Ela não reagiu a tempo...
Muitos perdem a vida buscando prazeres ilusórios que só levam ao arrependimento.

Fiquei olhando para o jovem que me fez a pergunta. Difícil encontra gente com sua idade, 17 anos, interessada em assuntos como esse de onde me trazia a pergunta. Não me contive e lhe perguntei de onde ele tinha tirado aquele termo. “De seu blog” foi a resposta desconcertante. Fiquei novamente a olhar para ele, espantado. Explicou: “É que um leitor seu fez esta pergunta, em 2013, e o senhor não lhe respondeu. Eu vi a pergunta e fiquei curioso. Então, fui ver pelo Google o que ela significa. Me pareceu fácil demais, então, por que seu leitor fez a pergunta? Curioso, resolvi lhe perguntar para saber se sua resposta confirma o que li em sites na Internet”.

Esperto. Muito esperto. Ri e o convidei a se sentar ao meu lado. Estávamos na trilha construída na ilha entre as pistas de rolamento dos automóveis e ônibus. Sob uma árvore nativa muito frondosa um banco de jardim fôra colocado pela Prefeitura e o lugar, antes deserto e seco, agora era agradável e convidativo.

 

Muitos valorizam demais o físico e vivem por ele e para ele.

Muitos valorizam demais o físico e vivem por ele e para ele.

— Eu não o conheço. Como sabe que escrevo um blog na internet? — Perguntei, curioso.

— Sou amigo de um colega de sua filha, Suzana. Ele me mostrou seu blog. Li e dei boas gargalhadas. O senhor escreve de modo engraçado e prende a atenção da gente. Eu não suporto ler artigos logos e maçantes, mas os seus prendem a atenção da gente desde o começo. E o que mais me diverte são as fotos de políticos que o senhor escolhe para ilustrar seus artigos. Tem fotos que parecem ter sido batidas exatamente para serem colocadas ali, naquele artigo. Só de ler e olhar a foto a gente cai na gargalhada. Tem um tal de Orozimbo que é divertido. E eu fui lendo muitos artigos e me peguei começando a gostar do que lia. Aprendi muita coisa boa lá. Até meus pais, que não gostam de ler, depois que me ouviram ler um de seus artigos hilários, passaram a bisbilhotar o blog, também. Um dia o senhor estava andando pela feirinha daqui e meu amigo lhe apontou o dedo me mostrando quem era o dono do blog. Então, quando eu vi o senhor aqui, hoje, decidi lhe fazer a pergunta.

— Bom, obrigado pelo seu elogio. Acho que é a primeira vez que dou de cara com um leitor desconhecido de meu blog. Vamos à sua pergunta, mas, antes, quero dizer que não li a pergunta a que fez referência. Às vezes eu me esqueço de ir aos locais onde os leitores mais colocam seus comentários, pois sempre espero que o façam no próprio artigo pelo qual se interessaram. Só há dois dias é que descobri onde eles estão indo para comentar.

— Kama Loca é uma expressão budista para designar um local específico para onde se afirma que vão os que morrem no corpo físico. Não se situa num lugar dentro deste espaço tridimensional em que vivemos, pois aqui é o mundo denso. No entanto, o Kama Loca abarca três dimensões espaciais sutis, onde a matéria é infinitamente mais sutil e leve do que o gás nitrogênio. Estes locais espaciais a que me refiro são conhecidos como Sub-plano Etérico, Sub-plano Super-etérico e Sub-plano Astral inferior.

Muitos se esquecem do mundo fascinados com pesquisar, descobrir e aprender.

Muitos se esquecem do mundo fascinados com pesquisar, descobrir e aprender.

