O anoitecer sempre mexe com as pessoas...

O anoitecer sempre mexe com as pessoas…

A noite veio de manso. A brisa era suave e fria, arrefecendo o calor do dia. Após a refeição, Yehoshua convocou sua família e José de Arimatéia para sentarem sobre mantas, no quintal. Quando todos estavam ao seu redor, ele falou.

— Com exceção de minha querida irmã Ruth, todos me têm como um rebelde e inconseqüente porque não desejo aceitar o confronto sangrento com Herodes e Roma em defesa da coroa real de Israel. No entanto, não é assim que devemos solucionar os conflitos. Sei perfeitamente que o povo israelense vem sendo explorado cruelmente pelos que se julgam seus senhores e isto é errado. Mas também sei que derramar o sangue de nossos irmãos, sejam eles de que nação sejam, é absolutamente repudiado pelo verdadeiro Deus, Aquele cujo nome ninguém sabe, nem mesmo os rabis superiores, como Gamaliel, por exemplo. No fundo, o povo israelense deseja é tomar para si a coroa do Poder e quando conseguir ostentá-la passará a ser ele mesmo o tirano em lugar dos que agora o são. É trocar seis por meia-dúzia com prejuízo para os israelenses.

Por causa de sua posse, nações fizeram guerras e mataram muita gente.

Por causa de sua posse, nações fizeram guerras e mataram muita gente.

Não almejo qualquer coroa terrena, embora, se por direito eu devo ser o rei desta nação, seja lícito que eu o queira ser. E quero. Não por orgulho nem por patriotismo, mas para resgatar uma nação que foi enganada desde há muito tempo e foi humilhada e foi escravizada e vem sendo pisoteada sem dó nem compaixão por outras nações. O Templo de Israel foi violado, prostituído mesmo. Ali não devia pontificar nenhum sacerdote, senão aquele distinguido pelo verdadeiro Senhor do Templo, que o indicaria por meio de sinais secretos. Mas lá foram colocadas pessoas iníquas, gananciosas, mentirosas, ladras e corruptas, que afastaram do Santo dos Santos a Presença salvadora. Homens imundos passaram a ditar leis venais e imorais através das quais fazem curvar a cabeça de toda uma nação e isto é imperdoável. Então, desejo tomar para mim a coroa de Israel. Mas nunca através do derramamento de sangue. Quero que toda a nação judaica compreenda que o Verdadeiro Deus é Amor irrestrito e o Amor não mata. Há de haver um meio de se destronar o tirano sem que se tenha de matá-lo e sei bem que será um trabalho delicado, pois, primeiro, há que se fazer Roma compreender que a cooperação de um povo é muito melhor que sua escravização. Podemos ser aliados do imperador romano e cooperar com ele e certamente esta gente muito tem a oferecer àquela cidade orgulhosa. Mas entre o que lhe pode dar não se incluirão soldados para suas coortes nem mulheres para seus lupanares nem armas para a matança assassina em nome de ideais fúteis.

O Símbolo Máximo do Império Romano - César Augusto.

O Símbolo Máximo do Império Romano – César Augusto.

Mas antes que cheguemos a enfrentar pela diplomacia o Império Romano, temos de, primeiro, reacender a fé deste povo que se vem perdendo e se voltando para feitiçarias mesquinhas e crendices abjetas. Nesta nação pululam milagreiros, feiticeiros e profetas curadores como se brotassem do chão. Isto é, no mínimo, imoral. Pior que isto, o povo vem sendo afogado num ódio desmesurado contra todo o mundo, como se todas as nações lhe fossem inimigas por princípio. O Criador, meus irmãos, não fez a Terra para um só povo. Ele a entregou a vários povos e lhes ordenou que crescessem em quantidade, em conhecimento, em sabedoria e em fraternidade. Não outorgou a nenhum a soberania sobre os demais e enquanto o homem não chegar a esta compreensão, sofrerá. Só depende do homem a cessação de suas dores. Mas pelo que tenho visto, tal compreensão levará milênios e milênios para se fazer presente nas mentes embrutecidas dos que se perderam da Vida.

