"Vem, vamos embora, que esperar não é saber..."

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber…”

O povo continua nas ruas. Mas é preciso que abramos bem nossos olhos, pois há sombras que precisam de muita luz sobre elas para revelar o que está escondido ali. Falo dos baderneiros, dos agressores e dos que avançam sobre os bens patrimoniais públicos e privados depredando tudo sem distinção de nada e em nome de coisa nenhuma.

Em 1960 nosso país estava eivado de sombras que vieram do exterior. Uma, da extinta URSS, com o propósito de levar a juventude à adoção do pensar comunista. Disseminaram esta filosofia macabra entre os jovens da época (de onde nasceu o pensamento de Lula, de seus asseclas e da Vovozona) que, inflamados, deram início à grita geral no momento escolhido pelos cabeças negras, os que se escondiam nas sombras que vieram do exterior. Outra, originária dos eternos caubóis da Liberdade – Os EUA — representada nos escorregadios agentes da CIA que não visavam combater os agentes da KGB ou da GRU, mas sim direcionar os cabeças-ocas brasileiros para uma agitação violenta, que terminasse em guerra civil. Isto daria aos EUA a desculpa para nos inundar com seus “Marines” e seus “Boinas Verdes” e, assim, transformar de vez nosso Brasil em quinta estadunidense. Um quintal privilegiado, riquíssimo, do qual nunca mais se desfariam.

Liceu Nilo Peçanha, em Niterói, onde estudei o segundo grau.

Liceu Nilo Peçanha, em Niterói, onde estudei o segundo grau.

Eu estudava no Liceu Nilo Peçanha, em Niterói. Cursava o segundo ano do curso “Científico”, o atual segundo grau. Não era nem de longe voltado para a agitação estudantil que grassava na UNE e não conseguia atinar com o propósito daquilo tudo. Era um estudante protótipo do C.D.F. de carteirinha. Mas para os êmulos da UNE no Liceu, eu era peça chave nos seus planos traiçoeiros, pois era sobrinho de um graduado e destacado militar da Marinha. Inocente, trouxa, manobrável, eu era o ideal caipira para servir de boi de piranha se algo desse errado. Então, fui escolhido. Estávamos no mês de junho, meados do mês. Era o período das provas de meio de ano e no Liceu aquilo era seriíssimo. Os professores eram rígidos e exigentes. Conseguir uma boa nota com eles era como ganhar a mega-sena. Eu precisava estudar e estudar muito. Então, em um intervalo de aula, um sujeito esquisito, trajando um blusão de couro com um capuz que lhe cobria a cabeça e ocultava o rosto, postou-se ao lado de minha carteira. Eu não costuma sair para o pátio, na hora do recreio. Permanecia em sala, debruçado sobre os livros. O sujeito deixou um bilhete dobrado sobre meu caderno e se retirou tão rápido quanto chegara.

Aqui não há inocentes.

Aqui não há inocentes. A maior parte, lamentavelmente, pensa comunismo.

Aturdido, abri o bilhete e li: “No final de agosto você será chamado por representantes da UNE para um missão importantíssima no movimento estudantil. Vai receber em local e horário a lhe ser comunicado, 45 caixas fechadas. Não abra. Guarde a chave do galpão consigo até que lhe seja pedida de volta. IMPORTANTE: Não comente com ninguém, sob pena de correr perigo de vida”. Não havia assinatura. Levantei-me e percorri o pátio para ver se encontrava o misterioso sujeito de blusão de couro marrom. Nem sinal dele. Guardei o bilhete e me calei. Mas não por medo. Agora, por curiosidade. Uma pergunta me queimava a mente: por que eu? Não sou membro da UNE e não conheço seu representante aqui, no Liceu.Por que me escolheram? 

Estudantes membros da UNE - 1964. Muito ardor, nenhuma sapiência...

