Eu, dia 1º de 2014, manhã, deitado numa rede num lugar paradisíaco: a fazenda... Nâo, não vou dizer para que o Google não aproveite e faça disto uma propaganda. Só digo que lá é uma maravilha...

Eu, dia 1º de 2014, manhã, deitado numa rede num lugar paradisíaco: a fazenda… Não, não vou dizer para que o Google não aproveite e faça disto uma propaganda. Só digo que lá é uma maravilha…

Este ano vou-me esforçar para não escrever sobre polititica. Afinal, quem quiser saber disto é só ler nos jornais impressos ou na internet. Mas é que às vezes não dá pra aguentar, então, se eu escorregar, que vocês me perdôem. Ah, sim, vou continuar teimosamente a escrever à antiga (não tanto, mas quase). Não aceito o estropiamento de nosso idioma por um bando de sem-noção que estupidamente elegemos para decidir sobre nossos destinos. A língua é a alma de uma Nação. Aquela cuja língua for desfigurada logo se perde e é devorada pelos abutres estrangeiros. E sou absolutamente contra o PAULISTANÊS que está invadindo todo o Brasil, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, graças à Rede Globo de TV. Nunca, dantes, se falou tão errado e tão incompreensivelmente quanto agora, com o paulistanês dominando a TV e se espalhando por todo o nosso país. Que lástima… Acho que não precisamos de polititicas para nos esculhambar o idioma. Nós mesmos o fazemos em nome da “curtura” do morro, da favela… e da TV Globo.

Euzinho massageando as costas. Uma delícia. Nota: a cachoeirinha era todinha minha...

Euzinho massageando as costas. Uma delícia. Nota: a cachoeirinha era todinha minha…

E por falar em “paulistanês”, pelo amor de Deus não cometam as barbaridades pleonásticas que eles cometem. Expressões como “boca dela”; “cinco delas”; “marido dela”; “casa dela”; “tampa dela”; “buraco dela”; “filha dela” e por aí a fora, NÃO FALEM e NÃO ESCREVAM. Lembrem-se que nosso idioma tem os possessivos SEU, SUA que ainda não foram abolidos, como querem os paulistas (que já eliminaram a partícula “se” nos verbos reflexivos. Em São Paulo não se pergunta corretamente “como você se chama?” Pergunta-se burramente “como você chama?” As duas orações têm significados totalmente diferentes. A primeira solicita informação sobre o modo como a pessoa designa a si mesma, isto é, seu nome; a segunda solicita que a pessoa diga como é que pede a presença de alguém ou como é que denomina alguma coisa. Ex.: 1) como você chama seu pai? Respostas: a) pelo seu nome; b) por um apelido; c) pelo diminutivo do vocábulo pai; d) pelo aumentativo do vocábulo pai; 2) como você chama a isto? Respostas: a) pelo nome comercial; b) pelo nome vulgar; c) sei não, chamo de “coisa”).

Não estude português apenas para fazer concurso. Estude sua língua TAMBÉM para FALAR CORRETAMENTE e ESCREVER BONITO E CORRETO. Não se vanglorie de falar errado só porque um “bonitão da TV” o faz. Isto é, no mínimo, asneira (=coisa de asno).

Bom, já que desabafei (ando constantemente entupido neste assunto), vamos iniciar nossa jornada deste ano novo discorrendo sobre a Mãe Natureza.

Por que?

Ora, simplesmente porque vocês, das grandes cidades, não têm tempo de olhar para ela e de lhe gozar das delícias que nos dá totalmente de graça. Só por isto.

As "sete quedas" criadas no leito do riozinho. Um espetáculo, quando há chuva e o lago acima fica cheio. O barulho é relaxante.

As “sete quedas” criadas no leito do riozinho. Um espetáculo, quando há chuva e o lago acima fica cheio. O barulho é relaxante.

Aqui por perto há uma fazenda que tem um riozinho que, ao natural, não teria significado nem serventia senão para criar piabas, caniços do brejo, lírio branco, capim e muita muriçoca. Mas o dono do lugar, certamente alguém que, no mínimo, é bem informado, largou mão de criar gado (e, consequentemente, empestar a atmosfera com bufa de boi, um tremendo poluente do ar e danificador da camada de ozônio que nos protege) e transformou o lugar num verdadeiro pedacinho do paraíso na terra. O riacho foi represado para formar um imenso lago, na parte superior do terreno. Pelo lado esquerdo do observador, contudo, permaneceu seu leito antigo, natural, com não menos que um metro de largura e no máximo cinqüenta centímetros de profundidade. Este leito natural percorre algo em torno de 60 metros para, então, novamente ser trabalhado pelo dono do lugar e despencar em sete cachoeirinhas trabalhadas em pedra. Uma beleza, como vocês podem ver na foto. Na parte de baixo o dono da antiga fazenda de gado fez um pequeno lago onde as crianças se esbaldam. Nada há de tão relaxante, nem mesmo em Caldas Novas, pois tudo aqui é NATURAL, apenas com pequenos retoques da mão humana.

