Malufão é como este dourado. Duvido que alguém tire este peixe de dentro d'água segurando-o pelo rabo.

Malufão é como este dourado. Duvido que alguém tire este peixe de dentro d’água segurando-o pelo rabo.

Você já tentou segurar pelo rabo um peixe de escama ensaboado? Certamente que não. Mas eu lhe digo que só tentar segurar o peixe pelo rabo já é muito difícil, imagine se ele estiver ensaboado. Pois bem, este é o esforço que a Justiça vem fazendo denodadamente há vinte anos. E o peixe, quem é? Nada menos aquele que nasceu e foi batizado Paulo Maluf. Ele mesmo, o maior vigarista dos governos paulistas que o Brasil já viu. Sei que entre nós há campeões de trampolinagem, mas ninguém igualou a marca do Malufão. Há vinte anos e alguns meses que os sabujos da Lei andam no rastro do esperto piranha do erário público e nada.

O Superbandidão, roubou até rachar e a Justiça não consegue pôr as mãos nele. Ri de todos e do Brasil inteiro.

“Eu nunca fiz mal a ninguém. Nunca feri ninguém. Não entendo essa perseguição imoral à minha pessoa!”

Em agosto de 2010 ele já se debatia furioso contra as mãos que tentavam desesperadamente segurar-lhe o rabo. O negócio era uma maracutaia sem-vergonha onde milhares de frangos estavam envolvidos. Mas o assunto já vinha de 1993, como se pode ler no ESTADÃO, de onde retirei este excerto: “Paulo Maluf, do PP, diz que não aceita a pecha de ficha-suja que a Justiça colou em sua imagem – por 4 votos a 2 o Tribunal Regional Eleitoral barrou a aspiração política de reeleição do ex-prefeito por causa do escândalo da compra de frango congelado, da época em que administrou São Paulo (1993-1996)“. Com uma coragem sem-vergonha de dar inveja ao próprio Satã, Malufão gastou uma baba de quiabo com os advogados mais sem caráter e mais espertalhões que há no Brasil Varonil e terminou por sair fora da caçada.

O negócio dos frangos envolveu superfaturamento, onde o que passou do teto devido foi todo para as contas do Malufão, e desvio de dinheiro público, no qual, a maior parte, também sumiu nos sorvedouros do “peixão brasileiro”. E com a maior desfaçatez Malufão dizia, indignado: “”A lei é boa se pega o Maluf, mas não é boa se não pega o Maluf” (…) “Nunca fiz o mal a ninguém, não entendo esse justiçamento de crucificação sem causa.” Pois é, o Malufão só se recusou a terminantemente explicar como é que enricou tanto em tão pouco tempo…

Com atenção máxima, ele estuda em silêncio novas escapatórias. Não lhe dão sossego.

Com atenção máxima, ele estuda em silêncio novas escapatórias. Não lhe dão sossego.

Mas os sabujos da Justiça, esses nojentos que não dão sossego aos honestíssimos trambiqueiros brasileiros, tomaram o passaporte do Malufão e ele não pôde escapar do país que se tornou a cadeia mais privilegiada que alguém no mundo já conseguiu para si. Malufão tinha o direito de circular por todo o território nacional livre, leve e solto, principalmente isto: solto. Liberdade torna-se o ar para aquele que tem uma porta gradeada correndo atrás de si.

A briga, naqueles idos, foi feroz. “Ele foi absolvido na primeira instância judicial, mas seus acusadores recorreram. No Tribunal de Justiça Maluf perde por 2 a 1, mas o revés não é definitivo porque os bacharéis que o defendem ingressaram com embargos infringentes – recurso que tem efeito suspensivo“. Ora, os tais embargos infringentes vem atrapalhando a aplicação da Lei aos patifões malufeiros desde quando o Brasil ainda não tinha sido descoberto. Estava no ar, na terra e na água deste país das maravilhas catastróficas.  

Enquanto sabujos da Lei e Advogados do Crime duelavam usando respectivamente a Lei e seus Buracos mil, Malufão espalhava simpatia por São Paulo e pelo Brasil através da TV. Os paulistas, descendentes de nordestinos na maioria esmagadora e, por isto mesmo, tolos e simplórios de nascença, tinham-no como herói e diziam em todo lugar: “O homem rouba, mas faz. Então, é melhor ele que faz do que os outros que roubam e não fazem”. Filosofia bacaninha, né não?

Vocês não vão me pegar. Nunca eu vou ficar atrás de grades e devolver o que já é meu por direito de usocapião, nem pensar!"

Vocês não vão me pegar. Nunca eu vou ficar atrás de grades e devolver o que já é meu por direito de usocapião, nem pensar!”