Hoje, quero que saibais, vós que sois meus parentes carnais, quem sou e porque estou aqui. Mas do que vierdes a ter conhecimento, nada, absolutamente nada, poderá ser passado adiante. Aconteça o que acontecer, o que vos vou revelar e ensinar não pode ser discutido com mentes não preparadas para isto. Estamos entendidos?

Houve um pesado silêncio e todos se entreolharam. Estavam sem fôlego com a fala de Yehoshua. Esperavam tudo, menos ouvir o que ele lhes tinha dito. Em poucas palavras ele atacara todo o sistema religioso e político da nação judaica e lhes oferecia, em troca do que vigia, um Governo inimaginável. Estaria delirando?

— E então? — Insistiu ele. Seu olhar passeou de uma a outra face e todos lhe viram uma determinação férrea. Sem poder controlar-se, cada um acenou afirmativamente com a cabeça.

— Muito bem. Minha história, para vocês, começa aqui, com uma revelação cujo desenrolar acontecerá em um país muito distante destas terras. A Índia.

Os marajás não existem mais, mas foram os mais ricos homens do planeta, no passado.

Os marajás não existem mais, mas foram os mais ricos homens do planeta, no passado.

— Quando eu contava cinco anos de idade, José de Arimatéia precisou de ajuda para um de seus carros cuja roda havia-se quebrado. Meu pai a consertou e enquanto trabalhava nela, eu brincava com outros meninos ali próximos. Então, vi uma figura etérea surgir do nada e fiquei de pé, espantado. Ela me impôs silêncio levando um dedo aos lábios e, com a outra mão, indicando a pessoa de Arimatéia. Eu olhei para o homem que ele me indicava e este também me olhava, mas de um modo estranho. Tinha os olhos arregalados e parecia estar vendo algo anormal, como eu também via.

— Eu não vi a entidade a que te referes — cortou Arimatéia. — Mas vi sobre tua cabeça uma belíssima estrela luminosa, um foco de luz diáfana, de onde sobre ti descia linda luz dourada que te envolvia da cabeça aos pés. Naquele momento eu soube que tu eras diferente e privilegiado diante do Deus Altíssimo, bendito seja seu nome. Então, pedi que teu pai me deixasse levar-te comigo e lhe expliquei a razão de meu pedido dizendo-lhe que tinha visto um sinal especial em ti. Não expliquei que sinal era aquele a que me referia. Considerando minha condição de alto dignitário do Templo, teu pai acedeu ao meu pedido, em que pese tua querida mãe lutar com unhas e dentes para que tu não fosses afastado da família. Mas eu te levei comigo e a deixei aos prantos, ainda que sabendo que nada de mal te aconteceria enquanto estivesses comigo.

Eu conhecia, de há muito tempo, um príncipe indiano de nome Ravanna de Orissa, com o qual sempre fiz negócios e transações comerciais. Ele, como todo nobre de sua terra, era da casta dos Brâmanes. Ravanna, em uma das vezes em que nos encontramos, disse-me com firme convicção:

O Buddha

O Buda, o senhor do mundo.

— José, entre teu povo nasceu um menino especial. Ele é filho direto de Buda, o mais alto representante de Brhâma entre os humanos. Desde os mais longínquos tempos este filho de Buda é conhecido entre nós pelo nome de Issa. Issa, muitas e muitas vezes, encarnou como nosso Buda e nos legou grandes ensinamentos. Agora, não sei por qual razão, Ele se determinou a nascer fora do nosso país e escolheu teu povo para recebê-lo. Sei que se trata de uma nação extremamente religiosa e cujo povo respeita profundamente os mandamentos do verdadeiro Deus. Mas também sei que a religião, entre teu povo, está conspurcada e vilipendiada como jamais esteve. Talvez seja esta a razão pela qual Issa desejou ir até vós. No entanto, ele não terá sua consciência divina despertada se não vier estudar conosco, com seu pai, o Buda encarnado, que vive no mosteiro de Potala. Teu povo está passando por um período negro, quando o ódio é o guia de seus corações. Isto cria uma nuvem emocional pesada e má sobre toda a nação e esta nuvem impedirá o despertar da consciência superior de Issa. Se tal fato não ocorrer, ele poderá se perder mergulhado no ódio que vos guia e enveredará pelo caminho que o conduzirá à mais cruel e sanguinária disputa pelo Poder Venal e isto será um desastre para todos nós, mas com mais razão para teu povo que poderá ser exterminado da face da Terra. Seus templos seriam destruídos e o povo escorraçado das terras em que vivem e espalhado para sempre por entre outros povos de costumes vis e pecaminosos. Então, é premente que o tragas para cá.

