Cercada por mangueiras, jaqueiras, tamarindeiros e outras árvores de grande porte, no verão ela não difere muito das outras casas.

Cercada por mangueiras, jaqueiras, tamarindeiros e outras árvores de grande porte, no verão ela não difere muito das outras casas.

Três horas da madrugada de domingo, 25/08/2013. Caldas Novas. Acordo zonzo, com dificuldade de respirar. Tórax pesado como se sobre meu peito tivesse uma chapa de chumbo. Cabeça parecendo ter sido substituída por uma bola de ferro. Dor nas têmporas. Nariz ressequido, com a sensação de queimação nas mucosas nasais. Garganta tão seca que tenho dificuldade de engolir, embora minha boca não tenha quase nenhuma saliva. Tento me levantar e vejo que não tenho controle de meus movimentos. O corpo parece não ser meu. Caio com a cabeça batendo contra a parede. Esforço-me e me ponho de pé com um esfôrço titânico. Apoiando-me com as mãos na parede, tento inspirar fundo, mas meu tórax teimosamente não quer obedecer. A sensação de sufocação é muito desconfortante. Retiro-me de meu corpo, psicologicamente, a fim de não me deixar tomar pelo pânico. Onde tenho minha casa não há qualquer mínimo resquício de socorro imediato.

A varando de nossa casa é uma delícia, quando é época de chuva. O barulho do vento ou da chuva nas folhas é verdadeira música aos nosso ouvidos.

A varando de nossa casa é uma delícia, quando é época de chuva. O barulho do vento ou da chuva nas folhas é verdadeira música aos nosso ouvidos.

A cidadezinha de Caldas Novas, em que pese a megalomania dos seus governantes, tem uma assistência médico-hospitalar totalmente ineficiente. A farmácia mais próxima fica a quatro quilômetros e àquela hora está mais fechada que túmulo. Estou entregue a mim e à minha companheira, que dorme ainda.

O bairro onde estamos foi o último a ser tomado pela “civilização”. Até há dois anos, tudo ali era natural, com árvores típicas do serrado, temperatura amena e, mesmo no verão, em nossa casa a gente sentia bem a diferença. Mas vieram as construtoras. Adquiriram os lotes por uma bagatela e construíram casas que são verdadeiras mansões. Lindas e grandes. E a especulação desembestou sem freio. Agora, o bairro está todo asfaltado, há casas e mais casas grandes e belíssimas e o sossego e a paz se foram para sempre.

Uma lástima. Eu preferia continuar vivendo cercado de beija-flores, tucanos, corujinhas do campo, carcarás, araras, papagaios, rolinhas, joões-de-barro,  bem-ti-vis, pica-paus coroados etc… do que cercado de mansões calorentas e gente com seus super-rádios espalhando ruído estúpido pela atmosfera a torto e a direito.

Perigosíssima, sua picada leva à necrosidade do membro atingido e até à morte. Aqui, no Centro-Oeste, elas são abundantes.

Perigosíssima, a aranha saltadeira é assim. Sua picada leva à necrosidade do membro atingido e até à morte. Aqui, no Centro-Oeste, elas são abundantes.

Meu primeiro pensamento foi: “Estou envenenado? Será que o veneno das iscas que coloquei para matar as formigas saúvas que estão acabando com as plantas foi, também, ingerido por mim? Eu estive com o saquinho de plástico onde o veneno estava, em mãos durante mais ou menos trinta minutos. Não me lembro de ter lavado as mãos depois disto. E comi pão duas horas depois. Será que ingeri o veneno, também?” Caminho em direção à porta da sala e saio para a espaçosa varanda. Um ar frio e muito seco me ataca a pele que engelha e pinica como se estivesse sendo visitada por uma centena de agulhas. A dificuldade de respirar aumenta. Estou zonzo e compreendo que se ficar ali fora vou cair e, talvez, até mesmo perder os sentidos. Rodo nos calcanhares e caminho de volta para o quarto. Atravessar a sala é como atravessar um deserto. As pernas pesam como se fossem de chumbo. Não sinto dores, mas luto acima de tudo contra a falta de ar e o pânico. Não é hora para isto. Não tenho vizinhos que nos possam socorrer e os que temos estarão tão impotentes quanto nós mesmos. Além disto, não sou de pedir socorro. Pela vida solitária que levei e pelo treinamento de quartel, aprendi de modo muito intenso a não buscar socorro e, sim, me virar por mim mesmo. Controlo com mão de ferro o medo que tenta se apossar de mim e penso: “Nada acontece que não seja na hora certa e no minuto certo. Por maior que seja a agonia, se tenho de morrer agora, ela não durará muito. Não tenho resistência física suficiente para prolongar este momento, portanto, calma e enfrentamento”. Chego diante da porta do quarto e da do banheiro, que fica logo à direita. Mas as pernas tremem, a dificuldade de respirar aumenta, a sensação de que tenho um corpo de chumbo se torna mais presente e eu me recosto no portal. Minha companheira desperta e salta de pé, totalmente alerta. Tenta me fazer entrar no banheiro para tomar uma chuveirada, mas ao me desencostar do portal  quase despenco no chão. Respirar está mais difícil e me sinto zonzo. O corpo todo começa a tremer e a ficar gelado. Com muita dificuldade consigo cair na cama. Estou com meu sistema nervoso totalmente descontrolado e, por isto, meu corpo se sacode como se uma vida totalmente independente de minha vontade o tomasse de repente. Com muita dificuldade consigo balbuciar: “Frio!”. Minha parceira corre a fazer um café com leite bem quente e traz um copo para mim. Engulo tudo quase de uma vez, sem ter claramente a sensação de calor, o que me acarreta queimaduras na língua e no céu da boca. O líquido quente chega ao meu estômago e sinto como se ele estivesse queimando. Mas funcionou. Um calor muito bom afasta aquele frio de morte. Só então percebo que estou debaixo de dois edredons e duas mantas de lã. E ainda tremo. Fico quieto. Não há muito o que fazer. Agora, é esperar. Tento não deixar que ela perceba que ainda estou ruim. O tremor vai cessando e o frio de túmulo começa a abandonar meu corpo. Ela percebe que estou quieto e que minha respiração retorna ao normal e se deita, apagando a luz do quarto. Ambos permanecemos silenciosos e despertos. Os minutos se arrastam e até que eu veja a luz solar espantando as trevas densas da noite sequíssima que estava indo embora, tenho a sensação de que decorreu um ano.

