E vamos pensar, já que perdemos o sono devido a um torcicolo.

Há visitas que nos surpreendem, pois trazem dilemas que são universais e elas nem saberem disto.

Vera veio visitar-me. Chegou tensa e pouco falante. Notei a ausência de Felício, agora seu esposo. O casal andava desaparecido há muito tempo e eu já pensava que tivesse mudado de Estado, pois viviam falando em ir morar no sul do país. Ela se sentou empertigada, expressando tensão até no olhar que era furtivo e inquieto. Pigarreou várias vezes e alisou inconscientemente o vestido sobre as pernas. Minha companheira estava lá dentro, no quarto, assistindo sua TV. Nós discordamos quanto aos programas de que gostamos. Não sei a razão, mas desde que eu deixei de lado as novelas da Globo, que, aliás, só assisti com interesse aquela intitulada AVENIDA BRASIL, que ela se apegou às historinhas fajutas. Chegamos do Rio de Janeiro comigo dando graças a Deus ter escapado daquele calor abrasador. Eu já ouvira falar dele, mas vivenciá-lo foi outra coisa. Nunca imaginei que a coisa estivesse tão violenta. Aqui no Centro-Oeste faz calor, mas aquele que assola o Rio de Janeiro está dando de dez a zero no de cá.

Este é o Brachiara (ou braquiara, como queira). Sua floração costuma causar a tal "febre do feno", uma reação alérgica que pode ser mortal.

Este é o Brachiara (ou braquiara, como queira). Sua floração costuma causar a tal “febre do feno”, uma reação alérgica que pode ser mortal.

Vera chegou e se deparou comigo escrevendo diante da TVzona. É que meu computador de mesa parou de funcionar e eu liguei o laptop na TV. Como o teclado e o ratinho que uso não possuem fios, está ótimo trabalhar assim. Nada como ter filho engenheiro de computação. Sou uma toupeira em matéria de parafernália cibernética e ele me quebra o galho. Após o cumprimento de praxe, Vera se mantinha calada, mas eu a observava e percebia que ela estava inquieta. Não forcei a conversa. Preferi deixar por sua conta dar início ao que eu desconfiava seria fruto de algum desentendimento entre eles. Naquele momento eu me observava mais que a ela. Ando desconfiado que vou ter voltar ao Bezerra de Menezes para trocar o sangue, de novo. Depois de 11 anos notei que, do ano passado para cá, toda vez que o braquiara floresce eu tenho reação alérgica e neste ano ela está pior, pois atacou com todos os sintomas muito fortes. Isto vem acontecendo há dois ou três anos, mas agora a violência da reação me chamou a atenção. Viajei para o Rio de Janeiro sob seu efeito, mas lá não tive reação alérgica nenhuma, embora o ar que encontrei naquela ex-bela cidade esteja cem vezes pior em matéria de poluição. Voltei de lá esgotado, mas não tive reação alérgica a nada. No início, há coisa de dois anos, não atinei com os sintomas, mas hoje, às 5:35 h, acordei com arrepios pelo corpo todo, nariz entupido, escorrendo, fraqueza, sensação de morte e me sentindo fraco, com leve tremor pelo corpo todo. Só então é que desconfiei do retorno da tal febre do feno. O braquiara ao redor de minha casa está pleno e vigoroso. Vou jogar veneno nele todo, mas mesmo que isto reduza a reação alérgica, preciso mesmo é de me livrar dela novamente, pois, uma vez que minha casa fica na parte alta do bairro e o vento sopra da parte baixa onde há muito braquiara, minha limpeza não trará quase nenhum resultado. E é aí que entrará em ação, no dia 19 deste mês, meu amigo do Astral, Dr. Renato.

Eis o Centro Espírita Bezerra de Menezes, na Rua Manágua, s/nº - Aparecida de Goiânia.

Eis o Centro Espírita Bezerra de Menezes, na Rua Manágua, s/nº – Aparecida de Goiânia.

Continuei escrevendo meu artigo. Vera continuou calada. Balançava as pernas, pigarreava, alisava a roupa, mas não dizia nada. Não era a Vera que eu conhecera antes. Falante, desinibida, alegre e jovial, aquela Vera jamais permaneceria sentada coartada como esta Vera que eu observava pelo canto dos olhos.

