Um navio carregado com contêineres. É uma visão impressionante.

Um navio carregado com contêineres. É uma visão impressionante.

Se você é Economista ou estudante de economia passe adiante. Quem escreve sobre este tema totalmente estranho à maioria dos Zé Nings também é um Zé Ning nesta matéria universitária, portanto, vai escreve para leigos.

Há muito tempo que esta designação – CUSTO BRASIL – abre uma bruta interrogação em mim. O que é isso? Mas, como bom preguiçoso que sou, nunca, antes, tinha-me voltado para buscar conhecer ao menos um pouco sobre o assunto. Eu sou assim: se o tema não me atinge em cheio, imediatamente ou mediatamente e de modo CLARO E ESPECÍFICO, minha preguiça, meu comodismo, meu desinteresse totalmente brasileiro não deixam que eu me volte para ele. Não sou curioso. Sou totalmente acomodado e desinteressado da maioria das coisas que realmente importam para o viver momento-a-momento o meu dia-a-dia. Dizem, os que me conhecem mais intimamente, que eu vivo no mundo da lua. É… Pode ser.Mas vamos lá que o assunto é meio Mandrake. A primeira pergunta que vou responder é: se sou preguiçoso e retardado no que tange aos assuntos que me afetam, mas não são claros e específicos, como o tal Custo Brasil, por que, agora, resolvi me voltar para ele?

O Brasil está na corda bamba com a questão do Custo Brasil. E nós com ele...

O Brasil está na corda bamba com a questão do Custo Brasil. E nós com ele…

Respondo. Eu estava lendo um artigo em ÉPOCA intitulado SINDICATO DE TRAPALHÕES. Lá pelas tantas minha atenção se prendeu em dois trechos: ” 1º) Na prática, ao longo dos últimos anos, segundo executivos do Porto de Santos e a direção da Embraport, uma embarcação de contêineres operada por OITO ESTIVADORES COM CARTEIRA ASSINADA exigiria 24 TRABALHADORES AVULSOS…” (o destaque é meu). “2º) Na visão do Sindestiva, que diz lutar pelos direitos dos trabalhadores avulsos, a nova Lei é prejudicial. (…) Segundo o Sindestiva, a proposta de remuneração da Embraport, de R$ 1.083,00” (para os estivadores com carteiras assinadas pela CLT) “é inferior ao ganho médio mensal de um autônomo – segundo o sindicato, de R$ 4 mil”. Aí eu parei para pensar, pois a briga é porque se alega que o CUSTO BRASIL nos trabalhos dos portos operados por estivadores avulsos é muito grande, o que coloca a exportação brasileira em posição inferior à de outros países. 

Fiquei pensando: Os 24 estivadores necessários para operar uma embarcação de contêineres ao custo de R$ 4.000,00 dão o custo total de R$ 96.000,00 em média por embarcação. No entanto, se as empresas “não fossem tão gananciosas e pagassem o justo valor do trabalho assalariado aos que, antes, trabalhavam avulsamente” (pensamento marxista-leninista), a operação desta embarcação ficaria reduzida do seguinte modo: 8 estivadores com carteira assinada e salário de R$ 4.000,00 = R$ 32.000,00. Ou seja, haveria uma redução de custo, por embarcação, de R$ 64.000,00, o que é um valor mais que satisfatório. Eu não faço idéia de quantas embarcações de contêineres são operadas por mês, mas vou chutar uma média de 180. A economia seria de (R$ 17.280.000,00 – R$ 5.760.000,00) = R$ 11.520.000,00. Neste caso, eu creio, todos, empresas e empregados, deveriam ficar satisfeitos, embora, ao ter a carteira assinada, o estivador tivesse seu salário reduzido em função dos inúmeros descontos que logo surgiriam sobre seus ganhos, como, por exemplo, INSS, I.R., Plano de Saúde etc… Mesmo assim, valeria a pena.

Sindicatos, mal ou bem? Difícil dizer. No Poder, os ex-sindicalistas estão mostrando que os Sindicatos são um mal desnecessário...

Sindicatos, mal ou bem? Difícil dizer. No Poder, os ex-sindicalistas estão mostrando que os Sindicatos são um mal desnecessário…

Mas o que acontece? As empresas querem pagar o salário bruto de R$ 1.083,00. Isto que dizer que, após os descontos, o coitado do estivador ficaria reduzido a aproximadamente R$ 800,00 por mês. Isto é reduzir a mão-de-obra ao tão combatido “trabalho escravo”. Eu entendo assim. E com este entendimento, que não é meu mas dos filiados sindicalistas com filosofia marxista-leninista, fiquei pensando que se justifica a revolta contra a ganância empresarial, claramente apoiada pela Imprensa que, como é muito claro, sempre defende o lado mais forte, ou seja, o lado dos que têm dinheiro e poder (visão marxista-leninista que, atualmente, norteia o pensamento político brasileiro). No caso do conflito empregados X empregadores, ela estará sempre ao lado destes últimos (?).