Amparado pelos tais “embargos infringentes”, Malufão seguia seguro fazendo carreatas e espalhando aquele sorriso de galã de Hollywood que conquistava os corações das nordestininhas desavisadas. Era o herói de São Paulo. Os “embargos infringentes” têm efeito suspensivo contra qualquer condenação proferida pelas estâncias inferiores. Assim, Malufão não pôde ser enquadrado na LEI DA FICHA SUJA. Maravilha! Malufão ria e debochava e, pior, ganhava eleições uma atrás da outra. Os paulistas o adoravam… BOBOCAS! BOÇAIS! IDIOTAS!

O tempo correu. Malufão continuou roubando e infringido todos os códigos legais possíveis. Mandava a dinheirama para esconderijos no exterior. Esconderijos que até hoje a PF e a INTERPOL suam a camisa para desencravar. É um trabalho mais duro que garimpar diamante no Brasil.

E lá veio o Malufão. Encurralado, ele tratou de conseguir um mandato de Deputado Federal e se acoitou na Caverna dos Alibabás Brasileiros. Ali, ele bem o sabia, estava a salvo das garras da Lei e das mãos dos sabujos, sedentas por seu rabo ensaboado.

Mas, justiça seja feita, a turma a serviço de Dona Justa tem andado mais que nunca furiosamente à cata dos pervertidos de colarinho branco e o Malufão é o primeiro na escala. Claro que todos sabemos que há grandes figuraças que têm maior brilho que ele, atualmente. Mesmo assim, o primeiro lugar ainda lhe pertence e ele não vai abrir mão desta taça, pois Maluf que é Maluf não cede nunca.

A expressão é de cansaço. Velho, ele já não está tão energizado como foi. Mas tem de brigar para se manter do lado de cá das grades...

A expressão é de cansaço. Velho, ele já não está tão energizado como foi. Mas tem de brigar para se manter do lado de cá das grades…

Conseguiu ficar na penumbra durante um bom tempo. Quase ninguém mais falava do peixão de rabo ensaboado, até que, agora, sua paz foi novamente abalada. Malufão está velho. Já não pode mais exibir aquele sorrisão de artista hollywoodiano. Sua expressão, como se pode ver na foto exibida na FOLHA, já mostra cansaço e desânimo. Ele bem que gostaria de poder sair do país e ir desfrutar da fortuna que ainda se encontra escondida lá fora, mas sem passaporte, nem mesmo as malditas “imunidades parlamentares” não lhe permitem viajar para o exterior. Nem mesmo compondo uma comissão de ladrões de colarinho branco em expedição “safa-tostão” para seus bolsos sujos.

A última dos sabujos da Lei foi conseguir que o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendesse os direitos políticos do “peixe ensaboado”, por cinco anos. Os infelizes farejadores de sujeira política desenterraram as maracutaias de Malufão na construção do túnel Ayrton Senna. Tudo estava tão quietinho… Malufão até se havia esquecido deste detalhe insignificante. O que é um desviozinho à-toa de um buracão daqueles? Mas os sabujos, nojentos vingativos, não sossegam. E lá se vem o buraco para a luz do sol, uma aberração, convenhamos. Buraco tem de ficar debaixo da terra, não exposto imoralmente à luz do sol. Isto é que é perseguição injusta ao Maior Herói de São Paulo.

Pior que tudo é que o Peixão ensaboadão foi condenado a pagar a extorsiva e imoral multa de R$ 42,3 milhões aos cofres públicos sob a injusta e inverídica alegação de que ele tinha superfaturado a construção do buracão paulistano. MENTIRA! Mentira maldosa contra um cidadão paulista que só fez o bem à capital brasileira (de fato e de direito, ainda que Brasília tenha o título imerecido). Ele devia era ganhar uma grande e fulgurante coroa de flores… Daquelas que se colocam em belíssimos caixões de defunto. Claro que com o Peixão dentro dele, senão o peste escapa. Mas não. Dão-lhe uma multinha sem-vergonha que, por raiva, ele jamais pagará. 

Mas Malufão está relativamente safo. Sua inelegibilidade só será avaliada em 2014, quando ele for registrar sua enésima candidatura ao Covil de Ladrões de Colarinho Branco. A estratégia, agora, é molhar as mãos ávidas dos de toga da Justiça Eleitoral para que eles atrasem ao máximo a análise do imbróglio. Assim, o Peixe Ensaboado Pelo Rabo poderá tranqüilamente fazer sua inscrição, ganhar o pleito (isto é fácil. Ele ainda é o herói dos simplórios paulistanos). Aí, novamente entronado no Poder, será fácil para ele chegar de novo aos malditos “embargos infringentes” e procrastinar mais uma vez a mão da Justiça. Por enquanto ele está relativamente tranqüilo. Os efeitos da decisão tomada não são automáticos. Malufão já botou seu batalhão de Advogados de Criminosos em ação e enquanto estiver pulando feito peixe acuado não poderá ser capturado. A Lei da Ficha Limpa impede que políticos condenados por um órgão colegiado participem de eleições, mas sua aplicação está na dependência direta da OPINIÃO dos juízes eleitorais. Ora, como entre os togados a corrupção é forte e gorda, Malufão pode procrastinar esta batalha por muito tempo.

E sua agonia também.