O Maior e o Melhor dos Professores.

O Maior e o Melhor dos Professores.

Os dois caminhavam apressadamente. João tinha dificuldade de seguir os passos de Yehoshua, embora fosse quase de sua estatura. É que as pernas de Yehoshua eram mais fortes e suas passadas mais elásticas. Mesmo assim, João se mantinha galhardamente a um passo atrás de seu instrutor. Yehoshua, naquele momento, ia calado. Parecia concentrado em alguma coisa. Preocupado, João pensava em Thiago, o irmão deles, que tinha ficado encarregado de cuidar de Míriam e dos demais irmãos. Thiago era muito jovem e tinha uma cabeça quente perigosa. Era um admirador dos sanguinários zelotes e vinha sendo “namorado” pelos perigosos Saduceus. Estes, negavam de pés junto a ressurreição, defendida pelos Fariseus, e, pior, negavam o Dia do Juízo Final, em que a maioria dos hebreus acreditava. Piorando as coisas, eram os maiores colaborados com os kittins, para revolta da população hebraica. E como colaboradores dos odiados senhores estrangeiros, os fariseus tinham um interesse incomum em Yehoshua, seu irmão, que, para desespero de João, parecia totalmente indiferente a isto. Ambos, contudo, sabiam que estavam com uma víbora altamente peçonhenta a lhes farejar os rastros. O que diziam, por onde andavam, com quem falavam, tudo era vigiado e escrutinado pelos Saduceus. Yehoshua, entretanto, ignorava-os solenemente. Por que? Seu irmão sabia muito bem que não se deve ignorar a víbora quando se está em seu território. Mas ignorava-a assim mesmo.

Eis uma foto postada no Google, do Mar da Galiléia ou Yam. Aqui se deu uma das aparições de Jesus a Seus discípulos.

O Mar da Galiléia, em torno do qual Yehoshua ensinou tudo o que tinha a ensinar.

O Sol ficara abrasador. Era a 5ª hora desde o nascer do astro rei. João começava a sentir sede e cansaço. O Monte Hebrom, para onde parecia que seu irmão se dirigia ainda distava alguns quilômetros. Mas Yehoshua não parecia se preocupar com isto. Seu passo não vacilava e suas passadas continuavam firmes. João resignou-se e seguiu atrás dele. Estava curioso por saber a razão pela qual ele tinha tomado a decisão de seguir para aquele monte, detre tantos outros. Uma hora e meia mais tarde ele adentraram uma densa floresta de árvores folhosas que se estendiam desde o sopé do Monte Hebrom até seu cume. Yehoshua dirigiu os passos para o poço mais próximo. Aquele Monte tinha vários, mas alguns não eram próprios para o consumo.

O poço era, na verdade, um alargamento bastante grande do pequeno rio que descia do alto, quando as neves se derretiam. No inverno ele congelava. No verão, passada de uma corrente caudalosa e perigosa para um filete fino e murmurejante, até quando chegavam as chuvas e novamente ele se tornava arrogante e estrugente. Ambos os irmãos mergulharam no poço com satisfação e nadaram por um bom tempo. Então, Yehoshua dirigiu-as às margens e abriu o alforje onde levavam a comida. Colocou o pão, as passas secas, um meio pernil de cabrito assado e grãos de trigo fritos sobre largas folhas dispostas sobre uma pedra e chamou seu irmão para o repasto. Ele mesmo se contentou com o pão, o mel, as frutas secas – passas e tâmaras e os grãos assados. Já seu irmão comeu com apetite metade do pernil assado.

Terminado o repasto, os dois se recostaram no grosso tronco de uma árvore. João cochilou. Quando despertou viu que seu irmão dormia profundamente. Permaneceu quieto para não lhe perturbar o sono. Ele andou depressa demais. Está cansado”. Com cuidado ergueu-se e andou por entre as árvores. Embora o local fosse sombreado, João sentia calor. o Sol já declinava no céu, mas seus raios ainda eram bastante furiosos. Desistiu do passeio e retornou ao tronco onde deixara seu irmão mais velho adormecido. Não o encontrou mais ali. Olhou ao redor, curioso. Não se distanciara muito, como é que Yehoshua saíra sem que ele notasse? Chamou-o em voz bem alta. Nenhuma resposta. Desistiu e sentou-se para esperar. Só quase duas horas depois é que ele reapareceu, descendo pela trilha que levava ao topo do Monte.