Ainda sob o grande choque da revelação que me fizera o príncipe, convidei-o a visitar nossa terra e ver, ele mesmo, se encontrava o menino, mas ele sorriu e me disse que não precisava vir até aqui. Eu mesmo o encontraria quando chegasse o momento, pois esta era a vontade de Buda.

E foi o que aconteceu naquele dia. E assim foi que levei Issa, o nosso Yehoshua, para a Índia, país ao qual ele, agora, contra minha vontade, deseja levar-vos para que conheçais a vida que teve e como viveu quando por lá esteve aprendendo os ensinamentos secretos da Sabedoria Védica.

— Por hoje — cortou Yehoshua, observando o choque e a estupefação em todos ao seu redor, inclusive em sua mãe —, é só. Vamos recolher-nos e procurar adormecer, pois amanhã sairemos cedo e a viagem será longa, muito longa. Passaremos mais de mês viajando ora no deserto, ora entre montanhas geladas. As roupas de que vamos necessitar, meu querido padrinho já providenciou e já se encontra dentro dos respectivos sacos de viagem de cada um. Descansai, pois.

Voltando-se para sua esposa, que o olhava com olhos brilhantes de entusiasmo e orgulho, tomou-a pela mão e disse “vem!”. Levou-a ao poço onde as mulheres costumavam se banhar e ali, contra todo o costume, despiu-a e se despiu e entrou com ela na água. Levava o rústico sabão com que os judeus se lavavam. Era noite e não havia nenhuma mulher no poço nem por perto. Yehoshua, então, postou-se atrás de Míria e começou a lhe esfregar as costas vigorosamente com o sabão. Depois, abraçando-a, passou a lhe massagear com o pedaço de sabão toda a frente do corpo, o que fez que Míriam se deliciasse. Seus mamilos, já entumescidos pelo frio, se acenderam quando as mãos de seu esposo os esfregaram. Ela gemeu baixinho e se deixou esfregar languidamente. Estava excitada e já se imaginava tendo orgasmos múltiplos e deliciosos dentro em pouco. Mas tomou um susto quando seu esposo lhe abriu as pernas e enfiou dois dedos no ânus, passando a lavá-lo vigorosamente. Com uma careta de descontentamento, ela protestou.

— O que diabo estás fazendo, Yehoshua? Por que me lavas o ânus deste modo indecente?

— Porque tu deves aprender que ele também tem de ser limpo, antes que tu vás para o leito com teu marido. Agora, abre mais as pernas e me deixa te limpar.

“Relação anal? Ele vai querer praticar comigo esta coisa condenada pelo Templo?”

Uma grande confusão se formou na mente de Míriam de Magdala. Estava estranhando seu homem. Ele se comportava de modo esquisito. E ela? Deveria concordar com aquele desejo indecente, dele?

— Não imagines nada, minha amada. Apenas confia em mim. Sou teu esposo ou não sou?

— Sim, és. Mas o que desejas fazer comigo?

— Te libertar.

— Libertar? De quê?

— Tu logo verás. Agora, mergulha e tira o sabão. Depois, vem comigo.

O casal se dirigiu ao quartinho que lhe estava reservado pelo dono da casa. Madalena olhou para tudo ali dentro. Limpo, perfumado com incenso e mirra, lençóis de seda e uma cama de lã de carneiro com travesseiros recheados de penas de ganso, tudo estava preparado como para um encontro nupcial.

Yehoshua despiu-se e a despiu devagar. Magdalena estava expectante. Ele sentou-se na cama e a colocou entre as pernas. Então, enlaçou-a por trás e lhe tomou os seios nas mãos.

