Este sorriso robótico só aparece no momento de falar de futebol. Aí está toda a alegria que a TV consegue transmitir.

Este sorriso robótico só aparece no momento de falar de futebol. Aí está toda a alegria que a TV consegue transmitir.

Acidentalmente entrei em um fórum de debate sobre a Violência no Ser Humano. Estava sem sono, fazia um calor danado e a secura era desesperante. Por isto, vim para a fuga mundial — o computador. Em um grupo, pessoas das mais diversas partes do mundo discutiam suas opiniões sobre a violência no ser humano. Fiquei por duas horas lendo o que eles diziam entre si. A maioria esmagadora escrevia em inglês, o que me dificultou muito entender as opiniões. Mesmo assim, permaneci lendo o que podia. E, após esgotadas as duas horas, resolvi dar também minha opinião. Em português, é claro. E ela foi: “Somos violentos porque somos medrosos”. Alguém traduziu o que eu tinha dito para o inglês. E, então, seguiu-se uma acirrada discussão entre os participantes a respeito do que eu opinara. Para meu pasmo, a maioria concordava em que eu estava errado e que a violência no ser humano é tão-só aprendida e estimulada constantemente pelo sistema social em que vivemos, o qual se baseia fundamentalmente no endeusamento do comportamento violento. O medo é tão-só a resultante da estimulação constante do sistema emocional humano, feita através dos noticiários televisivos, das notícias em jornais, revistas, folhetins, pregações religiosas etc, etc, etc… Além disto, a violência é a resultante fundamental do vício das drogas, principalmente nos países pobres, como o Brasil e todos os demais constituintes da América Latina. E citaram-se centenas de filmes, onde o tema principal, ainda que não explícito por palavras é a violência. Além dos filmes, também foram citados os Noticiários, principalmente os brasileiros, que deixam no ar a impressão de que nossa televisão acredita que só consegue IBOP se falar do mórbido, do doentio, do perverso e do pervertido. Para cada cem notícias de mortes e crimes, há uma mais ou menos positiva e esta é, quase sempre, o futebol. É aí que a repórter global ou outra qualquer, segue o padrão mundial: abre um sorriso de felicidade, como se fosse dar a notícia que mais agradaria a qualquer expectador: “você ganhou sozinho os 120 milhões da mega-sena”. Mas não é isto. Ela vai falar de futebol e dos já batidos gols. Mas é o único momento em que a distinta abre aquele sorrisão de robô.LEIA O LIVRO. http://www.considerando.com.br/livros/porquesomosviolentos/