A História deles é bem mais complexa e fantástica do que se pode imaginar.

A História deles é bem mais complexa e fantástica do que se pode imaginar.

O dia amanheceu chuvoso e muito frio. Mas as três mulheres se puseram de pé bem cedo e ouviram o que tinham a fazer nas casas para onde seriam enviadas logo após o desjejum. Todas elas oraram uma bereka em agradecimento pelo dia que começava e pela refeição que recebiam e, então, seguiram o guia. Cada uma foi deixada em uma casa. Geralmente casas boas, que indicavam que seus donos eram abastados. O trabalho foi duro. Primeiro, limpar os urinóis, substituir os lençóis de cama, varrer os cômodos, ir fazer as compras e cozinhar a comida. Geralmente o prato predileto era de peixe, muita verdura e muitas frutas, além de pão fermentado. Então, todo o trabalho de casa recomeçava. Elas não tinham ordem de conversar com ninguém da residência ou com quem as conhecesse e aqueles tinham sido instruídos a não conversar com elas, a não ser para lhes ensinar uma tarefa ou lhes pedir que fizessem alguma coisa. Assim, embora morrendo de curiosidade, nenhuma das parentas de Yehoshua pôde saciar suas curiosidades sobre as vestimentas, os costumes similares em quase tudo àqueles dos judeus da Palestina, assim como o idioma que era recheado de vocábulos hebraicos, diferindo apenas na sonoridade.

Um céu assim estimula nosso espírito...

Um céu assim estimula nosso espírito…

Era a décima oitava hora do dia (as 18 horas em nosso tempo) quando, cansadas, retornaram à casa de Jeroboão. Tomaram um banho e fizeram o desjejum em silêncio. Quando as estrelas já cintilavam no céu, o ancião as chamou para sentar ao redor de uma agradável fogueira no pátio interno da casa. Ali lhes serviram vinho morno de sabor adocicado e muito gostoso. Reconfortadas, elas se dispuseram a ouvir o ancião. Mas Jeroboão se limitou a olhá-las com aquele olhar doce, porém sério e profundo. Então, fixando-se em Míriam, ele lhe pediu que contasse sua estranha história de vida. Míriam fixou no ancião seus lindos olhos verdes e franziu a testa.

— O que desejais saber, Jeroboão? Penso que sabeis tudo a meu respeito.

Não a vossa versão, senhora. Gostaria de ouvi-la de vossos lábios. No futuro, muitas versões aparecerão e a maioria será fantasias sobre vós e vosso filho Yehoshua. Mas ninguém melhor para nos contar o que vivestes de verdade que vós. Então, podeis começar?

Míriam olhou na face de todos os presentes. Eram suas filhas e sua nora, mas não saberia dizer a razão, todas, agora, lhe pareciam estranhas. Pigarreou, baixou os olhos para as unhas da mão direita e permaneceu calada, buscando ordenar seus pensamentos. Então, quando julgou que já havia ordenado suas lembranças, começou.

— Fui prometida a Yoseph era muito jovem, contava apenas treze anos. Naquele tempo não sabia o que era ser casada. Não fazia nenhuma idéia do que fosse sexo entre homem e mulher. Pensava como toda criança, em brincar. Ajudar minha mãe Ana, nos trabalhos domésticos, era até divertido. Mas era tudo o que eu sabia naquela idade. Então, um dia, já era quase noite, um homem alto, espadaúdo, barbudo, trajando roupa simples, mas limpa, entrou em nossa casa. Estava sério e me olhou de alto a baixo, como se me avaliando. Não gostei daquele olhar penetrante e me encolhi com o coração aos pulos. Mas recebi ordens de meu pai para permanecer ali, quieta. E obedeci. Falavam de mim e o homem me lançava olhares cada vez mais inquiridores, que mais e mais me amedrontavam. Eu tinha a boca seca e meu coração corria feito um cavalo dentro de meu peito. A conversa, me pareceu e ainda me parece, durou uma eternidade. Finalmente o homem se acocorou diante de mim e me segurou o queixo com dois de seus enormes e grossos dedos. Virou minha cabeça para a direita e para a esquerda e finalmente, com um sorriso feroz, olhou para meus pais e assentiu com um aceno de cabeça.