Mas vamos continuar. Quando uma empresa assina a carteira profissional, além do salário pago ela também arca com a maior parcela a ser paga ao INSS e ao FGTS (Empregado= 8,5% do valor do salário bruto Patrão – 12% sobre o valor do salário Bruto. Embolso total do INSS: 20% (por brasileiro com carteira assinada. Isto põe em ressalto que é impossível este Instituto dar o prejuízo que o Governo alega sistematicamente). Mas há, ainda, a onerar o salário do empregado contratado com carteira assinada, os Planos de Saúde Médico-Hospitalar e Dentário, que não são baratos, embora a Empresa arque com mais de 80% de seus custos. Há, também, as faltas justificadas e não justificadas, os acidentes de trabalho e a demora na recuperação do empregado devido ao descaso dos Governos com a Saúde Pública… Tudo isto são prejuízos que, na maioria, as empresas não descontam do empregado etc, etc, etc…). Segundo estatísticas que li algures, um empregado com carteira assinada dá uma despesa extra à empresa que o contrata de 80% sobre o valor do salário pago. No caso dos estivadores, se o salário fosse de R$ 4.000,00, a empresa ainda arcaria com R$ 3.200,00 de encargos, aproximadamente. Agora, sim, eu considero que elas têm o direito CONSTITUCIONAL de chiar, ou, como disse um sábio togado, “ela tem o direito ao jus sperniandis”. A despesa real com o estivador contratado seria em torno de R$ 7.200,00/mês. Esta parte, o custo oculto da contratação com carteira assinada, é ignorada pelo empregado (no Brasil o empregado vê somente o seu lado. O patrão é, SEMPRE, um inimigo que deve ser combatido constantemente. Coisa que lhe é inculcada pelos SINDICATOS que são de orientação sempre marxista-leninista irreal. Eu sei por experiência que os custos “ocultos” com um empregado de carteira assinada pesa muito para uma empresa, pois fui empresário – tive uma Clínica Médico-Psicológica no Rio de Janeiro). 

Mas o peso que desaba sobre a empresa não é culpa do assalariado e, sim, do Governo; do Sistema Gerencial Público. No entanto, como reduzir o que o Governo quer e abocanha à força de Lei, sem abalar fortemente as finanças do país? A coisa se complica de verdade.

Carteira de Trabalho. No Brasil ainda há muito o que fazer para que ela realmente seja respeitada e tenha validade verdadeira.

Carteira de Trabalho. No Brasil ainda há muito o que fazer para que ela realmente seja respeitada e tenha validade verdadeira.

Quando a empresa luta denodadamente para EDUCAR SEU EMPREGADO com vistas à REDUÇÃO DOS CUSTOS, ela o faz não apenas visando seu próprio LUCRO, mas também em defesa do emprego do indivíduo. Entretanto, este não compreende assim. O PATRÃO É UM INIMIGO QUE SÓ QUER EXPLORÁ-LO. Esta filosofia macabra dos SINDICATOS é que esculhamba a relação patrão-empregado.

Mas o Custo Brasil se reduz a somente isto? Não, não. Seria solucionável se o problema fosse apenas este. Mas, segundo nos informa a “mamãe” Wikipédia. Ali se lê que o Custo Brasil abrange  um conjunto de fatores que comprometem a competitividade e a eficiência da indústria nacional. Estes fatores, segundo a Wikipédia, são: 

Corrupção administrativa pública elevada (e vemos a Imprensa anos após anos denunciando os desmandos e a roubalheira generalizada de “nossos” políticos);

Déficit público elevado (e vemos, impotentes, o PT da Dilmona aumentando astronomicamente a despesa pública com salário de afilhados do partido);

Burocracia excessiva para criação e manutenção de uma empresa (até hoje não conseguimos encerrar nossa extinta empresa médico-psicológica, embora ela tenha cessado suas atividades em 1990. E olha que não devíamos absolutamente NADA nem ao Governo Municipal, nem ao Estadual nem ao Federal);

Cartelização da economia (e os exemplos mais gritantes e imediatos são: o Transporte Rodoviário e os Postos de Abastecimento de Combustível);

Manutenção de taxas de juros reais elevadas;

Spread bancário exagerado (um dos maiores do mundo);

Burocracia excessiva para importação e exportação, dificultando o comércio exterior (A Burocracia é um câncer que vem corroendo as entranhas econômicas do nosso país há séculos);

Carga tributária alta |(eu diria excessiva);

Altos custos trabalhistas;

Altos custos do sistema previdenciário (eu discordo);

Legislação fiscal complexa e ineficiente (propositadamente criada pelos “polititicas” porque, assim, forçam a ocorrência de corruptores que os corrompem, para suas alegrias);

Insegurança jurídica;

Alto custo da energia elétrica;

Infraestrutura precária (saturação de portos, aeroportos, estradas e ferrovias);

Baixa qualidade educacional e falta de mão de obra qualificada.

A questão da falta de mão de obra qualificada implica um assunto que é o dilema mais sensível em nossa atualidade: E D U C A Ç Ã O. Enquanto os Governos Municipais, Estaduais e Federal não tomarem vergonha e se voltarem com denodo e afinco para o pleno desenvolvimento da E D U C A Ç Ã O no nosso país, esta deficiência de que as empresas se ressentem não terá solução.

É, meu amigo, o tal CUSTO BRASIL é um nó górdio…