Meu jovem amigo não deixara de ser como este aqui: padre.

Meu jovem amigo não deixara de ser como este aqui: padre.

Ouvi a campainha tocar e foi ver quem era. Mudei a tela da TV para HDM1 e a imagem que vi me fez sorrir. Lá fora, esperando para que o portão fosse aberto, vi Felício de mãos dadas com Vera. Premi o botão e o portão se abriu. Até nisto a tecnologia colabora para nossa preguiça. Não mais preciso descer e ir até o portão, olhar pelo “olho mágico” para ver quem está lá fora. De dentro mesmo de casa posso fazer tudo sem me movimentar muito. Isto é que é colaborar para um infarto…Os dois entraram e eu os fui receber na varanda de casa. Meu dia estava enrolado. Tinha de ir levar matéria fecal para o laboratório e, depois, ir a outro laboratório fazer o raio-X de toda minha arcada dentária para levar para o implantodontista.Tenho andado meio pra baixo, ultimamente. Sem ânimo para nada e isto, eu sei, é depressão. Leve, mas é. E por mais que eu tente, não consigo me livrar dela. Há uma tristeza que está-se apoderando de mim como o anoitecer e, o que é pior, não tenho vontade nenhuma de lhe dar combate. Um certo fatalismo me reduz a força interior. Um desgosto de tudo. Uma decepção por tudo. Por isto, é sempre bom ter com quem conversar, visto que passo meus anos de vida encerrado dentro de quatro paredes, como um prisioneiro que não cometeu crime algum, mas ainda assim é condenado a regime de prisão fechada. Deixei de ir à musculação, embora sinta que devia fazer isto. Mas não quero andar até lá. São mais ou menos 500 metros de ladeira e só de pensar nisto sinto preguiça.

Quando ela voltará às ruas, desta feita pra valer?

Quando ela voltará às ruas, desta feita pra valer?

Depois dos cumprimentos de praxe, sentamo-nos para conversar.

— Temos lido seus artigos inflamadas e críticos, doutor. Parece que o senhor está mesmo enfronhado com a ebulição que há no Brasil, não é?

Eu o olhei e sorri um sorriso sem graça. Depois, com um suspiro e tamborilando os dedos da mão direita na mesa, enquanto olhava minha mão esquerda encarquilhada descansando sobre a perna, disse com voz apática.

Não, meu amigo. Isto é um meio de fuga. Fuga de mim. E se você quer saber, não creio que esteja sendo lido nem mesmo por meus parentes. Não sou uma revista nem um jornal e estes veículos de comunicação estão fervilhando de notícias. Muitas até bem mais informativas que meus artigos. Além disto, o FACE está em ebulição e quem vai lá não tem tempo de me ler. Mas não me incomodo, se quer saber. O que escrevo é somente um desabafo. Um desabafo de velho, a quem não mais se presta atenção. Como diz a juventude, até de modo cruel, “a fila anda”. Meu tempo terminou. Minha fila andou muito. Estou na hora-extra.

Aquele tempo, hoje, me parece tão distante quanto a Lua da Terra...

Aquele tempo, hoje, me parece tão distante quanto a Lua da Terra…

Fez-se um silêncio constrangedor, que eu não me incomodei de quebrar. Com um pigarro, Vera estendeu sua mão morena e a pousou sobre a minha.

— Eu aprendi a lhe querer bem, doutor. Há bondade no senhor. Há paz em suas palavras e há sabedoria no que diz. Não gosto de vê-lo assim. Perdoe-me, mas o senhor é minha fortaleza.

Olhei-a e sorri um sorriso triste. Ela e mais não sei quantas outras pessoas de um ou de outro modo me disseram aquilo. Ou falando  uns poucos — ou através do comportamento carinhoso. Eu sempre fui a fortaleza dos que se tinham deixado cair nos momentos agros de suas vidas. Meu karma?

— Obrigado — agradeci.

— Eu não sabia que sua solidão era tão grande… — murmurou desconcertado meu jovem amigo.

