Maldito triceps!

Maldito triceps!

Detesto quando perco o sono à noite e fico rodando na cama vendo as horas se arrastarem como lesma de pileque. Não tenho nada para escrever, pois me falta vontade até de ler algo que preste. Das intrigas do PETROLAÇO já estou cheio. Está em tudo que é jornal e revista. É só passar numa banca de jornal. Nem precisa comprar. E se estiver com preguiça, basta ligar sua TV e pronto. Ou você ouve sobre o PETROLAÇO, ou ouve sobre alguma coisa inventada pela Globo para manter no ar as mesmas caras já enjoadas de seus “astraços” e “estrelaças”. É um porre!

Então, que tal uma piada? Afinal, rir ainda é o melhor remédio.

Um sujeito fez sessenta anos. Sente-se no vigor da idade. Não tem a mínima sensação de velhice. Nada cem metros toda segunda, quarta e sexta e corre três quilômetros diariamente, quando chega da empresa. Feliz por isto e pelo desempenho do marido na “tarimba”, a esposa decide dar-lhe de presente uma semana de treino físico numa academia renomada na cidade. Ali trabalham os melhores professores de Educação Física. Ele aceita todo contente. “Vai ser moleza” diz de si para consigo. E lá se vai começar o treinamento.

SEGUNDA-FEIRA

A sua “personal training” chama-se Nádia. É instrutora de aeróbica. Escultural. Olhos verdes. Sorriso “colgate”. Pernas de meter inveja na Vênus de Milo. O sonho de qualquer macho bom de cama. O cara fica todo assanhado e já pensa em como colocar um par “daquilo” na esposa sem se comprometer com a divina Nádia. Apenas uma sem compromisso. Afinal, pensa ele, toda mulher merece uma caridade…

O pior do dia foi levantar às 5 horas. Estava acostumado a dormir até às 9, quando levantava para ir para sua empresa. Mas depois que viu a instrutora achou que valia fazer aquele pequeno sacrifício.

Nádia andou pela academia toda, exibindo aquele sorriso maravilhoso e descrevendo os aparelhos com sua “voz de alcova”. O sujeito estava quase tendo orgasmo só de olhar para o bum-bum empinada da moça. Então, ela o manda sentar na bicicleta e ele se gaba de que corre diariamente três quilômetros. Ela sorri e calibra o peso nos pedais. Ele começa. Depois de dez minutos a moça veio tomar-lhe o pulso. Alarmou-se. Estava disparado e ele pedalava com a boca aberta, fazendo um esforço danado para respirar. Ele não lhe disse que seu pulso estava disparado por causa da sua presença tentadora e… e devido às suas próprias fantasias. Aquela roupa de malha coladinha no corpo era um verdadeiro veneno. Deu mais de si nas pedaladas e manteve a barriga o mais possível encolhida para não fazer feio diante daqueles olhos maravilhosos. Foi para casa estafado. Nunca imaginara que uma simples bicicleta pudesse cansar tanto.

TERÇA-FEIRA

A Estação de Musculação.

A Estação de Musculação.

Foi para a academia cheio de expectativas. Nádia lhe pareceu mais bela que no dia anterior. Recebeu-o com muito carinho e com aquele sorriso angelical. Foi para a bicicleta e pedalou por 20 minutos. Dali, para a barra, fazer supino. Nádia caprichou nas anilhas, mas ele suportou com galhardia. Depois dos peitorais trabalhou biceps, triceps, ombros e sei-lá mais o quê. Suava em bica. Mas sempre sorria e se mostrava muito firme, quando ela lhe vinha perguntar se estava bem. Foi para o “leg-press” e pediu que ela colocasse 250 kg. Ela hesitou, mas ele não podia deixar por menos. Afinal, ao lado, uma madona negra levantava esse peso facilmente. As coxas da mulher pareciam dois pilares enormes. Ele tinha de impressionar. Mas quando sentiu o peso quase desistiu. A presença atenta de Nádia observando-o fez que engolisse a careta de dor e caprichasse no esforço para parecer natural. Precisava impressionar a moça. E dali para um aparelho que ela chamou de Estação. Só se era um estação do inferno. Teve de se exercitar em todos os aparelhos agrupados ali, mas deu conta. Sempre sorrisos e derretimentos para a instrutora. Quando pensava que tudo tinha terminado, já exausto, Nádia o levou de volta à bicicleta e teve de pedalar por mais 20 minutos. E como se não bastasse, ela o obrigou a correr um quilômetro na maldita esteira! Mas ela ia ver quem ele era. Se os vinte minutos da bicicleta pareciam não passar, o que dizer do tempo na esteira? Que final de exercícios terrível! Parecia que nunca ia terminar. Voltou para casa moído e nem se despediu de Nádia.