Este é o restaurante, onde se come delicioso peixe frito e comidas regionais típicas. Um lugar altamente relaxante, todo feito com móveis toscos, rústicos.

Este é o restaurante, onde se come delicioso peixe frito e comidas regionais típicas. Um lugar altamente relaxante, todo feito com móveis toscos, rústicos.

O lugar possui chalés para quem deseja se retirar do inferno em que vive na capital e desfrutar alguns dias em comunhão com a Mãe Natureza, ouvindo muitos tipos diferentes de pássaros cantar (inclusive o maravilhoso canário da terra ou o Chico Preto) e desfrutando do farfalhar das copas das árvores ao sopro manso da brisa.

É claro que a partir das 15 hora você vai ser “visitado” por incômodos mosquitos sugadores de sangue, mas nada que um bom repelente não espante. O incômodo não é significativo, diante do prazer de que ali se desfruta.

A água do rio, claro, é fria. Mas passados os primeiros 20 segundos, o corpo já se acostumou com a temperatura e você não fica tremendo de frio, como acontece quando se entra no mar da Barra da Tijuca, onde a maré nos traz a água quase gelada das correntes marinhas.

A distância deste lugar à capital de Goiás é pequena e a rodovia muito bem conservada. Então, para os goianieses que se acostumaram a viver na agonia dos shoppings e dos jogos eletrônicos, principalmente os adolescentes, aconselho a procurar passar um fim-de-semana aqui. Relaxar. Deixar de lado o maldito telefone que faz tudo (o ipod, o iped,o iphone, o “i-oh! Você taí?”, o “i-danou-se!” e coisas semelhantes); andar pela mata sem outro compromisso que não usufruir do canto dos pássaros ou do marulho alegre da água por entre as pedras. Praticar um pouco de natação – no lago ou nas cachoeiras mais abaixo, onde o dono do local fez pequenas piscinas nas quais, os que nadam o estilo “prego” (cai na água e logo afunda) podem dar algumas braçadas sem compromisso com ser ou não ser um vencedor de natação (como acontece comigo, que sou um péssimo nadador). Mas não vão para lá durante os grandes feriados, não. Nestas épocas, a presença humana é exagerada e se torna incômoda. Os mal-educados colocam os sons de seus carros a disputar entre si para ver quem azucrina mais os que para lá viajam em busca de paz e sossego.

Neste lago de águas serenas e profundas, você pode nadar, mergulhar, passar sobre ele e nele afunda através de tirolesa ou passear de caiaque ou barquinho a pedal. Você escolhe.

Neste lago de águas serenas e profundas, você pode nadar, mergulhar, passear sobre ele e nele afundar através de tirolesa ou passear de caiaque ou barquinho a pedal. Você escolhe.

Aqui é possível ver tartarugas preguiçosas tomando banho ao sol, pela manhã, ao meio-dia ou à tardinha. Famílias inteiras destes quelônios se aglomeram e se equilibram numa pequena pedra no meio do lago, longe dos curiosos, mas expostos à admiração dos homens que, pensando ser livres, são os maiores escravos das gerigonças que inventam ou dos terríveis sistemas mercadológicos que criam.

Dia primeiro lá fomos nós – eu, minha filha, seu namorado e minha companheira de todo dia – iniciar o ano novo lá. Confesso que ando meio resistente a passeios, até porque é muito chato a gente ser um atrapalha prazer, como tenho sido devido às minhas costas. Não posso mais fazer longas caminhadas ou, pior, não posso escalar nada, a menos que queira me contorcer de dor nas costas ou durante o passeio (se for longo) ou quando dele regressar. E isto é desencorajante.

Mas fui e não me arrependi. A massagem aquática até que me fez por um tempo sentir o quanto era bom quando meu corpo não me aporrinhava com dores idiotas e permanentes, como acontece agora. E voltei dirigindo o automóvel e pensando em quanto a velhice é um porre. Não é uma”m…” como li no pára-lama de um caminhão. Mas que chega bem perto, ah, isto chega mesmo.

Meu cocar de água. Babem de inveja, citadinos...

Meu cocar de água. Babem de inveja, citadinos…(nota: mandem abrir o link em uma nova guia).

Para os que me lêem no exterior (e são muitos) aconselho, se vierem ao Brasil, virem a Goiânia, capital de Goiás e, no hotel onde se hospedarem, pedir informação sobre este local. Se mostrarem estas fotos todo e qualquer recepcionista de hotel da cidade identificá-lo-á de imediato. Mesmo que venham para assistir à famigerada Copa do Mundo de Futebol, quando estiverem nos intervalos, não visitem shoppings que vocês têm aí em seus países muito melhores e muito maiores do que os daqui. Vão conhecer a Natureza Natural brasileira, pois ela está sendo extinta pelo agronegócio.

Gente que nasceu aqui, nas fazendas, e que hoje vive ou em Brasília ou dentro de aviões luxuosos ou de carreira, totalmente desligados de suas raízes e, infelizmente, só pensando nos malditos dólares que podem ganhar destruindo a Natureza.

Um dia tais pessoas chorarão de tristeza…