A conjunção é como o casamento: ela une dois vocábulos que tenham afinidade gramatical entre si.

A conjunção é como o casamento: ela une dois vocábulos que tenham afinidade gramatical entre si.

Esta classe gramatical é a que mais confusão causa no estudante de nosso idioma. Acima, em confusão, está o verbo, que abordarei em aulas posteriores.

Vamos ao estudo das conjunções.

A palavra conjunção quer dizer “juntar com”. Assim, as conjunções são termos especiais que, não variando nem em gênero nem em número, servem para ligar dois vocábulos entre si ou duas orações entre si. É a classe gramatical que mais embeleza e dá fluidez ao falar português.

Aprender bem as classes e o emprego das conjunções dá ao falante de nosso idioma uma excelente capacidade de expressão, com clareza de seu pensamento posto na forma escrita. Muitos dizem, torcendo seus narizes, que a Classe Gramatical Conjunção é a parte da Gramática mais chata, mais difícil e mais amarga de se estudar. Não concordo. Vamos estudar as conjunções para que se possa fixar sua estrutura na mente.

Eis uma relação de dependência com plena confiança...

Eis uma relação de dependência com plena confiança…

A primeira regra que o estudante deve guardar de cor é que “as conjunções são classificadas de acordo a relação de dependência sintática dos termos que ligam”. A coisa se complica porque o estudante geralmente não sabe o que quer dizer SINTAXE. Aí, dependência sintática passa a ter para ele um significado nebuloso. Ele conhece o que significa dependência, mas geralmente desconhece o que significa sintaxe. Então, só compreende metade do que expressa a sentença dependência sintática. Então, vamos lá:

“Sintaxe é a parte da gramática que ensina a dispor os vocábulos de modo a formar as orações; também ensina a dispor as orações de modo a formar os períodos e os parágrafos; e ainda ensina a dispor os períodos e os parágrafos de modo a formar o discurso”.

Bom, o aluno de português já pode ver que se não souber bem o significado do vocábulo SINTAXE, não aprenderá direito o estudo dos vocábulos dentro das classes gramaticais. Então, é bom começar a fixar esta definição até que a tenha de modo tão automático quanto é orar o pai-nosso e a ave-maria pelos católicos.

Quando as conjunções conectam orações ou termos pertencentes a um mesmo nível sintático, são ditas conjunções coordenativas. Exemplo: Pedro vestia branco E Maria trajava preto. Ambas estas orações pertencem ao mesmo nível sintático, isto é, são completas e independentes entre si.

Mas se as conjunções conectam orações ou termos oracionais que apresentam diferentes níveis sintáticos, ou seja, uma oração é um membro sintático da outra, são chamadas de conjunções subordinativas. Exemplo: Pedro vestia branco, que não agradou a Maria. A oração “que não agradou a Maria” é de nível sintático diferente da oração “Pedro vestia branco”. Esta, tem sentido completo, mas a outra, “que não agradou a Maria” tem sentido dependente da conjunção que faz a ligação entre ambas. O conectivo “que” completa a oração de segundo plano porque implica em si o seguinte significado: “o branco não”, ficando, então, a oração de segundo plano com seu sentido completo: “O branco não agradou a Maria”.

NOTA: membro sintático quer dizer que a oração é, sintaticamente, um complemento da outra.

Quais são as classes principais dos vocábulos conjuntivos?

1ª) CONJUNÇÕES COORDENATIVAS

 São assim denominadas as conjunções que ligam orações de sentido completo e independente; ou que ligam termos da oração que têm a mesma função gramatical, ou seja: ligam dois substantivos; dois adjetivos etc…

Tristezas não pagam dívidas...

Tristezas não pagam dívidas…

Exemplo de conjunção coordenativa ligando dois termos com a mesma função gramatical:

         a) triste e abatida, a menina chegou a casa (triste-abatida são vocábulos na função gramatical adjetiva).

          b) furioso e agitado, o homem esmurrava a mesa (furioso-agitado são vocábulos na função gramatical adjetiva).

     c) Homem e Mulher são complementos um do outro por natureza (homem-mulher são vocábulos na função gramatical substantiva).

         d) O triste e o sorumbático não agradam como companhia (triste e sorumbático são vocábulos na função gramatical substantiva).

