"Cutuca por baixo, qui dói. Eu sei disto."

“Cutuca por baixo, que dói. Eu sei disto.”

Em vermelho porque vou falar de PTzão e Polititica. Como sempre, né mesmo? Orozimbo ouviu o Jornal da Globo, hoje de manhã e, aproveitando que a chuva deu uma trégua, veio-me atanazar. O peste do velho é um fino gozador. Sabe que eu ando arreliado com os polititicas que pululam como pulga em lombo de cachorro, sendo que o cachorro gordo onde se multiplicam se chama Brasil. Chegou como quem não quer nada, querendo, se abancou, pediu o café amargo, acendeu seu pito e permaneceu calado, esperando que eu terminasse o artigo anterior. Então, quando eu acabei e me espreguicei, ele se voltou para mim e perguntou:

— Home, é verdade qui vancê defende a Marina Sirva, aquela cum cara de empregada doméstica labrochêra, e o nordestino Eduardo Campos, aquele qui se ri cum riso de cobra qui vai dá o bote, pra sentá na Cadeira Quente?

O velho gosta muito do mucunzá que eu faço e vem pontualmente comê-lo a colheradas.

O velho gosta muito do mucunzá que eu faço e vem pontualmente comê-lo a colheradas.

Olhei pro velho com olhar assassino. Ele estava procurando briga comigo.

— Quem foi o infeliz que falou isso aí? — Perguntei.

— Véi uviu pur aí — disse ele e sua voz tinha um quê de gozação que me irritou mais ainda. Mas parei, respirei fundo, e respondi com a cabeça mais fria.

— Ouviu, é? Pois bem, entre o lodaçal que aí está e o que se oferece para substituí-lo que seja o último. Ao menos a gente ainda não conhece quais são as novas estrepolias que os POLITITICAS vão criar no cenário nacional. É claro que o PTzão e os petralhas não vão sair assim, sem deixar uma marca indelével em nossa História Oculta. Uma marca que vai levar muito tempo para ser realmente varrida das casas dos Três Poderes.

Orozimbo franziu a testa e me olhou de esguelha. Estava desconfiado de que eu devia sofrer de alguma coisa. Escolher algum partido como alternativa ao PTzão e justamente um SOCIALISTA? Tinha de estar doente.

— Véi uviu dizê qui o tar de Eduardo Campos foi munto bom Guvernadô lá no Nordeste, num sabe? Vancê num uviu a merma coisa, não?

"É isso aí! O Eduardo não presta não. O bom somos Rosinha e eu! Perguntem aos cariocas. Eles sabem!"

“É isso aí! O Eduardo não presta não. O bom somos Rosinha e eu! Perguntem aos cariocas. Eles sabem!”

— É. Dizem que ele é muito querido lá em Pernambuco. Mas veja, Orozimbo, eu não confio em polititica nem em político. O primeiro, só pensa em levar vantagem em tudo e o Brasil que se lasque. O segundo não tem coragem de enfrentar o primeiro pra valer. Mantém-se na “mis-en-scéne”, pois sabe que a Roda da Fortuna gira e se agora o PTzão está por cima, não demora e ficará por baixo. Então, ele pratica o desgraçado “jogo de cintura político”.

—Véi num intendeu foi nada, num sabe? Às veiz vancê fala pras nuve e deixa o véi boiando cuma palito em água de rio. Mas mermo ansim, véi vai dizê: as pessoa fala qui o tar de Eduardo vai se daná devido à parcera dele, a tar Marina. A muié, uvi dizê, é evangélica e num se trata mió pruqui sua religião num deixa. Cuma é qui arguém bitolado ansim pode querê dirigi um país? Orozimbo num intende mermo.

— É verdade, ela é protestante. Religião, meu velho, não devia se misturar com Política. A primeira, olha para o alto buscando um Deus que não existe; a segundo, olha pra frente e só enxerga até onde há dindim em que possa meter a mão. Desse jeito, vamos mal, mesmo.

Orzimbo balançou a cabeça com o cenho franzido.

— Sabe, home, vancê tem o dom de desancar os otro. Véi inté qui tava cum tiquim de sprança na dupla, num sabe? De tanto uvi vancê desancá esse tar de PTzão, véi passô a tê coceira só de uvi falá de gente qui faiz perte da corja. Mas agora, adispois de uvi vancê descê no cacete na dupla, ficô, cuma se diz, é… Véi ficô descoroçado, num sabe? Pra vancê o país num tem sarvação, não?

"Viu só! Coisa do PMDB. Nós só estamos passando adiante o que eles fizeram. Afinal, tivemos de engolir um vice deles!"