Nós não temos somente a matéria química que constitui nosso organismo fisiológico. Temos um corpo sutil, que é a cópia perfeita deste organismo denso. Este corpo, conhecido por Duplo Etérico, é formado por um único fio brilhante que permeia todas células e organelas celulares que nos constituem. Na verdade, organelas intracelulares e células fisiológicas só se mantêm juntas e funcionando em perfeita harmonia porque estão aprisionadas ao fio único que dá a forma que o corpo fisiológico possui. Se não estivessem presas ao fio leitoso-prateado chamado de NÁDI, o organismo se desfaria em líquido e seus componentes químicos retornariam à Terra, de onde provieram.

— E não é isto o que acontece com o defunto? Ele apodrece e se desfaz, ficando, com o correr do tempo, apenas os ossos — cortou o rapaz totalmente envolvido pelo que eu lhe falava.

— Sim, é isto que sucede ao organismo quando ocorre a morte. Mas vamos devagar. Vou chegar lá. 

— Desculpe. É que estou excitado com sua explicação.

— Tudo bem. É natural. Mas continuando, o Duplo etérico é responsável pelo sentido da sensação em nosso organismo. Ele é quem verdadeiramente produz a eletricidade fisiológica, que é a base da sensorialidade de nosso corpo. Desde a percepção do toque mais leve ou do perfume mais sutil, até o toque excitante do ato sexual, tudo só é possível devido ao Duplo Etérico. Mas nosso corpo…

— Que o senhor chama de Elemental Físico — cortou ele, rindo.

— Exatamente. Nosso corpo não necessita somente da energia elétrica para poder viver sua vida instintiva. Ele também precisa de ver e ouvir e estes dois sentidos são função direta do magnetismo gerado no Nádi, quando é percorrido pelas energias solares conhecidas como CHI, pelos chineses, QI, pelos japoneses, PRANA, pelos indianos e teosofistas. Além do PRANA, também percorre o fio nádico as energias FÔHAT e KUNDALINE. O processo é similar àquele que acontece em um fio de cobre percorrido pela eletricidade. Esta, atua sobre os átomos do metal, pondo-os em movimento. Na medida em que eles se movimentam, formam ao redor do fio e perpendicularmente a ele, o que se conhece como eletromagnetismo.

— Já estudei isto no segundo grau e, agora, no curso vestibular — disse o rapaz.

— Então, você compreende do que estou falando.

—Perfeitamente.

— Pois bem, o PRANA é a energia que, emanada diretamente do Sol, traz a força que alimenta e mantém a misteriosa VIDA em tudo o que há vivo sobre a Terra. Ela gira ao redor do fio nádico, espiraladamente, mas em matéria super-etérica, logo, além da matéria etérica. É como se se tratasse de um fio de nitrogênio se enovelando ao redor de um fio de cobre. Pode-se enxergar o cobre, mas não o gás que se enovela ao seu redor.

— Eu entendo. Continue.

Alguns, raríssimos, abdicam do mundo para viver pela MENTE superior.

Alguns, raríssimos, abdicam do mundo para viver pela MENTE superior.

— O Prana cria o que é conhecido em budismo e Teosofia por Magnetismo Animal Humano. Este Magnetismo Animal Humano é muito sensível ao que pensamos, ao que comemos, ao que sentimos emocionalmente. É ele, portanto, o elemento principal para a manifestação da reação emocional no ser humano. O Prana não traz a Emoção em si, mas é extremamente sensível a ela. E atua principalmente sobre nosso sistema glandular, daí a razão de os hormônios terem muita afinidade com a Emoção. 

— É o prana que nos dá a capacidade de nos emocionarmos com o que vemos, ouvimos ou assistimos. O Prana é a Energia da Vida manifestada na Forma Física. É por isto que muitos afirmam que o Prana é a Energia da Vida. Mas não é somente esta energia que é energia da vida. A eletricidade também é indispensável, pois é ela que nos permite a sensação.