Aliás, observar os outros é algo que não foi adquirido por mim na prática da Psicologia Clínica, não. Sempre me observei. Desde pequeno que meu maior enigma sou eu mesmo.  E à custa de muito estudo descobri que, por força da vida de sofrimentos e traições que tive, tornei-me tendentemente introversivo, logo, misantropo. É um tanto esquisito isto, pois sou o cara mais comunicativo que conheço e acho que isto se deve ao meu signo, Libra, o signo dos extrovertidos por Natureza. Rio, brinco, ajudo, participo da vida dos que me buscam. No entanto, não me abro profundamente com ninguém. Não nos meus mais íntimos dilemas. Devido ao modo como se desenrolou minha vida, tenho a tendência a desconfiar sempre dos outros. Eu não os amo de verdade. Descobri, após me analisar durante um tempo, que eu evito amar profundamente qualquer pessoa – amigos, amigas, amantes, qualquer um ou qualquer uma. Quando nos afastamos, logo eles são colocados em um “arquivo morto” em algum lugar dentro de mim onde, como uma lembrança apenas, logo vão sumindo, sumindo, sumindo… e somem. Um modo de me defender da ingratidão e da traição. Até hoje apenas uma pessoa não foi para este arquivo morto…

Minha atenção se volta para a visitante silenciosa. Percebo claramente que ela está se debatendo em um dilema matrimonial e sorrio comigo mesmo. “Quando o sapato aperta a gente sabe para onde correr”. O dela e o meu nos apertavam. Eu deveria ser seu socorro e o Dr. Renato, o meu. Decido começar.

— Cadê o Felício?

Vera suspira e olha para as unhas da mão demoradamente, antes de responder com voz sufocada.

— Em casa, vendo filmes…

Havia uma ponta de irritação mal-contida em sua voz. Voltei-me para olhá-la de frente e falei.

Assistir aos Três Mosqueteiros (que são quatro), para mim que pratiquei esgrime é excelente distração.

Assistir aos Três Mosqueteiros (que são quatro), para mim que pratiquei esgrime é excelente distração.

— Às vezes, Vera, a magia do cinema é uma forma de escapada melhor que ir para o botequim jogar, beber ou se envolver em brigas. E como todo comportamento humano é sempre uma resposta a um estímulo, se seu marido se encontra em fuga, há um motivo e tenho certeza de que este motivo está em você.

Ela permaneceu em silêncio por um longo tempo, sempre olhando para as mãos. Então, com um suspiro, falou.

— Doutor, o senhor sabe o que é Felicidade? Conhece a Infelicidade? Pode descrevê-las para mim? Pode-me dizer porque o amor entre um homem e uma mulher termina invariavelmente em fel e amargor?

Suspirei, cansado. Quantas vezes eu havia ouvido perguntas similares durante meu tempo de psicoterapeuta de casal? Perdera a conta. O tempo passou e os casais continuam patinando no mesmo limo.

— Felicidade e Infelicidade, Vera — disse eu, com um profundo suspiro —, são dois vocábulos vazios de significados. São vocábulos que se referem a ilusões, como, aliás, todos os vocábulos que dizem respeito a reações emocionais. O mesquinho e rancoroso se sente feliz quando consegue sua vingança contra alguém a quem vota raiva por pura inveja subliminar; o bondoso se sente feliz quando consegue ajudar a alguém em desespero. Mas o que é mesmo este estado emocional? Há felicidade na vingança? Para o vingativo, há. Há felicidade na corrupção? Para o corrupto, há. Há Infelicidade no pranto dos que carpem a perda de um parente amado? Para o saudoso, há. Há infelicidade no amargor da vitória mesquinha sobre alguém que não podia se defender? Para o arrependido, há. Então, não procure definições que não existem para vocábulos vazios.

— No entanto — disse ela, encarando-me com olhos brilhantes —, a gente sente estas emoções. A de felicidade e a de infelicidade. E tudo, conforme o senhor mesmo acabou de dizer, em função de uma resposta emocional nossa a um estímulo comportamental do outro. Estou certa?

Começava a esgrima psicológica. Parei o que escrevia e me voltei todo para ela.

— Certa vez, Vera, eu disse a você e ao Felício que o gozo sexual era algo íntimo, daquele que gozava e, não, causa da ação de seu parceiro. Está lembrada?

— Sim. O senhor me convenceu de que ao gozar em companhia de meu marido eu o fazia porque me permitia isto e que ele era tão-só um instrumento de meu prazer. Já comprovei isto centenas de vezes. Mas o que tem o gozo sexual com o que estamos falando, agora?

— Tudo. O que você sente emocionalmente é todo seu. O outro tem pouca importância neste processo.

— Acho que não — rebateu ela, faces afogueadas. — Quando Felício e eu não éramos íntimos, eu não sofria o que sofro agora. Ele é a causa de minha angústia, minha… infelicidade e disso eu estou certa. Eu era feliz e ainda o fui por um tempo, depois que nos casamos. Agora, nossos desentendimentos nos tem levado à frieza e ao sofrimento. Minha felicidade foi pelo ralo e em seu lugar ficou a infelicidade.

— Você se permitiu ser infeliz — disse eu, incisivo. — Você permitiu que aquilo que chama de felicidade fosse pelo ralo; você se permitiu aceitar aquilo que chama de infelicidade. Enquanto viver por conceitos você sofrerá.

