PENSANDO BEM...

Eu tive um cão. Chamava-se Veludo.

Magro, asqueroso, revoltante, imundo.

Para dizer em uma palavra tudo,

Foi o mais feio cão que houve no mundo.

.

Recebi-o das mãos de um camarada

Na hora da partida. O cão, gemendo,

Não me queria acompanhar por nada.

Enfim, malgrado seu, o vim trazendo.

.

O meu amigo, cabisbaixo, mudo,

Olhava-o. O Sol nas ondas se abismava.

“Adeus!” me disse. E ao afagar Veludo

Nos olhos seus o pranto borbulhava.

.

“Trata-o bem. Verás como o rafeiro

Te indicará os mais sutis perigos.

Adeus! E que este amigo verdadeiro

Te conserve num mundo ermo de amigos”.

.

Veludo a custo habituou-se à vida

Que o destino de novo lhe escolhera.

Sua rugosa pálpebra sentida

Chorava o antigo dono que perdera.

.

Nas longas noites de luar brilhante,

Febril, convulso, trêmulo, agitando

A cauda Caminhava errante

À luz da Lua tristemente uivando.

.

Toussenel…

Ver o post original 670 mais palavras