A Idade da Reflexão e da Sabedoria que ninguém valoriza.

A Idade da Reflexão e da Sabedoria que ninguém valoriza.

— Um dia saberá, meu caro. Um dia todos saberão. No meu tempo de juventude eu também não entendia a solidão dos velhos e me disseram que um dia eu saberia. Agora eu sei. E não gosto nem um pouco do que sei.

— O senhor tem família e seus filhos o adoram. O amor deles não lhe basta?

Fiquei olhando para Vera, buscando um meio de lhe responder de modo claro e objetivo. Mas com que palavras?

— O amor deles é muito bem-vindo e imensamente necessário. Acho que é isto que ainda não me deixou afundar em uma depressão mais forte.

— Então, por que esta amargura? — Insistiu Vera.

— Não será por falta de uma Religião? — Arriscou-se Felício. — Não me leve a mal, mas nós sabemos que a crença firme em algum valor religioso ajuda muito, nestas horas…

Desta vez eu ri mesmo e o olhei com lágrimas nos olhos de tanto rir. Ele continuava padre.

Isto não me diz nada. Ele não passa de um pobre homem fantasiado de falsa ilusão.

Isto não me diz nada. Ele não passa de um pobre homem fantasiado de falsa ilusão.

— Comecei a vida religiosa com o pé esquerdo, Felício. Tornei-me descrente muito cedo e continuei assim pelo resto de meus dias até hoje. Um tão intenso condicionamento e uma carga de informações que só desacredita as Religiões pragmáticas não me ajudarão nem um pouco a retomar a senda abandonada. Não, não. Nenhuma Religião das que existem pode-me trazer qualquer conforto. Não há mais espaço para ilusão e sou maduro demais para entregar minha vida nas mãos de homens que ou são fanáticos e burros ou são gananciosos e espertos demais.

— Nem o Budismo? Nem a Teosofia ou o Espiritismo? — Perguntou Vera sinceramente interessada.

Não devemos incomodá-lo com rogos e preces. Ele não queria isto.

Não devemos incomodá-lo com rogos e preces. Ele não queria isto.

— Cada uma destas modalidades de filosofia religiosa teve seu tempo, comigo. Cada uma me acrescentou um pouco mais sobre o muito menos que se conhece sobre o outro lado da Vida e sobre o Inominado. Estou tão a pé quanto já estive aos meus 13 anos em matéria de religião. Mas estou muito adiante em matéria de irmandade com o Criador…

Vera apertou minha mão e sorriu aquele sorriso que lhe ilumina a face toda.

— Posso-lhe fazer um pedido?

— Pode. Por que não?

— Conte-nos sua vida.

Eu a olhei espantado com seu pedido.

— Por que me pede isso?

— O senhor deixa entrever que é um homem bastante vivido. Seus artigos têm profundidade e exalam grande experiência e grande conhecimento. Espantosamente, o senhor parece conhecer de tudo…

Meneei a cabeça negativamente.

— O que conheço não enche a palma de sua mão, minha jovem.

Stanislas de Guaíta, místico que a Igreja ignora por se ter dedicado à Magia.

Stanislas de Guaíta, místico que a Igreja ignora por se ter dedicado à Magia. Iniciou seus estudos entre os franciscanos.

— Não parece — disse Felício. — Sou um homem que tenho bastante leitura e, no entanto, diante do senhor às vezes me acho um ignorante.

— É que eu falo de coisas e pessoas pelas quais você nunca se interessou ou foi proibido de se interessar, como  Jacob Boheme, Eckhartaussen, Pico della Mirandola, Marcelo Ficin, Knorr de Rosenroth, Stanislas de Guaíta e muitos outros. Nada mais que isto.

— Não. Há sabedoria em seus ensinamentos. Mesmo quando sarcástico e ácido, o senhor demonstra sabedoria.

— Sou velho. Todo velho tem alguma sabedoria que a Vida lhe deu. Isto é natural.

