Eles começam assim: bonitões, fortões, machões e... descompromissadões até consigo mesmos. Depois, transformam-se em trapos humanos, graças aos empreendedores do Crime.

Eles começam assim: bonitões, fortões, machões e… descompromissadões até consigo mesmos. Depois, transformam-se em trapos humanos, graças aos empreendedores do Crime.

Denis Rosenfield, catedrático de Filosofia da UFRGS, escreve para a revista ÉPOCA. Em seu último artigo, intitulado AINDA MAIS NOCIVO QUE O CIGARRO (Época, nº 802, de 07/10/2013), ele me deixou pensativo e seriamente preocupado.

Sempre tive a impressão de que os Filósofos vivem no “mundo da Lua”; pensam em Utopias e pairam acima da dureza do nosso dia-a-dia. No citado artigo o Dr. Rosenfiel inicia dizendo que “Sem dúvida, o Brasil padece de um excesso de regulamentação que atinge fortemente a livre-iniciativa, o empreendedorismo e até a própria arrecadação de impostos”. Em seqüência a considerações muito bem forçadas e costuradas sobre as dificuldades que empresários e empreendedores enfrentam na criação, manutenção e desenvolvimento de suas empresas, graças ao infinito e emaranhado sistema de determinações, avisos, Leis, sub-leis etc… conclui que “”é como se houvesse um tipo de lei do seguinte tipo: ‘toda desburocratização deverá ser seguida por outra forma de burocratização'”. 

Sim, burocratizar e burrocratizar nosso país é o Galardão dos POLITITICAS e dos Servidores Públicos de Primeiro, Segundo e Terceiro Escalões. Contra este vício entranhado no próprio Ser do brasileiro já se aprovaram várias Leis que, atualmente, encontram-se sepultadas em algum lugar. Não perderam o valor, visto que não foram revogadas, mas nós somos campeões mundiais em ignorar as Leis que “nossos representantes” fazem com vistas ao regulamento de nosso comportamento tendenciosamente voltado para o Erro, a Corrupção e o lesa-pátria.

Esta é a nossa "civilidade" e o resultado de nossa Liberdade. E, depois, gritamos pelo nosso direito à "cidadania". Irônico, não?

Esta é a nossa “civilidade” e o resultado de nossa Liberdade. E, depois, gritamos pelo nosso direito à “cidadania”. Irônico, não?

Antes de prosseguir tecendo minhas considerações sobre o artigo publicado por ÉPOCA, acima citado, quero lembrar aos meus leitores que somos um país de MAL-EDUCADOS. Somos mal-educados em nossos lares; somos mal-educados em nossas escolas; somos mal-educados nos clubes que freqüentamos, somos mal-educados nas conduções que usamos, somos mal-educados nos lugares de diversões que freqüentamos, somos mal-educados nas ruas por onde andamos e somos, principalmente, mal-educados patrioticamente. Pátria é negócio lá pros “estranjas”. Nós só temos uma pátria: a de chuteiras. Esta sim, é maravilhosa. Ela nos dá o direito de sermos animalescamente violentos, agressivos e destrutivos. Até assassinos em nome de nossos clubes derrotados em uma partida de futebol! Do ponto de vista do enfoque psicanalítico, o Brasil é uma Nação que ainda está no estágio da oralidade, quando o Egoísmo atinge seu máximo desenvolvimento. O brasileiro se arroga todos os privilégios e todos os direitos, mas recusa furiosamente toda e qualquer responsabilidade, desde aquela devida à vida em família, até àquela devida à vida social. Somos ególatras absolutos. Individualmente, cada um de nós se acha com direito a tudo e sem dever de nada. Esta é a forma de encarar a vida que temos em cada cidadão brasileiro.

Economia. Por detrás deste vocábulo oculta-se o motor de todos os crimes: o dinheiro.

Economia. Por detrás deste vocábulo oculta-se o motor de todos os crimes: o dinheiro.

Agora, vamos voltar ao artigo do conceituado filósofo catedrático. Vamos tomar o parágrafo número cinco de seu artigo e transcrevâmo-lo aqui: “Podem ser regras que impõem obstáculos a que certos setores do agronegócio possam-se desenvolver plenamente via regulamentação — ou, na prática, restrições da liberdade de escolha, como é o caso na produção do tabaco ou no mercado de cigarros e bebidas”. O distinto articulista defende a livre iniciativa plena, absoluta e irrestrita para o cidadão empreendedor. E é aí que, no meu modo de ver as coisas, ele adentra um pântano no qual a Democracia à América do Norte patina feio até hoje. Tomando a proibição legal sobre a fabricação e venda de cigarros (até parece que ele é um fumante inveterado), ele diz que “hoje, em torno de 32% do mercado de cigarros é ilegal, abastecido, portanto, pelo contrabando. A evasão fiscal corresponde a 3,5 bilhões, sem que haja nenhum controle sanitário do produto”. Em seqüência, o articulista diz que “Uma economia verdadeiramente moderna deveria liberar a energia e o esforço do empreendedor para que, livre das amarras burocráticas, ele possa desenvolver suas próprias atividades”.

