São raras as escolas com estruturas como esta, em Lages. E quando as temos, com certeza são particulares e a mensalidade é para poucos. Nós comercializamos com nosso futuro e o elitizamos indevidamente.

Esta é a Esfinge de nossa atualidade: a Educação Escolar.

Há duas vertentes principais e distintas da abordagem Construtivista. Uma do ponto de vista Educacional. A outra, do ponto de vista Clínico.

Ambas estas abordagens deviam ser do conhecimento dos cidadãos brasileiros em geral, principalmente a vertente relativa à Educação, pois, nesta realidade em que vivemos e na qual aos pais é proibido educar seus filhos livremente e de conformidade com suas tradições familiares; onde o Estado entra na família sem pedir licença e impõe o modo (às vezes esquizofrênico e paranóico) como os políticos ou grupos extremistas exageradamente ideológicos acham que deve ser adotado por todos indiscriminadamente, à Família devia-se dar informações que lhes permitissem, aos cabeças, encontrar seus meios singulares de se adaptar às imposições do Estado na criação de suas proles.

"Eu vou mudar tudo. Sei perfeitamente como fazer para levar o Brasil à vitória! Meu Partido tem a fórmula da felicidade. Então, façam o que nós dissermos e se darão bem!"

“Eu vou mudar tudo. Sei perfeitamente como fazer para levar o Brasil à vitória! Meu Partido tem a fórmula da felicidade. Então, façam o que nós dissermos e se darão bem!”

A propósito deste assunto, eu particularmente creio que nós, cidadãos, temos de pôr freio no exagerado Ego Coletivo Político Brasileiro, que faz que os cidadãos eleitos se achem com o direito de se intrometer em tudo, absolutamente em tudo neste país, até em como decidir que tipo de papel higiênico as pessoas devem usar e com que mão se limpar, ao ir ao vaso sanitário no banheiro. Político devia ficar restrito às Casas Legislativas, mas extrapolando e muito este dever para o qual foi eleito, ele se intromete em todos os níveis sociais e pensa que pode e deve gerenciar a vida de todos nós, um a um. É como se cressem que sem um PAIZÃO o brasileiro não conseguiria andar.

Mas retornando à nossa vaca fria, eu disse que no “modernismo” pensava-se que um dia seria possível alcançar-se tal perfeição no conhecimento do comportamento humano que um vetusto Compêndio Comportamental poderia ser escrito e nele se encontrariam todas as Leis regentes de nossa vida. Mas este sonho se esboroou. De certo modo, era um sonho de passo certo com a Metafísica…

Ah, sim, você tem leves informações sobre o que seja Metafísica… Não, não, não se trata de espiritismo. “Meta”, prefixo grego, quer dizer “para além de…” e “física” quer dizer “matéria”, “corpo”. Então a palavra Metafísica significa além do corpo; além da matéria. A Metafísica procura encontrar o Conhecimento Absoluto através da intuição das coisas em si mesmas, naquilo que elas, supõe-se, têm de imutável, de perene. E isto em oposição às formas materiais e às suas aparências. Devido a isto, a Metafísica abstrai de seu Conhecimento tanto o Movimento quanto as Causas das transformações das coisas. Ela procura a essência pura de tudo, aquilo que não se altera e é perene. Ora, mudança e movimento são atributos inerentes a tudo o que seja material. Nada há sobre nosso planeta que não sofra a influência de tais atributos. Logo, a Metafísica busca um ideal que muitos, inclusive eu, reputam inalcançável e onírico.

Mas ainda que oniróide (óide = sufixo que quer dizer ‘em forma de’. Neste caso, que tem a forma de sonho), a Metafísica guiou, de certo modo, o sonho dos “Modernistas” em Psicologia. A Metafísica procura classificar as coisas de modo definitivo, visto que a seu entender, uma coisa é o que é e continuará sendo, portanto, se todas as coisas são assim, todas são passíveis de classificação definitiva.

Mas será?

Ele era assim...

Ele era assim…

Bom, você pode refletir. Nós não vivemos oniricamente, mas objetivamente, concretamente. E no mundo do concretismo tudo muda, tudo se transforma constantemente. A pedra se transforma em areia; a água se transforma em vapor; a luz se transforma em escuridão; o novo se transforma em velho; a alegria se transforma em tristeza e vice-versa… Enfim, o mundo fenomenológico que nos cerca e no qual estamos inseridos está em constante transformação. E nossos pensamentos, nossas crenças, nossas certezas também se transformam constantemente. Então, na Realidade não há a possibilidade da ocorrência dos parâmetros metafísicos. É ou não é?