— Não fuja — cortou-me Vera. — E não nos prive de algo que eu sinto nos será de grande valia. A vida de toda pessoa que viveu muito e viveu tempos de grandes mudanças, como o senhor viveu, é um livro de História inigualável. Deixe-nos saber de seu livro. Este, que ninguém jamais lerá sentado nos bancos escolares e tendo um professor sabe-tudo com um computador, quadro e giz a deitar instrução sobre os seus aprendizes.

— E comece falando-se de seus amores — Sugeriu Felício com um sorriso maroto.

Rua Desembargador Freitas, outrora, Rua da Estrela. Tão diferente que já não mais a reconheço.

Rua Desembargador Freitas, outrora, Rua da Estrela. Tão diferente que já não mais a reconheço.

“Meus amores…”. Aquele pedido ecoou forte dentro de mim. Sem perceber fui lançado a um passado longínquo, para a Rua da Estrela, em Teresina, Piauí, ano de 1949. Eu tinha nove anos…

— Minha primeira paixão se chamava Marluce — comecei com voz sumida. — Tinha 10 anos, um aninho mais velha que eu. Era branca, muito branca, cabelos castanhos claros, quase louros. Olhos azuis-escuros. Morava duas casas acima da minha. Eu a tinha como rica, porque possuía uma bicicleta, a coisa que eu mais queria e não podia ter…

Senti um pranto subir devagarinho de meu peito e meus olhos se encheram de lágrimas. Não disfarcei e deixe que ele viesse, mas não veio. Ficou engasgado nalgum lugar entre o coração e a garganta.

Esta casa branca, velha, ainda pertence à minha família. Eu vivi nela de 1949 a 1955.

Esta casa branca, velha, ainda pertence à minha família. Eu vivi nela de 1949 a 1955.

— Ela gostava do senhor? — Perguntou Vera, talvez para quebrar aquele momento constrangedor.

— Nunca soube…

— Como assim? O senhor não gostava da garota?

— Muito.

— E…?

Transcorreu um tempo em que fiquei perdido em minhas recordações sobre a casa na Rua da Estrela, nº 1782. Ela possuía um grande quintal que chegava à metade do quarteirão entre a rua da Estrela e a rua Lisandro Nogueira. Ali havia duas enormes mangueiras, onde vivi muitas aventuras. Então, de súbito, dei-me conta de que já estava em silêncio havia tempo e retomei a narrativa.

Sentir, sim. Falar, jamais. Esta era a Lei.

Sentir, sim. Falar, jamais. Esta era a Lei.

— Eu era tímido, muito tímido com meninas; e naquele tempo paixão de criança jamais seria reconhecida como algo sério pelos adultos. Se eu ousasse falar disto com minha mãe, meu pai ou com qualquer outro membro de minha família levaria uma surra de palmatória porque estaria cometendo pecado. Era outro século. Era outro tempo.  naqueles tempos ainda vitorianos, uma criança não tinha direito a nada, exceto estudar e brincar. Nada mais lhe era reconhecido. Assim, eu sentia aquela paixão intensa, mas tinha de sufocá-la e não podia falar a seu respeito com ninguém.

Sorri da expressão de espanto dos dois. Eles não poderiam mergulhar naquela época, mesmo que eu ficasse a descrevê-la por um século.

— Voltando à minha paixão, quando dava as 18 horas ela, banhada e perfumada, vinha andar de bicicleta bem diante de minha casa. A rua era tranqüila àquela hora. Não havia automóveis quase nenhum na cidade e os carroceiros já tinham passado voltando do seus afazeres…

Novamente eu me calei e em minha mente surgiu a Rua da Estrela com suas casas de tetos de palha, na maioria esmagadora, e seu chão de paralelepípedos. Teresina era uma capital onde as casas de telhado com telha de barro eram raras. A casa de meu avô, onde morávamos, tinha telhado coberto com palha. As telhas, das que as tinham nos tetos, ainda eram daquelas feitas nas coxas dos escravos de há poucos anos.

— E o senhor… O que o senhor fazia quando ela chegava?

