Estátua de Júlio César. Esta Forma já estava dentro do mármore?

Estátua de Júlio César. Esta Forma já estava dentro do mármore?

No artigo passado procurei chamar sua atenção para um fato inegável no modo como nós vivemos nesta terceira dimensão. E deixei uma pergunta no ar, qual seja: a realidade externa à nossa mente apresenta-se caótica, desordenada, e somos nós que a estruturamos através de nossos processos perceptivos e cognitivos, ou a realidade externa que vemos e na qual nos sentimos inseridos é por si mesma estruturada ordenadamente, coerentemente? A Forma, já disse um famoso escultor, pré-existe dentro do bloco de granito ou de mármore. O trabalho do escultor é tão-só revelá-la. Isto é verdade? Até onde? Por que a forma está escondida dentro do bloco de pedra? Não será ao contrário, a Forma está na imaginação do escultor que, motivado por aquela imagem gerada em seus processos psicológicos criativos procura dar-lhe substância através da pedra? O que leva uma pessoa a tomar de um cinzel e de um martelo e se dedicar afanosamente até chegar à revelação da Forma que busca dentro do granito ou que põe para fora a partir de sua imaginação? Transpondo esta visão para nós, enquanto seres humanos, há formas e formas escondidas dentro de cada um? Estas formas são reveladas através da Educação e da Instrução? São nossos genitores e pais os escultores que nos moldam e nos revelam as formas que trazemos em nós e que desconhecemos? Estas Formas ocultas em cada um de nós vieram de onde? Elas interferem e até direcionam os modos como percebemos nossos ambientes de vida? Tais Formas que parecem ser genéticas nos dirigem o comportamento inexoravelmente? Ou nós as moldamos à medida em que elas nos são reveladas e na medida das necessidades que o ambiente nos impõe?

A Psicologia é perguntar, sempre. A Psicologia é questionar constantemente a Natureza humana e os processos fenomenológicos, buscando afanosamente descobrir quem somos nós tal e qual somos, tal e qual vivemos, tal e qual interagimos.

Este ser foi uma geração espontânea da Natureza?

Este ser foi uma geração espontânea da Natureza?

Somos uma geração espontânea da Natureza? Ou somos entidades espirituais que não morrem e que estamos aqui tão-só de passagem, como ensinam vários ramos da Religião? Se somos espíritos imortais que se revestem da carne apenas temporariamente, por que esta necessidade? De onde viemos e para onde estamos indo? Por que temos de passar por esta dimensão material, se aqui a Felicidade é sempre imponderável e transitória? Qual a finalidade da dor física e do sofrimento psico-emocional? É verdade que tais formas de manifestação da Natureza em nós é um meio através da qual ela nos impulsiona para escolhas comportamentais que nos tornam mais humanos? E o que é ser humano? Qual a razão subjetiva desta determinação inflexível da dor e do sofrimento como educadores de nossos Espíritos? É o Espírito humano uma entidade obtusa e revoltada, que precisa ser disciplinada através de grandes sofrimentos? Para quê ela é disciplinada, se é que existe?

Por que o sofrimento? Por que a dor?

Por que o sofrimento? Por que a dor?

É dentro de um oceano de dúvidas e questionamentos que a Ciência do Homem avança a duras penas e com grandes esforços. Suas hipóteses só podem ser testadas dentro dos limites do físico e a partir daí ela se arrisca a inferir Leis que supõe explicam a realidade transcendental do ser humano ou, ao contrário, sua materialidade rasa e plena.

As perguntas aqui colocadas e que fazem parte das que são feitas pela Ciência do Homem são as que, junto com mais um milhar de outras, fazem parte da razão de existir da Psicologia. No entanto, quando entramos na faculdade de Psicologia, vemos logo de saída que o estudo das várias hipóteses que foram criadas dentro deste ramo do Conhecimento humano está estruturado numa seqüência específica. Vemos, portanto, que o Estruturalismo é impositivo para a aprendizagem de qualquer ramo da Ciência Humana. Ou o homem estrutura, ordena em ordem crescente ou decrescente de importância o que estuda, ou se perde. Então, compreender as formas de Estruturalismo de que nos servimos é importante. No entanto, como tudo o que faz parte da Ciência, o Estruturalismo é inconsistente e abre um leque de opções e de questionamentos que se tornam complexos e difíceis de se optar por este ou por aquele ramo.

