Preso a poste pelos moradores de Itajaí. O delegado não vai abrir inquérito para saber quem são os responsáveis. E faz muito bem. O peste tem várias passagens por assalto a mão armada.

Preso a poste pelos moradores de Itajaí. O delegado não vai abrir inquérito para saber quem são os responsáveis. E faz muito bem. O peste tem várias passagens por assalto a mão armada.

A gracinha aí ao lado foi castigado pela população de Itajaí, em Santa Catarina. Seu comparsa deu no pé e se bem correu já está chegando à Bahia. Ambos tentaram assaltar uma lanchonete, armados de revólver. Chegaram em motocicleta – o veículo da moda para bandidos. E por falar nisto, aqui em Goiânia meu filho já foi perseguido por dois patifes em motocicletas, por duas vezes, quando, tarde da noite, vinha da casa da namorada. Ele quase arrebenta seu carro disparando sobre buracos (que são muitos, pois a cidade está às moscas) e quebra-molas (coisa antiga…). Ele e eu temos filosofias diferentes. Eu teria usado o carro como arma e teria atropelado a dupla. Mas eu tive treinamento para isto, ele, não. Porém, uma vez que se viu obrigado a quase arrebentar seu carro numa fuga desesperada, onde só quem perdeu foi ele, teria sido melhor ter-se lançado sobre os desgraçados e os atropelado. Teria feito um favor à polícia e à cidade.

Mas voltando ao “gracinha”, o bicho já é tão escolado que diante do Delegado declarou que só falaria com a presença de seu advogado. Olhaí! O marginal tem advogado de porta de cadeia para soltá-lo! Que tal a gente também dar uma surra nos sujeitos (e sujeitas) que se especializam em colaborar com a bandidagem? Seria muito engraçado ver bandido e advogado presos a postes…

Há muito tempo a Le Cocq, da qual fiz parte por um tempo, tinha um dístico: "Bandido bom é bandido morto". A corporação não mais existe, mas o dístico está bem vivo...

Há muito tempo a Le Cocq, da qual fiz parte por um tempo, tinha um dístico: “Bandido bom é bandido morto”. A corporação não mais existe, mas o dístico está bem vivo…

O delegado, já de saco cheio (e certamente em seu íntimo achando muito bom o que se fez — e foi mesmo), recusou-se a abrir inquérito para averiguar e descobrir quem fez a justiça. Ele está certíssimo! Todos os seus colegas, em todo o Brasil, deviam fazer exatamente isto: o povo tem de ter a liberdade de se defender. Chega de “bonzinhos” indo à TV aconselhar ao cidadão que “não reaja a assaltante. Que lhe entregue tudo para não perder a vida”. Mais da metade dos que foram assaltados perderam suas vidas mesmo tendo seguido os conselhos dos “bonzinhos”.

Quando eu vivia no Rio de Janeiro e o Brizola era Governador, a bandidagem nadava de braçada. Eu sempre reagia e isto punha minha ex-esposa em polvorosa. E foi por esta razão que ela me conseguiu fazer exames para entrar para a Le Cocq. Eu não queria, até que um dia fui parado numa blitz “caça níqueis” (que era muito comum, quase uma instituição, nos tempos do Brizola). A polícia armava blitz para achacar o motorista. Eles faziam a gente descer do automóvel, fingiam estar dando uma “batida” no veículo e colocavam lá dentro trouxas de maconha. Então, era aquele cenário teatral. Ameaça de arrastar o cidadão para a delegacia. Descrição dos prejuízos que ele teria com a ação policial e, finalmente, a proposta da propina. Era um terror e tudo isto com o aval do Brizola.

Qual motorista, no Rio de Janeiro, já não se viu submetido a isto? Nos tempos do Brizola Governador, era um horror.

Qual motorista, no Rio de Janeiro, já não se viu submetido a isto? Nos tempos do Brizola Governador, era um horror.

Naquele dia eu vinha da academia de karatê e ainda trajava o kimono. Trazia ao lado, na porta do carro, um nun-chako, pois tinha tido treinamento com a arma. Estava-me dirigindo à nossa Clínica PSI-PHI, na rua Barão do Bom Retiro. Dava carona à minha futura cunhada, médica neurologista, quando fomos parados por uma blitz caça-níqueis, bem na subida para a Barra da Tijuca. O local estava apinhado de PM’s e cães pastores-alemão. Um dos ladrões de farda se aproximou de meu carro e me mandou encostar e descer. Não obedeci. Ele repetiu a ordem: “Saia da fila, encoste o veículo e desça”. Continuei parado, atravancando a fila de automóveis atrás de mim (que era bem grande). Começou o espetáculo. O PM enfiou o cano da metralhadora pela janela do meu automóvel e bateu em minha face esquerda. O sangue subiu e eu agarrei o cano da arma e o empurrei com força para fora, desequilibrando o marginal fardado. Ele veio como o diabo chupando manga pra cima de mim. Eu já me aprontava para empurrar a porta contra o safado, com toda a força, quando minha futura cunhada se agarrou ao meu braço pedindo pelo Amor de Deus que eu não reagisse. A besta-fera humana voltou a enfiar o cano da arma em meu rosto. Nós nos olhávamos com ódio e eu lhe disse: “Atira, safado! Não tenho medo nem de arma nem de morrer. Atira! Mostra ao povo o que tu és de verdade, BANDIDO! COVARDE! TU SÓ ÉS HOMEM COM A ARMA NA MÃO. ATIRA, DESGRAÇADO!!!”