Estudantes membros da UNE – 1960-1980. Muito ardor, nenhuma sapiência…

O tempo passou e eu com o bilhete entre as folhas de meu livro de matemática, da F.T.D, a melhor editora nesta matéria. Chegou o dia 29 de agosto de 1960, uma segunda-feira. Novamente, inopinadamente, o sujeito da jaqueta de couro surgiu como um rodamoinho. Deixou outro bilhete sobre o livro que eu lia e sumiu. Desta vez corri atrás dele. Não consegui alcançá-lo. Ele saiu do Liceu e entrou em um carro preto, que arrancou cantando pneu. Não tinha placa. Voltei para a sala e abri o envelope, onde encontrei um bilhete e uma chave. Li o bilhete: “Hoje, às 23 horas, esteja na rua…. nº…. É um grande galpão. Não há residências perto. Espere. Um caminhão vai chegar. Você deve abrir o portão para que eles descarreguem as caixas. Confira a quantidade. Tem de ter 45. Se faltar alguma, fuja pelos fundos do galpão, onde há um alçapão bem perto da quina da parede, no lado esquerdo. Não fique com a chave. Jogue-a onde seja muito difícil de encontra. Se o total de caixas estiver certo, feche o galpão e aguarde por novo contato”.

O Diabo nem sempre é feio e antipático...

O Diabo nem sempre é feio e antipático…

Em casa, eu sacudia nervosamente a tal chave nas mãos. O que fazer? Eu não queria me meter naquele movimento estudantil que já promovia quebra-quebras pela cidade e pelo Brasil. Meu tio era um militar convicto, sério, duro no trato. À  noite tomei uma decisão. Chamei-o ao meu quarto e lhe mostrei os bilhetes e a chave. Ele não alterou nem uma ruga em sua expressão facial. Ele era assim: impassível. Então, olhou-me de modo penetrante e me perguntou: “Você está envolvido com a UNE? Não minta. Isto aqui é muito sério e pode nos comprometer a todos”. Disse-lhe que se eu estivesse envolvido com o movimento estudantil não lhe estaria mostrando o que mostrava. Ele aceitou a resposta. Perguntei-lhe o que devia fazer. Ele foi sucinto: faça exatamente como lhe orientaram e deixe o resto comigo. Fui ao galpão, recebi as 45 caixas. O caminhão se foi com seu pessoal, todos jovens e todos encapuzados. Ninguém me dirigiu a palavra. Então, quando eu já fechava o portão após conferir pela segunda vez o número de caixas, um automóvel da Marinha parou silenciosamente diante do portão do galpão. Dele saltaram meu tio e mais quatro homens, todos a paisana. Com um aceno de cabeça meu tio me convidou a entrar e com lanternas eles escolheram uma das caixas. Abriram-na e retiraram lá de dentro uma bandeira do Brasil. Nela, a bola azul estrelada tinha sido substituída por outra, vermelha, com a foice e martelo, símbolos do Comunismo, em pano branco. A visão daquele insulto patriótico me virou as tripas. Mesmo não sendo chegado à Política, como membro de uma família de militares eu tinha forte amor pelo meu país. E a educação escolar, no Piauí, me inculcara um espírito de nacionalismo que ninguém apagaria jamais. Meu tio acenou para um dos homens que foi lá fora e piscou uma lanterna. Não demorou e logo um caminhão da Marinha encostou. Estava cheio de fuzileiros navais armados até os dentes. Eles desceram e sob o comando de meu tio carregaram as caixas. Sem falar comigo, meu tio entrou de novo no automóvel e todos se foram. Fechei o galpão e retornei a casa. Depois, meu tio me informou que aquelas bandeiras tinham sido espalhadas no Estado do Rio, de São Paulo e de Minas Gerais e eram para ser distribuídas aos estudantes para que desfilassem com elas no sete de setembro daquele ano. Mas o SENIMAR e o SNI tinham descoberto a trama e já estavam prontos para interferir. Eu havia sido de grande ajuda, mas de agora em diante devia ficar atento: minha vida corria perigo. Enquanto ele estivesse a serviço do SENIMAR eu estaria sendo vigiado e protegido. Mas não sabia dizer se permaneceria naquele Serviço. A situação política estava muito tensa e tudo podia acontecer e ele poderia ser embarcado; por isto, eu devia deixar de lado os antolhos da indiferença política e abrir meus olhos para toda e qualquer situação estranha que me acontecesse. E como eu sabia lutar, era melhor estar sempre pronto para reagir a fim de defender minha vida.