Eu não sabia, mas aquele aceno era sua confirmação de que me aceitava como sua segunda esposa. A primeira tinha morrido e lhe deixado sete filhos, cinco homens e duas mulheres. Todos já prometidos e pelo menos quatro já casados, três filhos e uma filha. Ele se pôs de pé e se dirigiu a mim dizendo:

— Voltaremos a nos encontrar, criança, quanto tu fizeres dezesseis anos. Aí, então, falaremos de nossas vidas. Quero que tu me conheças melhor e não me olhes com esse olhar de medo que vejo agora, em teus olhos. Posso ser feio por fora, mas não o sou por dentro. Eu to garanto.

Ele cumprimentou meus pais e se retirou. Ninguém mais me dirigiu a palavra e meu pai, Joaquim, apenas no dia seguinte me disse que aquele homem se chamava Yoseph e que eu lhe tinha sido prometida na noite anterior. Assim, devia evitar a côrte por parte de quem quer que fosse, entre os jovens da vila, para não desonrar o nome de nossa casa. Eu não sabia o queria dizer côrte, mas assenti com um aceno de cabeça. No dia seguinte fui levada à sinagoga de nossa vila. Era pequena e não me recordo do nome do Rabi que ensinava ali, mas segundo meu pai, ele era alguém muito bom e conhecedor profundo da Torá, tanto a escrita quanto a falada. Em ambas fui instruída e era fortemente cobrada por meus pais, Ana e Joaquim, no cumprimento rigoroso do que era mandado pela Lei.

O pior negócio que pode acontecer a alguém é ser entronado como um "anjo salvador".

Arcanjo Gabriel e sua Paz. Ele era o Anjo Guardião de Yehoshua. Cada um de nós tem um Anjo Guardião, mas todos nos esquecemos dele…

Contava quinze anos e sete meses quando recebi uma visita que me espantou e me deixou sem fala. Faltavam, portanto, cinco meses para meu casamento com Yoseph. Eu estava na sala de nossa casa fazendo a limpeza quando, sobre a pedra que servia de mesa, uma luz muito forte começou a brilhar. Parei o que fazia e olhei intrigada para aquilo. Pensei em chamar por minha mãe, mas não consegui articular palavra nem mesmo me mover. Apenas fiquei olhando maravilhada aquela luz ir tomando a forma de uma pessoa. E aquela pessoa era um jovem de beleza indescritível. Tinha olhos escuros, acho que violetas, e um sorriso que cativaria até mesmo o cruel Herodes. Eu quis gritar por alguém, minha mãe, meu pai, algum vizinho, mas em vão. Não tinha voz e quando o jovem finalmente tomou forma diante de mim, sobre a mesa de pedra, seu sorriso era tão maravilhoso e amigo que eu me desarmei. Perguntei quem era ele e o que desejava de mim e ele me respondeu que era conhecido entre seu povo como Gabriel. Entre os homens, como Arcanjo Gabriel. Viera saudar-me e, então, estendendo a mão espalmada à altura de seu ombro direito, exclamou, sério: “Ave, Míriam, eu te saúdo porque tu és a mais pura e a mais digna entre as mulheres. Venho anunciar-te que a partir deste momento teu ventre será preenchido pela Vontade do Santo dos Santos, o Senhor dos Mundos. O Criador de tudo. Por Sua excelsa Vontade gerarás um corpo sem a concorrência de um homem. Um corpo para o mais alto dignitário das hostes sagradas superiores. Ele virá à Terra através de ti, ó bendita entre as mulheres. Tu o chamarás Yehoshua porque é assim que deve ser conhecido. Ele é a manifestação da Vontade do Criador entre essa raça que se chama de humana, mas na verdade não passa de ínfimos mortais. Virá para os colocar, a todos os povos, no verdadeiro Caminho, pois eles se têm desviado do Altíssimo e do modo como vão, logo, logo, perderão todo o belíssimo horizonte que lhes está reservado por Aquele Que Não Tem Nome, e no entanto possui todos eles.

