Deputado Fernando Haddad, Ministro da Educação. Enquanto o Brasil não atentar para o fato de que político não serve para ser ministro, o barco irá de mal a pior.

Fernando Haddad se sai com uma pérola de filosofia polititica.

Vejam o que li na Folha: “O uso irresponsável do carro e sua supremacia em detrimento DE outros meios de transporte são os maiores erros no direcionamento das políticas públicas para o trânsito paulistano” (…) ” Toda a superfície da cidade foi privatizada com a escolha do meio de transporte ‘indigesto’. (…) “Todo investimento viário de São Paulo teve o carro como beneficiário direto. As marginais são prova disso”. (Nota: o “DE” em maiúscula é meu. Chega de paulistanês). As tiradas sapientíssimas são do mui amigo Prefeito Haddad, de São Paulo – capital. Ora pois, pois, diria o patrício, e de quem é a culpa disto? Não é só a capital de São Paulo que teve sua superfície (ruas) privatizadas pelas montadoras de automóveis, não. Isto acontece em qualquer cidade brasileira, da capital à vilazinha lá do interior. Mas a filosofia do Governo Federal não é: COMPRE CARRO! COMPRE CARRO! COMPRE CARRO?

Ele definiu bem a Opinião Pública. Ela, quando despertada para os desmandos do Planalto, torna-se um "Monstro" imbatível e indomável. A Síria da atualidade está aí para provar sua teoria.

Ele começou o empestamento do Brasil com a praga que, hoje, tortura ricos e pobres indiscriminadamente: o automóvel.

Desde Juscelino Kubitschek que a Política brasileira adotou esta bandeira: todo brasileiro deve ter um automóvel. Mil facilidades foram concedidas às montadoras para que viessem para o Brasil. E os Políticos montaram a nova mula do Desenvolvimento: as montadoras e seus milhares de empregos. São Paulo (ABC) ferveu de entusiasmo. Montadoras e mais montadoras foram-se instalando no ABC paulista. Milhares de empregos foram criados e milhões de automóveis começaram a ser distribuídos sem qualquer PLANEJAMENTO por todo o país. E veio o Fusca e o Fusca invadiu as capitais brasileiras e as cidades de grande porte.

Já com o advento do Fusca um sinal amarelo foi aceso em todas as cidades: é preciso repensar e rápido o transporte nas metrópoles. As ruas começaram a frear o deslocamento do cidadão. Outrora, por exemplo, no Rio de Janeiro, andava-se de bonde e de ônibus. Ambos eram barulhentos, cada qual à sua maneira, mas o trânsito fluía. Mas com o advento do Fusca os cidadãos foram abandonando bonde e ônibus e pugnando por ter seu próprio meio de transporte. E as ruas foram-se entupindo como artérias com placas de gordura. Sim, era mais que óbvio que as cidades não iriam suportar os automóveis. Urgia repensar O TRANSPORTE PÚBLICO. Mas aí entraram em ação os CORRUPTORES. Como? Vou dar um exemplo do qual já falei aqui no ano passado e em anos anteriores. 

Goiânia tem um dos piores transportes coletivos do Brasil. Quente, mal conservado, barulhento até não poder mais e irritantemente com a mínima capacidade possível em número de ônibus para os bairros. Pior: há somente dois donos das duas únicas e todo-poderosas empresas de ônibus. Uma é do Iris Rezende e a outra, dizem, do Marconi Perillo. Eu me lembro que há pelo menos nove anos, o contrato com estas duas empresas estava vencendo. Então, o Prefeito, que já não recordo do nome, pois não vou gastar meus neurônios memorizando nomes de porcarias, queria abrir espaço para que outras empresas concorrentes entrassem na Capital e instalasse aqui, PELA PRIMEIRA VEZ, uma verdadeira concorrência. Mas os dois manda-chuvas logo entraram e ação e, na qualidade de CORRUPTORES, compraram os venais vereadores daquele mandato. E sabem o que aconteceu? A nenhuma outra empresa foi concedido o direito de entrar em Goiânia. Os dois donos continuaram a ser os dois donos do pedaço e foi firmado um contrato de exploração do Transporte Público pelas duas empresas por mais 20 anos. E é por isto que os goianienses estão amargando a vida de paulistanos (que, aliás, eles imitam em tudo, até no mau falar da língua pátria). Os ônibus comprados (já eram sucatas em Brasília e São Paulo) foram maquiados e colocados nas ruas com “festa”. Agora, toda a frota está novamente caindo aos pedaços. A população duplicou neste tempo. Goiânia deixou de ser uma capital interiorana e está caminhando rapidamente para se ombrear com outras de destaque no cenário nacional. Em criminalidade está ombro a ombro com São Paulo (que os goianos adoram) e em sufoco no transporte coletivo já até ultrapassou algumas outras capitais brasileiras.

