Esta é Bruna Marquezini, cujo desconhecimento de sua vida por minha parte fez minha amiga se escandalizar.

Esta é Bruna Marquezini, cujo desconhecimento de sua vida por minha parte fez minha amiga se escandalizar.

Uma jovem me saiu com esta pergunta. Segundo me disse, costuma ler minhas publicações porque minha acidez sempre a faz rir. Disse que foi uma sacada de mestre aquele artigo da “Cópula e do Orgasmo de Deus” e que, a partir do dia em que leu o artigo sempre que ouve trovoada pensa que está ouvindo Deus e a Terra em sussurros de alcova. Diz que se diverte ao comentar sobre Deus e a Terra fazendo amor com seus amigos que não me leram. Ela é católica praticante e conversou com o padre de sua paróquia. Ele se interessou em ler meus artigos, principalmente os que falam sobre a vida de Yehoshua, mas não me disse o que o pároco achou do que leu. Bom, como não escrevo para agradar padres ou papas, não me incomodo com a opinião dele, mas quanto à pergunta-chave da minha leitora, eis o que tenho a dizer a respeito.

Vin Diesel, o fortão que não tem nenhuma mensagem boa em seus filmes de ação. Brutalidade e futilidade e só.

Vin Diesel, o fortão que não tem nenhuma mensagem boa em seus filmes de ação. Brutalidade e futilidade e só.

Definitivamente eu não escrevo sobre “celebridades” porque para mim elas não o são. Homem ou mulher não me interessam se estão brilhando na crista da onda, exatamente porque a onda sempre se arrebenta na areia e os que estão em sua crista terminam jazendo frio e inerte na praia, ignorados pelos que as aplaudiam e admiravam e tristes porque quase sempre terminam seus dias num vazio existencial de dar dó. E eu não gosto de dores, embora ultimamente venha vivendo uma tormenta de dores por todo meu corpo. Descobri que, além do achatamento de dois discos nas vértebras lombares, tenho bursite e tendinite no ombro esquerdo e sofro de vários males em meus joelhos, o que me está levando rumo a uma cadeira de rodas. Tudo bem. Afinal, “o homem põe e Deus dispõe”. Certamente eu pus algo que fez que Deus disto dispusesse de modo a me ensinar alguma lição através da dor. Não parece que tenha ficado satisfeito com as dores psicológicas por que passei. Creio que Ele acha que, agora, devo experimentar as dores físicas e incapacitantes. Que seja! Esta vida um dia acaba e com ela, os tormentos também. Ao menos aqui em baixo. Não sei qual será minha quota do outro lado, mas se houver mais dores a viver, pelo menos já irei para elas preparado em todos os terrenos.

Mas voltando à questão de eu ignorar as “celebridades”, é preciso que diga que não creio nas celebridades fabricadas ao gosto dos míopes e fracassados no mundo do Mâyâ. A moça me perguntou o que eu achava da Bruna Marquezini e caiu de quatro quando eu inocentemente lhe perguntei de volta: “Quem?” Com os olhos esbugalhados de espanto, ela me respondeu com voz de absoluta censura:

— A namorada do Neymar! Aquela mulata boazuda, que fez a novela Salve Jorge, que o senhor assistiu. Não se lembra dela?

— Nâo. Desculpe-me, mas não sei quem é a distinta.

— O senhor tá de gozação pra cima de mim. O senhor assistiu a novela, não assistiu?

— É, assisti. Mas até onde me lembro, ali havia muitas mulatas boazudas… De fechar comércio, como você diz.

— E vai-me dizer que não notou a Bruninha? Um pedaço de mulata de fechar o comércio?

Eu permaneci tentando me lembrar da tal mulata de fechar comércio e terminei por desistir.

— Olha aqui, garota, na TV toda mulher fica um pedaço de fechar comércio. Mas ao vivo e a cores a coisa é bem diferente. Eu já dei de cara com algumas das “deusas” globais no Shopping da Barra, na livraria Saraiva, e fiquei boquiaberto. As dondocas eram feias como o diabo. Nem de longe lembravam aquelas belezas exibidas pela TV. Vai ver que a tal Bruna de quem você me fala é uma delas.