— Aonde foste? Fiquei preocupado — censurou, pondo-se de pé.

— Preocupado com quê? Eu conheço bem estes montes, meu irmão. Não me perderia em nenhum deles.

— E o que foste fazer lá em cima?

— Fui buscar isto aqui — e Yehoshua estendeu uma pedra escura para João. Este a recebeu curioso. Era chata, talhada por mãos humanas. Era negra e tinha uns desenhos na superfície. Não media mais que trinta centímetros de comprimento por uns quinte ou menos, de largura.

— O que é isto? — Perguntou, levantando os olhos para Yehoshua.

— É uma estela que me foi dada por Krapoulos, o comerciante de peles.

O mais monumental engodo de todos os tempos. Moisés foi um gênio político, temos de admitir.

O mais monumental engodo de todos os tempos. Moisés foi um gênio político, temos de admitir.

João passou os dedos sobre a pedra e a revirou entre as mãos.

— Não me parece grande coisa — disse, decepcionado.

— Ela contém os fundamentos da religião de nossos pais — informou Yehoshua, voltando a se sentar junto ao tronco da árvore.

— Senta-te aqui ao meu lado, irmão — convidou Yehoshua, sorrindo. João assim fez, curioso. Yehoshua contemplou seu jovem semblante com carinho e, dando-lhe tapinhas na perna, começou a explicar o significado daquela estela.

— Há muito tempo, tão longe no passado que é difícil de se imaginar, grandes povos viveram mesmo antes de Adão.

João arregalou os olhos. Aquilo era pura blasfêmia. Se algum espião dos Saduceus ouvisse o que seu irmão tinha acabado de dizer, logo este seria preso e mandado matar.

Yehoshua riu do espanto de João e lhe pediu que somente o ouvisse, sem lhe julgar as palavras nem o que elas lhe transmitiam.

— Não te espantes, João. A realidade é muito maior do que esta que tu vês ao teu redor. A vida humana na Terra vem desde tempos cujo princípio tu, nem ninguém, podes fazer idéia. Esquece tudo o que te ensinaram os rabis no Templo. Eles não contam a verdade, senão aquela que criaram com base em suas fantasias, seus desejos de poder e de dinheiro. Nosso Pai que está nos céus não tem limites. Ele tudo pode. O que te parece impossível é apenas um fragmento do que Ele pode criar. Então, desce a guarda e ouve, pois não sei se terei tempo para novamente voltar a falar contigo sobre isto. Tu és meu irmão preferido. Terás grandes responsabilidades depois que eu me for…

Assim dizem que Deus apareceu a Moisés: como um fogo que não queimava a sarça em que se manifestava.

Assim dizem que Deus apareceu a Moisés: como um fogo que não queimava a sarça em que se manifestava. Por que o simbolismo da Sarça? Ninguém nunca se perguntou?

— E vais para onde? — Perguntou João, curioso e preocupado. Yehoshua era seu escudo, a muralha atrás da qual todos seus irmãos, e ele também, se sentiam protegidos.

— De retorno à casa de Meu Pai.

— Mas nosso pai…

— Não me refiro ao nosso pai Yoseph, meu irmão. Eu me refiro ao Criador de Todas as Coisas. Somos, todos, judeus, kittins, gregos, sírios e todas as tribos humanas, filhos d’Ele. Agora, escuta. Apenas escuta. 

— Muito antes do mito chamado Adão, que, como homem, nunca existiu, mas como raça humana viveu há muito, muito, muito tempo, houve uma raça de homens de pele avermelhada. Eles foram chamados pelos que deram origem a outros povos, no futuro, dos quais descendem os hebreus, de Adão-Adami,  que significava “Raça de Pele Vermelha”. 

— Quem te contou isso? — Perguntou João, admirado e espantado.

— Alguém. Não me recordo quem. um sábio de terras distantes.

— Um… estrangeiro?

— Um homem descendente de uma raça tão ou mais antiga que a hebraica, meu irmão.

— Não há.

— Apenas me ouve, sim?

— Mas o que dizes é pura heresia, Yehoshua.