Eu permaneci boquiaberta enquanto ele voltou a sorrir com amorosidade para mim. Então, eu lhe disse, com medo: “Como posso gerar uma criança se não conheci ainda um homem?” E ele me respondeu que não temesse, pois aquele que viria através de mim seria o maior entre os homens em todas as épocas, passadas, presentes e futuras. Disse-me que por isto eu seria bendita entre as mulheres. Então, com aquele sorriso lindo e cativante, a criatura celeste começou a se transformar em luz brilhante, que foi-se desfazendo até não mais dela restar qualquer sinal. Mais tarde, quando meu espanto e minha tremedeira passaram, corri até minha mãe e lhe contei o que tinha acontecido. Ela, muito preocupada, correu a chamar nossa vizinha, mas antes de lhe falar qualquer coisa arrependeu-se e mudou de assunto. Disse que precisava de ajuda no preparo de uma receita que não dominava bem.

O tempo passou e minha mãe e eu não dormíamos cheias de dúvidas e preocupação. Não se falou do assunto nem mesmo como meu pai Joaquim. Certamente ele jamais acreditaria naquela história estranha e quando e se eu aparecesse de barriga ele seria o primeiro a me atirar pedras. A maior preocupação de minha mãe era com Yoseph, meu futuro marido. Como é que reagiria àquele acontecimento insólito? Sabíamos, nós duas, que ele nunca acreditaria na história fantástica e certamente me repudiaria. A situação era mesmo aflitiva.

Minha mãe decidiu falar com meu pai no terceiro mês após o acontecimento. Decidiu que o melhor era-lhe contar o mais cedo possível e, segundo ela, este mais cedo já ficara tarde. Fiquei com tanto medo que tive diarréia, mas mamãe não mudou de idéia e tão logo meu pai chegou do trabalho, ela o puxou pelo braço e lhe contou minha estranha aventura. Papai Joaquim ficou transtornado. Chamou-me com os olhos flamejantes de raiva e depois de me exigir contar a verdade e ouvir-me repetir por cinco vezes a mesma história, calou-se e permaneceu meditativo por um longo, longo tempo, durante o qual eu chorava de nervoso. Não sabia dizer se estava grávida. Não sabia o que era isto. Não tinha enjôos e não havia nenhuma modificação em minha silhueta, embora o sangue mensal tivesse desaparecido. 

Meu pai andou agitado e cheio de dúvidas, mais ainda em como dizer a Yoseph, um homem firme nas nossas tradições, a “desgraça” que me havia acontecido. Ninguém acreditaria naquela história absurda. Eu, uma garota simples, sem qualquer destaque diante do Templo, ter recebido a visita de um Arcanjo e através dele ter sido inseminada pelo Senhor do Mundo, nosso senhor Yeve. No mínimo tomariam a história como uma heresia e eu seria condenada à lapidação em praça pública. Isto lançaria nossa família em desgraça e seríamos até obrigados a nos mudarmos para o Egito, visto que na Palestina não haveria lugar onde nos abrigarmos.

A mais bela representação icônica daquela que é, atualmente, a Padroeira do Brasil.

A mais bela representação icônica daquela que é, atualmente, a Padroeira do Brasil.