Note o estudante que “triste” e “sorumbático” são VOCÁBULOS de nosso idioma que normalmente se empregam como ADJETIVOS. Entretanto, neste exemplo, eles vêm precedidos do artigo masculino singular “O” e, como já se sabe, o ARTIGO é a palavra que DETERMINA o SUBSTANTIVO. Ou seja: qualquer vocábulo que venha regido por um ARTIGO é OBRIGATORIAMENTE um substantivo. Esta é a regra e ela é INVARIÁVEL.

"Eu quero que você elida meu sapato, seu idiota!"

“Eu quero que você elida meu sapato, seu idiota!”

Em nosso idioma um vocábulo pode perfeitamente mudar de função gramatical, dependendo do artifício que se use para tanto. Isto torna o português um idioma muito plástico e, por isto mesmo, muito rico. Igualam-se a ele em beleza e riqueza o espanhol, o francês, o italiano e todos os idiomas que derivam do Latim Vulgar, isto é, do latim que foi falado, antigamente, pelas pessoas incultas na língua latina. Foi porque nasceu do Latim Popular, errado e cheio de vícios, que Olavo Bilac disse a respeito de nosso idioma: “Última flor do Lácio, inculta e bela/És, a um tempo, esplender e sepultura…” Eu fico pensando em que, hoje, o “paulistanês” vem-se tornando a sepultura do belíssimo idioma português, o que é uma lástima.

            d) Andar e correr são ações animais (andar-correr são vocábulos na função gramatical substantiva).

 Note o estudante que “andar” e “correr” são VOCÁBULOS de nosso idioma que normalmente se empregam como VERBOS. No entanto, no exemplo que dei, há, subentendido antes de cada vocábulo, o artigo definido singular “O”. Assim, a oração explicitamente escrita seria: O ANDAR E O CORRER são ações animais. Entretanto, o idioma português nos dá a facilidade de elidir, isto é, retirar determinados termos da oração sem que com isto ela fique incompleta ou ininteligível. Foi o que aconteceu no exemplo dado. Fazemos isto tão automaticamente no nosso falar diário que não nos damos conta e quando chega a hora de uma prova, nós nos enrolamos com aquilo que usamos sem perceber, tal é a riqueza da língua portuguesa).

Creio que os exemplos acima dão uma boa noção do que sejam vocábulos com a mesma função gramatical.

As CONJUNÇÕES COORDENATIVAS comportam várias modalidades que são:

1ª) Conjunções Coordenativas Aditivas

Aditar quer dizer juntar. Então, as conjunções aditivas são aquelas que ligam palavras ou orações que expressam idéias correlatas.

Os vocábulo portugueses que funcionam como conjunções coordenativas aditivas são:

e; nem (quando corresponder a “e não”); não só… mas também; não só… como também; não só…mas ainda.

EXEMPLOS:

João e Pedro andam brigados – (Aqui, o conectivo E liga dois vocábulos entre si).

João não tem sabedoria e Pedro não tem paciência – (Aqui, o conectivo E liga duas orações independentes; cada qual tem seu próprio sentido e uma não se subordina à outra)

“Maria não tem carisma nem tem beleza”. (Aqui o conectivo NEM está com o sentido de E NÃO. Agora, note o estudante a razão porque é ERRO escrever ou falar: “Maria não tem carisma E NEM beleza”. Já que NEM está com o sentido de E NÃO, colocar a conjunção E antes de NEM é dizer Maria não tem carisma E E NÃO tem beleza). Então, NUNCA diga E NEM… Mas diga SEMPRE “NEM”… De agora em diante preste muita atenção nas repórteres da Rede Globo e nas outras que as imitam. O que sai de “E NEM” é de doer.

Ela fala o "paulistanês" e, por isto, o que de besteira diz no ar é de amargar. Mas suas colegas botam-na para trás...

Ela fala o “paulistanês” e, por isto, o que de besteira diz no ar é de amargar. Mas suas colegas botam-na para trás…

Pode parecer que eu implico com a Rede Globo, mas não é isto. Eu implico de verdade é com seus repórteres e seus escritores de novela que passaram da exploração da pobreza de linguagem dos morros e das favelas, como uma curiosidade inserida num contexto da trama, para a difusão deste linguajar errado para todo o Brasil, dificultando a valer o trabalho dos professores de português. É decepcionante ver o bem-apessoado Willian Bonner vez por outra dizer um besteira “paulistanesa”.

