"Ixi! Rapaz, não é que eu não sei?"

“Ixi! Rapaz, não é que eu não sei?”

Pergunta de prova. Liberalismo, dirão alguns. Presidencialismo, dirão outros. Anarquismo, rebaterão os mais céticos. Parlamentarismo presidencialista, tentarão mais outros. E por aí vai. Mas, antes de sugerir uma resposta, que tal revisitarmos a História?

Vamos a Roma. Só até Roma. Deixemos de lado os antiguíssemos Gregos. A Velha Roma se organizou, à custa de muito sangue derramado nos violentos campos de batalha contra outros povos, como um Império. E nele, as castas políticas eram bem hierarquizadas. Quando teve de manter governadores, pretores e cônsules nas províncias conquistadas, ela lançou as bases do que, muitos séculos depois, daria nascimento ao Feudalismo.

"Lá vem ele tocando nessa ferida. Será que não vê que não é hora pra isto?"

“Lá vem ele tocando nessa ferida. Será que não vê que não é hora pra isto?”

A corrupção que vingou no Senado romano e entre seus membros mais destacados fez minguar o poder da moeda romana. A rapina já não compensava. Custava caro demais aos cofres públicos pagar milhares de homens para que fossem à guerra, mormente os não-romanos engajados nas hostes guerreiras daquele povo. Isto e mais outros sucessos sociais levaram a velha e aguerrida Roma a abandonar a espada e buscar um melhor meio de subsistência. E este se radicou na agricultura. A crise do Império Romano favoreceu o processo de ruralização das populações que não mais podiam empreender atividades comerciais à base de conquistas pela espada. A ruralização, então, até certo ponto ocorreu em função das constantes guerras promovidas pelas invasões dos povos chamados bárbaros. Eles levaram  à crise os centros urbanos que se tinham organizado durante o auge da civilização clássica dos Imperadores guerreiros. 

Eis aqui um suserano.

Eis aqui um suserano.

O que é um Senhor Feudal e o que era o feudo? Nova pergunta de prova.

Bem, vamos lá. Feudo era a terra cedida por um suserano a seu vassalo. Os reis geralmente eram os suseranos, no período medieval, que concedia terras aos nobres por motivos variados, todos políticos, é claro.

Uma vez senhor de um feudo, o Senhor Feudal tinha poder de vida e morte sobre todos os que naquelas terras vivessem ou tirassem dela o sustento para si e suas famílias. Quem nunca ouviu falar do “direito da pernada” praticado por muitos senhores feudais durante o Período Medieval da História? Se você não sabe que diabo é isso, eu lhe esclareço. Direito da Pernada era o direito que os senhores feudais se atribuíam de se deitar com a noiva de qualquer de seus súditos, na primeira noite de núpcias. Ou seja: eles se davam o direito do descabaçamento da moça. Pronto. Falei no mais reles jargão popular. Agora, você sabe o que era aquilo.

Eis aqui nosso penúltimo suserano.

Eis aqui nosso penúltimo suserano.

No regime feudal rarissimamente alguém que não o senhor feudal se dava bem, pois tudo dependia de sua vontade e esta era, sempre, de cunho totalmente egoísta. Nunca houve gente mais ególatra do que os senhores feudais nos idos medievais.

Bom, agora vamos dar um salto de séculos e olhar nosso Brasil através de sua História até nossos dias. O que vemos no que diz respeito à sua História Política? Oh! Vemos que nós, em pleno século XXI, ainda cultivamos a filosofia, o comportamento e a prepotência dos senhores feudais entre “nossos” políticos. Que fantástico!!!

Fantástico uma ova, cara. Em nosso país, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, cada político tem seu feudo. O Vereador, o menos poderoso entre eles, já trata, tão logo começa a fazer sua falação para enganar os trouxas, de escolher um bairro que será transformado em seu feudo. Raramente fará qualquer coisa em benefício daquela população, exceto que lhe dará, a alguns membros mais influentes, a esmola de um contrato de trabalho por quatro anos – tempo de duração de um mandado político. Ele, o Vereador, fará convênios escusos e, claro, às esconsas, com corruptores de carteirinha e assegurará para si um ganho exorbitante através de manobras vergonhosas, empreguismo deslavado e, alguns, até mesmo do escorchamento daqueles a quem deu emprego (eles ficam obrigados a lhes dar de 25% a 50% de seus salários, caso contrário vão para o olho da rua sem dó nem piedade). Isto é o velho pensamento feudalista ainda preponderando nas mentes tacanhas de “nossos” políticos.

Afinal, eis que ele chega até nós. Este velho tem fixação em nossa classe. Por que será, heim?

Afinal, eis que ele chega até nós. Este velho tem fixação em nossa classe. Por que será, heim?

Assim como é entre os Vereadores, é-o também entre Prefeitos, Deputados Estaduais, Governadores, Deputados Federais, Senadores e Presidentes.  E se assim é, então encontramos a resposta à pergunta que encima este artigo: nosso modelo político ainda é o Feudalismo. Que lástima! Fala-se tanto em tantas outras filosofias políticas, mas de verdade nós, brasileiros, não avançamos um único passo em direção a qualquer delas.

Mas há um consolo. Se ainda estamos no início da História da Civilização Moderna, estamos, por isto mesmo, livre do condicionamento psicoemocional que outras filosofias de governo implantaram em suas nações. Isto que dizer que somos matéria virgem para nela se implantar o espermatozóide de um modo totalmente diferente de se fazer política.

Só espero que não surja um espertinho impondo ao nosso Brasil o “direito da pernada”. Se isto acontecer, então estamos verdadeiramente fu…

Que Deus não diga amém a este perigo, senão…