Mulher em crise de TPM. É ruim de agüentar...

Mulher em crise de TPM. É ruim de agüentar…

Orozimbo se abancou e acendeu seu pito, olhando-me zanzar pela casa ajeitando uma coisa aqui, outra ali. Talvez eu lhe parecesse perdido, mas não o questionei por isto. Na verdade, estou tentando manter a casa o mais limpo possível para receber as irmãs de minha mulher, que virão para o “cagamento” de meu filho. Pediu que eu ligasse a TV, mas eu lhe disse que o Aza América estava de birra e não recebia sinal. Por isto, eu o deixara de castigo, ligado pelo direto, enquanto mantinha a TV desligada. Meu velho amigo estranhou e me perguntou:

— Uai, vancê compra uma baita tevezona dessa aí e mantém a bicha desligada? Entonce, pra qui é qui comprô?

Olhei-o de través e respondi sem pensar duas vezes:

— Eu estava sob ataque de TPM.

Orozimbo arregalou os olhos e me fitou espantado, perguntando:

— Cuma é qui é? Esse negóço aí num é de muié, não?

— O quê?

— Esse tar ataqui de TPM num é coisa de muié, não?

— É sim. Mas os homens podem ter ataques de TPM também. Em nós, machos da espécie, isto quer dizer TENSÃO POR PENSAMENTOS MÓRBIDOS.

— Ah!… E o qui diabo é isso?

— São pensamentos negros, ruins, maus, que nos despertam reações emocionais as mais diversas, como frustração, desânimo, tristeza, impotência e vai por aí. Vai dizer que você, com essa idade toda, nunca teve ataque de TPM?

— Sei não. Véi num é chegado a vesti saia, num sabe?

— Eu também não. Nem mesmo durante o carnaval, quando os enrustidos soltam a franga.

Orozimbo não disse nada.  Limitou-se a soltar aquela baforada azul e ficar olhando o cocuruto do morrinho diante de minha casa. Depois, virando-se pra mim, perguntou:

— Vancê abandonô a Polititica?

— Estou de férias — respondi.

— Até quando? Óia qui a coisa té pegando fogo.

— Está não. 

A candidata a futura substituta da Aloprada do Planalto. Pena que não vai ter mais país para ela esculhambar...

A candidata a futura substituta da Aloprada do Planalto. Pena que não vai ter mais país para ela esculhambar…

Ah, tá sim. A tar de Sininho, qui pro véi Orozimbo planeja sê a Dirma do Futuro, foi pegada cum a boca na butija. A pestinha andava doidinha doidinha pra tacá fogo nos pulititicas lá do Rio. E foi por pôco qui num fez a coisa, sô! E apois num é qui aquele pingo de gente era a chefona da gangue qui andava tacando fogo nos ônibu e quebrando tudo lá da cidadona mais bunita do Brasil?

— É verdade. A juventude sempre tem seus líderes exagerados. Mas são jovens, não são? E a Sininho terá de enfrentar uma boa cela de tortura para poder igualar-se em ódio acéfalo similar ao que viceja no coração da Aloprada do Planalto. E tem de fugir pra Cuba e fazer um estágio com o Caveira Ambulante, Fidel Castro. Só então poderá ser a candidata a Vovozona do futuro. Com o Morto que Anda ela aprenderá a carcomida ideologia Comunista há muito falida no mundo, exceto no Brasil. Nós estamos tão atrasados que nossos muçulmanos ainda nem começaram a explodir templos evangélicos e igrejas católicas, vê se pode!

Ninja brasileiro. Herói do PCC.

Ninja brasileiro. Herói do PCC.

— Véi num gosta quando vancê se dana a falá compricado, home. Vamo mudá de cunversa. O PTzão, cuma vancê chama ele, tá enrolado cum tar de Deputado qui anda de namoro cum o tar de PCC…

— E você sabe o que quer dizer PCC? — Perguntei, parando o que fazia e olhando Orozimbo nos olhos.

— Acho qui é carqué coisa cuma Partido do Caraio Carcumido, né não?

Arregalei os olhos e explodi numa gargalhada. Entre risos, expliquei-lhe que PCC não era um partido. Não como os que há às centenas por aí. Expliquei-lhe que PCC queria dizer PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL, mas ele não arredou pé de sua interpretação. “Em tudos eles, home, só tem ladrão, né não? Entonce, PCC é o qui véi dixe, ora se é”. E com esta afirmativa ele deu por encerrada a discussão. Deixei pra lá. Até que sua tradução não era das más, afinal de contas.

— E você sabe o nome do ladrão PETISTA que anda envolvido com o PCC?

— Véi uviu o netim dizê qui o nome do disgraçado é Luiz Moura. E ele tem um irmão, qui é vereadô em Sum Paulo, qui tombém é inrolado com a robalheira. É um tar de Senival Moura. Mas este está merguiado inté as oreia cum farcatrua nos ônibus. Qui peste, home! Qui famiazinha disgraçada, sô!

— Não, não, meu velho. Eles são petralhas e estão corretíssimos com o pensamento do operariado poltitica brasileiro. Afinal, se você pensar bem, somos todos petralhas, militando ou não no PTzão.

— Cuma é qui é? Óia aqui, home, véi Orozimbo num é petraia nhor não. Tira eu fora desse saco de ratos.

— É saco de gatos, não de ratos — corrigi.

—Não. é saco de ratos mermo. Rato roba e rói as coisa pra num deixá nada qui se aproveite. E os pulititica faiz isto mermo.

Aqui a Lei é a do mais mal-educado.

Aqui a Lei é a do mais mal-educado.

— Olha, Orozimbo, somos todos, sem exceção, ladrões, corruptos e falsos desde o ventre de nossas genitoras. Quem é que nunca mentiu para levar vantagem no Brasil? Quem é que nunca furou a fila dos idosos para levar vantagem de alguns minutos apenas? Quem é que, mesmo que a placa diga que o estacionamento é somente para idosos ou deficientes, não parou seu carrão ali só porque é mais cômodo e ele está-se lixando pra Lei? Quem é que não atira sujeira pela janela dos ônibus, mesmo sabendo que o somatório daqueles papeizinhos vai terminar numa rolha deste tamanho que vai entupir o bueiro e causar inundação? Quem é que jamais ultrapassou pela direita furiosamente, irritadamente, porque o carro da frente ou é antigo ou está sendo dirigido por um idoso que anda devagar? Quem é que obedece às Leis (que substituem há muito a educação cívica) e cede o lugar em uma condução a um idoso ou a uma gestante? NENHUM BRASILEIRO, DE NORTE A SUL E DE LESTE A OESTE faz isto. Quando nós, brasileiros, vamos aos estádios nos comportamos como animais furiosos; em qualquer lugar público damos vazão à nossa terrível má educação. Somos violentos; somos deselegantes; somos palavroentos de graça e insultamos os outros ainda que sem os conhecer ou sem que eles nos tenham feito algo de mal. Mas somos os que mais exigimos direitos, quando não temos o hábito de reconhecer o direito de nosso próximo. Enfim, não somos um país, mas um aglomerado de bichos que vestimos calças… Ei, pra onde você vai?

— Imbora. Vou simbora pra num sê jogado nu buraco de seu azedume. Inté mais vê!

E lá se foi ele, deixando-me de boca aberta.

NOTA: LEIA TAMBÉM ESTE BLOG: http://gracanopaisdasmaravilhas.blogspot.com.br/