O Karma colocou um grupo de pessoas neste pedaço de chão. Elas são bem diferentes daquelas com as quais convivi toda minha vida.

O Karma colocou um grupo de pessoas neste pedaço de chão. Elas são bem diferentes daquelas com as quais convivi toda minha vida.

Estou cansado. Fiz uma dúzia de “deveres de casa em inglês”, só hoje pela manhã, e ouvi duas horas de sons arrevezados. Mas parece que vou ter de lutar comigo mesmo para vencer minha resistência à língua dos nossos Irmãos do Norte. Ela continua sendo feia aos meus ouvidos… Acho que só vou “amansar” um pouco quando assistir a filmes em inglês sem precisar de legenda. Isto uma vez me aconteceu, quando, no  Rio de Janeiro, fiz dois anos de curso de inglês. Mas já lá vão 40 anos ou mais… E durante todo este tempo eu não mais me dediquei a sequer repassar as lições que tenho em fita cassete. Até porque elas se tornaram dinossáuricas.

São 12:30 h e me sento para ver as notícias locais. Desiteressantes. Automáticas. Sempre os mesmos acontecimentos, mudando tão-só os atores: batidas de carros; batidas de caminhões; acidentes de motos; obras públicas que se arrastam como cobras de barriga cheia; assaltos a mão armada; assassinatos frios e desnecessários; crros levados em plena luz do dia e seus ex-donos desnorteados porque a PM diz que não mais pode ir atrás dos bandidos porque, agora, por Lei, isto é da competência da Polícia Civil… E vai por aí. O Prefeito meteu a mão na cumbuca da cidade e foi com tanta sede ao pote que secou o cofre. A cidade ficou às baratas.  Déficit de trezentos milhões de reais. Lixo se espalhando por todo o município, com aquele fedor insuportável; asfalto se acabando; praças públicas abandonadas; moscas, mosquitos, baratas, escorpiões e ratos, muitos ratos, tudo engordando à custa de nosso muito amado Prefeito…; dengue e gripe aviária rondando a todos nós; o povo se rebelando e o Prefeito finalmente se mexendo para tentar melhorar a calamidade pública em que jogou o Município. Sua saída? Vender as áreas públicas que deviam ser preservadas por Lei, o que, certamente, vai tornar a cidade mais caótica e menos ecológica do que nunca. As áreas verdes serão substituídas por espigões onde os apartamentos não vão ultrapassar os 50m2, mas isto não tem importãncia, pois o Insolência que é Prefeito tem uma mansão de meter inveja aos artistas de Hollywood. E isto fora as várias fazendas que possui espalhadas por este mundão de terra… Ele declara que o Município está falido e precisa do dinheiro para, diz ele e eu não acredito, fazer obras necessárias à cidade. Afinal, meus caros, isto é nosso Brasil! il! il! il!…

Às vezes o que se diz sobre o Karma o faz parecer um abantesma como este.

Às vezes o que se diz sobre o Karma o faz parecer um abantesma como este.

Resolvi descansar dando uma vista d’olhos no e-mail de Vera e decidi começar a escrever alguma coisa sobre suas questões. Ela me pergunta onde entra o karma na nossa vida, visto que esta é tão fugaz quanto o brilho de uma faísca no escuro.

Vamos começar pela questão do tempo, visto que sua pergunta foi feita segundo este parâmetro. Ora, a compreensão de Tempo é algo que foge ao alcance de nosso parco e grotesco sistema cerebral-mental, visto que o cérebro é por sua própria natureza restrito ao funcionamento neuronal; e a mente, que nos dá a consciência de que somos e de que existimos, é função direta tão-só de um mundo de ilusões sem fim, o mundo ao qual chamamos de Social ou Civilizado. Aqui, neste mundo, vivemos como sonâmbulos. Tudo é inconsistente, mutável e disforme. O que era certeza há uma década, hoje é total incerteza. O que era certo no ano passado, hoje é errado.

O Astro Rei nos surge de milhares de modos diferentes em seu explendor, variando de conformidade com o movimento do globo terrestre ao seu redor.

O Astro Rei nos surge de milhares de modos diferentes em seu explendor, variando de conformidade com o movimento do globo terrestre ao seu redor.