A ferroada dese inseto nojento é mortal para crianças e idosos e dói como o diabo.

A ferroada dese inseto nojento é mortal para crianças e idosos e dói como o diabo. O remédio mais eficaz para este inseto e para o escorpião amarelo, o mais venenoso, é bico de galinha.

Tudo o que descrevi acima, e que certamente muitas outras pessoas como eu devem ter sentido, é fruto da tremenda secura do ar que a cada ano fica mais intensa no Centro-Oeste brasileiro. O dia de domingo chega com um sol ardente e eu continuo trêmulo e com a sensação de que tenho um corpo que não me obedece como antes. Não faço nada a não ser me preocupar com o ter que dirigir de volta a Goiânia, por 184 quilômetros, numa rodovia muito movimentada e sem acostamento em sua maior parte. Qualquer emergência que surja, não terei onde parar. Não comento nada com minha parceira para evitar que fique preocupada. Não mais me esforço, como havia feito no sábado, quando ali chegamos e eu passei das 9 horas da manhã às 5 horas da tarde, com 40 minutos de descanso para almoço, rastelando o solo para retirar dois caminhões de folhas e galhos secos do chão. Não mais tenho as galinhas que criava com a intenção de que nos livrassem de insetos perigosos, como aranhas saltadeiras ( aranhas marrons), escorpiões e lacraias. O chão cheio de folhas secas e galhos podres são ideais para estes bicharocos venenosos. Até que compre outros galináceos, o melhor é não dar sopa para o azar. Já fui ferroado por uma lacraia e sei colmo aquilo dói. E não tem nada que nos salve do veneno. Ou o corpo está saudável para resistir, ou a vítima morre. Naquele ano, 2000, eu estava com excelente saúde, o que não acontece, agora. Sofri o diabo, mas sobrevivi. Restou um medo do inseto que, por si só, já é nojento e repugnante, e um forte sentimento de prevenção. No final do sábado, eu estava rolando no chão de dor nas costas, onde um bico de papagaio deitava e rolava. Tive cãibras horríveis nos pés, graças à tensão dos nervos machucados. Foi terrível e precisei apelar para Torsilax, embora este remédio me ataque o fígado, onde já tenho áreas necrosadas exatamente pelo seu uso.

Foi assim meu final de semana, neste agosto que, dizem, tem o mau gosto de rimar com desgosto.

E assim vivem os moradores de cidades como Tóquio, São Paulo etc... Sob intensa poluição atmosférica.

E assim vivem os moradores de cidades como Tóquio, São Paulo etc… Sob intensa poluição atmosférica.

E ouço, nesta segunda-feira, que o mundo atingiu seu limite em poluição da atmosfera. Nada menos que 400 ppm (400 porções de CO2 por milímetro) na atmosfera. Sabem o que isto significa? Que a Terra está cercada por gás venenoso em toda a extensão e volume de sua camada de ar. Isto quer dizer que a atmosfera terrestre vai esquentar algo em torno de 6 a 10 graus nas próximas décadas. Há uma profecia de Nostradamus que diz que o mundo anterior foi extinguido pela água, mas este em que estamos vivendo será extinto pelo fogo. E isto já vemos pela TV, com total indiferença por todos, do gari ao Industrial mais instruído da Terra. Começou com os EUA, na Califórnia, onde todo ano incêndios incontroláveis devastam o que restou de floresta naquela terra de cegos por causa do dólar e do lucro pela venda de armas. Passou para a Espanha, que já quase não conta com florestas em seu território. Seguiu-se Portugal e finalmente a Europa toda está às voltas com incêndios, sejam causados por descuidos humanos, sejam espontâneos.

