Ela fala de modo ambíguo. Será de propósito, perseguindo o IBOP a qualquer custo, ou será por vício de linguagem?

Ela fala de modo ambíguo. Será de propósito, perseguindo o IBOP a qualquer custo, ou será por vício de linguagem?

A emproada repórter da Rede Globo de Televisão, no programa BOM-DIA BRASIL, com expressão de seriedade estudada, olhar pesado, cara de má, diz que “A ‘Presidente’ Graça Foster desmente Vanina Velosa…”. Com esta declaração bombástica, ao estilo do jornalismo oportunista e escandaloso, maldoso e subliminarmente direcionador da opinião pública, a Rede Globo cometeu um crime que pode ser cobrado na Justiça. Ela, sem provas nenhumas, afirmou categoricamente no ar que Dª Venina Velosa é uma mentirosa. Fosse eu o advogado da senhora e entraria com um processo pedindo retração pública da Globo e indenização por danos morais. Graça Foster não desmentiu o que disse Venina. Apenas apresentou outra versão dos fatos relatados por Venina. E dizer isto é muito diferente. É respeitar a corajosa empregada da PETROBRÁS e agir de conformidade com a Lei, não pressupondo nada sobre sua culpabilidade nem induzindo a audiência no sentido de também formar um juízo depreciativo sobre Dª Venina.

Quando é que os comunicadores da Mídia Televisiva falam sem segundas intenções? Sem o desejo de "formar e dirigir opiniões"?

Quando é que os comunicadores da Mídia Televisiva falam sem segundas intenções? Sem o desejo de “formar e dirigir opiniões”?

O que mais lastimo no “Jornalismo” Democrático, que alega que o público tem todo o direito de saber tudo o que lhe interessa é que em nome desta duvidosa alegação usa de meios e artifícios subliminares da linguagem escrita e falada para direcionar a opinião pública. Formar correntes adversas ou favoráveis a determinado assunto, desde que, de algum modo, lucre com isto. Na verdade eu não sei por quem torce o jornalismo da Rede Globo, se pela corrente PMDBISTA ou se pela corrente PETISTA petralhista. 

Poucas pessoas, creio eu, percebem claramente quando há uma armadilha verbal na comunicação da Mídia. Talvez porque o ensino de nosso idioma, desde que os militares bons deixaram o Poder, vem decaindo assustadoramente, a ponto de se editar uma Lei que obriga os professores a aprovar alunos que não conseguiram aproveitamento quase nenhum nas matérias estudadas durante o ano letivo. O que se tem feito com nosso vernáculo nestes últimos 20 anos é assombroso. Estão, talvez propositadamente, destruindo-o, depenando-o de todo o seu belíssimo e riquíssimo significado, regido por Leis Gramaticais importantíssimas, jogadas à lata do lixo da ignorância “entronada” em nosso Poder Maior. 

Com salas de aulas como esta, que há aos milhares pelo Brasil a fora, como se pode acreditar num bom ensino de nosso idioma? Professores qualificados dificilmente aceitarão tamanha humilhação.

Com salas de aulas como esta, que há aos milhares pelo Brasil a fora, como se pode acreditar num bom ensino de nosso idioma? Professores qualificados dificilmente aceitarão tamanha humilhação.

Nós somos irresponsáveis nacionais. Desde quando começamos a balbuciar nossas primeiras palavras que já enveredamos por um labirinto doentio de erros gramaticais, que, enquanto crescemos, vão-se firmando em nossa mente como naturais, enfeiando e empobrecendo nossa capacidade de transmitir oral ou por escrito o que realmente desejamos transmitir a terceiros.

É por isto que, numa velocidade suicida, o “paulistanês” avança descontroladamente para a criação de uma Gramática feia, confusa e que leva quem o fala a dizer exatamente o contrário do que desejava. Por exemplo? Quando ouvimos um paulistano falando “vá pedir pra ele”, se se estudou bem a Gramática de nosso idioma, fica-se sem saber o que diabo quis dizer aquele que falou isto. Por que vou “pedir para ele” se ele pode pedir por si mesmo perfeitamente? Em outras palavras, esclarecendo aos que já estão mergulhado na cegueira da ignorância gramatical do “paulistanês”, o verbo pedir aceita a regência prepositiva “a”, “por” e “para”. 

No emprego da preposição “a”, a expressão pedir a quer dizer que uma pessoa pede algo a alguém. E o faz para si mesmo, para atender a uma sua necessidade. No emprego da preposição “por”, a expressão pedir por quer dizer que uma pessoa pede em favor de alguém; pede em lugar de alguém que está impossibilitado de o fazer. No emprego da preposição “para” há duas acepções sutis, que embelezam nosso idioma quando compreendidas e bem empregadas. No emprego da preposição “para”, a expressão pedir para tem as acepções a) solicitar LICENÇA a alguém para fazer alguma coisa. Exemplo: Pediu para falar à platéia = pediu (licença) para falar à platéia; b) tem, ainda, a acepção de solicitar alguma coisa a alguém para dá-la a outrem. Exemplo “Pediu o livro para ele” = pediu o livro para dar a ele, não para si mesmo. E o fez por que a pessoa que deseja o livro está impossibilitada de fazer o pedido por si mesma.

Atualmente, em nome da pressa e da “economia de espaço”, a Mídia escrita comete barbaridades de arrepiar os cabelos dos que ainda entendem nosso vernáculo. Mas o pior é que transpõem para a comunicação oral dirigida à massa auditiva, aquela “economia de espaço” e aí as besteiras que falam desorientam todos os que ainda falam o português.

Ela falou cuidadosamente, não acusando diretamente a empregada da PETROBRÁS, mas deixando nas entrelinha que ela foi incompetente em sua comunicação.

Ela falou cuidadosamente, não acusando diretamente a empregada da PETROBRÁS, mas deixando nas entrelinha que ela foi incompetente em sua comunicação.

À parte, porém, os erros gramaticais, há os que ou por ignorância ou por malícia, falam de modo irresponsável e induzem os seus ouvintes em erro grave, atingindo, com sua malícia ou sua ignorância, a imagem de outrem, seja este outrem uma pessoa, seja uma entidade comercial ou pública.Foi o caso da repórter do BOM-DIA BRASIL de hoje. Ela, por ignorância gramatical, ou por malícia devido a interesses inconfessáveis, detratou a honra da senhora Vanina Velosa, induzindo os milhares de ouvintes do programa, de modo subliminar, a aceitar a suposta culpabilidade da empregada da PETROBRÁS; a aceitar que ela foi desonesta, mentirosa e estúpida na comunicação, como Graça Foster, muito cuidadosamente, deixou entrever em sua fala na entrevista levada ao ar.

Então, você que me lê, se ouviu o programa da Rede Globo, o Bom-dia Brasil de hoje, retifique seu entendimento e saia fora da manipulação desta mídia perigosa. Não pré-julgue a Senhora Vanina. Não se deixe levar por uma manobra que tanto pode ter sido somente na busca de uma audiência televisiva, mas de modo criminoso, ou propositadamente procurando acender uma discussão sobre o tema, polarizando, ainda que errada e criminosamente, a opinião pública, visando tão-só audiência e, não, a Verdade dos fatos.

Um abraço.