Vamos dar um tempo para considerar a defesa da liberdade total e absoluta ao que o articulista chama de “empreendedor”. Em primeiro lugar, ele deixa bem claro que defende fervorosamente a liberdade dos plantadores de tabaco e produtores de cigarros. De seu ponto de vista o Brasil devia ser deixado inundar pelo cigarro — e pelo câncer de pulmão, de boca, de esôfago, de reto e outros que tais, tudo derivado do consumo do tabaco na forma de cigarros — pois, segundo seu pensamento, “os cidadãos não deviam ser tidos por menores de idade, incapazes de tomar uma decisão autônoma, tutelados pelo Estado, que se arroga a posição de saber o bem para cada um”. Veja este vídeo chocante: (http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=Bf8HXkFWzxs)

 Ora, seu argumento sobre a tal evasão de divisas não leva em consideração que o prejuízo com a Saúde Pública acarretado pelo tabagismo supera em alguns zeros a mais a tal divisa evadida. Além de que as milhares de guimbas de cigarros, assim como os maços vazios amassados e jogados ao léu, enfeiam as ruas de nossas cidades e ajudam a entupir os bueiros e, nos períodos de chuvas, alimentam vigorosamente as enchentes entupindo estes vazadouros (e tudo isto, quero lembrar, em função de nossa terrível má-educação). Carros são arrastados e tornados imprestáveis e o prejuízo é do cidadão; prédios são invadidos pela água suja das enxurradas e o prejuízo é do condomínio; o asfalto das ruas é arrancado pela água represada e o prejuízo é de todos; casas são desabadas acarretando, não raro, mortes — e o prejuízo é da família. E tudo isto com a ajuda do Tabaco, prejuízos que não são AINDA contabilizados também ao tabagismo. É claro que o cidadão, que não deve ser educado e controlado pelo Estado porque este não os deve encarar como menores de idade (SIC), tem muita responsabilidade nestas calamidades. Sua má educação cívica o leva a jogar o lixo que produz em qualquer lugar na cidade. Ele tem este direito (afinal é isto que o articulista defende). O Estado que se vire e ponha milhares de garis para limpar a imundície produzida pelo cidadão “livre”.

Aqui uma mulher prepara o haxixe. O veneno introduzido pelos ingleses na China Medieval, que acabou com a resistência do povo à conquista ocidental.

Aqui uma mulher prepara o haxixe. O veneno introduzido pelos ingleses na China Medieval, que acabou com a resistência do povo à conquista ocidental.

E voltemos ao artigo em pauta. Tomemos sua idéia, exarada subliminarmente no texto, de que os plantadores de tabaco são integrantes daqueles empreendedores que alavancam a Economia do País através do agronegócio. Se aceitamos esta tese teremos de também aceitar sua correlata, ou seja, a de que os plantadores da Cannabis sativa, a popular MACONHA, também são empreendedores do agronegócio. E se assim é, os produtores de haxixe (uma droga derivada da Cannabis sativa) devem ser incluídos entre tais “empreendedores”, assim como também os que fabricam o crack. Hummm…. Isto está caminhando para uma ideologia criminosa altamente perigosa para nossa juventude que, se o leitor não está atento ao fato, são nossos filhos, sobrinhos e netos… Será que o distinto Filósofo pensou nisto, quando escreveu seu libelo em defesa do tabaco? Eu creio que sim, pois Filósofo estuda para aprender a PENSAR e ENGABELAR os outros com sua verve bem treinada. E será que os Editores da revista ÉPOCA também pensaram nisto, quando permitiram a publicação deste editorial? Eu creio que sim, pois visam acima de tudo o lucro e, por isto, são defensores ferrenhos do “liberou geral”, como membros ativos da tão cantada LIBERDADE DE IMPRENSA.

Lamento profundamente que o CATEDRÁTICO de uma Universidade de renome nacional se venda para o crime organizado a este ponto. Perdão se laboro em erro, mas é quase impossível, para mim, crer que o Dr. Denis Resenfield tenha escrito seu artigo na mais pura inocência. A defesa do Direito Pleno à Liberdade Total é a chave mágica para se abrir as portas das mais escabrosas iniciativas “privadas” do Lado Negro da Força. Ela é invocada, curiosamente, sempre que alguém particular ou o Estado como um todo, tomam atitudes que coíbam ou visem coibir o destrambelho da criminalidade. A defesa do “liberou geral” é o sonho de todo criminoso, seja o de colarinho branco, seja o pé-de-chinelo favelado. Afinal, este é seu “direito constitucional”, como é seu dever constitucional responder criminalmente pelos prejuízos que seus ideais, postos em prática, venham a causar ao bom cidadão, à cidade em si e ao país em geral.

Doutor Rosenfield, se me permite a ousadia, gostaria de lhe lembrar que o Brasil tem muito mais dilemas cruciais a encarar, nestes momentos políticos conturbados e confusos que atravessa, do que voltar sua atenção para a garantia da Liberdade Total e Irrestrita aos criminosos contumazes e irrecuperáveis, amorais e imorais quase que por natureza. Entregar ao povo brasileiro a RESPONSABILIDADE  total por seus atos é uma utopia que nem nos ESTADOS UNIDOS se ousaria experimentar. Haja vista que por lá o Estado é muito mais rigoroso com seus cidadãos, pelo que o país pode ser considerado um dos melhores em educação cívica. Não porque as pessoas em si mesmas não tenham mais tendências à criminalidade, pois isto é defeito de formação de Identidade Individual, mas sim porque temem a represália do TODO através  do ESTADO.. 

E aos editores da REVISTA ÉPOCA deixo, aqui exarada, minha total desaprovação ao apoio que dá a artigos de má fé, como o acima citado, ainda que possam alegar que a responsabilidade sobre as idéias exaradas nos artigos que publica é totalmente do articulista. Se aceitou a publicação, a revista é conivente com ele, até porque se serve do nome e título do articulista como meio de vender a revista.Desta feita, a ÉPOCA foi longe demais.