Até hoje eu não gosto que me parem em blitz. Sempre me vem à recordação a truculência dos bandidos de farda do Leonel Brizola...

Até hoje eu não gosto que me parem em blitz. Sempre me vem à recordação a truculência dos bandidos de farda do Leonel Brizola…

A gritaria chamou a atenção dos motoristas que passavam na pista que descia do morro e o trânsito ali engarrafou. Por pura sorte um carro de reportagem da TV Globo estava parado no trânsito que não andava. Aí, eu comecei a gritar: “OLHEM AÍ! O POLICIAL VAI MATAR UM CIDADÃO DE BEM. AMANHÃ VOU APARECER COMO BANDIDO NOS NOTICIÁRIOS, MAS SAIBAM QUE NÃO SOU ISTO. SOU UM PSICÓLOGO A CAMINHO DE MINHA CLÍNICA E EM COMPANHIA DE UMA DOUTORA QUE TRABALHA COMIGO”. O berreiro trouxe rapidinho um tenente para meu automóvel. Ele afastou o policial e perguntou o que acontecia. Eu, aos  berros para que todos ouvissem, gritei: “O que está acontecendo é que esse marginal fardado me agrediu com a metralhadora. Ele só é homem com a arma na mão. Mande que ele solte a arma e me  enfrente a mãos limpas. Quero amassar as fuças do f.d.p. agora, na frente de todos!” Não aconteceu, mas já havia gente descendo dos automóveis e parando sobre a ilha entre as pistas, doidos para assistir o arranca-rabo. O oficial, cauteloso, me pediu por gentileza que eu seguisse em frente. Eu não queria. Agora, que tinha comprado a briga, queria mais era que o diabo saísse da garrafa, mas minha futura cunhada, branca como folha de papel, me pedia que me acalmasse e fosse embora. Em atenção a ela, e com muita hesitação, dei partida no automóvel. A polícia foi vaiada e não demorou para também se ir dali.

Esta caveirinha era o terror para os bandidos do Rio de Janeiro, na época em que a Le Cocq não tinha sido tomada pelos criminosos.

Esta caveirinha era o terror para os bandidos do Rio de Janeiro, na época em que a Le Cocq não tinha sido tomada pelos criminosos.

Bom, este incidente me fez aceitar a proposta de entrar para a Le Cocq. Foi bom. Meus irmãos me tiraram de cinco outras situações semelhantes em outras ocasiões. Eu só tinha de ligar para o chefe da irmandade e logo os bandidos fardados batiam em retirada.

A Le Cocq era famosa porque não prendia bandido. Matava-os pura e simplesmente. Sabia onde eles se entocavam e os policiais tinham a coragem de subir os morros do Rio de Janeiro e ir pegar os chefões à unha. Pegou, era morte certa. A bandidagem tinha pavor dos “lecoqueanos”. E o dístico “Bandido bom é bandido morto” estava em nossos carros. Por isto, por duas vezes fui atacado a bala quando, distraído, parei diante do Morro da Mangueira (para trocar um pneu furado) e em frente ao Morro do Salgueiro (para pedir informações sobre um endereço).

Confesso que fiquei triste quando li que a Scuderie havia sido invadida por policiais criminosos e se tinha tornado um antro do crime. Foi devido a isto que ela foi desfeita. Mas antes de se acabar, a Le Cocq controlou com mão de ferro a bandidagem que o Leonel Brizola havia soltado e DEFENDIA no Rio de Janeiro.

Tomei conhecimento da maldade inimaginável dos criminosos com os cidadãos de bem. Era coisa de arrepiar os pelos de um santo. E olha que naqueles tempos o crime organizado era “fichinha” diante do que vige hoje, em todo o Brasil. Desde o Legislativo até os pés-de-chinelos que, agora, estão sendo justiçados pela população. O Brasil jamais se livrará do Crime se não se livrar dos Colarinhos Brancos.