Nada é consistente em nossos valores sociais. Então, nosso viver é função de uma incerteza perene e, por isto mesmo, é ele também incerto. O tempo que consideramos como parâmetro fundamental de nosso dia e de nossa vida interativa é função de uma grande ilusão cósmica, ou seja: a Terra gira ao redor de si mesma e isto faz que o Sol ocupe a cada segundo uma posição diferente no espaço em relação a ela. Esta mudança constante de posição do Astro Rei faz que sua Luz e, com ela, a enorme carga energética que lança ao seu redor, nos atinja em distintos ângulos e tais mudanças influem inevitavelmente no nosso sistema orgânico, desde mesmo as funções psíquicas da percepção e da cognição, até à formação de conceitos relativos ao que parece ser a verdade ao nosso redor, ou seja, que as coisas variam segundo a intensidade luminosa que recebem. Esta variação — que é função direta de nossos processos perceptivos , nos condiciona a vida de tal modo que ela se torna necessariamente dependende disto, destas mudanças perenes e “eternas” da posição do Sol em relação à Terra. Assim, todo o nosso sistema funcional orgânico está preso e totalmente dependente da enorme ilusão de que sofremos e que é aquela que definimos como o movimento do Sol durante o dia terrestre. Na verdade, em relação à Terra, o Sol praticamente não se move. Ela, sim, é que se move a seu redor.

A Terra se move ao redor do Sol e cria ilusões que se tornam imperiosas às nossas vidas.

A Terra se move ao redor do Sol e cria ilusões que se tornam imperiosas às nossas vidas.

Completando esta enorme ilusão cósmica de nossos sentidos, a Terra apresenta uma órbita elíptica, o que a faz distanciar-se e aproximar-se do Astro Rei periodicamente e com uma cronometria precisa. Este novo movimento terrestre, que não somos capazes de apreender com nossos sentidos físicos, também tem grande influência em nosso sistema sensorial, perceptivo e cognitivo. A variação de temperatura decorrente deste movimento terrestre relativamente ao Sol faz que os dias se apresentem ora mornos, ora muito frios, ora muito quentes. Em cada momento cósmico terrestre destes períodos todo o sistema orgânico e percepto-cognitivo se altera profundamente. O sistema hormonal é invariavelmente afetado não somente pelo clima de modo direto, mas também através dos alimentos que ingerimos e que são conseqüência direta da sazonalidade do movimento terrestre. 

Os rios nos mostram o quanto são dependentes das influências externas.

Os rios nos mostram o quanto são dependentes das influências externas.

O sistema aquoso, tanto quanto aquele aéreo e terrestre, sofre diretamente alterações necessárias como conseqüências imediatas do movimento de rotação e de translação da Terra. Tudo se modifica e, conseqüentemente, nossos sistemas orgânico e psicafetivo também se alteram. Visto deste prisma nada é fixo como nos parece nem mesmo durante um pico-segundo de nossa existência. Tudo está em furiosa mudança ao nosso redor, embora não nos demos conta disto. E a luz, variando em suas ondas, altera a reflexão luminosa em nosso sistema visual. O que vemos em forma e cor não é a realidade estrita daquilo que é enxergado, logo, o que vemos ilude nossa percepção e esta, enganada, induz em erro nossa cognição. Tudo é ilusório ao nosso redor. Nós não percebemos a realidade verdadeira de nada. E quando, num laboratório, esmiuçamos as coisas até seus átomos, descobrimos que estes, também, são entidades que não existem de verdade. Em um pico segundo o átomo é e não é. E entre este existir e não-existir eis que nós surgimos como algo sólido e verdadeiro. E não somente nós, mas tudo, inclusive todo o Sistema Solar e, por extensão, tudo o que há dentro da Terceira Dimensão.

O que tem isto com o karma?

O Astronauta flutua no Espaço Sideral, mas continua estritamenta aprisionado na Terra.

O Astronauta flutua no Espaço Sideral, mas continua estritamenta aprisionado na Terra.

Tudo. Carmaticamente estamos aprisionados em um mundo de total ilusão. E não temos como dele escapar. Mesmo viajando até à Lua ou Marte ou seja lá a que planeta do sistema Solar viajemos, temos de ir e voltar dentro dos parâmetros que regem nossa existência na superfície do Planeta Terra, caso contrário morremos. Daí a necessidade de naves hemeticamente fechadas, que nos mantenham separados de tudo o que esteja fora do nosso planeta. Mesmo que pisando em solo de outro globo planetário, não nos é permitido tocar diretamente em seu solo ou em qualquer coisa ao natural ali. Temos de ter nossas mãos revestidas com materiais que mantenham ao nosso redor as condições similarmente iguais àquela que deixamos em nosso planeta de origem. Daí, também, a necesidade de roupas especiais que mantenham tais condições fixas ao redor de nosso corpo. E quando trazemos mecanicamente alguma rocha do Espaço e a introduzimos em nosso sistema ambiente, quando, então, podemos segurá-la em nossas mãos, ela já não mas é a rocha que era antes de ser apanhada mecanicamente de seu local de origem. O ar, as bactérias, a pressão atmosférica, a luz, tudo alterou a originalidade daquele objeto.

