Tentou levar uma moto e levou foi uma taca.

Tentou levar uma moto e levou foi uma taca.

Vejo, no noticiário local, que os goianienses estão apelando pro olho por olho. Bandido apanhado com a mão na botija leva aquela taca. O pau come pra valer e se não tiver um “cristão” de “bom coração” o danado vai pras profundas. E não tem essa de menor idade, não. É assaltante? Então, sabe o que faz e tome porrada. E ouço, também, as “meloseiras” da velharia que, aposentada e não tendo nada que fazer, vai trabalhar nos “Direitos dos Manos” e deita falação idiota em defesa dos “santos”. Ao meu lado o velho Orozimbo também assiste tudo atentamente e calado.  Quando a GLOBO envereda para a malhação do judas predileto da atualidade, os Militares do passado, ele se volta para mim, pede licença e se retira para acender seu pito e pitar. Orozimbo se recusa a ouvir as babozeiras que os apavorados membros dos partidos políticos atuais empurram pela TV nos ouvidos das pessoas, visando, claro, os mais jovens e inexperientes. Os velhos, como nós dois, estamos escolados e vacinados contra essa falação idiota.

Sei que são empregados e têm de fazer o que o patrão manda, mas...

Sei que são empregados e têm de fazer o que o patrão manda, mas…

Eu também me retiro da sala e dou um mudo na TV com um certo prazer satânico, imaginando que acabo de selar a boca da repórter escandalosa em palavras e expressão facial. Aliás, em “caras e bocas” ninguém bate a TV Globo.

Sento-me ao lado de meu amigo que olha o céu carregado, onde uma chuva pesada ameaça cair. Ainda assim, o tempo está quente.

Orozimbo é o primeiro a quebrar o silêncio.

— O qui vancê acha das surra qui tão dando nos ladrão, aqui em Goiânia?

— Acho ótimo. Eles não apanharam dos pais, quando eram pequenos, cresceram sem eira nem beira e sem freios nem limites. Pensam que são os donos do mundo e fazem o que lhes dá na telha. Então, que aprendam nas ruas como pode ser muito dura a vida de marginal.

Tentou levar um táxi e levou aquela sova. Bem feito!

Tentou levar um táxi e levou aquela sova. Bem feito!

— Véi tombém pensa ansim, num sabe? Mas num intende aquelas véias feias ficá falando besteira, censurando os qui se defende dos pestes desembestados. Num é normá, home, as pessoa dereita se trancá atrás de grades enquanto os bandido tem a rua toda só pra eles fazê o qui quiser, inté assassiná pai de famia. Isto num tá dereito. Cuma é qui pode o pessoá da TV se colocá defendendo os bandido?

— É complicado, meu velho. Mas vou tentar lhe dar a pista. Quem são os que dominam o Poder no Brasil?

— Os pulitico, ora.

— E há político honesto? Há algum que realmente lute por bons propósitos voltados para o bem-estar do povo?

— Aí, véio num sabe. Se há, véio inda num viu ninhum nestes bem vivido cento e trinta ano de vida.

Professores são agredidos por futuros bandidos porque o ECA inibe os pais de educar seus filhos com severidade. E aí, polititicas, isto é justo?

Professores são agredidos por futuros bandidos porque o ECA inibe os pais de educar seus filhos com severidade. E aí, polititicas, isto é justo?

— Político é bandido. Seja ele de onde for, entrou na polititica vira bandido. Mesmo que jure que não mete a mão no melado, é bandido. E é bandido porque se torna conivente com os ladrões confessos e depravados que mandam e desmandam na gente. Preferem isso a abandonar as regalias que os bandidos aprovam para si e servem como cala-a-boca para os dissidentes. 

— Ora, home, se lá em cima só tem bandido e silencioso, pra onde a gente vai se virá?

— Pras ruas. Para a união de todos contra os poucos que pensam que mandam. 

— Mas eles mandam.

— Só porque nós temos a mania desgraçada de ficar enxugando gelo. Se as ONG’s voltadas para os tais DIREITOS HUMANOS se reunissem e levassem o povo a ter consciência de que tudo só vai mudar se o Poder for realmente varrido da sujeira, da imundície que grassa por lá, em vez de ficar falando tolices na TV, então, sim, nós atacaríamos o mal pela raiz. 

— E pra vancê o már tá nos pulititicas, né?

Esse aí está na maior saia justa. Nunca fez nada que preste por São Paulo, como os outros e, agora, os paulistas estão à beira da sede desesperante.

Esse aí está na maior saia justa. Nunca fez nada que preste por São Paulo, como os outros e, agora, os paulistas estão à beira da sede desesperante.

— Totalmente. Toda a desgraceira que vige no nosso Brasil de agora só tem um responsável absoluto: O POLÍTICO. Mas nosso povo está longe ainda de compreender isto. E até que finalmente tome consciência desta verdade, eles vão continuar a empurrar nossos dilemas angustiantes com a barriga. Pensam que vivem fora da Terra, os idiotas. Podem fugir do Brasil e tentar viver à grande com o dinheiro público roubado de nossos cofres, mas a Natureza está alerta e já começa irreversivelmente seu processo de punição. E Ela é cruel. Vai começar pela sede. Sede no mundo todo. É quando os fujões vão ver com quantos paus se faz uma cangalha.

Posso até estar sendo sádico, mas estou gostando muito de ver o Alckmin em saia justa por causa da seca em São Paulo. Durante anos eles, os Governadores Paulistas, empurraram o Estado com a barriga. Tomaram carradas de empréstimos aos bancos estrangeiros com a alegação de que era para despoluir o rio Tietê. Mas o pobre rio continua sujíssimo. Para onde foi todo aquele dinheiro?

 Ninguém pergunta. Ninguém questiona. O rio Tietê, se tivesse sido criteriosa e conscienciosamente limpo, hoje estaria ajudando os paulistas a se safarem do apuro com a falta d’água. E é assim em todo o Brasil. Os políticos, sob a alegação de despoluir rios importantes, tomaram empréstimos bancários, desviaram o dinheiro e ficou por isto mesmo. No entanto, nem assim o povo se volta contra eles. De cabeças como a de Alckmin o que pode sair que preste? Nem piolho!

Orozimbo deu aquela cusparada e disse, com um suspiro.

— Qui Brasil meu netim vai herdar, cruz credo! E o pió é qui véi num pode fazê nada.

— Uma andorinha só não faz verão, meu velho. Mas somos duzentos milhões de andorinhas. A questão é: quando elas levantarão o vôo e escurecerão o céu de brigadeiro dos polititicas?

Ninguém sabe.