O aquecimento da camada de ar ao redor da Terra em 6 graus quer dizer que na superfície o calor pode chegar a mais de 60 em determinadas partes do Globo. O aumento em 10 graus pode levar o solo a atingir e até a ultrapassar a insuportável temperatura dos 100 graus facilmente. Os americanos já amargam 40 graus todo ano, no verão, e a Europa, também. Anualmente, no mundo, morrem muitos idosos e crianças porque não suportam os 40 graus “já tão comuns” entre nós. O que acontecerá quando chegarmos aos 60 graus ou mais?

Quando chove, como nesta foto, minha casa fica uma delícia. Mas no calor ela não difere muito das outras.

Quando chove, como nesta foto, minha casa fica uma delícia. Mas no calor ela não difere muito das outras.

Eu acreditava que ter uma casa cercada de grandes árvores seria um bom remédio contra a secura do ar do Centro-Oeste. Não é verdade. Minha casa é cercada de mangueiras e jaqueiras, entre outras árvores de grande porte, mas, embora o ar ali dentro seja mais ameno do que nas cercanias, nas outras casas totalmente “peladas”, a secura atmosférica é igual para todos. Até as árvores se ressentem e noto que a cada ano elas perdem mais folhas quando chega estes meses de secura por aqui.

Até os pássaros rareiam. Os tucanos, fregueses de minhas bananeiras, estão quase sumidos. O bairro, agora, está cheio de casas e a mata que nos cercava dá lugar a telhados quentes e chão cimentado. A rua de terra batida cedeu lugar ao asfalto e isto fez aumentar estupidamente a temperatura. É a civilização… Para contar com os comodismos da civilidade, temos de pagar um alto preço em conforto e vida sadia.

Fico pensando, diante da TV, agora já em Goiânia, se vale a pena tal conforto civilizado diante dos estragos ferozes que eles causam. Os cientistas culpam o excesso de automóveis, mas os políticos é que são os reais culpados desta desgraceira.

Meu filho me contou que na semana passada um seu colega, também engenheiro de computação, lhe falou a respeito de um riograndense do sul que reativou e redesenhou um instrumento já criado no tempo da segunda grande guerra mundial. Tal instrumento, instalado nos automóveis, faz milagres. Primeiro, a queima do combustível é total, o que reduz a emissão de poluentes da gasolina a menos de 0,01% do que é emitido hoje. Segundo, aumenta a quilometragem por litro de gasolina consumido, passando, um carro 2.0 que percorre 11 km com um litro, a percorrer 30 ou 35 km/l; e um carro 1.0 a percorrer 50 km com um litro. Muito bem. Ele leu isto no Google no dia anterior àquele em que comentou com meu filho. Este foi verificar no local indicado e… TINHA SUMIDO TANTO A REFERÊNCIA AO NOME DO BRASILEIRO, quanto a referência ao tal aparelho que ele tinha anunciado de conformidade com sua intenção de montar uma fábrica para a produção do dito aparelho. Meu filho, por ser capaz de entrar nos meandros “insondáveis” do Google, conseguiu chegar até o anúncio de que lhe falara seu amigo e comprovou que o que ele tinha dito era verdade. Mas o Google havia retirado do ar toda a notícia e toda referência ao brasileiro. Por ordem de quem? Eis a questão que nunca será respondida.

Quem é mais importante para a humanidade: um ajudante de pedreiro ou um cientista que pode salvar o mundo  do fim pelo fogo?

Quem é mais importante para a humanidade: um ajudante de pedreiro ou um cientista que pode salvar o mundo do fim pelo fogo?

SUMIRAM O INVENTOR E O INVENTO. Em menos de 24 horas. Não é de estarrecer?

O sumiço do Amarildo não é nada, diante do sumiço do gaúcho cientista. O Amarildo era apenas um auxiliar de pedreiro e nada podia fazer para minorar a desgraceira que está desabando sobre todos nós, independentemente de riqueza, religião ou seja lá que valor social seja. Mas o gaúcho podia arrefecer o perigo que nos ronda como uma praga incurável. Claro que do ponto estritamente humanitário, tanto o Amarildo quanto o Gaúcho são igualmente importantes. Mas do ponto de vista científico e da emergência que temos de um socorro urgente para o mundo todo, o sumiço do gaúcho foi uma desastre. Mas NADA SE FEZ NO SENTIDO DE DESCOBRIR PARA ONDE ELE FOI MANDADO. Talvez já esteja do outro lado, quem sabe? A indústria dos petrodólares não perdoaria um insano como este, que tem a ousadia de pretender diminuir os lucros dos gananciosos cegos do mundo todo.

Sim, lucrar e lucrar e lucrar, mesmo à custa da Vida na Terra.

Eu não entendo tal raciocínio. Por que pensar em dólares, quando uma simples abelha vale infinitamente mais que o retângulo feio, esverdeado, da moeda mais fraca do mundo, ainda que a mais poderosa artificialmente? No final, ela também será queimada e nada restará do que esta humanidade tresloucada fez…