A semente do jenipapo.

A semente do jenipapo.

— Eu a esperava com o coração aos pulos, a boca seca e as mãos suadas. Embora a família de meu avô materno fosse considerada rica, por causa de sua casa, grande, com mais de seis quartos amplos, mas ainda coberta com palha, minha família, meu pai, minha mãe, meus irmãos e eu éramos pobres. Vivíamos com meu avô a contragosto deste. Meu pai tinha conseguido um emprego como guarda civil e seu salário era pouco. Mesmo assim, ele se virava como podia à noite em seus dias de folga. Tinha um curso de enfermagem e aplicava injeções e fazia atendimento a quantos o procuravam. Eu me lembro que as crianças vinham entupidas, sem poder defecar, trazidas por suas mães aflitas. Tudo devido à semente do jenipapo, uma fruta comum no Nordeste brasileiro. As crianças, eu inclusive, comiam a fruta em grande quantidade. As sementes, no estômago, colavam umas nas outras e formavam um bolo como se tivessem sido cimentadas. Então, na hora “H”, depois de grandes cólicas intestinais, o bolo não passava pelo ânus. Meu pai, então, com uma pinça, ia retirando uma a uma as sementes até que, subitamente, tudo explodia com uma força tremenda e um fedor insuportável. Quase todo dia ele tinha aqueles pacientes gulosos e incautos. Eu não fui um deles porque papai sempre me advertia do perigo de comer muito fruto do jenipapeiro.

Meus dois ouvintes explodiram numa gargalhada e eu os acompanhei no riso.

 — A Marluce alguma vez assistiu a isso aí? A semente do jenipapo entupindo as crianças? —. Perguntou Vera, ainda às gargalhadas.

— Não, nunca. Eu morreria de vergonha se isto tivesse acontecido. Acho que nunca mais ficaria diante de seus olhos.

— Por que? Não era divertido?

— Com aquele espetáculo? O ânus dos gulosos expostos como um grande olho arregalado e vermelhão, com aquela bola enorme de caroços de jenipapo fazendo as vezes de um tampão? Depois a catinga danada? Não, não. Aquilo não era nada divertido. Além do mais, papai trancava a porta para que os curiosos não vissem a desdita da mãe e de seu filho desastrado. Às vezes o bolo não era de semente de jenipapo, mas de lombrigas…

— Lombrigas??? Verdade? — Espantou-se Vera.

Elas, quando infestam os intestinos, descem assim, em bolos.

Elas, quando infestam os intestinos, descem assim, em bolos.

— Hum-hum. A verminose era muito comum, quase uma praga, em Teresina, nos velhos anos 40-50. As ruas não tinham calçamento, com exceção de algumas raras, como era o caso da Rua da Estrela. E se criavam muitos porcos soltos. Suas fezes traziam os ovos dos vermes e das tênias e as crianças brincando com bola de gude ou correndo descalças soltando papagaio, eram vítimas fáceis. A verminose era a maior praga nos teresinenses daqueles anos. Eu detestava os vermífugos que me davam a beber. Um deles era composto de folhas tenras de tamarindo com folhas verdes de manga, cozidas e com três gotas de querosene naquela infusão de péssimo gosto. Era uma tortura e jamais soube se aquilo realmente era funcional. No entanto, meus irmãos e eu não éramos muito atacados pelos vermes, graças a Deus. Não que não os tivéssemos, mas não como praga. 

— Vamos voltar à Marluce? — Convidou Vera, enxugando os olhos.

— É melhor. Eu a esperava às 18 horas e quando ela chegava eu covardemente me retirava para dentro do muro de casa, de onde, através do portão, ficava a admirá-la volteando toda faceira sobre sua bicicleta.

— O senhor nunca se aproximou da garota?