Naquele ano, em outubro, eu me alistava no Terceiro Regimento de Infantaria, em São Gonçalo, Niterói…

Gente desta classe se infiltra, sempre, nos movimentos sociais...

Gente desta classe se infiltra, sempre, nos movimentos sociais… Eles não têm ideal, por isto mesmo são massa de manobra perfeita para agentes mal intencionados.

Devido à vivência acima, quando vejo a agitação voltar às ruas brasileiras fico apreensivo. Por melhores que sejam as intenções dos que vão ao protesto, há, SEMPRE, gente infiltrada que têm objetivos nada nacionalistas. Neste momento político crítico que novamente vivemos, vejo com desconfiança os baderneiros. Eles podem ter pelo menos três origens perigosas:

a) bandidos reles, que, de mistura com o povo, tenta aproveitar a situação para assaltar e vandalizar o comércio impunemente;

b) êmulos de partidos políticos sectaristas do Comunismo que, irritados pela recusa do povo às suas bandeiras, decidiram desorganizar e desacreditar a manifestação, levando a polícia a atacar o povo e se desmoralizar, criando, assim, um situação muito favorável à implantação de movimentos de guerrilha. Rio de Janeiro e São Paulo já conhecem leves ações de guerrilha através da atuação dos criminosos que, protegidos por um Código Penal de mentirinha, deitam e rolam na sopa. Mas as ações de guerrilha verdadeiras vão muito além. MATAM, sempre, inocentes e culpados, indiscriminadamente e sua ação perniciosa atua sem cessar, pois a tensão a que lança o povo leva os cidadãos a desenvolver doenças de fundo psicoemocional que terminam redundando em pandemias graves, fisiológicas, que também matam, embora esta conseqüência secundária das ações guerrilheiras não seja, nunca, comentada pela imprensa leiga. Sei disto porque fui treinado para atuar justamente neste campo, quando estive no quartel. Eu seria um “caçador”, elemento destinado a caçar e eliminar agentes guerrilheiros, principalmente os de alta patente;

Eis o símbolo do banditismo empoleirado em nosso Poder Máximo.

Eis o símbolo do banditismo empoleirado em nosso Poder Máximo.

c) infiltrados de serviços secretos exteriores que não abdicaram de desestabilizar o país. A situação política totalmente desmoralizada, com uma chusma de bandidos entronados no Poder e mandando e desmandando nos brasileiros ao seu bel prazer, cria condições ideais para promover agitação social capaz de levar nossas forças armadas a intervir, a exemplo do que aconteceu nos países da “primavera árabe”. Esta situação, bem manobrada, desandaria para tensão propícia a batalhas violentas, com muitas mortes e desorganização político-social, terminando por exigir a intervenção de forças armadas externas com a desculpa de “estabilizar a situação antes que ela deteriore para guerra civil”. E aí, eis os malditos “marines” de volta às nossas praias, coisa que nenhum brasileiro, mesmo o mais alienado, vai gostar de ver…

Sim, meus amigos, nós avançamos. Estamos estrebuchando e pondo os Políticos e Polititicas a correr atarantados, todos buscando agir de modo a esfriar os ânimos, pois eles também sabem muito bem o desfecho macabro que uma grita nacional como a que assistimos agora pode levar toda a nação brasileira. Muitos são bandidos de colarinho branco, mas são de colarinho branco, não guerrilheiros nem patriotas ou sectários de qualquer coisa. Visam roubar e levar vantagem, simplesmente. Por isto, agora que o sapato aperta, eles tratam de acertar o passo com o povo. Isto, pensam, poderá livrá-los de um julgamento feroz nas urnas. Nenhum deles tem coragem de encarar uma situação de guerra generalizada, pois quem tem c… tem medo, não é?