Três dias depois, meu pai Joaquim nos disse que havia tomado uma decisão. Iria ao Templo buscar conselhos junto aos Rabis mais destacados na comunidade, Caifás e Anás. Eles saberiam dar-nos a orientação no assunto, pois por mais que pensasse não conseguia encontrar uma saída que me salvasse a vida. Ainda que minha mãe Ana tentasse por todos os meios e com todos os argumentos dissuadir meu pai de sua idéia, ele não arrefeceu. E pela manhã bem cedo se pôs a caminho de Jerusalém, que distava bastante de onde morávamos. Mas, três horas depois de haver partido, eis que o vemos retornar agitado e quase sem poder falar. Quando, finalmente, se acalmou, disse que estava a caminho de Jerusalém e numa curva da estrada deu de cara com um homem jovem, forte, trajando uma estranha armadura metálica muito brilhante, que parecia atrapalhado tentando amarrar as tiras de suas sandálias. Ao ver meu pai, o jovem sorriu e lhe pediu ajuda. Meu pai, ainda que estranhando aquilo, ajoelhou-se e amarrou as sandálias do estranho, notando que ele tinha a pele muito branca e quase rosada. Quando se levantou o jovem colocou sua mão sobre o ombro forte de meu pai e lhe disse: “Joaquim, eu sou Gabriel, o Arcanjo que deu a notícia à tua filha, Míriam, de que ela fôra escolhida pelo Criador para gestar um corpo para aquele que virá mudar a História da humanidade. Não te agites por isto nem temas nada, pois quem está sob a proteção do Criador está invisível ao Mal e defeso dos maus. Assim, não prossigas em tua viagem, pois aqueles a quem pensas consultar serão os primeiros inimigos que tereis de enfrentar para defender O que vem em nome de nosso Senhor, o Criador”. E dito isto, o jovem se desfez em luz bem diante dos olhos espantados de meu pai.

O Bel-Beu, símbolo budista que simboliza o nó infinito, que não tem princípio nem fim e no qual todos estamos aprisionados, humanos ou não; animais, vegetais e minerais.

O Bel-Beu, símbolo budista que simboliza o nó infinito, que não tem princípio nem fim e no qual todos estamos aprisionados, humanos ou não; animais, vegetais e minerais.

Míriam fez uma pausa e olhou para sua pequena platéia. Viu que todos pendiam de seus lábios, exceto o velho Jeroboão, que de olhos fixos no solo desenhava alguma coisa complicada no pó. Míriam olhou para o desenho e com os olhos interrogou Jeroboão sobre aquele desenho.

— Este é o Bel-Beu, o Nó Infinito. Quer dizer que no Laço da Vida que se manifesta nesta terra, tudo, vivo ou não, humano ou não, está aprisionado. Nada lhe escapa. Este nó simboliza a Vontade do Supremo Criador, Brahma. Nele trabalham Vishnu, o Criador, e Shiva, o Destruidor. Estas duas outras formas de se manifestar de Brahma são responsáveis pela existência desde o menor mosquito sobre nosso mundo, até a maior dentre as estrelas lá no céu. 

Anjos e humanos, todos estão entrelaçados pela Vontade de Brahma. Assim, por Sua Suprema Vontade o que possa parecer estranho e milagroso aos olhos míopes do corpo, não é nada demais aos olhos dos que podem enxergar além da matéria. Em todos os tempos, desde que o mundo é mundo, há Arcanjos criando corpos e se manifestando entre a raça humana a fim de com ela trabalhar para o avanço de todos em direção ao Bem. Os humanos, meus filhos, são bebês diante da longa vida que terão de viver aqui na Terra. E como sabeis, a vida não é vivida apenas uma vez na encarnação. Cada um de vós deve experimentá-la centenas e centenas de vezes, pois a cada vez tudo estará mudado, transformado pela aprendizagem lenta, mas contínua da raça humana. Não é a primeira vez que um corpo é gestado no ventre de uma fêmea humana sem a participação de um macho da espécie. Tais envólucros carnais são necessários que assim sejam criados porque as entidades que devem se manifestar através deles não podem mais envolver-se nos nós do Carma Grupal da Humanidade. Nas distantes terras do Oriente assim como aqui, dezenas e dezenas de Arcanjos e entidades superiores, como os Budas, tomam corpos gestados em ventres femininos sem que o homem tenha qualquer participação em suas formações. Então, o que aconteceu a Míriam, a mãe de Yehoshua, não deve ser tomado como algo sobrenatural, mas sim que ela mesma já é um espírito muito acima dos de quase todos os que vivem agora entre vós, encarnados. Só ventres privilegiados, de mulheres cujos espíritos estão muito além do avanço comum dos que vivem em seus tempos de existência, podem ser escolhidos para esta missão. Por isto é que Gabriel disse que Míriam era a mais pura e a mais digna entre as mulheres…

