombeiro. O qui vancê acha?

— Quanto a isto, eu já dei minha opinião no Face Book. E é só o que pretendo escrever sobre aquilo lá.

Orozimbo me encarou de cara fechada. Mais

O DESENTENDIMENTO ENTRE JACUTINGA E URISSANÊ

3 Comentários

O belíssimo rio Parnaíba, no Piauí. Ele tem muita história que dormem em suas águas e suas margens...

O belíssimo rio Parnaíba, no Piauí. Ele tem muitas histórias que dormem em suas águas e suas margens…

Sinhá Maria Rita caiu ao chão, desmaiada, quando ouviu Urissanê afirmar que ia matar seu marido em luta, na taba, em homenagem aos encantados do Rio Parnaíba. O índio abaixou-se para ela e não viu Jacutinga vindo sobre ele zunindo os facões de mato lugubremente. Urissanê ergueu Sinhá Maria Rita nos fortes braços e se voltou para a casa grande. Foi então que percebeu o caboclo já sobre si, facões erguidos prontos para decepar, olhar furioso e disposição de matar. O silvícola não pareceu ficar impressionado. Ergueu o corpo desfalecido da jovem mulher até quase à altura de sua cabeça, o que fez que Jacutinga sustasse a tempo os golpes que estava a ponto de desferir. Ele parou de supetão e mirou nos olhos do jenipapo. Por um momento os dois se encararam e o caboclo percebeu que não havia beligerância na atitude de Urissanê. Abaixou os facões e mirou o rosto pálido de Sinhá.

— O que tu fez com ela? — Perguntou, mirando novamente nos olhos do jenipapo e sua voz soou rouca.

— Nada. Ela caiu de repente. Urissanê ficou tão assustado quanto tu. Toma. Faz alguma coisa. Mais

UM PEDIDO COMPLICADO DE FELÍCIO

26 Comentários

Aí! Esta eu quero ver. Explica, vai, explica!!!

Aí! Esta eu quero ver. Explica, vai, explica!!!

“Gostaria de lhe pedir que analisasse os políticas, ou um deles, a partir do ponto de vista da teoria dos elementais humanos”. Era Felício que me fazia este pedido. Ao seu lado, Orozimbo sorria expectante. Fiquei calado, olhando de um para outro. Diante de meu silêncio, Felício continuou. “Sabe, é muito bonito estudar sobre os elementais humanos. A gente até chega a compreender a teoria e até a aceita como válida. Mas como é que podemos servir-nos dela, na prática? Como compreender as más ações da classe mais criminosa deste país, a classe dos “intocáveis”? Veja, doutor, há muita gente que anseia por conhecer o que há Oculto ao conhecimento do vulgo. Como bem o disse Jesus, as coisas do céu são sagradas e não são entregues a qualquer um. Esta teoria dos Elementais, que o senhor me explicou, é soberba, é linda e é realmente uma sacada de um Ser divino. Sua lógica é excelente. Mas como aplicá-la à vida real de cada pessoa, de cada Elemental Físico-Emocional-Mental, que eu chamo de Elemental FEM, para que possamos compreender os erros grosseiros que comete, perdoando-os sinceramente? Sim, porque eu concordo com Orozimbo que afirma que o perdão só se concede quando se compreende a pequenez e a fraqueza do outro. E creio que nós, modernos, só poderemos realmente compreender a pequenez e a fraqueza se conhecermos bem a teoria dos Elementais Humanos e sua razão para agir como age”.  Mais

UM DIÁLOGO INTERESSANTE COM FELÍCIO

3 Comentários

Suas habilidades marciais durante muito tempo me fascinaram. Agora, não mais.

Suas habilidades marciais durante muito tempo me fascinaram. Agora, não mais.

Eu estava descoroçoado, mais por baixo que fio-fó de cobra. Num daqueles dias em que tudo parece cinzento e feio. Nada me agradava. Doze filmes baixados por um colega de trabalho de minha filha, pelo menos três deles ainda não lançados no Brasil e eu sem qualquer interesse em os assistir. Aliás, perdi o interesse por cinema de qualquer espécie (exceto por desenhos animados inteligentes). Os de pancadaria, que me divertiam à grande, agora, são lixo. Os heróis de mentirinha, como Jet Li, também são lixo. Os bang-bang cheios de efeitos especiais ridículos, lixo. Nada, nada, absolutamente nada me interessa ultimamente. Mas hoje, principalmente hoje, este desprezo pelo mundo social está em pico e incomoda. Falta alguém com quem conversar sobre temas que me possam despertar. Mas não tenho mais tais amigos. Eles eram poucos; contados nos dedos de uma única mão não passavam de três. Mas até estes sumiram como fumaça ao vento. Uma amiga muito querida também se escafedeu. Sinto falta de nossas conversas, mas sei que elas não mais acontecerão. Sua vida anda meio de pernas pro ar e isto a perturba muito. Além do mais, percebo que entrei na senda estreita de que falou o Grande Mestre e esta senda é não somente estreita como também nela o viandante necessariamente anda só.