— Não! Ela é muito bonita! É a namorada do Neymar!!!

Ao que parece, ser namorada do Neymar ou de qualquer outro jogador de futebol famoso aumenta em proporções geométricas o valor de comércio das mulheres brasileiras.

— O senhor ao menos sabe quem é o Neymar, não sabe?

— Um franguinho esmirrado que só sabe chutar bola? Bom, eu já o vi até em propagandas de televisão. E daí?

— Meu Deus! Doutor, é o NEYMAR! não estou falando de um qualquer. Estou falando do maior jogador de futebol do Brasil, na atualidade!

Fiquei calado olhando condoído para as faces afogueadas da moça. Ela parou de falar e me olhou desconfiada.

— Por que o senhor me olha assim?

— Assim como?

— Assim, como se estivesse com pena de mim…

— E estou.

— Por que?

— Porque você, como milhares de outras mulheres brasileiras, está correndo atrás de um modelo pelo qual estruturar sua Identidade. Isto é a corrida do fracasso. Não é o Neymar nem a Bruna que vão dar a você o padrão que busca. Sua Identidade tem de ser formada por você, exclusivamente por você e através de seus fracassos e sucessos na vida que deve viver. O Neymar deu a sorte de jogar bem a bola de futebol. Sem isto, estaria morando numa favela do Rio ou de São Paulo e correndo o risco de acabar a vida como traficante de drogas. Quanto à tal Bruna, deu-se bem na profissão que escolheu, graças, talvez, ao seu talento e à sua garra. Mas cada qual faz seu destino conforme com o que Deus lhes coloca diante dos olhos… ou dos pés, no caso dos famosos do futebol. Eu não gosto de futebol desde que me entendo por gente. Vai daí que não sou fanático por nenhum jogador, por mais “miraculoso” que seja com a bola nos pés. Também não sou admirador de TV. Para mim, a televisão é uma indústria da Ilusão e do engodo; uma máquina que os políticos e os partidos políticos usam para formar opinião entre os sem identidade. Só isto. 

— Ah, é? Então, por que o senhor gosta do Vin Diesel? 

— Eu não gosto do Vin Diesel.

— Não? Mas quem é que corre para perto da TV para assistir aos filmes desse ator?

Antes, ele provocava OH! de admiração. Hoje ele provoca um Oh! de espanto.

Antes, ele provocava OH! de admiração. Hoje ele provoca um Oh! de espanto.

— Eu e muita gente mais. Mas minha motivação não é o ator. É a busca de alguma mensagem útil que o filme possa transmitir. Não há nenhuma. Pelo menos até agora. É a mesma estereotipia do pensar norte-americano: disputar e vencer; vencer sempre. Vencer? O que? Todos vamos acabar debaixo da terra ou transformados em cinzas e nossas histórias no mundo deixarão de existir após o primeiro século. Quem se lembra do glorioso Errol Flynn? No entanto, quando eu era criança, ele era a principal personagem nos sonhos das moçoilas da época. A mesma coisa posso dizer de Greta Garbo. Hoje, ninguém mais sabe ao menos o que ela fez, quanto mais a sua história de vida. Vin Diesel é só um fortão, rufião das telas, que um dia ficará no esquecimento, assim como o Estalone  ou o Schwarzenegger. Homens que só tiveram uma mensagem horrível a dar à juventude de suas épocas: VIOLÊNCIA e VITÓRIA custe o que custar. Nada é mais ilusório que a tal vitória.

A jovem permaneceu pasma, olhando-me como se estivesse diante de um fantasma. Então, com raiva, ela se foi dizendo:

— Eu me enganei. Estou falando com uma múmia. O senhor já morreu e se esqueceu de deitar no caixão.

Fiquei rindo de seu arroubo de raiva. Quem estava mesmo morto, eu ou ela?

Na minha opinião, ela.