Fusca. A paixão automotiva que até hoje avassala o coração dos brasileiros.

Fusca. A paixão automotiva que até hoje avassala o coração dos brasileiros.

Por que os senhores polititicas não pensaram em apertar os donos de empresas para que colocassem ônibus decentes, com horários decentes, em quantidade descente e conservação digna para uso das populações citadinas brasileiras? A resposta é: porque todo dono de empresa de transporte coletivo é um CORRUPTOR e, como tal, eles transformam rapidamente toda CÂMARA DE VEREADORES em qualquer cidade que se projete no âmbito nacional em antro de CORRUPTOS.

O Brasil é um país que está aprisionado sobre quatro rodas. Retirar os automóveis das ruas colocando à disposição dos cidadãos serviços de transporte coletivo dignos é fazer balançar toda a estrutura podre que foi montada e desenvolvida pelos políticos, ano após ano, sobre as quatro rodas dos automóveis. Há países no mundo onde os cidadãos desprezam carrões que fariam qualquer ricaço brasileiro gozar nas calças só de olhá-los. Por que? Simplesmente porque os políticos de lá, infinitamente menos corruptos que os de cá, foram previdentes e não permitiram o domínio das montadoras em seus territórios ao mesmo tempo que impunham às empresas de transporte coletivo que agissem com honestidade, senão… Há países, como a Holanda, em que o transporte público é verdadeiramente público e bancado pelo Estado (QUE MARAVILHA, NÃO?).

Hyundai, o japonês que chegou, fincou os pneus e ficou. O chato é que se abrasileirou em tudo. Até na redução da sua durabilidade.

Hyundai, o japonês que chegou, fincou os pneus e ficou. O chato é que se abrasileirou em tudo. Até na redução da sua durabilidade.

A porcaria toda – EU ME REFIRO ÀS MONTADORAS – veio desaguar no nosso torrão natal. E aos montes. Os japoneses, cuja ilha não suporta nem mais um espirro, trataram de se mudar de mala e cuia para cá. Imitando-os, os indianos e os coreanos também vieram despejar suas montadoras aqui. E temos um leque assustador de carros “importados” nacionalizados empestando e entupindo as ruas brasileiras. Mas o pior é que não há peça disponível no mercado para substituir as que vierem a dar problema de qualquer espécie. Desde a substituição de uma simples lanterna traseira ou dianteira até um sofisticado e caro rolamento das rodas. Mas o brasileiro, acossado pelas frotas de ônibus terrivelmente desgastadas e pavorosamente insuficientes, é tangido para dentro das revendedoras. E para tampar-lhe os olhos e o raciocínio, o que faz muito bem aos polititicas, a Mídia cai matando com uma propagando absurda, que firma sempre a filosofia governamental: COMPRE CARRO! COMPRE CARRO! COMPRE CARRO!

É claro que vai demorar ainda algumas décadas para que, finalmente, forçados pela realidade caótica e bem maior que aquela da São Paulo de hoje, os polititicas tenham de se voltar para dar uma “prensa” nos donos das empresas. Mas até lá, meu amigo, você continuará a ser esmagado semvergonhamente no transporte do “gado humano” brasileiro. Ah, sim, você é uma rês neste gado.. ah, ah, ah!