Vive na ilusão do fixismo aquele que descuidadamente vê o mundo através da visão fixista.

Mas está assim...

Mas está assim…

Curiosamente, nós nos relacionamos entre nós e com as coisas como se as víssemos a partir de uma visão metafísica. Por exemplo: compramos uma camisa azul e a usamos durante muito tempo. O uso, o suor, o sol e o lavar constante fizeram o azul desbotar e, agora, a cor é mais um cinza sujo que o azul. No entanto, nós continuamos a nos referirmos a ela como “minha camisa azul”… Não é curioso? Transporte isto para a relação mãe-filho e você verá que esta visão “metafisica” na relação familiar está muito presente. É mais que conhecido que “para as mães os filhos são sempre crianças”. E todas se referem a eles como “meus meninos”, ainda que já sejam casados e pais ou mães de seus próprios filhos. São coisas de nosso viver antagônico…

Um modo de perceber o mundo que é predominantemente saudosista, quando nos apegamos ao passado e nos recusamos a admitir a desestruturação do que foi e já não mais é.

Eles são responsáveis pela tendência que os cristãos possuem de ver o mundo através de um enfoque fixista.

Eles são responsáveis pela tendência que os cristãos possuem de ver o mundo através de um enfoque fixista-maniqueísta.

Embora eu tenha-me referido a esta característica “fixista” que temos de viver nossa relação com as coisas e os outros como se eles não mudassem, esta postura é muito séria e deve ser repensada por todos, não somente por professores ou clínicos da psicologia. A Religião Cristã tem uma forte parcela neste modo de se viver, mormente se se é cristão. É que a Bíblia sub-repticiamente transmite a idéia de que as coisas foram criadas como foram e assim continuam até hoje. A Evolução, mesmo do homem, não consta ali. Essa idéia de que uma vez criado por Deus tudo continuou como se a criação tivesse sido há segundos passados tem uma conseqüência desastrosa na vida interrelacional individual. E para piorar as coisas, tendemos a um ver o mundo através de uma visão maniqueísta, quando, então, separamos seres e coisas em classes, como as classes das coisas boas e a classe das coisas más. A classe das coisas certas e a classe das coisas erradas. A classe das coisas bonitas e a classe das coisas feias. A classe das coisas agradáveis e a classe das coisas desagradáveis… E assim por diante.

Isto coloca diante de nós algo que nos passa despercebido, ou seja: vivemos sempre em um eixo linear dicotômico, onde há somente dois polos: um pólo positivo e outro, negativo. No entanto, a vida não é em preto e branco, não é verdade?

Então, fixe bem esta assertiva, que ela é decisiva em muitos de seus conflitos e suas angústias: tendemos a viver fixista e maniqueistamente.

Pense, descubra, mas não se prenda às lamúrias, pois você pode mudar...

Pense, descubra, mas não se prenda às lamúrias, pois você pode mudar…

Agora, pare um pouco e pense para descobrir momentos de sua vida em que você foi claramente fixista e maniqueísta. Não é difícil. Tente. Isto é importante para que você se perceba com mais clareza neste tópico de grande relevância para sua vida e para a vida de relação sua e de seus familiares.

Veja, uma postura maniqueísta é a que todos temos de separar as coisas e as pessoas em classes excludentes. Assim, se alguém é classificado como bom, não pode ser também classificado como mau. Na visão maniqueísta, uma coisa é isto ou é aquilo. Mas esta coisa não pode ser ao mesmo tempo isto e aquilo. A primeira conseqüência prática deste tipo de visão é que tendemos a ser caolhos, isto é, vemos a vida apenas com um só olho, simbolicamente falando. Por exemplo: um “bandido” que aparece na TV sendo preso pela polícia é “mau” e, por isto, não pode ser também “bom”. Mas o que é ser bandido? É uma condição fixa na vida de uma pessoa? 

Eis um bandido... Mas este homem é bandido? Ou apenas ESTÁ bandido?

Eis um bandido… Mas este homem É bandido? Ou apenas ESTÁ bandido?

Creio que você descobrirá que se enquadra perfeitamente no maniqueísmo, se prestar atenção no exemplo que lhe sugeri no parágrafo anterior, visto que o que mais a nossa TV mostra são pessoas “más”. No entanto, maldade é algo mutável e inconsistente. Nem todo mau é inalteravelmente mau. As pessoas podem ser más em relação a um determinado momento da vida ou em relação a um determinado processo de um sistema social, mas isto não significa que ela seja eminentemente e inerentemente má.