Leia o livro

A NOVA VISÃO DE PADRE FELÍCIO E SUA NOVA APRENDIZAGEM

48 Comentários

Aqui está o miserável "cavalo alado da dengue", o mosquitinho rajado.

Aqui está o miserável “cavalo alado da dengue”, o mosquitinho rajado.

Orozimbo chegou com uma novidade que me deixou preocupado. Padre Felício tinha solicitado ao bispo uma licença da batina por um ano, alegando necessitar de tempo para reconsiderar sua opção pelo sacerdócio. Disse estar em dúvida quanto à sua vocação sacerdotal. Meu velho amigo permaneceu a me olhar perscrutadoramente. Sabia que eu já havia causado a “baixa” de três outros padres nas fileiras do Catolicismo e sempre me questionara sobre esta minha responsabilidade. Agora, o velho estava curioso sobre minha reação a mais esta ameaça. Convidei-o a entrar. Estava sozinho e queria mesmo prosear. O tempo anda meio maluquete, aqui no Centro-Oeste. Se o Sol põe seu disco fora das nuvens fá-lo com fúria inaudita. A gente sente a pele engelhar em cinco minutos sob seus raios furiosos. Se é escondido pelas densas nuvens de chuva, o calor abrasador é substituído imediatamente por uma temperatura tendente ao frio. E no meio de tudo isto, as malditas muriçocas que não dão sossego. Picam-nos as canelas de dia e de noite, principalmente o maldito “aedes aegypti”, o ‘cavalo alado’ do vírus da dengue. Mais

O IMPÉRIO BEBÊ DE DOM PEDRO I (IV)

21 Comentários

Assim era o Palácio da Quinta da Boa Vista no tempo de Dom Pedro.

Assim era o Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista no tempo de Dom Pedro.

Vamos retornar no tempo e voltar ao Paço Imperial, onde Dom Pedro recepcionava os oficiais dos navios enviados para tomar posse do Rio de Janeiro e quebrantar seu poder. Como se viu, uma faustosa – e custosa – festa foi oferecida pelo Príncipe Regente ao Comandante da flotilha portuguesa que estava fundeada ao largo da Baía de Guanabara. Aquela recepção era um custo que as finanças do Brasil não tinha como cobrir. De algum lugar o dinheiro viria para tapar o rombo no magérrimo erário real, mas era preciso confundir o português que, sabia-o bem José Bonifácio, era não somente esperto, mas também bom guerreiro.

Era a manhã do dia 7 de março de 1822. O Comandante Francisco Maximiliano de Souza espreguiçou-se e olhou para o corpo mulato ao lado do seu. Lembrou-se da noitada nos braços da mulher e ficou preguiçosamente se deixando recordar de tudo o que tinham feito. Ela era uma “fera” no leito e Maximiliano fora à exaustão nos braços daquela brasileira fogosa. “Não é nada mau fazer um trato com o Príncipe, se por aqui houver muitas iguais a esta” pensou o militar, sentando-se no leito e se espreguiçando com vontade. Mais

CAMPO MAIOR, 30 DE AGOSTO DE 1822

2 Comentários

Urissanê ria daquele espartilho de sinhazinha Florinda.

Urissanê ria daquele espartilho de sinhazinha Florinda.

O frio já descia sobre a mata; os mosquitos já zuniam e as muriçocas começavam a incomodar. Coçando-se toda, Sinhazinha Florinda pediu a Urissanê que retornassem à fazenda. Ela estava ficando empolada pelo ataque das muriçocas. O índio levantou-se e foi catar as peças de roupas da jovem que ficaram espalhadas pelas pedras, lá onde ele a despira. Trouxe-as e com o maior desembaraço ajudou-a a se vestir, rindo às gargalhadas do que achava ridículo, como foi o caso do espartilho, cujos cadarços o atrapalharam por um momento. Sinhazinha terminou fazendo coro com ele. E foi assim, rindo e toda feliz, que a moça retornou à Casa Grande. Mas assim que desceram dos animais, já às 18 horas, encontraram o ambiente em alvoroço. Um grupo de homens estava pronto para, sob a liderança de Jacutinga, sair no rastro dos dois. Sinhá Maria Rita estava furiosa e pregou aquele pito na filha, sobrando para Urissanê, que se manteve quieto, impassível diante da enxurrada de censuras que a senhora dona da fazenda lhe dirigia. Aquilo durou quase vinte minutos e o índio continuou parado como uma estátua e sem qualquer expressão na face. A mesma coisa não se pode dizer de sinhazinha, que, pela primeira vez, elevou a voz contra a mãe. Afogueada, ela se pôs ao lado de Urissanê e o defendeu valentemente, causando espanto na mãe que,  aos poucos, começou a desconfiar de algo que a fazia sentir calafrios. Perguntava-se, angustiada, o que teria aquele maldito índio feito à sua filha para que ela o defendesse com tanto ardor. Mais

Older Entries