Enovelando-se sobre o novelo do prana e feito de matéria Astral inferior, temos a Kundaline. Como a Matéria Astral é infinitamente mais sutil que a super-etérica e a etérica, ela não é percebida nos planos em que estas duas existem. A Kundaline é uma energia que nos chega pelos pontos centrais de nossos pés, denominados Pontos Infernais, sendo que inferno quer dizer inferior. A Kundaline vai-se acumular num receptáculo astral, envolto em matérias do super-etérico e etérico, formando como uma bolsa um palmo abaixo do final de nossa coluna vertebral, onde, outrora, tínhamos uma cauda. A Kundaline infunde a energia que estimula ao movimento, à ação, na matéria. Ela impulsiona o organismo a agir sem parar e é responsável por seu equilíbrio físico-químico-emocional. É fundamental para a ativação de nossos sete Chakras Sagrados…

— O que são chakras e por que são sagrados? — Perguntou o rapaz, todo atento.

— Temos, distribuídos ao longo do centro de nosso corpo, à frente e abaixo dele, pequenos discos luminosos feitos de sete tipos de Matéria Cósmica. Estes vórtices de luz são de grande importância na regulação e na distribuição das energias que nos percorrem o corpo. Sem os chakras nós não funcionaríamos de modo saudável. Os sete chakras sagrados são assim chamados porque têm seus pedúnculos entre as vértebras de nossa coluna vertebral. Não na parte física, mas na contra-parte etérica da coluna vertebral. Toda a nossa vida depende da regulação energética exercida pelos chakras. E toda a nossa evolução e ascensão espiritual depende do despertar dos chakras, a começar pelo básico, cuja boca se abre no períneo e se volta para a Terra. Neste momento evolutivo da humanidade, a quase totalidade das pessoas estão com seus chakras inferiores ativados e último deles é o chakra umbilical. Este chakra é o responsável pelas emoções ditas “densas”, de raiva, de ciúme, de destrutividade, de culpa, de medo…

— Entendi. Obrigado. Já li alguma coisa em seu blog, mas vou voltar a reler. Continue, por favor.

— Voltando à nossa organização complexa, temos a quarta e tremendamente importante energia que se enovela acima das demais em torno do Nadi. Trata-se da Energia Fôhat. Esta energia é tida como a emanação mesma da Mente Criadora do Incognoscível, a que os leigos chamam Deus. Não vou discorrer sobre ela porque levaria o dia inteiro. Basta que lhe diga, agora, que ela é responsável pelo desenvolvimento do que denominamos inteligência e do que conhecemos como Mente.

— Agora, vou falar do que se chama de morte. Este fenômeno acontece quando o Duplo Etérico se desprende do seu molde denso, o organismo físico. Quando chega o momento do desencarne, o Duplo Etérico é desligado de todas as organelas e de todas as células do nosso organismo fisiológico. Sem as energias do Duplo Etérico a matéria física se torna inerme, morta. Toda a Consciência que adquirimos durante o processo de vida encarnada vai com o Duplo Etérico. Consciência sensorial, Consciência emocional e Consciência psíquica. Este conjunto de Consciências é que constitui aquilo que chamamos de Espírito.

— O Espírito desencarnado fica, momentaneamente desorientado, principalmente se acreditava que a vida terminava com a morte. Então, assim desorientado e perdido, ele é atraído ou levado para o Kama-Loka, ou seja, para o estágio intermediário entre a vida terrena e a Vida após a Morte. 

— O Kama-Loka está em três Planos de Matéria, como eu já disse. Há uma parte do Kama-Loka que se estrutura no Mundo Etérico, logo, ainda que próximo do mundo denso, não é percebido por ele. Aqui, neste “Mundo”, as condições de vida são bastante desconfortáveis, pois ele se constitui de todos os miasmas emanados dos corpos empregados no vício, na degradação moral e física e na agrura da violência. Então, se o Espírito passa sob o domínio da Energia Elétrica, a mais densa de todas, ele vai direto para o Kama-Loka Etérico. Ali vai encontrar um ambiente escuro, fedorento, onde os habitantes são agressivos, violentos, desesperados e de modo algum amorosos. São ex-combatentes sanguinários; são viciados em drogas; são assassinos, estupradores, corruptores de toda a espécie; são suicidas; são mentirosos e falsos; são os negativistas; os pessimistas; enfim, são espíritos que em vida densa se voltaram para os prazeres rudes e densos da matéria. A kundaline nestes espíritos não passou do chakra sexual e a energia prânica não despertou neles boas emoções.