Yehoshua ficou calado olhando nos olhos do irmão. Então, sorrindo, disse:

— Ao menos ao lado de meu irmão posso me dar o luxo de ser herege sem correr o risco de ser traído, não posso?

João o olhou sério, mas depois riu e acenou afirmativamente com a cabeça.

— Pois bem, vamos continuar com minha heresia. Os rabis de hoje condenam ao apedrejamento os que, segundo eles, praticam bruxarias, como fazer jogos de adivinhação para descobrir o que o futuro reserva a alguém. No entanto, essa pedra que está em tuas mãos, fez parte de um jogo antigüíssimo de um modo de adivinhação, cujas regras passaram de geração a geração e de povos a povos até chegar a Moisés, a Saul a David e aos sumos sacerdotes do Tabernáculo judeu.

— Estás dizendo que o que os rabinos fazem no Templo não foi dado aos nossos antepassados diretamente por Jeová?

— Estou. Vê, João, Jeovah não é o Verdadeiro Criador de tudo. Muito além dele está O Nosso Pai Verdadeiramente Eterno. Seu Poder é incomensurável. Sua Luz é tão absolutamente intensa que destruiria até mesmo o Sol se dele o Pai se aproximasse. Ele criou tudo, da Terra às Estrelas, mas só pode observar Sua criação e faz isto em pensamento. É como quando tu fazes uma peça pequena de madeira. Não podes segurá-la com força, que ela quebra. Assim é Ele. Então, é infantilidade pensar que nosso Pai apareceu a Moisés no Monte Sinai para lhe entregar as Tábuas da Lei.

— Moisés mentiu, então? — Perguntou João, olhos arregalados.

— Não. Não foi uma mentira. Digamos que Moisés… — Yehoshua hesitou olhando durante um longo tempo na face de seu irmão. Talvez hesitasse em confessar-lhe algo muito mais grave sobre o misterioso Moisés. Finalmente, com um suspiro e parecendo ter capitulado ao mito, Ele continuou. — Digamos que Moisés foi retirado espiritualmente de seu Corpo e recebeu de um Emissário Superior a inspiração para escrever a cinzel os mandamentos que apresentou ao povo hebreu.

— Por que não dizes “ao nosso povo”? E quem foi esse emissário superior? — Perguntou João, incomodado com o modo como seu irmão se referia à sua raça.

— Primeiro, porque eu não pertenço a este povo… Nem a nenhum outro, meu irmão. Nasci aqui, mas não pertenço a isto aqui e esta revelação tu deverás levar para o túmulo contigo, prometes? Segundo, o Emissário Superior poderia ter sido o próprio Jeovah. Quem sabe? Ele pode ver a face do Pai frente a frente sem ser destruído por isto.

João olhava de olhos esbugalhados para seu irmão. Quem era ele? Sempre pensara que Yehoshua era seu igual, seu irmão, filho da mesma mãe. Agora, ele dizia de própria boca que não era dali. Então, de onde era?

— João, já ouviste falar no Deus Nebo? — A pergunta pegou João totalmente desprevenido. Apenas meneou a cabeça negativamente, olhos esbugalhados de espanto, mirando aquele homem que se lhe revelava totalmente estranho, agora. Não era aquele irmão mais velho a quem acompanhara até ali, confiante em que era por ele protegido. Yehoshua era um estranho e começava a lhe ter medo.

— Não me temas — disse Yehoshua mostrando a João que lhe podia ver os sentimentos. — Sou teu irmão, sim. Não de carne, mas de Espírito. Sou irmão de todos os seres humanos, João. Tu também o és. Só que ainda não compreendeste isto. Nosso lugar, meu irmão, não é aqui. Nada aqui devia nos interessar senão como um lugar onde podemos aprender e ter prazer até mesmo com a fome, a sede, o calor e a dor. A Terra não foi criada pelo nosso Pai para ser um Paraíso como apregoam os rabinos. Ao contrário, ela foi criada para que a obra suprema do Pai que Está no céu possa evoluir, aprender, amadurecer e se tornar verdadeiramente sábia. A Terra é o maior desafio ao Espírito Humano…

Yehoshua fez uma pausa e estudou atentamente a expressão de espanto que havia no rosto de João. Sabia-o inteligente e perspicaz, mais do que os outros, mas o que lhe dizia estava anos luz à frente de seus conhecimentos. No entanto, ele tinha de saber alguma coisa sobre o Verdadeiro Deus e Sua Excelsa Obra, a humanidade, a Terra e o Sol.