O "macaco pensante" ainda está às voltas no conhecer-se a si mesmo.

O “macaco pensante” ainda está às voltas com o conhecer-se a si mesmo.

A Psicologia nos mostra que somos entidades que mais têm perguntas do que respostas. Aliás, nem sabemos se temos uma única resposta correta, definitiva, sequer. Nem na Ciência da Psicologia, nem em qualquer outro ramo do Conhecimento Humano.

Se você, que me lê, está na fase final da Adolescência, provavelmente anda às voltas com um parceiro – se você é mulher; ou uma parceira – se você é homem. Este é seu primeiro enfrentamento com a Esfinge e seu eterno enigma: decifra-me ou te devoro. 

Quero fazer um parênteses, antes de continuar. Eu ainda compreendo o período da Adolescência com seu final tardio aos 18 anos, em função dos avanços tecnológicos e maturacionais das crianças nos seus processos cognitivos. A criança de minha era levava muito tempo vivendo infantilizada, pois não tinha nem a terça parte da quantidade de estímulos que as de hoje sofrem. Fazia-se o que era conhecido como Ginasial, usando tão-só um livro chamado CRESTOMATIA. Os brinquedos eram rústicos e requeriam muita imaginação para representar algo real, algo de nosso dia-a-dia. Hoje, uma criança já tem sua coluna vertebral esmagada pelo peso de uma quantidade absurda de livros onde se contém o Conhecimento que delas é exigido no mesmo período do outrora Ginasial. Os brinquedos com que brinca já quase não lhe dão opção de criatividade imaginativa. São brinquedos que se movem por si só e semelham tão fielmente a realidade objetiva dos ambientes adultos que a criança quase não tem escolha na fantasia criativa. Os brinquedos eletrônicos já vêm pré-programados e quase sempre são voltados para a violência. No mundo artificial da cibernética a criança é dirigida para se revestir de um matador profissional, desalmado, cruel, que não vê seu semelhante como algo cuja vida é sagrada, mas simplesmente como um “inimigo” e, nesta condição, vale menos que um verme. Apegadas aos manches de comando das engenhocas cibernéticas, ela é submetida a um condicionamento violento, desrespeitoso e violador de sua condição de indefesa diante do mundo que a cerca. Tem nas suas mãos cibernéticas armas poderosas através da qual atira e mata centenas de “inimigos” que têm a mesma forma corporal que a sua e que, condicionantemente, é movida pelo mesmo elã que o seu: matar.

De onde surgiu este "monstro", capaz de atirar e matar sem remorso?

De onde surgiu este “monstro”, capaz de atirar e matar sem remorso?

Que monstros está o Mercado dos “brinquedos eletrônicos” criando naqueles que serão os adultos do futuro imediato? Já dá para se perceber diante da violência e da maldade com que os púberes da atualidade desumanizada agem nas grandes cidades. Não se pode alocar a violência de que estão impregnadas à miséria e à pobreza, pois eu mesmo fui miserável e pobre, mas nem por isto me tornei criminoso cruel e violento. Eu não tive, graças a Deus, brinquedos eletrônicos que me condicionassem muito cedo para o endeusamento da violência em meu ser. Nem mesmo o cruel treinamento do Exército para comando fez de mim um pervertido malvado. Tive uma educação familiar e religiosa muito rígida e sempre voltada para a caridade, a bondade e o respeito à Vida e estes pilares me sustentaram ainda quando nos momentos mais cruciais e perigosos por que tive de passar. Eu tinha treinamento para matar usando armas não convencionais, armas brancas e armas de fogo. Treinei artes marciais voltadas para a eliminação do adversário de modo rápido e decisivo. Mas jamais fiz uso de quaisquer desses instrumentos com tal finalidade. Eu não tinha sido “entortado” psiquicamente pelo Mercado do Mal através de brinquedos cibernéticos que só incentivam e condicionam à morte, à violência e ao desrespeito à Vida.

