A VEJA nos brinda com esta foto primorosa onde se pode ver o resultado de pessoas emocionalmente descontroladas.

A VEJA nos brinda com esta foto primorosa onde se pode ver o resultado de pessoas emocionalmente descontroladas.

Sei, sei. O trocadilho é meio infame. Dizer que é em São Paulo que o pau come é um tanto… desmoralizante para os que não têm pau com fome. Mas o dito é dito no bom sentido, gente. Afinal de contas, não é só em São Paulo que há paus com fome, não. É no mundo todo, né não? Mas vamos deixar as xurumelas de lado e vamos voltar ao prato do dia: paulada policial com molho de balas de borracha sendo servido por pessoas descontroladas emocionalmente. Está servido?

Quando há agitação pública o frango para o prato do dia é sempre a PM. Aí, a população é levada a se esquecer que por debaixo daquela farda odiada está um brasileiro que é mandado às ruas pelos que, blindados por seus partidos políticos, não têm coragem de encarar “de frente” (paulistanês. Não repitam. Quem encara, já o faz de frente) o momento do “chega pra cá que eu vou-te arregaçar meu nêgo”.

Greve, revolta... Mas contra a instituição errada. Não é o Estado. São os partidos políticos os culpados...

Greve, revolta… Mas contra a instituição errada. Não é o Estado. São os partidos políticos os culpados…

É, estou ancorado na agitação que grassa pelo Brasil e, mais precisamente, por aquela que ferve no centro econômico-financeiro-político da Nação Brasileira: São Paulo. O paulista pode falar mal o idioma português (e exagera nisto), mas na hora do “ai! ui!” ele sai na frente. E sai como galo cego: dando chute no ar e levando paulada no lombo e pimentada nos olhos. A jovem com o olho estourado é uma repórter. Um policial alopradão mandou bala de borracha nas fuças da coitada que só estava fazendo seu trabalho. Quem vai pagar pelo tratamento? Certamente que, se alguém questionasse na Justiça este fato lamentável, imediatamente o coitado do PM seria penalizado por sua “brutalidade”. Mas vamos pensar?

Um policial é, antes de tudo, HUMANO. Logo, ele também tem medo. E muito! Principalmente porque a LEI é contra ele em primeiro lugar. Depois, porque o treinamento que recebe para ser um cidadão policial é pífio, irrisório e maldoso. Quando a jiripoca pia o PM é execrado e toda a Imprensa diz que ele é mal preparado. E é mesmo. Mas a culpa é de quem? De quem? DO POLITITICA, seu… seu… deixa pra lá!

São os Polititicas que não querem saber de investir um tostão furado em gastos com a preparação do bom policial. E são eles que fazem as Leis que mais protegem os criminosos que os policiais. E são eles que não pagam um soldo digno aos que arriscam suas vidas em benefício da de seu próximo. Mas a Imprensa e o Zé Povão cai matando é sobre o PM. Ele é que se torna o “frango da dia” quando a porca torce o rabo e a galinha põe ovo choco.

Baderneiros, sem qualquer vínculo com o ideal estudantil, aproveitam para praticar atos de vandalismo reprovável.

Baderneiros, sem qualquer vínculo com o ideal estudantil, aproveitam para praticar atos de vandalismo reprovável (foto da VEJA).

Seja você um PM mandado para a Paulista, hoje, quando a juventude, manobrada por alguns esbirros de um PARTIDÃO, perde a cabeça e faz besteira. Ora, não é preciso ser psicólogo para saber que, em grupo, as pessoas tendem a empatizar com as reações emocionais mais fortes que aconteçam por perto. Se você está no meio de uma multidão e um berdoéguas qualquer grita maldosamente: CORRE! Os que o cercam se agitam, empalidecem e saem gritando e correndo desarvoradamente. Então, por empatia, você também grita e sai correndo sem saber nem para onde nem por quê. Isto é reação de empatia, sabia?

Isto é medo, pode crer...

Isto é medo, pode crer…

Pois bem, um PM, de frente para uma multidão ensandecida por medo ou por raiva, também treme dentro das calças. Com certeza, naquela hora, ele, enquanto pessoa, pensa na sua família, nos seus filhos, na sua esposa… Enfim, como qualquer pessoa normal, o PM age movido em primeiro lugar PELO MEDO! E quando o medo se assenhoreia de alguém este alguém perde as estribeiras.

O nosso PM, em todo o Brasil, é um cidadão esmagado pela má política e exprimido entre ser um bom policial e um bom cidadão pai ou filho de família. Então, como cidadão, ele também sofre o arrocho do dinheiro curto; da cesta básica que encolhe à medida que o salário diminui em poder aquisitivo. Ele também vê e sente o descontrole social devido mesmo ao descaso político em que vivemos. Ele é uma pessoa, enfim.

Giuliana Vallone, repórter, só tentava realizar seu trabalho. A mesma coisa se pode dizer do PM que disparou a esmo e a acertou no olho.

Giuliana Vallone, repórter, só tentava realizar seu trabalho. A mesma coisa se pode dizer do PM que disparou a esmo e a acertou no olho.

Olhando a foto que a VEJA publicou (e que está na internet, da repórter Giuliana Vallone com um olho seriamente ameaçado por um tiro de bala de borracha), não me viro contra o PM desesperado, não. Eu sinto crescer em meu peito, mais ainda, a raiva contra os polititicas e seus PARTIDOS. Principalmente contra estes. Afinal de contas, um polititica também é uma pessoa e, mesmo que tenha sua consciência entorpecida pelo tempo demasiado longo em que vive e rasteja na podridão da corrupção (caso dos SARNEYS), ele com certeza não consegue alijar de si a Consciência que se debate, ainda que em vão, contra seus atos sujos e vis. Mas o PARTIDO POLÍTICO é uma cração amórfica, onde não bate um coração e, por isto, não há Sentimento. Um PARTIDO POLÍTICO visa tão-só interesses mesquinhos, partidaristas, egoístas como o Diabo em pessoa. É contra eles que o Brasil em peso tem que se levantar.

É contra eles que, eu desejo ardentemente, um dia os estudantes vão-se levantar.