— Mas o desafio supremo, João — continuou, após o tempo em que examinou a face de seu irmão —, esconde-se dentro do próprio Homem. Um dia que não está longe ele se verá diante da ESFINGE e terá de decifrá-la ou não continuará vivo na Terra. E a ESFINGE é Seu Eu mesmo. Ou o homem entende seu Eu Superior, ou perdê-lo-á para sempre.

— Eu não te compreendo. Falas coisas assombrosas, Yehoshua. Por que nunca falaste disto até mesmo para nossa mãe? Porque dizes tudo isto a mim?

— Porque quero que tu continues o que eu vou ensinar. Não cries religião em torno de meu nome. Eu não sou importante. Sou somente um Mensageiro do Pai, compreendes? Vim para deixar Sua Mensagem e tenho de retornar à Sua Excelsa Casa. Mas tu ficarás aqui e deverás continuar meu trabalho. Então, para que possas fazê-lo, tenho de te instruir muito mais que aos outros. Quanto aos nossos irmãos e à nossa mãe terrestre… Bom, eles avançam devagar e não devem ser perturbado com o que te digo. É para o bem de todos eles.

— Tu os protege contra a perturbação de tuas palavras, mas e eu? Não percebes que me deixas a mente totalmente confusa? Não vês como meu coração está acelerado, minha boca, seca e meus membros tremem de medo?

— Tudo isto vejo e sinto, mas tudo é somente sombra, mano. Tu não vais morrer pelo que te revelo. Então, sossega teu coração e me ouve que o tempo é curto. Agora, voltando a Nebo, o Deus a quem Moisés e todos os antepassados hebreus ordenados adoravam. Ele era o Deus da Sabedoria…

— Moisés adorava Nebo? — Perguntou João, com um fio de voz.

— Não somente ele, como Abraão e David, meu irmão. Mas me deixa continuar, sim?

João acenou abobalhadamente com a cabeça.

Quando Nebo surgiu entre os humanos nem havia ainda os judeus…

— Como não…?

— Escuta, impaciente. O povo que habitava estas terras eram os que viriam a dar surgimento ao povo hebreu, compreendes? Nosso povo não foi o primeiro a surgir na Terra. Esquece isto. O antigo povo que honrava Nebo e a ele prestava culto passou à História com o título de nabateus. Ganharam este nome justamente porque adoravam Nebo, o Deus da Sabedoria Secreta. Todas as Leis contidas nas Tábuas que Moisés apresentou ao povo hebreu já havia como regra de bom viver entre os nabateus…

— Mas, Yehoshua, Jeovah é o verdadeiro Deus da Sabedoria Secreta. É por isto que no Templo há o “santo dos santos”. O lugar onde está a Arca da Aliança…

— Esquece tudo isto isto e grava o que te ensino — e o olhar e a voz de Yehoshua eram definitivos e impositivos. João engoliu em seco e assentiu com a cabeça, assustado com a transformação na figura de seu irmão, que lhe pareceu ter crescido de algum modo estranho. Não em estatura, mas em autoridade.

— Babilônios e mesopotâmicos adoravam Nebo antes de qualquer outro Deus. Sansão também foi adorador de Nebo. Nebo é somente um dos nomes pelos quais o Pai se revela aos homens. Ele tem muitos nomes e não tem nome nenhum, se me compreendes. Nebo foi o criador da Quarta Raça humana, João. Lê o que está no Deuteronômio. Ali não se faz referência a Nebo, mas sim ao seu feito, à sua criação. Os rabinos cometeram um crime eliminando Nebo dos escritos babilônicos, dos quais derivou estropiadamente a religião que hoje pregam ao povo. Eles fizeram uma grande confusão e, por isto, muitos séculos hão de escorrer pela ampulheta do tempo, antes que este engano seja corrigido. Mas será, tenhas certeza. A quarta raça humana foi aquela conhecida entre os babilônios e mesopotâmicos e por todos os povos antigos, como a raça Adão-Adami, ou seja, a Raça Vermelha. pois é isto o que esta designação significa. 