Diz a Teosofia que vivemos dentro de um “Círculo Não se Passa” e ela está certíssima. Não há como o ser humano escapar do sistema planetário terrestre, mesmo que viage numa Enterprise.  Fora dos parâmetros determinados para a vida na Terceira Dimensão e restrita ao sistema planetário Terrestre, nós não temos como viver ao natural. Isto é Karma. Karma é prisão. É a Lei que nos restringe a um determinado sistema e, até mesmo, dentro deste sistema, a um conjunto variável de outros sub-sistemas menores e mais específicos, de modo que cada um de nós cumpra com o que foi “escrito pelo Pai”.

O silvícola, quando aculturado, ainda que estude até conseguir um PhD em algum ramo da Ciência dos “brancos”, continuará aprisionado no seu subsistema silvícola, seja por sua herança hereditária, seja pela modelagem psicológica inarredável sofrida durante os anos em que conviveu com os membros daquele subsistema social. Ele está preso pelo Karma daquele subsistema e não sairá dele jamais. Você, leitor, está aprisionado pelo Karma que rege o Subsistema social onde nasceu. Se nasceu pobre, ainda que seja o Neimar, que enriqueceu e tem, agora, condições de obter da sociedade quase tudo o que desejar, continuará aprisionado pelo Karma ao seu local de origem. Ninguém foge à Lei. 

Assim compreendido, a dimensão Tempo não tem qualquer interação com o karma, quer seja ele individual, quer seja grupal ou até planetário. O Karma é uma Lei que é aplicada inexoravelmente a tudo, pessoa, animal, coisa ou objeto e seja ele do tamanho que for. A Lei do Karma coloca cada coisa e cada objeto, assim como cada ser vivo, em sua real dimensão espaço-temporal e a restringe àquele estado, para a preservação de seu Ser tridimensional.

E aí me perguntam os espíritas: “Como se explica o karma quanto às dívidas espirituais adquiridas enquanto os espíritos estão revestidos com o envólucro carnal?”

Embora as escrituras védicas, que são tão antigas quanto são antigos os manvataras e pralayas que já se passaram e onde este Sistema Estelar em que nos encontramos se achou sob diversos estados e diversas formas, também falem do karma individual, temos de considerar que esta modalidade de manifestação da Lei Cósmica Reguladora da Terceira Dimensão é apenas uma forma específica de ela se apresentar. Talvez mesmo porque somos entidades complexas, que transcendemos à Terceira Dimensão em nossas diversas Naturezas Superiores (Búdica, Espiritual, Divina etc…). No entanto, enquanto sob o domínio de nossas Naturezas Inferiores (física, emocional, mental ou psíquica), temos de ser submetidos à Lei do Karma. Temos de ser mantidos em estreitos limites para que não causemos desordens que ultrapassem estes limites e venham a perturbar o Equilíbrio do Espaço.

Considerando o que foi dito, a resposta à pergunta de Vera é: o Tempo não interfere com a Lei do Karma, pois esta trabalha para ele e com ele. Se há alguma coisa dentro da Terceira Dimensão, esta alguma coisa, mesmo que subatômica, tem de se submeter à Lei do Karma, ou seja, tem de ser mantida dentro de seus limites, sem possibilidade qualquer de dali fugir. Então, nós, ainda que vivendo uma vida cuja duração, espacialmente considerada, é equiparada àquela de uma faísca na escuridão, não estamos fora do alcance da Lei do Karma, visto que esta Lei é imutável e dela depende a organização dos sistemas galáticos, desde aqueles das nebulosas até àquele do átomo químico que conhecemos.

Com o que digo acima fica bem claro que a Lei do Karma não diz respeito à crença que muitas seitas religiosas pregam, ou seja: de que ela impõe que o Espírito retorne à vida encarnada para resgatar faltas anteriormente cometidas. Esta obrigação, do ponto de vista estritamente Teosófico Ocultista, nasce da Consciência Cósmica que se desenvolve na Centelha Divina (A Tríade Encarnante). Tudo o que seja substantivado neste assunto é fruto tão-só do avanço Evolutivo do Espírito Humano. A verdadeira Lei do Karma não tem relação com a tão falada Lei do Retorno. Esta, é fruto do Homem Consciente e se restringe a ele e somente a ele. No Espaço além do sistema terrestre ela não existe.

Creio que consegui meu propósito, que era o de dizer com o máximo de clareza e simplicidade o que é tema de grandes debates e pesquisas exaustivas dos Teosofistas e Ocultistas do mundo.

Em meu próximo artigo abordarei outra das perguntas de Vera.

Até lá e

NAMASTÊ!