Ela queria ir para os "finalmentes", mas ele, não.

Ela queria ir para os “finalmentes”, mas ele, não.

— Não imagines nada, minha querida — falou junto ao seu ouvido enquanto seus dedos trabalhavam os mamilos intumescidos de sua esposa.  Apenas sente teu corpo. Ele é o que importa, não eu. Sente tua pele. Sente tua excitação. Goza do imenso prazer que teu corpo te pode dar. Minhas mãos não são minhas, mas teus instrumentos de prazer. Eu não existo para ti, agora. O que existe é teu corpo. Volta, então, tua mente para ele, para tua pele, e percebe o quanto ela é sensível e gostosa. Teu sexo não está entre as coxas, mas por todo o teu corpo. Quero que percebas isto. Não te importes comigo. Eu não existo aqui e agora. Só há um instrumento de teu prazer – eu. Só isto. Então, deixa que este instrumento te mostre os caminhos ocultos pelos quais ele ti guiará até os mais recônditos esconderijos de teu prazer. E estes caminhos estão no teu corpo. Em nenhum lugar mais.

Míriam ouvia seu marido e se perguntava onde ele queria chegar com aquela conversa. Não conseguia concentrar-se na sua pele, pois sentia vivamente a massagem que os dedos de Yehoshua fazia em seus mamilos e se incendiava com intensa excitação em função disto.

— Faz mais… faz assim… — Pediu, arfando de desejo.

— Não fales. Não me peças nada. Apenas procura sentir-te. É imprescindível que me ouças e me obedeças.

— Eu… eu quero… ai…ai…eu quero que tu me penetres… Ui! Faz mais! Faz mais, meu bem! Vem! Entra em mim. Agora! — Disse a mulher tomada de grande excitação e tentando voltar-se para seu homem. Mas este a subjugou com um forte abraço e a obrigou a continuar sentada entre suas pernas, sem poder voltar-se.

— Silêncio! Apenas sente — murmurou ele em seu ouvido.

Ela gemeu e lutou para se libertar e voltar-se para ele, mas não conseguiu. As mãos de Yehoshua, agora, se dividiam. Uma, continuava a massagem dos mamilos. A outra, desceu pelo seu ventre e mergulhou entre os grandes lábios, indo direto massagear o clitóris. Miriam gemeu alto e jogou a cabeça para trás, quase gritando, sufocada de prazer.

— Vem! Entra em mim! Vem logo que eu enlouqueço! — implorou com voz rouca e garganta seca. A tensão era enorme e ela ansiava por explodir num orgasmo explosivo.

Mas ele simplesmente suspendeu tudo o que estava fazendo, cortando bruscamente a excitação que a invadia e incendiava. Ela parou de lutar e abriu os olhos em grande expectativa e sem compreender o que tinha acontecido.

— Relaxa — ouviu-o dizer junto ao seu ouvido. — Tu estás muito apressada. Não é o gozo final que interessa, mas a excitação. Quero que te mantenhas excitada, sem buscar a explosão do orgasmo. Isto acaba com tudo. O orgasmo é como a água lançada sobre o fogo. Então, procura não lutar comigo e, sim, usufruir de mim como teu instrumento de prazer. Deixa que eu explore teu corpo e descubra, para ti e só para ti, os caminhos ocultos que nosso Pai escondeu em teu corpo. Estes caminhos não são para mim nem para homem nenhum. São para a mulher. São para que ela os sinta com toda a pujança de seu sexo. 

— Mas eu quero gozar… — protestou ela em voz sussurrada.

— Eu sei. Mas por que jogar água sobre o fogo do Amor?

— Não me interessa tal fogo, meu homem. Eu te quero dentro de mim e quero que me faças explodir como já me fizeste muitas vezes, antes. Estou em brasa. Entra em mim. Vira-me às avessas. Me toma e me faz sumir num mundo de luzes e escuridão. Eu estou louca por isto. Vem…

— Não. Não vou entrar em ti. Não ainda. Agora, vem. Senta em cima de mim.

Ele se deitou de costas, com o pênis duro apontando para o alto. Com os olhos brilhando de excitação, Míriam tentou chupar aquele membro do marido,mas ele se furtou a isto.