— Adão não foi o primeiro homem criado por Jeovah? — Perguntou João, ressabiado.

— Não. Adão-Adami foi uma das sete raças que o Pai criou sobre a Terra. Mas os rabinos não compreenderam a Verdade Oculta e criaram um mito sem qualquer significado. Como poderia um casal de pessoas dar nascimento a milhares deles? Pensa, irmão.

João franziu a testa. Nunca, antes,alguém lhe tinha proposto questionar os ensinamentos do Templo. Agora, seu irmão lhe punha pulgas atrás das orelhas.

— O que te revelo está, de certa forma, nos livros sagrados hebreus, João. Mas não são revelados pelos que se arrogam o direito de só eles conhecerem a verdadeira História da Religião sobre a Terra. Para isto, inventam mitos que pregam aos incultos e desinformados, como verdades. Este mau hábito vai distorcer violentamente a Verdadeira Religião e ela voltará a ficar perdida entre as brumas da ignorância por muitos séculos. Ai dos que, hoje, fazem isto…

Os olhos de Yehoshua marejaram e ele disfarçou, coçando-os como se neles tivesse entrado poeira. João percebeu o engodo, mas nada disse, preservando seu irmão de se sentir envergonhado.

— Por que me ensinas tudo isso? — Perguntou João, olhando para a frente a fim de não constranger o pranto de Yehoshua.

— Porque desejo que não te percas nas querelas sobre o Nome do Santo. Nome não interessa. Ele não o tem. Não necessita disto. Se desejas invocá-l’O e com Ele falar, faze-o unicamente no verdadeiro santuário onde Ele pontifica eternamente: teu coração. Teus sentimentos. Despreza a ostentação e os templos vetustos que só servem para exaltar a futilidade dos que se dizem Seus representantes entre os homens. Despreza os hinos cantados em grupos ou gritados por turbas histéricas. Podes até dizer que tais turbas estão tomadas pelo Demônio. Estarás mais perto da Verdade do que se afirmares que eles estão tomados pela Santidade do Santo. Nosso Pai não gosta de barulho. Não gosta de ostentação. Não gosta de demonstrações escandalosas de ações tidas como caridosas e boas em contrapartida às más cometidas por pessoas que não adotam a mesma religião que os hebreus. Isto é falácia, irmão. Para Ele, que é nosso genitor estritamente falando, nós todos somos seus filhos e um Pai Verdadeiro não faz diferença entre seus filhos. Ele os ama a todos. Se assim é entre os homens, quanto mais não será com o Pai que está no Céu. O Verdadeiro Pai não somente ama a seus filhos por igual como, ainda, respeita as diferenças entre eles, pois sabe que são as diferenças que os tornam interessantes a Seus Olhos, ao Seu coração. Que graça teria ter milhares de filhos absolutamente iguais entre si? Não tem valor uma Religião pregar que todas as pessoas deve se igualar entre si segundo seus ditames e suas crenças. Isto jamais vai acontecer, por mais que grupos humanos tentem desesperadamente fazer que tal pesadelo se concretize. Vê, para que haja o herói, tem de haver o bandido; para que haja o santo, tem de haver o pecador; para que haja o pescador tem de haver o rio e o peixe. Entendes?

— sim, eu te compreendo.

— Então, as diferenças e as divergências de pensamento são a verdadeira riqueza que o Pai deu à Sua Criação. A divergência é o Verdadeiro Caminho. Todos trabalham, mesmo que não o saibam, segundo Sua Vontade. Ele nos fez diferentes porque sabia que as diferenças criaram conflitos e os conflitos levariam a um patamar de equilíbrio entre os diferentes. Mas isto não cessará enquanto Ele assim não desejar. Estás-me compreendendo?

Rumor de armaduras soaram. Os kittins patrulheiros das estradas estavam-se aproximando. Yehoshua impôs silêncio com o indicador aos lábios e se levantou. Puxando João pela mão disse:

— Não desejo encontrar-me com eles, agora. Vem. Sei de uma senda que nos levará de volta à casa sem que tenhamos de cruzar com esta ou outra patrulha. Depois, em outra ocasião, nós continuaremos esta nossa conversa.

E os dois sumiram por entre os arbustos justo quando a patrulha romana, cansada, suada e faminta, chegou ao poço…