Este homem é membro da mais alta corte de Justiça do País. Ele não pode ser venal nem mentiroso. Ele não pode se deixar corromper. Então, quando abre a boca para fazer uma acusação como a que fez, é para arrepiar os pelos de todos nós, brasileiros.

Este homem merece a confiança do Brasil. Mas está numa bruta saia-justa.

Pois é. Leio na ISTOÉ que no STF “(…) há ministros que se mostram ‘arrependidos de seus votos’ por admitirem que algumas falhas apontadas pelos advogados de defesa fazem sentido. O problema (…) é que esses mesmos ministros não vêem nenhuma brecha para um recuo neste momento. O dilema entre os que acham que foram duros demais nas sentenças é encontrar um meio termo entre rever parte do voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública”.

Ontem, na Assembléia da Associação de Moradores, convocada para que o pessoal ouvisse a palestra do Capitão PM Vondra, eu perdi o controle. Por pouco não fugi à minha determinação de não me servir de arte marcial para bater nos outros. Um chato de galocha anda enchendo a paciência da gente toda vez que se convoca uma Assembléia. Como tenho um pavio curtíssimo, e tenho notado que quanto mais idoso fico mais este pavio encolhe, ontem, cansado pela trabalheira que foi montar “o espetáculo”, o sujeito escapou por pouco de conhecer o que significa o soco com disparo de energia Chi. Pela manhã, ao despertar, mal abri os olhos e a cena do homem falando o que queria me voltou à mente. Então, enxerguei tudo por uma ótica totalmente oposta àquela com que enxergara o processo, à noite. E nesta nova ótica, entendi que talvez o homem estivesse realmente querendo ajudar, mas talvez não soubesse se expressar – o que é muito comum nos dias de hoje. As pessoas, ou porque fugiram à escola, ou porque foram alunos relapsos, ou, ainda, porque sofrem de um leve retardo no raciocínio verbal, cresceram sem saber dizer realmente o que desejam, principalmente se o que querem se enquadra dentro de um ambiente delicadíssimo como é aquele da Política.

Equilíbrio e paz interior são muito necessários nestes dias conturbados.

Equilíbrio e paz interior são muito necessários nestes dias conturbados.

E me veio a dúvida. E com a dúvida, veio-me, também, o arrependimento por ter sido de uma grosseria inaceitável. Ao menos para mim que não costumo ser assim. Geralmente procuro sempre o meio-termo em qualquer situação, como ensina o TAO. Equilíbrio jamais é demais. Mas eu perdi o meu, fosse pelo cansaço, fosse pela dor de estômago da fome que estava por não ter ainda jantado e ter almoçado somente um pastel de queijo. O certo é que naquela noite eu estava um verdadeiro porco-espinho.

Ao ler a notícia acima, parei para pensar na situação delicada dos senhores Togados do Supremo. E rememorei a tremenda pressão que sofreram no julgamento do tal Mensalão. Sim, é verdade que a roubalheira foi grande; é verdade que houve a pouca-vergonha da compra dos votos pelo Genoíno e PT para obter o apoio dos “aliados”. Mas, pensemos: o Lula teria conseguido fazer o que fez, contrariando as diretrizes do trio satânico, se não tivesse comprado a peso de ouro apoio às suas metas políticas? Creio que não.

Passado aquele período e vindo à tona as idéias do Lulão Politicão, vejo que ele não estava trabalhando em prol do Brasil, como parecia ser, mas sim em prol de seu condicionamento comunista, socialista e sei lá que mais “istas” embala sua cabeça de operário retrógrado. Teimoso, como todo político, ele ainda acalanta a perigosa idéia de levar nosso país a dar uma guinada diretamente para a filosofia chavista. Ela não cabe entre nós. Pode ser muito boa lá para os venezuelanos, mas nossa realidade é outra. É especial. É única. Falamos língua diferente; temos uma história diferente; temos um território composto de uma dezena de Venezuelas e desenvolvemos várias culturas regionais totalmente diferentes da daquele povo. Querer implantar entre nós um pensamento como o de Hugo Chávez é uma utopia perigosa.

Pensa, Lulão, pensa mesmo. Um dia, quem sabe? Você vai conseguir ir além da lenga-lenga marxista-leninista que por toda sua vida lhe dirigiu passos, emoções e pensamentos...

“Ô vida chata! Nós, políticos, não podemos ter também nossos ideais?”

O Brasil entrou numa ebulição desorientadora, desde que o trio satânico desmantelou o que nos teria levado a nos ombrearmos com os EUA ou à CHINA em matéria de desenvolvimento técnico-científico. Demos um tremendo pulo para trás, graças ao PSDB do patife FHC e, agora, estamos novamente às apalpadelas, atrás de uma filosofia política que nos impulsione à frente, novamente. E no fervor destes momentos políticos pode ser que algum togado tenha exagerado um pouco no peso da mão da Justiça, mas só um pouco, pois ao fim e ao cabo, os envolvidos nas encrencas do MENSALÃO não têm aura de santo nem de longe.

Gilmar Mendes, que a mim parece pessoa comprometida com a Justiça Verdadeira, diz que “a Corte não cederá às pressões das ruas e manterá o julgamento dos recursos da Ação Penal 470, o processo do mensalão, em patamar técnico.(…) Se houver erro, terá que haver correção. Esse é um outro tipo de juízo que tem relevância no mundo político, mas nós não podemos fazer esse tipo de consideração. Se de fato houve uma decisão equivocada e injusta, ela terá que ser corrigida”.

Bom, vamos esperar que ao final deste imbróglio lulista os responsáveis por mais um crime de Lesa-Pátria não saiam ilesos, inocentados pelo Supremo, o que já seria jogar no chão toda aquela Côrte em que o País confia.

É por isto que não me agrada o tal arrependimento. Ele é o resultado do trabalho do Santo que só chega depois do milagre feito. E este resultado é sempre muito incômodo, pois requer reparação, coisa que incomoda muito àqueles que tomam consciência de que procederam impulsivamente.

Como eu.