— Não! Quero que tu sentes sobre mim e me engulas, mas pela boca certa.

— Mas eu quero te chupar…

— Não. Ainda não. Senta como te mandei.

Míriam lançou-se sofregamente sobre o marido. Abriu as pernas e com a mão ardendo de desejo orientou seu pênis para a vagina. Quando sentiu que ele estava no local certo, com um grande gemido desceu o corpo até juntar suas nádegas com o púbis dele. Isto fez que o pênis e Yehoshua penetrasse fundo dentro dela. Com uma careta de prazer Míriam deu início a rápidos e fortes movimentos de sobe-e-desce, buscando o orgasmo o mais depressa que podia. Mas Yehoshua segurou-a pelo quadril e a impediu de se mexer. Ela abriu os olhos e o olhou espantada.

— Mas o que diabos estás fazendo?

— Não te movas. Não me olhes. Faz o que te peço. Não te apresses. Movimenta-te devagar, sem pressa. Controla tua excitação. Anda, recomeça como estou dizendo.

— Não! — Rebelou-se ela. — Eu quero gozar agora. Não entendes? Estou pegando fogo. Meu baixo-ventre dói de tesão. Eu quero gozar.

— Obedece-me, Míriam. Vais descobrir o quanto isto é bom.

— Uma ova! Anda, me ajuda a…

— Não.

— O quê? Não?! Que negócio é este de não numa hora destas? — Protestou ela olhando raivosa nos olhos de seu marido.

— Nada de gozo. Tu não vais gozar. Eu não quero que faças isto. 

— Mas o que diabo tu queres de mim?— rugiu ela, furiosa.

— Que feches os olhos e te centres na tua pele, no teu sexo. Mas sem buscar o orgasmo. Relaxa e deixa que o prazer se espalhe por todo o teu corpo. Não o centres no teu baixo-ventre. Deixa que ele se espalhe. Farás isto relaxando comigo dentro de ti.

— E por que queres que eu faça isto, se estou em brasas? — Rugiu a mulher, furiosa.

— Porque desejo que descubras o céu na terra. Quero que encontres o verdadeiro caminho da liberdade espiritual. Este caminho, minha amada, está entre tuas pernas, mas lá é somente a fechadora da porta mágica. Meu pênis é somente a chave que abre essa porta que trazes contigo. Agora, que eu a abri, fecha os olhos e te movimentes devagar, bem devagar, controlando a excitação e jamais permitindo que ela te tome toda. Controla-a e não penses em nada, absolutamente nada. Apenas deixa que o prazer indizível se assenhoreie de teu ser e quando o fogo do desejo estiver quase no ápice, pára de te mexer e mantém a excitação no ápice durante o máximo de tempo que te seja possível. No princípio este tempo será curto e teu corpo não o sentirá como deve. Mas com a prática, teu corpo aprenderá a se deixar abrir e se dissolver no Prazer. Todo ele. Corpo e Alma. Deixa que o prazer se manifeste em toda sua pujança. Isto vai despertar a Kundaline que está adormecida aqui dentro…

— E quem é essa dona? De onde a conheces?   Perguntou Míriam, cuja atenção estivera até aquele momento nos esforços frustrados que fazia para se safar das mãos de Yehoshua. e voltar a se mover como desejava. Ela parou de se debater e se voltou para ele, toda alerta.

— O quê? — Espantou-se Yehoshua olhando com olhos arregalados para a face furiosa de Míriam, que, agora, o mirava com olhar raivoso e cheia de desconfiança.

— Essa dona aí, de nome esquisito. Ela está escondida aqui dentro do quarto? Por que? Se está, vou acabar com ela e vai sobrar pra ti, podes ficar certo!

Yehoshua arregalou os olhos e por um momento hesitou. Então, compreendeu o que sua mulher dizia e estourou numa gostosa gargalhada. Isto enfureceu mais ainda a esposa enciumada que, saltando de cima dele, passeou pelo quarto procurando a espiã que seu desavergonhado marido tinha escondido ali dentro. Ah, quando a encontrasse o diabo ia-se soltar. A talzinha ia apanhar até miar como gata no telhado. E ia sobrar para ele, para seu padrinho desavergonhado e para todo mundo na casa. Até para a mãe dele, se se metesse a besta com ela.