— Mas, Jeroboão — interrompeu Marta, irmã de Yehoshua — nossa mãe teve a nós outros, mais oito filhos depois de Yehoshua, seu primogênito. E não fomos concebidos de modo especial e sim com o concurso de nosso pai, Yoseph. Como, então, ficamos nesta história fantástica?

— Ficais como deveis ficar. Sois entes normais, que estais no mesmo patamar de evolução que a maioria da humanidade encarnada pelo mundo a fora. O fato de o Criador ter-se utilizado do ventre de Míriam, que, diga-se de passagem, aqui veio exatamente com a missão de criar um corpo digno de gestar outro especial, não a impede de cumprir com as obrigações a que está aprisionada em sua condição de mulher e de vivente em uma cultura humana. Seu ventre não foi esterilizado só porque gestou um corpo especial. Este corpo bem poderia ter sido criado fora de outro, num momento único, mas não era este o desejo do Ser que o ocuparia. Ele se determinou nascer do ventre de uma mulher e ser visto como um entre os demais, a fim de não ser tomado como um Deus na Terra e ser transformado em algo à parte, o que comprometeria Sua missão…

— Estás dizendo que meu filho… Yehoshua… Ele é um ser especial?

— E eu precisaria dizê-lo? Não vos basta o que tendes visto e vivido a seu lado durante toda esta vida em que ele tem estado entre vós?

As mulheres se entreolharam, pasmas. Míriam, a esposa, pigarreou e tomou a palavra.

— Jeroboão, como fico eu neste história fantástica? Que eu saiba, sou uma pessoa comum, uma mulher como outra qualquer. No entanto, Yehoshua se apaixonou por mim e me tomou como esposa…

— Não sois alguém comum, Míriam de Magdala. Também tereis participação ativa na vida de Yehoshua e foi devido a essa vivência futura que ele vos escolheu para viverdes ao lado de seu corpo especialmente criado para existir como um mortal comum. Ele, em vosso corpo, gerará descendência que não o envolverá nos nós do Karma, pois para este, basta tu. És um espírito muito além deste tempo, mas muito aquém do estágio em que o Espirito de Yehoshua se encontra. Ainda estás aprisionada no Bel-Beu e no Karma, embora já quase fora deste último. A descendência de Yehoshua não terá nada, absolutamente nada de especial, mas selará seu compromisso com esta humanidade até seu fim, até seu extermínio. Com esta união Ele se compromete batalhar para levar o máximo de seus filhos e, simultaneamente irmãos, ao Paraíso onde vivem os bem-aventurados de todas as grandes épocas.

Antes que mais alguém dissesse alguma coisa, Jeroboão se pôs de pé e ordenou que todas fossem deitar e guardassem sigilo sobre o que tinham tomado conhecimento naquela noite, pois a primeira que ao menos pensasse em dizer uma única palavra sobre isto, perderia não somente a voz, mas também a recordação de tudo, até de quem é nesta existência. 

Mais tarde, deitadas e ouvindo os ruídos dos insetos e dos batráquios lá fora, na escuridão, elas permaneceram acordadas, coração aos pulos sob pensamentos os mais desencontrados e confusos…