Gente como esta "Múmia paralítica" exerce a Democracia? Duvido!

Gente como esta “Múmia paralítica” exerce a Democracia? Duvido!

Li isto em algum lugar, acho que numa revista num consultório de dentista. Na ocasião, não dei maior atenção àquela afirmativa, pois sou tão negativista no que diz respeito ao meu país que me tornei imune às opiniões positivas com respeito ao seu modus vivendi. E para dizer a verdade, minha verdade, claro, jamais pensei detidamente neste conceito. No entanto, ontem, conversando com algumas pessoas, entre elas surgiu um questionamento: vivemos realmente em uma Democracia? O debate se fez e cresceu de intensidade emocional. Uns, politizados, defendendo ferrenhamente a idéia de que sim, vivemos uma Democracia e a tolerância com os desgovernos petistas seria a comprovação disto. Outro, também defensor de que vivemos numa excelente Democracia, dava como exemplo a recepção calorosa com que os brasileiros, mesmo tendo levado aquela sova dos alemães na única atividade em que eram reconhecidos como bons, dispensaram aos “gringos” europeus.

Diante de meu silêncio as pessoas se voltaram para mim com curiosidade. “Não vai dizer nada?” Perguntaram e eu meneei a cabeça negativamente, confirmando que não queria dizer nada. Eles insistiram, mas eu continuei a me negar a falar.

Por que? Simples: conceitos amplos são armadilhas para qualquer um e o conceito de Democracia é demasiadamente amplo para caber numa definição, inda mais se ela se embasa na política.

Este NEGRO mete inveja em muitos brancos que nós conhecemos.

Este NEGRO mete inveja em muitos brancos que nós conhecemos.

Dizem os entendidos no assunto que o vocábulo Democracia vem da junção de duas palavras gregas, a saber: demos = povo; e kratos = poder. Então, Democracia significaria que o Poder emana do Povo e é o Governo do Povo para o povo. Isto me parece mais enrolado que cabelo de negro (que me perdoem as minorias espinhosas para quem o vocábulo “negro” causa arrepio na coluna vertebral. Ainda assim, é certo, esta minoria continua sendo negra, ainda que sintam as tripas em rebuliço quando ouvem este termo. Não são negros no sentido de inferiores nas ações, no Espírito, na Condição Humana, mas são negros na cor da pele. E isto é verdade, gostem ou não. Então, eu não entendo a razão de tanto frisson com o ouvir este vocábulo).

Desde que no nosso Brasil Varonil surgiu de algumas cabeças podres a questão das “minorias discriminadas” que o preconceito contra o vocábulo NEGRO passou a viger entre nós, o que é desastroso, pois a liberdade belíssima que  tínhamos de nos tratarmos gozadoramente de “crioulo”, “negão”, “noite sem estrela” e por ai, está desaparecendo, para surgir uma expressão feroz, irada, de gente que se sente ofendida por… NADA.

Ela gritou uma verdade científica, ao ver de Darwin, e foi punida por isto.

Ela gritou uma verdade científica, ao ver de Darwin, e foi punida por isto.

Qual é o Poder que emana do Povo? Pelo que vejo na televisão, em qualquer parte do mundo este “poder” é o da desordem, da revolta, do manda quem pode e obedece quem tem juízo e do Preconceito. A propósito, entre nós, este poder que emana do Preconceito está ficando muito incômodo e generalizado demais. O Poder que eu vejo emanar do Povo em qualquer parte do mundo é o Poder da violência, institucionalizada ou não. Vejamos se não estou certo. Há um jogador brasileiro, do São Paulo Futebol Clube, que foi chamado de MACACO pela torcida do time adversário, o Grêmio. A jovem coitada, flagrada por uma lente perversa no momento mesmo em que gritava o vocábulo MACACO em direção ao “Aranha”, deu-se mal, perdeu o emprego e deve estar sendo discriminada como uma monstra na localidade onde vive, mas eu reputo isto uma grande injustiça para com a garota. Ela, agora, deve certamente estar com sua auto-imagem seriamente danificada com resultados nefastos em sua auto-estima. Mas que importa isto para os “defensores das minorias negras discriminadas”? Ela é uma desgraçada racista e isto basta. Não é mais humana. Não é mais uma jovem que agiu pelo impulso do momento e por estar engolfada em uma massa de emocionalidade difícil de ser vencida. Ela, agora, é uma monstra.