Leio, de Márcio Falcão, na Folha de São Paulo de hoje, que “A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou nesta quarta-feira (26) uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com o voto secreto na análise de cassações de mandatos de deputados e senadores. A proposta é mais um item da “agenda positiva” criada pelo Congresso em respostas aos protestos que tomam as ruas de vários Estados pelo país”. Certamente esta foi uma cartada de mestre jogada pelos verdadeiros políticos que há muito se batem inutilmente contra este meio absurdo de os criminosos de colarinho branco se safarem das merecidas punições. Mas não nos enganemos: seus pares, os dos criminosos, mesmo correndo o risco de serem marcados para morrer nas urnas, não crendo na determinação do povo brasileiro, votarão, sempre, pela absolvição dos criminosos e se estes forem bem articulados, serão absolvidos bem debaixo de nossos narizes. Sou cético. Para que tudo isto tenha verdadeiro valor e verdadeira vigência, temos de colocar para fora toda a corja de bandidos que ainda permanece sob a proteção do detestado “Vossa Excelência”.

Preparemos os fogos de artifício e um FERIADÃO NACIONAL para comemorarmos a ida para a cadeia dessa trupe de safardanas...

Preparemos os fogos de artifício e um FERIADÃO NACIONAL para comemorarmos a ida para a cadeia dessa trupe de safardanas…

Também leio, no Jornal do Brasil de hoje, em artigo de Luiz Orlando Carneiro, que  O plenário do Supremo Tribunal Federal determinou, nesta quarta-feira (26/6), a expedição de mandato de prisão contra o deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO), para o cumprimento da pena a que foi condenado pela Corte, em dezembro de 2010, de 13 anos, 4 meses e 10 dias de reclusão, por crimes de formação de quadrilha (2 anos e 3 meses)  e peculato (11 anos, 1 mês e 10 dias). A decisão foi tomada por 8 votos a 1, vencido o ministro Marco Aurélio. O deputado Donadon – no exercício de seu terceiro mandato – chegou a renunciar ao mandato às vésperas das eleições de 2010, mas concorreu ao pleito e foi reeleito. Ele era o principal réu da Ação Penal 396, e foi o segundo parlamentar julgado e punido pelo STF com penas de reclusão”. É curioso que esta punição seja levada a cabo agora, depois de tantos anos em que o criminoso continuou exercendo o mandato impunemente e indevidamente. Sinal dos Tempos ou “boi de piranha”? Não demora, e saberemos. De qualquer modo, Donadon foi quem fez o primeiro gol no jogo da Justiça em Ação, em detrimento de Renan Calheiros ou qualquer dos patifões mensaleiros. Parabéns para ele…

Finalmente, leio em Carta Capital, em artigo de Roberto Amaral, que “Os jovens romperam com a esquizofrenia dos dois mundos contemporâneos, o falso mundo da alienação diante dos problemas sociais, e o mundo real da crise social – o mundinho do político fazendo politicazinha, aprovando emendinhas, verbinhas para pontezinhas, e o mundo real da tragédia urbana. Enquanto o País fervia nas ruas, a Câmara Federal discutia a matança de cachorros  no interior do Pará, e o seu presidente, em doce vilegiatura em Moscou, se divertia enviando fotos do Kremlin. Foi o melhor uso que encontrou para o Twitter.”

A Mídia continua colocando a nu a chaga fedorenta de “nossa” Polititicagem. Mas, insisto, isto não basta. É preciso que o povo faça mais do que ir às ruas. É preciso que vá às urnas E NÃO REELEJA OS CRIMINOSOS DE COLARINHO BRANCO. Não é nem um pouco difícil saber quem são eles, pois há centenas, talvez milhares de páginas da Internet onde estão listados ao lado dos crimes que vêm cometendo impunemente. 

Na hora do “sacode Iaiá” é que eu quero ver até onde vai a revolta que, hoje, ferve no “nosso peito varonil”. O Gigante Acordou, dizem muitos cartazes Brasil a fora. Mas…

ATÉ QUANDO PERMANECERÁ DESPERTO?

EIS A QUESTÃO…