Ele vivia em um tubo. Mesmo assim, era um filósofo cáustico. Quem dera que vivesse no Brasil de hoje...

Ele vivia em um tubo. Mesmo assim, era um filósofo cáustico. Quem dera que vivesse no Brasil de hoje…(Quadro de John William Waterhouse)

Reza a História que há muito tempo, um grego chamado Diógenes de Sinope, que viveu como mendigo, um dia deu de passear numa praça, em plena luz do sol, com uma lamparina na mão. Procurava alguma coisa. E quando lhe perguntaram o que ele procurava, respondia: “Procuro um homem honesto”. Ora, se ele nunca encontrou o tal homem honesto lá, na velha Grécia, hoje, neste novo Brasil é que jamais iria encontrá-lo. Talvez fosse até escarnecido como doido ou queimado, quando estivesse dormindo sob uma marquise ou um viaduto de qualquer cidade brasileira. E sua morte certamente ficaria por isto mesmo. Afinal, que valor tem um mendigo? Nem ser humano ele é, não é mesmo?

Não estranhe o que digo. Você já fez um carinho na cabeça de um mendigo que esteja deitado na calçada? Você já parou para pensar a ferida sangrenta na perna de um mendigo? Você já se deu ao trabalho de se sentar para conversar um pouco com um mendigo? Não? Não se agaste. Você está de passo certo com a maioria esmagadora dos brasileiros. Você, também, não valoriza o mendigo. Um dia, há muitos anos, quando meus cabelos eram pretos e meus músculos muito fortes, eu me sentei ao lado de um e reparti com ele uma marmita que tinha comprado justamente para isto. Comemos e ele me contou sua vida. Tomei um susto tão danado que passei a evitar os coitados. A vida daquele homem tinha sido uma tragédia. E eu pensava que a minha vida era que tinha sido isto.

Bom, comecei meu artigo falando de mendigos porque no Brasil atual todos estamos na condição de mendigos, diante da patifaria, da sem-vergonhice, do descaramento, do afrontamento do Bem, da Ética e da Moralidade, enfim, desta coisa absurda a que nos submetemos ainda pacificamente e que os danados ousam chamar de Política.

Não fazemos POLÍTICA. Fazemos, sim, POLITITICA. Não sei se você sabia, mas na Grécia Antiga, a pólis era um pequeno território localizado geograficamente no ponto mais alto da região. Ali se situava toda a vida política da gente que lá vivesse. Pois bem, copiando este modelo, consciente ou sob a influência do Inconsciente Coletivo Junguiano,  os “polititicas” brasileiros fizeram de Brasília a pólis da patifaria nacional brasileira. E espalharam por todo o território nacional seus êmulos, a fim de não permitir que nada de bom viceje nesse campo infestado e dominado por eles: a Polititica.

No momento atual dois “bois de piranha” estão se danando para dar sossego à boiada de safardanas que pulula e pasta nas Casas Legislativa e Executiva da União: Cabral, no Rio de Janeiro, e Alckmin, em São Paulo. Alguns desgarrados também pastam no Judiciário, que, aliás, tem, para a infelicidade de todos nós, a mais poderosa e criminosa instituição acima de qualquer alcance jurídico. Muito acima do SUPREMO e mais acima ainda da PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. E creio que você é incapaz de dizer de que instituição estou falando. No entanto, se você perguntar a qualquer bacharel em Direito ele lhe responderá imediatamente e sem titubear: a OAB.

OAB quer dizer, a meia-voz, Ordem que Acaçapa o Brasil. Acaçapar quer dizer abater, esmagar, humilhar. Pois é: a OAB é isto aí. E vejam como a “distinta” está toda assanhada tentando abocanhar trunfos para si, no movimento “grita Brasil!” que se espalhou pelo país todo. Como fazem os polititicas aos quais ela protege ferozmente (e reciprocamente é protegida e defendida por eles), a OAB tenta trazer para si um naco de prestígio. E vai conseguir, pois se até os polititicas estão levando vantagem, por que ela não? Afinal, são os seus membros os guardiães da “corruplosofia” sob a qual somos “acaçapados” tanto como cidadãos, quanto como brasileiros.

Eu fico pasmo ao ler em todos os jornais e revistas, além de ouvir nos noticiários “sérios”, que Alckmin está disposto a processar a Siemens. E o patife vai para diante das câmeras dizer que “se a Siemens aceitou delatar o Cartel de empresas em licitações em São Paulo é porque ela cometeu crime. Ao se confessar delatora ela também se confessa criminosa”. E ele? O que se pode dizer dele e de seu partidão? Nesta história fedorenta ninguém pode atirar pedras em ninguém. Seria melhor o Alckmin ter ficado caladinho e deixado que a Siemens realmente gozasse do privilégio que lhe garante a Lei da Delação Premiada. Mas é que o Alckmin é macaco velho e é da velha escola de patifaria. Ele está virando o jogo semvergonhamente. Na sua atitude há um aviso a outros que se vejam tentados à Delação Premiada: “Cuidado! Nós podemos afundar vocês. Vejam o que vou fazer com a Siemens!”  É isto o que ele deseja: enviar a outras empresas ou a outras pessoas um aviso: nós, polititicas de carteirinha, não ficaremos por baixo. Quem ousar nos denunciar vai amargar sua ação”. E na TV ouço a propaganda: “Se você tem conhecimento de algum ato de corrupção, denuncie! O Ministério Público irá tomar as providências”. Certamente. Mas será que a população pode realmente contar com o Ministério Público quando o assunto é Polititica?

Eu duvido muito…