Vera não era pessoa de responder pelo impulso. Por isto mesmo, era perigoso um leigo expressar seus pensamentos para ela. A moça sempre pensava no que ouvia e organizava-se intimamente para responder. Era uma cliente de psicoterapia muito perigosa para um profissional. Era inteligente, esperta e clara em suas colocações. Naquele momento ela guardava silêncio, mas seu olhar me dizia que pensava. E muito. Então, continuei.

— Vera, todos os que vivem centrados em conceitos buscam nos outros o que tais conceitos tentam definir. Este é o maior erro das pessoas ditas civilizadas. Você não foge ao padrão. E não poderia, pois é condicionada a aceitar este modo de entender o relacionamento humano como uma troca, um toma-lá-dá-cá. Ou seja: eu me esforço para lhe dar o que penso que é o que você quer ou de que precisa. Para tanto, esforço-me para modificar meus hábitos, meus modos de ser, de ver e de entender os processos que acontecem ao meu redor. Com isto, eu me violo e me torno incômodo ou incômoda para comigo mesmo. Ao me violar na ilusão de agradar o outro, eu me irrito comigo e como não posso cobrar de mim uma recompensa pelo que abdico, cobro de meu parceiro ou de minha parceira uma recompensa à altura, está entendendo? Há uma aceitação tácita na sociedade de que a mulher, uma vez casada, não pode mais se comportar como se comportava quando solteira. Ou seja: não pode trajar mais aquela roupa chamativa, que expunha seu corpo tornando-o desejável e atraente aos machos da espécie. Ela, casada, tem de se comportar, o que implica ter de modificar totalmente um comportamento a que estava condicionada. Veja você, por exemplo. Quando na época de solteira era livre para expressar sua opinião francamente, ainda quando esta se chocava com aquelas de Felício. Eu o vi muitas vezes agastado com sua sinceridade, mas não o vi em nenhum momento recriminá-la e tentar impor seu ponto de vista a você. Não sei se após o casamento ele agiu para reprimir sua liberdade de ser. Mas se o fez, jogou terra nas engrenagens delicadas do relacionamento de vocês, pois nenhum EU aceita repressão imposta de fora. Até as que vêm de dentro da pessoa têm de ser bastante trabalhada para que o EU as aceite e incorpore.

— Doutor — e sua voz soou firme, decidida —, toda a Sociedade humana, e falo de toda ela, é estruturada em conceitos. Conceito de bem e de mal; de certo e de errado; de pode e de não pode. Não há nada que não seja conceitual na Sociedade Humana. Como viver socialmente sem tentar adaptar-se aos conceitos que regem o viver social?

Era a Vera que eu conhecia. Combativa, questionadora e defensiva.

— Claro que você está certíssima. Mas eu disse que somos condicionados a aceitar a doentia interação social de toma-lá-dá-cá. Ou seja: ninguém dá sem esperar algo em troca. Devemos começar um relacionamento deixando bem claro que no nosso relacionamento um não vai cobrar do outro o que lhe deu de algum modo, em algum momento. Deu? Então está dado e pronto. Compreende? Deste modo, a pessoa começa a sair fora do modus operandi social. Este é o primeiro passo. O segundo é observar que ninguém é boneco de ninguém, principalmente de terceiros que nada têm com a relação que mantemos. Nosso vizinho não tem o direito de me criticar por tal ou qual gosto ou por tal ou qual modo de sentir e viver minha realidade, minha vida. Você casou-se com um ex-padre e deve ter sido muito criticada a boca pequena pelas beatas, não é verdade?

— Hum-hum. Mas eu não me incomodei nem me incomodo com o falatório. A vida é minha e faço dela o que eu quiser.

— Exato. É fácil tomar esta atitude em relação a terceiros que não fazem parte interativa de nosso viver. Mas quando se trata de parceiro ou parceira, a coisa muda de figura. Você também me ouviu dizer, numa de nossas conversas, que a reação emocional que mais domina o viver humano é a de MEDO, está lembrada?

— Hum-hum. E o senhor está certíssimo.

— Bom, você, como toda mulher socialmente integrada, alimenta o temor de que seu marido possa se interessa por outra. Este temor jaz no íntimo de qualquer mulher casada. Por isto ela exagera na fantasia de se mudar para agradar ao homem que, agora, socialmente é seu. E muda seu comportamento, até se violentando, na ilusão de que o está agradando. E quando ele eventualmente lhe faz uma crítica pelo modo como se veste ou se pinta, você interpreta aquilo como sendo uma diretriz para sua decisão acertada de se modificar para o agradar. Só que ao se modificar sem se observar em primeiro lugar, viola-se e ao se violar cria um conflito interno consigo mesma. Por exemplo: você gostava muito de viajar para as cachoeiras do Estado. Mudou neste gosto?