Vamos para um local que toca profundamente a família. Todas as escolas tendem a classificar os alunos de determinada turma em alunos classe A (os bons); alunos classe B (os medianos) e alunos classe C (os “pestes”; os “filhos de Nossa Senhora da Pá Virada“). Bom, você certamente estará pensando que não há como evitar isto, pois a verdade é que em toda escola há os “santinhos” e os “filhos de Nossa Senhora da Pá Virada”. Mas se eu lhe perguntar: Fulano, você é uma pessoa sempre boa?” É provável que você me responda, “Não. Às vezes eu sou muito má. Tudo depende da ocasião”. Ora, se com relação a si mesmo(a) você reconhece que não é algo fixo, mas é algo sempre em mutação, por que em relação aos alunos das escolas sua percepção é fixista?

Eis o resultado da aplicação da "Escola Nova". Ou será que é o resultado da intromissão de Políticos em área que não é de suas competências?

Eis o resultado da aplicação da “Escola Nova”. Ou será que é o resultado da intromissão de Políticos em área que não é de suas competências?

Eu tive a felicidade de conhecer e vivenciar os dois lados da moeda nas escolas por onde estudei. Nas décadas de 40/50/60, as regras de comportamento nas escolas eram eminentemente fixistas. O comportamento esperado de qualquer aluno era sempre padrão: a) defender a escola em que estudasse; b) honrar a farda da escola; c) obedecer e respeitar os professores; d) estudar com afinco para não ser reprovado; e) comportar-se respeitosamente para com os colegas e para com todos que adentrassem a sala de aula; f) visto que a bandeira brasileira estava dentro de cada sala de aula, o aluno não podia falar palavrões nem dizer insultos, pois tinha de saber que ela representava a Pátria e esta não podia, de modo algum, sofrer desrespeito de qualquer forma. Já nas décadas de 1970 a 2010, a coisa mudou radicalmente. Respeito dentro da sala de aula sumiu assim como sumiu a bandeira nacional de lá de dentro. Respeito com professores foi pelo ralo em nome da liberdade de expressão do indivíduo. Os Políticos entraram pra valer na Escola e tomaram a si a responsabilidade de ditar, através de Leis absurdas, o como e o quê as escolas devem fazer para “educar” as crianças e os adolescentes e isto desorganizou de vez o que já vinha-se tornando ruim ao longo das décadas. Hoje, escola é sinônimo de “inferno” ou de “vestibular para a prisão”. Os alunos são “deseducados” para que, futuramente, a Polícia, através do gás lacrimogênio e do cassetete, os ensine o “caminho das pedras”. A visão estruturalista ou construtivista levada ao absurdo por total desinformação dos “avançados” trouxe-nos ao que vemos, estarrecidos, o que deveria ser um local de educação moral e cívica do futuro cidadão.

Colégio da Polícia Militar. Uma instituição tradicional. Vale mais esta instituição "retrógrada" ou a Escola Nova que libera geral?

Colégio da Polícia Militar. Uma instituição tradicional. Vale mais esta instituição “retrógrada” ou a Escola Nova que libera geral?

Liberdade sem freios é libertinagem. E libertinagem não leva senão à anarquia dos costumes e dos valores morais e sociais.

Fala-se na “Escola Nova” e esta, diz-se, foi a primeira a reconhecer que os indivíduos são diferentes, portanto, devem ser tratados diferentemente. O adulto, então, não mais é modelo para a educação da criança e do adolescente. Há que se reconhecer os direitos e as diferenças destes seres em formação.

Mas, pergunta-se: e quem os vai educar? Os Políticos e suas Leis inúteis? Aqueles que urram pelas ruas que as crianças devem ter o direito de expressar sua impulsividade natural? Bom, mas quando a impulsividade natural e agressiva que é característica do ser humano se revela em toda sua ferocidade, eis que os mesmos que gritam pela liberdade irrestrita para as crianças e os adolescentes urram, agora, por medidas que freiem a animalidade do animal humano em crescimento. Só que “sem repressão”; sem “freios coercitivos”. Então, como? Quem? Os pais não mais podem reprimir a selvageria impulsiva da criança e do adolescente (muito estimulada pelo Mercado de Consumo). Se o fizer corre o risco de terminar nas barras da Justiça. Resta apenas o Estado, que tem a Polícia pronta para descer o cacete no lombo dos mal-criados… Que são, no final das contas, todos os jovens brasileiros.

Não podemos ser maniqueístas, mas também não conseguimos ser construtivistas ou estruturalistas. Então, onde está a saída? Dizem que a saída é a Escola Nova. Ela defende a democracia e o respeito democrático à liberdade individual da criança e do adolescente.

Se pensar com cuidado, vai descobrir coisa interessantes.