Que diabo de Democracia é esta? Mas é este o Poder que emana de nossa gente…

Darwin, se se leva a coisa tão no peito e na raça, devia ser abolido dos livros científicos, pois ele foi o primeiro a dizer e escrever para todo o mundo ler que somos descendentes de uma espécie de macacos já extinta há muito tempo. Ora, se somos descendentes de macacos, então, continuamos sendo macacos. TODOS SOMOS MACACOS. Onde está a ofensa da torcida de futebol? Onde a jovem punida por todos cometeu insulto, se ela apenas repetiu o que Darwin escreveu vetustamente?

Este é o "Aranha". E ele não lembra mesmo um símio, nesta sua expressão? Ele somente nos mostra que Darwin tinha razão. Por que não explorou isto brasileiramente, como teria feito outrora?

Este é o “Aranha”. E ele não lembra mesmo um símio, nesta sua expressão? Ele somente nos mostra que Darwin tinha razão. Por que não explorou isto brasileiramente, como teria feito se vivesse aqui em época passada? Teria ganhado fama, mas não de modo tão idiota como ganhou, agora.

O jogador “Aranha” podia ter-se saído brasileiramente dos gritos da torcida saltando feito um símio e emitindo grunidos similares aos de nossos parentes. Devia ter rolado na grama e se dependurado no travessão de sua “cidadela”. A torcida teria rido descontraída, esvaziando no riso a tensão da emoção do momento, se ainda fosse herdeira daquela brasilidade que nos caracterizava e que a estupidez de mentes obtusas está matando desgraçadamente. E o “Aranha” ter-se-ia tornado mais simpático a todos, torcedores favoráveis ou contrários ao seu time. Ele não estaria se rebaixando, mas brasileiramente devolvendo a todos a qualificação que lhes deu o renomado Darwin. Teria sido lindo de se ver, mas, infelizmente, as mentes brasileiras estão sendo imoralmente, indecentemente, desrespeitosamente envenenadas por uma minoria de idiotas aloprados (e que não pertencem ao Planalto).

É Democracia tomar um qualificativo sancionado pela Ciência como insulto quando dito por alguém do povo?

Eu não sei.

Alguns dirão que o que vale é a ocasião psíquica do Momento Social, mas eu rebato que em situação de estimulação da emocionalidade do povo o que o indivíduo diz ou faz em gestos não pode ser levado a sério, se seus gritos emotivos não o levam a ações degradantes e criminosas, como foi o caso no “affaire” black-bloc. O desabafo de uma frustração para quem está sob o domínio de grande emoção coletiva não pode servir de motivo para que apenas uma pessoa daquela chusma seja punida “exemplarmente”. Só as mentes absolutamente obtusas de idiotas com alto complexo de inferioridade podem reconhecer JUSTIÇA em tamanho disparate. Ah, sim, antes que alguém pense que conheço a pobre jovem que serviu de bode expiatório, esclareço que nem sabia que ela existia no mundo, antes de vê-la na Televisão.

E também esclareço que não sou advogado, embora aqui esteja advogando em sua defesa. Tomara que ela possa ler o que escrevo e consiga um bom advogado que, com base nesta tese, desenvolva uma defesa sólida em que ela venha a ser reparada pelos danos sofridos. Se algum leitor a conhecer, que faça o favor de lhe indicar este artigo, pois, afinal, a “maioria coartada” precisa urgentemente de defensores, senão a atmosfera de nossa “brasilidade” ficará irrespirável.

Obrigado.

E voltando ao tema, considerando o que foi visto não somente aqui, mas no mundo todo graças à Comunicação de Massa, não creio que nosso país dê lição de Democracia. Uma vez que vimos perdendo nossa característica belíssima denominada carinhosamente por alguém de “brasilidade”, nós estamos mergulhando na feia e descolorida vala do senso comum podre que infelizmente domina os países ditos civilizados…