“Viu só! Coisa do PMDB. Nós só estamos passando adiante o que eles fizeram. Afinal, tivemos de engolir um vice deles!”

— Olha, meu velho, olhando seriamente para o horizonte Político e polititica que nos cerca, sim, o Brasil não tem salvação. Se os Zé Nings não se armarem de coragem e determinação para ir à luta pra valer, vamos continuar descendo a ladeira. Político e Polititica não farão nada para consertar o que está mais do que errado. Eles estão viciados na maquiagem dos dilemas cruciais em que a desídia de ambos lançou o país. Agora, na lama podre do fundo do poço, nosso país vai apodrecendo rapidamente. E é isto mesmo que os vermes estrangeiros querem. Veja, por exemplo, as concessionárias de telefonia. A OI, a CLARO  VIVO e a TIM não dão a mínima para o órgão de fachada, criado por FHC, que o diabo o leve, chamado ANATEL. Cada vez mais nós regredimos ao estágio em que estávamos antes dos militares tomarem o Poder. E a situação está bem pior: nós temos de pagar sem chiar por um serviço que não presta e que, muitas vezes, nem mesmo é vendido como foi oferecido. E o des-Governo dos Petralhas parece “não enxergar” o que nos acontece. Claro, eles embolsam milhões de propina para manterem a tal ANATEL quieta. A gente compra celulares sofisticadíssimos, que, devido ao mal serviço com que somos brindados pelas concessionárias, cujas diretorias são totalmente fantasmas aqui entre nós, não funcionam como deviam funcionar. Servem apenas para que os idiotizados e robotizados pelo FACEBOOK, se mantenham estupidamente e neuroticamente ligados 24 horas por dia teclando besteirol na internet. Os orelhões desapareceram. No entanto, muitos funcionavam, em que pese a destruição maldosa que os criminosos faziam neles para evitar que os cidadãos verdadeiros pedissem socorro às polícias. 

— E os tar de celulá num funciona, não?

— Como deviam, não. O serviço é precário e totalmente abaixo do mínimo necessário para atender às necessidades dos cidadãos brasileiros. Mas assim como a da água e a da luz, as faturas deles também chegam pontualmente na casa do brasileiro, que mesmo tendo um serviço imoralmente aquém do mínimo que deviam receber, não tem alternativa senão pagar e não reclamar, pois não adianta. Se o Zé Ning brasileiro ganhasse bem e pudesse propinar as concessionárias, então, sim, os propinadores receberiam uma atenção especial. Mas não é este o caso. Assim, vamos sendo sugados vampirescamente por desgraçados daqui de dentro e de lá de fora.

— Entonce, home, vancê é partidaro dos qui sai pra rua pra fazê quebra-quebra?

— Nem de longe, Orozimbo. Sou contra. Totalmente contra. Isso é banditismo do mais chulé que existe. Sou defensor de um movimento nacional que exija uma Constituinte onde a NAÇÃO como POVO e não através de representantes POLITITICAS possa ditar o que deseja que nela conste. E possa exigir que se retirem todos os artigos que dão privilégios imorais a Políticos e Polititicas. Eles devem ser reduzidos às condições de cidadãos comuns, com obrigações definidas que não são dominar MINISTÉRIOS para sangrar os cofres públicos para seus partidos. Aliás, eu já disse isto aqui. E disse até bem mais.

— É, véi uviu o Felício lê seus iscrito. Ele e a Vera tombém pensam cuma vancê. Mas véi aquerdita qui num vai sê fáci se chegar a isto, num sabe?

— Eu tive uma sogra, que Deus a tenha, ela era gaúcha, que me dizia, rindo: “Com cuspe e jeito vai-se ao cu do sujeito”. Segundo ela, que era gaúcha, este era um ditado lá dos pampas. Pois bem, que os Zé Nings façam uso de cuspe e jeito. E depressa, pois nosso barco está fazendo água depressa.

—Véi se alembra daquela véia. Foi sua premera sogra, num foi?

— Oficialmente, sim. Eu gostava dela… Enfim, como se diz, a fila anda, não é?

—Tu inda tem sogras vivas?

— Sei de uma quase-sogra que vive ainda, em Niterói. Das outras, até onde sei, principalmente as “oficiais”, sei que já estão lá em cima e rezo para que estejam muito bem, a salvo desta porcaria cá de baixo. Todas foram sempre muito minhas amigas. Algumas, até bem mais que suas filhas.

— É… Vancê conquistou todas as suas quase-sogras e ex-sogras. Vancê foi um mulequi isperto, mermo.

E ele se levantou rindo. Me deu uns tapinhas nas costas e se foi todo sorridente.

A chuva voltou a cair fininha…