Mas vamos voltar ao nosso feijão-com-arroz. Vamos exemplificar as conjunções coordenativas aditivas formadas com mais de um termo. Elas sempre causam confusão na análise sintática.

Não só a mulher andava mancando, mas também sua filha”.

Não só o homem era ranzinza como também era usurário”.

Não só não tinha dinheiro, mas ainda queria ganhar apostando”.

Não só queria passar de ano bem como queria ganhar o troféu”.

Estas construções, como não são comuns ao linguajar nem à escrita plebéia, quando empregadas em testes de português levam o aluno a erro na maior parte das vezes. Mas você, que me lê, está preparado para não mais cair numa armadilha preparada com elas.

2ª) Conjunções Coordenativas Adversativas.

São conjunções adversativas as palavras ou os vocábulos que ligam duas palavras ou duas orações que possuem em si significados ou idéias opostos entre si. Exemplo: Queria ir, mas não disponho de tempo.

E quais são os vocábulos que funcionam como Conjunções Coordenativas Adversativas?

São os seguintes: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante.

Esta Classe de Conjunções é a mais fácil de se memorizar e a mais fácil de se reconhecer num texto. Eis alguns exemplos:

Eu desejava ir ver de perto o Pão de Açúcar, mas não tenho dinheiro para a passagem.

A segunda oração coloca um impedimento para que a primeira seja realizada em seu conteúdo.

Ela saiu apressada para solucionar o conflito, porém se esqueceu de levar os documentos.

O imprevisto explícito na segunda oração impede que a pessoa realize seu objetivo.

Chegou esbaforido, contudo teve tempo de falar.

A disponibilização do tempo necessário exarada na segunda oração sanou a ansiedade do sujeito na primeira oração.

Ela bem que estudou, todavia não conseguiu aprovação.

A reprovação contida na segunda oração demonstra que o esforço contido na primeira oração não foi suficiente.

Esteve muito mal, entretanto o tratamento foi eficiente.

Veio para comprar, no entanto o dinheiro que trouxe não deu.

Estava muito contrariado, não obstante falou com clareza e objetividade.

Eu não creio que seja necessário dar mais exemplos. As adversativas são fáceis de identificar no período.

3ª) Conjunções Coordenativas Alternativas.

Como a designação já expressa, as Conjunções Coordenativas Alternativas são as que nos oferecem alternâncias, opções.

Elas são: ou…ou; talvez…talvez; seja…seja; quer…quer; ora…ora; bem…bem.

Estas Conjunções também são fáceis de identificar no período. Vamos a alguns exemplos:

Ela ou dizia que sim ou dizia que não.

Talvez você possa vencer, talvez (você) possa perder.

Seja hoje seja amanhã você chegará.

Quer você queira, quer não queira, vai acontecer.

Ora diz que sim, ora diz que não.

Bem me faz carinho bem me esbofeteia.

Também creio que não há dificuldade em se classificar tais vocábulos no período. Basta que se tenha memorizado quais são os vocábulos que, repetidos, funcionam como conjunções coordenativas alternativas.

4ª) Conjunções Coordenativas Conclusivas

Estas conjunções ligam a oração anterior a uma oração que expressa idéia de conclusão ou conseqüência.

Estas conjunções já exigem maior atenção do aluno. Mesmo assim, ainda são facilmente identificáveis, desde que se apreenda sua função além do imediato, isto é, num terreno mais abstrativo. Quando se diz expressa idéia de exige-se que o aluno pense sobre esta função subjetiva da conclusiva.

Elas são: logo, pois (depois do verbo), portanto, por conseguinte, por isso, assim.

Exemplos:

O homem ganhou sozinho a loteria esportiva, logo estava contente.

A mulher estava preparada, pois tinha estudado bem a matéria.

Eu estava aqui às 5 horas, portanto não me diga que veio cá neste horário.

Você se esmerou nos exercícios, por conseguinte há de se sair bem.

Eu estive pensando no assunto, por isso não vou aprovar a idéia.

Você comprou o vestido para a festa, assim deve ir lá divertir-se.

Também não creio que haja qualquer dificuldade para o aluno na identificação das Conjunções Coordenativas Conclusivas em um período. Elas são fáceis, desde que se esteja atento para a idéia que contêm.

Em meu próximo artigo discorrerei sobre certas particularidades interessantes das Conjunções Coordenativas. Enquanto isto, tente memorizar o que lhe informei. Já estará de bom tamanho, pode crer.

Namastê!