Atualmente os estudiosos tentam explicar o que chamam de “imaturidade” do jovem adolescente através da alegação de que o maturacionamento do encéfalo se dá tardiamente. Por isto, o período da adolescência deve ser estendido até à idade dos 28 anos que é, supõem, quando o cérebro está totalmente maturado. Subordinam, assim, o psiquismo ao fisiologismo pura e simples. Usando de tal artifício, tentam, os estudiosos, adequar-se a desculpas que se dão para explicar e compreender a maldade e a crueldade com que os púberes e adolescentes atuais agem indiscriminadamente em todas as camadas da sociedade humana. Eles se mostram pervertidos sejam oriundos das favelas e guetos brasileiros, sejam oriundos das camadas sociais ditas superiores e abastadas. Todos praticam a violência e o desrespeito à vida de modo cruel e inumano. O exemplo está nos filhos de Deputados e Senadores da República que se divertiam, em Brasília, pondo fogo em mendigos e moradores de rua. Na verdade, de meu ponto de vista “antiquado”, busca-se mascarar e ocultar a culpa do Mercado do Mal, que visa em sua nova área de lucro, a Cibernética, aumentar as contas bancárias de seus acionistas. Investem propositadamente no desvio doentio da formação do caráter humano na idade mais crucial deste bípede complexo, mesmo sabendo que tal investimento vai distorcer perigosamente o propósito do viver humano sobre o planeta.

Eles são frutos do meio e não se pode negar tal verdade.

Eles são frutos do meio e não se pode negar tal verdade. Não é o cérebro o responsável por suas violências. É a distorção de sua formação psíquica.

É por isto que, para mim, esta desculpa de dizer que o cérebro só alcança plena maturidade e pleno desenvolvimento aos 28 anos não cola. Principalmente como desculpa para se tolerar uma selvageria nos jovens que, num passado recentíssimo, não havia entre eles. A História está cheia de exemplos de gênios precoces, capazes de compor peças musicais refinadíssimas e complexíssimas, ou propor questões matemáticas nas mais altas esferas deste ramo do Conhecimento. São mini-gênios cujas idades não ultrapassam, com freqüência, os 10 anos. Nesta idade, a levar em consideração a nova teoria de maturação da massa encefálica, esta não tem a mínima condição de prover inteligência tão avançada. E, no entanto, tal inteligência existe e se manifesta plenamente, historicamente. Vejam, no youtube, centenas de exemplos destes mini-gênios da música. Alguns deles são estas crianças que nos deixam boquiabertos:

(http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=omuYi2Vhgjo)

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=omuYi2Vhgjo

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=omuYi2Vhgjo.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=omuYi2Vhgjo.

E as crianças dos exemplos acima só têm idades que vão dos três anos aos sete anos. Elas não são um produto da estimulação cibernética do cérebro, como podem alegar os defensores do Mercado, pois séculos atrás já havia minigênios da música que estavam longe da parafernália cibernética atual.

Os reducionistas, que só compreendem o ser humano através do cérebro, certamente concordarão comigo, considerando que defendam a moderna hipótese neurológica da maturação tardia do encéfalo, que os estratos cerebrais relativos aos processos cognitivos, em tal hipótese, não estão plenamente prontos. E se assim é, que explicação há para justificar tão extraordinária capacidade percepto-cognitiva destes gênios precoces?

Eu defendo a hipótese de que os processos superiores do nosso psiquismo não estão totalmente ou parcialmente subordinados ao cérebro físico. Este, no meu modo de entender tais processos, é tão-só uma estrutura responsiva à psique e não seu determinante e seu limite. É a psique que cresce, evolui e se aprimora e é ela que determina a evolução do cérebro físico, neuronal, quanto à especificidade de suas estruturas para melhor responder e se adequar às exigências do psiquismo. Posso ser enquadrado, com certo desprezo pelos cerebristas, na corrente animista. Não me incomodo. Eu sou quem sou e basta. Não tenho por quê andar de passo certo com tal ou qual filosofia científica. Eu sou independente. Não nasci comprometido com nada e não desejo filiar-me cegamente a tal ou qual linha de pensamento científico. Mesmo que pense em meu trabalho seguindo alguns fios de certas linhas de pensamento, não significa que seja um cego seguidor deste ou daquele ramo da pesquisa psicológica. Até porque, em Psicologia o que se tem é somente isto: hipóteses. Nada mais.