— Ah, Vera, naqueles tempos um menino nem podia deixar entrever que estava gostando de uma menina. Seria um insulto danado à família da jovem e o resultado poderia ser desastroso. Meu pai não tinha boa fama, pois andara metido com o cangaço e era conhecido por ser um brigão de marca. E havia nossa pobreza. Isto era um divisor de águas poderosíssimo. Os pais da Marluce, eu acredito, jamais a perdoariam se desconfiassem que ela andava de asas caídas por um pobretão como eu…

— E Marluce tinha conhecimento de sua paixão por ela?

— Como eu disse, jamais soube. Mas acho que sim. E creio que ela me correspondia. Não havia razão para que viesse andar de bicicleta bem diante de nosso portão, visto que podia fazer isto muito bem diante de sua própria casa.

— É… Parece lógico — concordou Felício, acenando afirmativamente com a cabeça.

— Um dia em que todos nós, mamãe, papai, meus irmãos e eu, fomos à missa na Igreja de São Benedito, eu a vi lá. Estava linda e eu me senti vexado porque minhas roupas eram pobres e minha camisa tinha um remendo bem notável. E para piorar minha situação, Marluce me olhou e sorriu. Sua mãe, que a observava, deu-lhe um beliscão que lhe fez encher os olhos d’água. Ela não mais me dirigiu o olhar. Jamais pude saber se o beliscão era por temor ao meu pai ou se porque a mãe percebeu alguma coisa sutil entre nós dois.

— Como era aquele menino, doutor? — Perguntou Felício.

— Era esmirrado. Sempre fui esmirrado. Magro, agitado, feio, era assim que eu me via.

— Que péssima auto-imagem — disse Vera, meneando negativamente a cabeça.

— Verdade. Eu tinha uma péssima auto-imagem, mas minha auto-estima não era tão ruim. Eu me achava muito bom, pois fazia coisas que a gurizada de minha idade não conseguia nem em sonho.

— como, por exemplo?

Ele nunca deixou de ser meu Tarzan.

Ele nunca deixou de ser meu Tarzan.

— Subir em árvores. Eu era um verdadeiro macaco e me orgulhava muito, disto. E devido a ser um fã incondicional de Tarzan, aprendera a saltar de galho em galho com mestria. Certo que mamãe ficava desesperada me vendo como um símio sumir na copa das árvores. Em Teresina não podia mais fazer isto que fazia em Campo Maior, quando andava com meu pai pelas matas que por lá era abundante naqueles idos. Depois, eu tinha uma força muito grande e podia levantar sacos e objetos que os outros, até mais velhos, não conseguiam. E lutava muito bem o facão, graças aos treinos intensos com espadas de madeira. Meu primo e eu éramos fãs de Errol Flynn e por causa dele nós vivíamos quebrando os dedos lutando imaginárias lutas de espadas feitas com pedaços de paus. Um dia, era o meio-dia, Marluce passava diante da casa de meu avô e nos viu engalfinhados furiosamente num combate de espada. Éramos muito velozes e batíamos as espadas com fúria, cada qual tentando acertar o outro, com estocadas e cortes violentos, batidos com quanta força tínhamos. Ela ficou quase meia-hora nos observando e eu não a vi, pois não podia-me distrair ou perderia o embate. À tarde, quando veio andar de bicicleta, ela me olhava de modo diferente. Acho que porque ficara impressionada com minha habilidade com a tal espada.

— Ser criança, no seu tempo, era muito mais saudável que ser criança nos dias de hoje — disse Vera, com um suspiro.

— Eu não sei…

— As crianças de seu tempo, meu amigo, viviam a vida livremente. Não eram escravas do computador, dos jogos cibernéticos e do Mc’Donalds.

— Isto é verdade.

O sol estava alto, próximo do meio-dia. Felício suspirou e bateu carinhosamente na mão de sua companheira.

— Vera, temos um compromisso. A gente volta aqui amanhã, se o doutor não se incomodar, para continuarmos ouvindo sua história. Você acertou. A vida dele é deveras interessante.

Eles se despediram e se foram e eu fiquei quieto, rememorando aqueles tempos que dormiam no fundo de minhas recordações, quase esquecidos por mim…