Vera sorriu e acenou afirmativamente com a cabeça.

— E por que?

— Porque, descobri depois de casada, o Felício não gosta de ir às cachoeiras. Ele é branco como uma banana descascada e tem vergonha disto.

— E isto foi razão suficiente para que você se privasse de seu prazer que não o ofende de modo algum?

— Ora, ele demonstrou ciúme. Acho que pensa que vou ser cantada por outro homem se for sozinha ao passeio.

— Uma atitude machista que, no entanto, não reflete insegurança em si mesmo, mas uma atitude de inaceitação — disse eu. — Felício parece até que se esqueceu do que eu lhes ensinei insistentemente: ninguém é dono de ninguém. Todos nos damos aos outros na medida de nossa disponibilidade para isto. E só o fazemos em função do que o outro faz por merecer de nós a nossa entrega. Na verdade eu não creio que conscientemente ele tenha-se esquecido disto. No entanto, ao aparentemente lhe impor a cessão de seu direito ao prazer natural de ir banhar-se nas cachoeiras, Felício adquire uma dívida difícil de pagar. Não com a pessoa social que é você, mas com seu EU interior. E este EU não costuma perdoar uma tirania. Você sabe disto. Aprendeu comigo. Agora, vamos retornar ao medo da esposa de que seu esposo se interesse por outra. Este medo reflete um profundo complexo de inferioridade. Toda mulher se sente inferior a outras, até porque os padrões de beleza e de desempenho sexual modificam-se constantemente. Não é possível à mulher satisfazer tais padrões, pois todos são conceituais. O complexo de inferioridade a que me referi torna reduzida a auto-estima da mulher e isto fatalmente se reflete na sua auto-imagem. E se reflete de modo distorcido, ou seja, ela passa a encontrar defeitos onde, antes, nem ao menos notava existir. E quase sempre não existem. Ora, uma auto-acusação é algo que o EU repudia veementemente e aceitar que tem um defeito qualquer está dentro deste processo. Assim, com muita freqüência, a mulher adota modificações que aparentemente visam agradar ao seu marido sem se dar conta de que inconscientemente busca esconder os fantasiosos defeitos derivados de conceitos sociais inconsistentes.

— E fazendo isto — disse Vera, rindo —, a mulher não percebe que aquilo que lhe parece importante modificar não tem qualquer importância para seu marido… É gozado, enquanto o senhor falava eu me enquadrava direitinho no que dizia. Veja, eu me refreei em minha espontaneidade no que diz, por exemplo, contestar o que ouço de conformidade com o que penso que sei. E muitas vezes eu tenho razão, mas me refreio porque acredito que agindo contestadoramente vou chocar o Felício. Na verdade, doutor, observo agora, minha espontaneidade nunca o chocou. Ao contrário, sempre o divertiu. Muitas vezes nós rimos juntos de minhas escorregadas intempestivas…

— Muito bom que tenha tomado consciência disto, pois este fato, juntamente com dezenas ou centenas de outros de pequena monta, fizeram que a Vera que o EU de Felício amou se tenha modificado de modo incompreensível para ele. Isto colocou o EU de Felício inseguro quanto a você. A nova mulher não deve agradar ao EU de Felício, mas este desagrado acontece subliminarmente, nele. Assim, nasce em seu íntimo e sem que se dê conta disto, sem que tome plena consciência deste fato importante, uma insegurança quanto a ser você realmente a mulher que o atraiu inicialmente. Se não é; se se modifica estranhamente, então, a quem deseja agradar, agora? Motivado subliminarmente por esta insegurança o comportamento manifesto de Felício reflete um “descuido”, uma “desatenção” para com você. É o reflexo subliminar da reação de não aceitação do EU de Felício pela mulher que suas fantasias, Vera, estão construindo. Então, a nova mulher só desperta desconfiança e inaceitação no EU subliminar de Felício e esta desconfiança, e esta inaceitação terminam influindo no comportamento manifesto dele. Sem consciência plena do que o irrita subliminarmente, Felício se comporta de modo fugidio, arredio e aparentemente indiferente. É que seu Eu social, consciente, não sabe como lidar com algo que lhe foge ao domínio – a irritação e a desconfiança internas.

Vera permaneceu calada, olhar perdido à frente de si, por um longo tempo. Então, focando a vista me fitou e disse com voz decidida.

— Sou eu a causa de nosso desencontro… Preciso mudar isto. E vou mudar.

— Atenção, Vera — exclamei —, num casal ninguém erra sozinho. Não se esqueça disto. A interação entre os EU’s subliminares é constante e eles costumam dar nó nas nossas vidas.

— Então — disse ela, rindo —, acho que terei de arrastar o Felício para uma sessão de psicoterapia como esta que acabamos de fazer.

— Não foi…

Ela me deu tchauzinho com um sorriso maroto e se foi apressadamente…