"Ih! De porcarias tua TV anda cheia! E os shoppings também!"

“Ih! De porcarias tua TV anda cheia! E os shoppings também!”

O cérebro é, no meu modo de ver, subordinado à psique e esta lhe dita como deve evoluir, que estratos deve refinar para poder responder adequadamente à evolução e crescimento em conhecimento da psique. São as exigências do nosso psiquismo que força o cérebro a crescer e se especificar e, não, ao contrário. Sei que estou – e sempre estive – na contramão do pensar niilista e não-animista da atualidade, mas isto nunca me incomodou e continua não me incomodando. Estou aqui para aprender e não se aprende quando nos deixamos restringir por tal ou qual crença, seja ela científica ou religiosa.

Há dois ou três dias assisti, acho que no HBO, um filme sobre uma garota autista que, não obstante, fez doutorado em Zootecnia e trabalhou determinadamente para provar suas teorias que levaram a uma maior humanização no abate de bois. Foi humilhada, foi discriminada e tinha, contra si, o defeito de ser autista. Mesmo assim, venceu. Não creio que se deva esta força de vontade fantástica simplesmente a um conjunto de nerônios que em nada se diferenciam entre si, exceto no fato de que estão conglomerados num novelo a que a Ciência chama de cérebro.

Então, concluindo, ainda tomo o final da adolescência aos 18 anos, agora já tardiamente. Creio que este final atualmente acontece aos 15 anos ou menos, considerando o comportamento pervertido dos adolescentes da atualidade. E creio que não estou só nesta posição, pois juristas do mundo todo já aceitam penalizar jovens criminosos que praticam delitos com idades de 15 anos e até menos. Nos EUA um garoto de doze anos foi para a cadeia por ter matado outro a tiros de revólver. Ele o fez após planejar conscientemente o ato.

Voltando ao “caldo” indefinido composto por adolescentes e jovens adultos, certamente que já desde a adolescência precoce (16 anos) os seres humanos desta atualidade se vêem às voltas com os dilemas delicados e cruciantes da interação sexual e do apelo ao coito. Refiro-me ao sexo como o continente do Prazer, não restrito apenas ao ato coital. E retornando à realidade presente, quando tudo avança e se desenvolve numa velocidade estonteante, os jovens, ainda inexperientes no ato de viver, envolvem-se intensamente no terreno afetivo. Ainda não se libertaram do sistema construtivista de seus lares de origem, quando os têm, e já se colocam o pesadíssimo desafio de se compreenderem mutuamente. Como realizar esta façanha hercúlea, se ainda não aprenderam como estruturar suas realidades diárias? Sem uma boa estruturação dos dilemas ambientais de seus dia-a-dia, não podem fazer previsão com grande margem de plausibilidade e terminam se perdendo em culpas e angústias, em desorientações e fracassos. 

As estruturações a que a pessoa tem de recorrer para poder viver em consonância com suas realidades exige renúncias e sacrifícios, quando se volta para repartir a vida com outro semelhante. Como fazer isto de modo maduro e sensato, quando ainda não se tem a experiência de vida necessária para tal? O Mercado impõe que os jovens aprendam depressa a lidar com as rapidíssimas mudanças que injeta no viver social. Como saber Estruturar tais coisas dentro dos ambientes de vida do indivíduo?

É por isto que eu creio ser bom que, mesmo não sendo da confraria dos psicólogos, as pessoas conheçam os vários meandros teóricos sobre o Estruturalismo e aprendam, ao menos um pouco, sobre como seu viver é complexo.

Em meu próximo artigo nós entraremos de fato nas Teorias e nas visões teóricas dos pesquisadores do Estruturalismo.

Até lá e um abraço.

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