QUARTA-FEIRA

Foi o diabo para se levantar da cama. A cabeça pesava mais de uma tonelada e o pescoço doía como o diabo! Escovar os dentes? Um exercício digno de um mago. Teve de mover a cabeça de um lado para outro porque não tinha como mover os braços, travados e duros. Diabo de academia infernal! E dirigir? Como seus braços pesavam e estavam lerdos. Passar as marchas era um esforço para Hércules! Foi terrível conseguir não causar um acidente. Estava lento de movimentos. Tudo pesava em seus braços. E tudo doía. Peito, braços, costas, tudo! Até respirar doía. As panturrilhas ardiam em brasa quando tinha de pisar no embreagem para mudar as marchas. Que agonia! Sentia-se fisicamente impossibilitado e teve vontade de retornar para casa, mas o que diria à sua esposa? Não, não. Era um presente. Tinha de valorizá-lo. Estacionou o carro numa vaga para deficiente físico. Era justo. E era mais perto da entrada. Desceu do carro mancando e fazendo caretas de dor. A voz de Nádia lhe pareceu irritantemente aguda. E pela primeira vez notou que ela tinha o mau costume de gritar para incentivar seus alunos. Seus gritos o irritaram, mas se conteve. Ela veio sorrindo para ele e não pode deixar de pensar: “lá vem a diaba!”. E a “diaba” lhe colocou uma cinta para que ele pudesse fazer a escalada da parede de cinco metros. Por que diabo um imbecil inventa a merda de um treco desses, quando escalar seja lá o que seja está obsoleto? Basta ir de elevador, bolas!” Mas conteve a irritação e subiu a parede fazendo das tripas coração para agüentar a dor nos braços e no corpo. Sorrindo, a “diaba” lhe disse que aquele exercício tonificava os músculos dos dedos das mãos e dos pés e o faria ficar em forma… Foi isto ou foi alguma merda deste tipo, que elas aprendem para incentivar os tolos. Deu graças a Deus quando os exercícios terminaram. Saiu zunindo e não se despediu de Nádia, fingindo ignorar seu maldito aceno de mão.

 QUINTA-FEIRA.

A desgraçada da Nádia o esperava com aquele sorriso de vampiro com sede e mostrando seus odiados grandes dentes brancos. Escrota! Ele chegou atrasado de propósito. Estava sumamente raivoso. Levou um tempo demorado pra trocar de roupa e calçar os tênis. Imaginar a feiosa irritada pelo seu atraso o fazia vingado. Mas a bruxa do setenta e um se vingou. Levou-o para os malditos pesos. Pra que diabo alguém inventa uma bosta destas, gente? Ficar idiotamente levantando pesos sem qualquer proveito é burrice! Todo trabalho tem de render algo bom, ou seja: bom dinheiro. Aquelas anilhas malditas não lhe rendiam senão cansaço, suor e dor. Maldita Nádia! Quando saísse dali nunca mais queria ver a peste filha de uma égua! Assim que Nádia se distraiu ele correu para se esconder no banheiro. Mas não adiantou. O amásio da vaca veio buscá-lo de volta para o antro de tortura. E para castigá-lo pela fuga covarde puseram-no a trabalhar no remo. Gente, remo! Ele nunca pretendera ser remador de merda nenhuma! Começou a trabalhar naquilo e se fudeu todo

SEXTA-FEIRA.

“Eu odeio essa maluca. Estúpida, megera, anêmica, esquelética morta de fome! Chata de galocha! Vaca! Feminista sem cérebro! Marimacho filha da puta! Desgraçada!” Foi assim que ele olhou para a sorridente instrutora que veio toda feliz perguntar como ele se sentia naquele dia. Quase lhe responde aos gritos: “Eu me sinto todo fudido, sua vaca! E tudo por sua causa, monstro!”  Se houvesse uma parte de seu corpo que ele pudesse mover sem sentir dores cruciantes com certeza partiria pelo meio a piriguete metidinha a gente. E pensou, enquanto forçava um sorriso qualquer, que gostaria de lascar ao meio, com um machado cego, a desgraçada que pariu essa xexelenta de uma figa. Essa torturadora medieval. Mulher do capeta… Não, nem o pé-de-bode agüentaria uma coisa desta. Aquilo não era mulher. Era uma bruxa disfarçada de gente. E eis que ela quer que eu trabalhe novamente o tal de triceps. EU NEM SEI ONDE DIABO FICA ISTO NO MEU CORPO, MERDA! Ele fez as extensões com o aparelho para trabalhar o tal de triceps e quase se quebra todo, caralho! Estava arriado, fudido, arrebentado. Ah, como queria que a hora corresse, mas a desgraçada era tão malvada quanto a tal Naja. Naja mesmo, não Nádia. Nádia é só o disfarce para a víbora dos infernos. E eis que ela me bota para levantar meu corpo nas barras paralelas. DESGRAÇADA! Eu me desmontei todo. Quase caguei de tanto fazer força, merda! E não levantei meu corpo mais que três vezes. E já peidando de tanto me esforçar. Depois, ela me levou, todo quebrado, para a maldita bicicleta. “Mas que diabo de geringonça é esta que pesa como meus pecados e não sai do lugar? Bicicleta que é bicicleta anda, porra!” Não andei nem cem metros ali e desmaiei. Acordei na cama de uma nutricionista, uma vaca com cara de mal comida que me deu uma catequese de como me alimentar de modo saudável. Quem diabo ela pensa que é, pesando cem quilos, para me dar aula de boa alimentação? Este mundo tá de ponta-cabeça, cara! Uma gorducha ensinando como ser magro?! Que qui é isso! 

SÁBADO.

“A lazarenta da Nádia deixou uma mensagem no meu celular com aquela vozinha irritante de lésbica assumida. Ela ousava me perguntar por que eu não comparecera à aula, pode! A peste me desmontou todo, me fudeu dos pés à cabeça e quer fazer mais o quê? Puta!” Ele jogou o celular no chão e saltou sobre o coitado, só para urrar de dor nas panturrilhas. Aí se lembrou que até para apertar os botões do controle remoto da TV estava difícil, quanto mais fazer a merda que tinha feito. Quase chorando entrou em casa.

DOMINGO.

Pede ao seu vizinho que vá à missa e agradeça a Deus em seu lugar pela semana que terminou, pois ele não pode se mexer de tanta dor no corpo desmontado. E rezou fervorosamente para que no ano que entra a infeliz de sua mulher lhe dê de presente algo mais divertido, como um tratamento de canal, um cateterismo ou, até, um exame de próstata com toque e tudo. Mas pelo Amor de Deus, que ela se esqueça da maldita academia.