Escola Nova ou Escola Maniqueísta? Eis a questão…

A Escola Nova acusa o tecnicismo da Escola Velha dizendo que ele planeja para ter domínio e controle e, com isto, definir os caminhos do futuro. Ela afirma que o tecnicismo é autoritário e antidemocrático.

Será?

Ora, a Psicologia afirma que é da Natureza do homem prever para controlar. Uma vez que somos os seres mais fracos da Natureza, é mais que óbvio que tenhamos forte tendência de buscar prever o futuro mediato, imediato e distante, a fim de nos precavermos contra acontecimentos dolorosos, desastrosos e mortais. O tecnicismo de outrora levava a bom termo a Educação Escolar. Eram raros os maus exemplos de liberdade da animalidade natural do ser humano em formação. O comportamento do aluno era previsto e controlado para que o trabalho do Educador, o Professor, chegasse a bom termo e o aluno saísse da Escola bem preparado para ser um cidadão de bem, produtivo e válido.

Creio que é preciso repensar a tal Escola Nova. Nem tanto ao céu nem tanto ao mar. Se não é possível aceitar-se a palmatória como meio persuasivo no estágio social em que nos encontramos, também não se pode soltar as rédeas de quem não tem consciência plena dos resultados de suas ações impulsivas e destrutivas. A Sociedade mudou para pior. Em defendendo a Democracia, um ideal que pouquíssimos conhecem, defende-se, sem que se dê conta, a liberdade do comportamento anti-social e a-social e isto definitivamente vai na contra-mão de uma Sociedade verdadeiramente democrática.

Ele e seu partido político falam de Democracia, mas agem para termos uma Tiranocracia...

Ele e seu partido político falam de Democracia, mas agem para termos uma Tiranocracia…

Nós não somos uma Democracia, ainda que os políticos vivam gritando o contrário aos quatro ventos. Na verdade, somos um país anárquico e com tendências perigosas para um totalitarismo de banana imposto por Partidos Políticos com tendências ditatoriais. Somos uma nação em que CADA CIDADÃO deve tomar sobre seus ombros o fardo de repensar seu modo de encarar o mundo. Um modo fixista antiquado, ultrapassado, que, no entanto, vige nas menores e mais leves percepções do dia-a-dia. É preciso que o cidadão comum se eduque para reformular seu modo de perceber a vida e os processos fenomenológicos que acontecem ao seu redor, para que, então, possam encará-los sob um ponto de vista construtivista, estruturalista e positivista. Mas deve dissociar esta visão do conceito de Democracia, visto que este estado social está longe de ser o que define nosso modo de vida, atualmente. Quando e se um dia nós conseguirmos viver uma sociedade Democrática, os Políticos se restringirão aos seus trabalhos e não: a) brigarão para dominar Ministérios; b) se intrometerão na Educação Escolar; c) se imiscuirão nos processos sócio-econômicos da nação senão de modo restrito; d) abandonarão a irritante mania de quererem ser “o Paizão” de toda a Nação.

Eu particularmente creio que desafina-se totalmente com uma visão construtivista sadia a nova mania ditada pelos políticos de “criar quotas raciais” para as Faculdades brasileiras. Isto é estatizar o racismo e a discriminação social, por mais que neguem o fato. E tal procedimento é um grande retrocesso ao ver maniqueísta. Democracia que é Democracia garante a todo cidadão, independentemente da cor da pele ou de sua etnia, o direito igual em todas as oportunidades. O protecionismo a etnias é um caminho perigoso que sempre deságua na intolerância racista e na guerra intestina e o mundo está cheio de exemplos lamentáveis de tal visão maniqueísta.

Para terminar: nós demos um salto monumental para trás na evolução da Educação e do viver construtivista, estruturalista. Estamos como já fomos há um século atrás, graças ao Partido Político que nos domina, agora. Então, em vez de tentar trazer para nosso meio avanços muito adiante no tempo em relação ao nosso estágio evolutivo social de agora, devemos, primeiro, retomar nossa vida de onde fomos obrigados a abandoná-la e partindo de um meio termo de visão fixista x construtivista, avançarmos para uma realidade mais firme e mais esclarecida na formação psicossocial do cidadão brasileiro.

E você, como cabeça de família, tanto quanto você, jovem que me lê, devem assumir sua parcela de responsabilidade neste esforço que será titânico, de mudar seus modos de enxergar a vida e participar de seus processos fenomenológicos. Devem, ambos, tentar desenvolver uma visão construtivista do Mundo e fugir o quanto lhes seja possível da visão fixista e maniqueísta.

Até nosso próximo encontro.