— Os Espíritos que passaram para o outro lado sob o domínio da Energia Prana vai para a região do Kama-Loka situada no Mundo Super-Etérico. Aqui não há miasmas nem fedentina e o ambiente é luminoso, agradável. Os Espíritos que passaram para o outro lado sob o domínio da Emoção positiva, boa, tendem a ser prestativos. Tomam consciência de que já não pertencem mais ao mundo denso e muitos deles procuram retornar ao contato com os “vivos” encarnados buscando ajudá-los. Eles dão existência aos terreiros de Umbanda e às Tendas Espíritas, como as de Bezerra de Menezes, onde espíritos de médicos desencarnados se unem para continuar operando e ajudando a combater o sofrimento dos infelizes aqui debaixo. Outros se esforçam para enviar mensagens de fé e de esperança para os incréus e ateus. Aqui, o Kama-Loka é muito agradável e bom e muitos espíritos pensam que estão no céu que imaginavam existir quando ainda viviam a vida encarnada.

— Os que passam para o outro lado sob o domínio da Energia Terrestre, a Kundaline, podem ir parar no Kama-Loka mau, desagradável, apavorante, pois viveram, na maioria, metidos em guerras e lutas ferozes, onde deram vasão ao extremo de suas agressividades primitivas. Mas os que foram capazes de sublimar esta agressividade própria dos chakras inferiores, podem vir para o segundo Kama-Loka e aqui unir-se aos que passaram sob a energia da Emoção. Estes Espíritos se tornam líderes positivos entre os outros e nas tendas de Umbanda quase sempre se manifestam como caboclos de Oxóssi ou de Ogum, ou, ainda, de Xangô, tidos como guerreiros e combatentes. Na verdade, eles se dedicam a descer ao Kama-Loka infernal para resgatar os que têm alguma chance de sair dali porque já tomaram consciência de seus vícios e erros estão sinceramente arrependidos deles. E não hesitam em entrar em combate físico mesmo, com os rebeldes e violentos que não abriram mão daquele lamentável estilo de vida.

— Caramba! — Exclamou o rapaz com os olhos arregalados. — Isto é impressionante! Não há nada nem de leve sobre o Kama-Loka tal como o senho me explica.

— Nem todos estudaram Teosofia e Ocultismo, como eu — respondi.

— verdade. Continue,por favor. Estou fascinado.

— Finalmente os que passam para o outro lado sob o domínio da Energia Fôhat são espíritos altamente evoluídos não somente no psiquismo, mas também e principalmente na emocionalidade. Viveram intensamente a vida encarnada buscando a todo custo melhorar a si mesmo e, alguns, até perderam o interesse pelos atrativos mundanos. Brigaram tenazmente contra os antolhos das religiões e se esclareceram acima da mediocridade. Venceram os apelos dos chakras inferiores, que estimulam à violência, ao sexo sob todos os aspectos e aos vícios de todas as formas, desde aquele simples da gula, até os mais abjetos.

Tais Espíritos vão para um lugar acima dos níveis do Kama-Loka. Um lugar nos Quatro Primeiros Subplanos do Plano Mental. Você deve ler sobre estas divisões em artigos específicos que publiquei sobre o assunto.

— Vou fazer isto, pode ter certeza. Mas eu gostaria de lhe pedir que publicasse esta nossa conversa, pois há tanta coisa nova que eu temo esquecer assim que nos separarmos…

Sorri e lhe respondi que faria isto. Ele consultou o relógio. Quase meio-dia.Levantou-se apressado, despediu-se e foi embora.

E eu fiquei sem saber seu nome…