Sujeito izoneiro como ele só.

Sujeito izoneiro como ele só.

Izoneiro. Mais de nove décimos da população de Zé Nings brasileiros não sabe o que significa este vocábulo. No entanto, agora, neste nosso momento político, ele exprime exatamente este “brasil” dos petralhas. Izoneiro quer dizer enredador, intriguista, mexeriqueiro e sonso. Uma pessoa izoneira é mentirosa, falsa, manhosa. Que palavra poderia definir com maior perfeição “nossos amados” PETRALHEIROS que se assenhorearam dos Três Poderes e de nossas empresas mistas, como a PETROBRÁS? Não há outro melhor que este.

A só menção de que os nomes de Renanzinho e Eduardinho estão na lista do “pega pra capar” que foi parar, como batata quente, nas mãos do Zavasckinho, pôs os Dois Poderes, Legislativo e Executivo, em polvorosa. É preciso levantar poeira e fazer zoeira enquanto se urde um plano às pressas de salvação dos couros luzidios às custas do nosso Erário.

Schwarzenegger despencado, tadinho...

Schwarzenegger despencado, tadinho…

Renanzinho deu a nota. Lançou a tocha acesa sobre o óleo combustível da polititica, quando devolveu a medida provisória urgente da Aloprada para que ela a transformasse em Projeto de Lei. É claro que Eduardinho tratou de assimilar a música preludiada pelo esperto Presidente do Senado.

GUERRA. Guerra declarada contra o Palácio do Planalto. E o povo? Ora, o povo é só isto: povo. Vai esperar. Vai amargar a inflação subindo, o dólar ficando robusto como um schwarzenegger, antes que tudo nele despencasse, como está despencado, agora.

Aliás, este homem que já foi um colosso de musculatura e causava inveja a muitos outros, demonstra como o Tempo é implacável. Assim também será com os Izoneiros do “brasil”. Eles vão, talvez, conseguir que o tempo seja esticado com o maroto pedido de abertura de inquérito para apurar mais responsabilidades dos Izoneiros encastelados na Casa Legislativa e Senatorial. Isto lhes dará fôlego para criar embaraços de todos os tipos e tamanhos, nenhum deles visandoa o bem do povo brasileiro, mas sim, adiar ao infinito a condenação esperada por todo o Brasil, até que recebam peninhas bem pequetitinhas, capazes de os fazer retornar ao palco dos horrores, tal e qual o Genoíno que já está em casa promovendo reuniões com seus comandados petralhas.

Não é o Brasil que é izoneiro, como cantou o poeta, mas uma classe de brasileiros que, infelizmente, ou possuem muito dinheiro, ou possuem muito Poder.

O Brasil não é mentiroso. Tudo o que dele se canta é a pura verdade e ele pode exibi-la com orgulho. Não há país mais belo que o Brasil, brasileiro. Mas não há nenhum país como este, quando se trata dos izoneiros poderosos.

Praia do Rio de Janeiro. Como é possível isto na cidade mais cantada do mundo?

Praia do Rio de Janeiro. Como é possível isto na cidade mais cantada do mundo?

Aliás, somos todos izoneiros. Todos roubamos de um ou de outro modo. Todos mentimos. Todos enganamos. Todos batalhamos para seguir os passos petralhistas, apenas com uma variante: a gente comum não age tão de peito aberto, certa da impunidade, como fazem os petralheiros. Às vezes, até é inocente e não apreende o alcance de seus atos mais comezinhos, como jogar em terrenos baldios garrafas plásticas, tampinhas de plástico, cascas de ovo e outros objetos que, cheios de água até do orvalho noturno, constituem criadouro ideal do mosquitinho “filho de uma égua” (expressão enfática empregada pelo falar nordestinês), chamado Aedis Aegypti ou coisa que o valha. Todos somos capazes de apontar o erro de nossos vizinhos, mas jamais nos enquadramos também como co-responsáveis pelos que sofrem de dengue, ou de chikungunya, ou de febre amarela, nas portas dos hospitais públicos incompetentes.

Sim, na verdade, somos todos izoneiros. Mas não o Brasil e, sim, os brasileiros.

Ainda não percebe, aquele que sem ética nem moral rouba o dinheiro da merenda escolar ou das construções públicas, que quem rouba comete assassinato. O assassinato da esperança de muitos. Quem rouba o dinheiro destinado à Educação Pública rouba todos os sonhos e todas as oportunidades que as crianças teriam se lhes tivesse sido dado o direito de sonhar dentro de uma escola de qualidade.

Quem rouba pouco se incomoda com as conseqüências nefastas de seu ato. Não se importa se outros passam fome ou morrem à míngua por falta de assistência médica pública. Quem rouba, izoneiramente só se importa com o produto de seu ato condenável.

Muito além da corrupção está o nosso dilema social atual. Ele chega até o mundo brasileiro que criamos, sem valores morais nem religiosos sérios, com uma sociedade sem parâmetros dignos, sem Ética e, acima de tudo, sem Educação Cívica.

Todos gritamos contra a ladroagem que os poderosos e endinheirados cometeram contra nós. Mas por que não nos colocamos diante de um espelho e invectivamos contra o sujeito que nos olha lá de dentro? Afinal, aquele cara no espelho também tem um rabo deste tamanho no quesito roubalheira e falta de Educação Cívica, Moral e Ética.

Sujeira nas ruas do Rio de Janeiro. Não é a Prefeitura nem o Prefeito os responsáveis por isto. São os cariocas que cobram furiosamente a limpeza da cidade.

Sujeira nas ruas do Rio de Janeiro. Não é a Prefeitura nem é o Prefeito os responsáveis por isto. São os cariocas que cobram furiosamente a limpeza da cidade.

“Antes de apontar o argueiro no olho de teu irmão, retira primeiro a trave de dentro de teu olho” já sentenciou o Sábio dos Sábios. Nós, brasileiros, somos exímios apontadores dos erros dos outros, mas somos lesmas paralíticas quando se trata de nos apontarmos nossos próprios erros, a fim de nos corrigirmos antes que alguém de fora nô-los mostre de modo reprovativo e humilhante.

Sim, “nossos” polititicas são izoneiros e, por isto, ladrões exacerbados. Roubam em todos os níveis e a todos indistintamente, até deles mesmos. Roubam suas próprias consciências e, por isto, são incapazes de assumir o erro, como fazem os japoneses, que se desculpam publicamente e assumem que foram izoneiros.

Os ladrões e corruptos de lá são honestos diante da Justiça. Os daqui, mentem até ficarem roucos, mesmo diante da Corte Suprema. Não é que não mais tenham Consciência, que isto não se perde. É que de tanto praticar a izoneria, já não mais são capazes de perceber o que é errado e o que é certo.

Vamos, então, admitir nossa “mea culpa” e, de mãos dadas, buscar corrigir-nos? Talvez, assim, possamos apontar o argueiro que tanto nos incomoda nos olhos dos outros.

Mas isto não quer dizer que devamos perdoar os PETRALHAS e os BANDALHAS. De modo algum. Eles traíram o país em que nasceram e foram alimentados. Eles foram além do izoneirismo. Portanto, pau neles.