Yehoshua se dobrava de rir e levou uma tremenda bofetada na face aplicada pela furiosa Míriam.

— Anda! Onde escondeste a dona? E por que diabos fizeste isto comigo?

— Ai! Isto doeu, mulher! Espera! — E ele teve de se levantar e segurar os furiosos braços de sua esposa, de cujos olhos chispas de raiva eram lançadas sobre ele.

— Kundaline não é uma mulher, meu amor — disse Yehoshua lutando para controlar a furiosa esposa que, enciumada, tentava atacá-lo a chutes e bofetadas. — Por Deus, pára com isto. Não sou homem de trair a confiança de minha esposa. 

— Então — disse Míriam, parando de se debater e olhando fixo nos olhos do marido. — Explica-me quem diabos é essa tal de kundaline. E trata de ser convincente, senão…

— Vem, senta-te e te acalma. Kundaline…

Míriam ouviu a explicação do marido sem lhe dar muito crédito. Então, quando ele terminou, respirou fundo e disse.

— Tudo bem, tudo bem. Já entendi que essa tal de kundaline é uma energia misteriosa que tu dizes que está no meu rabo e no teu rabo. Mas ela não me interessa. No momento, quero é reacender o fogo que me consumia e que, por tua causa, me deixou com o baixo ventre intumescido e ardendo de desejo. Vem, faz-me gozar. Depois a gente conversa sobre a tal kundaline.

Yehoshua permaneceu quieto, olhando nos olhos de sua esposa. Então, com um suspiro, voltou a se deitar.

— Não — disse ele, determinado. — Não vou te fazer gozar e pronto. Acabou. Vem deitar-te.

— Não! — quase gritou ela. — Me dá aqui teu pênis. Vou colocá-lo rijo de novo e vou sentar em cima dele. E trata de me satisfazer que estou incomodada por teres interrompido o que podia ter sido momentos de prazer intenso. Vem, me deixa masturbar-te.

— Podes tentar, mas não vais conseguir nada. Ele, agora, desarmou-se. E quando ele se desarma não há como fazer mudar de idéia. Vamos dormir que é melhor.

— Conversa fiada, Yehoshua. Vou fazer que ele volte à ação. E é agora!

Mas não deu certo. Ela bem que se esforçou, mas o pênis de seu marido estava totalmente apagado. Pequeno, flácido, ele não reagia a nada que ela fazia. Frustrada e furiosa, Míriam deitou-se e se virou de costas para Yehoshua.

A viagem ia ser longa e cansativa...

A viagem ia ser longa e cansativa…

A noite para ela foi um tormento. Pela manhã alguém bateu na porta e Míriam foi a primeira a saltar da cama. Não pregara olho. Levantou-se e foi direto para o poço das mulheres onde ficou mergulhada por um longo tempo. Depois, veio fazer o desjejum com os demais, mas sentou-se do outro lado do círculo, longe de Yehoshua, que não lhe dirigiu o olhar e comeu com apetite. Quando finalmente as mulheres foram colocados sobre os camelos e os homens montaram seus dromedários, Yehoshua aproximou sua montaria daquela onde estava sua esposa.

— Precisamos conversar — Disse ele, sorrindo.

— Vá à merda! — Gritou Míriam, furiosa. — E se mantenha longe de mim! Não quero conversa, está ouvindo? O que você fez foi um insulto e eu não vou perdoar!

Seriam dias e mais dias sobre a areia escaldante e sob um sol esturricante.

Seriam dias e mais dias sobre a areia escaldante e sob um sol esturricante.

Yehoshua acenou um “sim” com a cabeça e pôs o dromedário a acelerar o passo. Quando se emparelhou com o árabe que dirigia a caravana, este lhe perguntou, em koiné:

— Ela está zangada com você?

— É. Está.

— Sexo?

— Hum-hum.

— Não se preocupe. O deserto é ótimo para amansar os valentes.

Os dois riram e a caravana avançou deserto a dentro…