Capítulo III – Surge Uma Luz (Quinta e Última Parte)

Bem, enquanto nosso Titanic luta para se manter sobre as águas, vamos continuar sonhando e nos divertindo...

Bem, enquanto nosso Titanic luta para se manter sobre as águas, vamos continuar sonhando e nos divertindo…

Aumentando a ansiedade de Mara

             As duas moças saíram apressadas. Foram no carro de Mara. A redação do jornal “A CIDADE” em que Tamara trabalhava ficava num lugar muito feio, próximo e atrás do gasômetro. Era um prédio velho reformado, de cinco andares, que mesmo pintado dava aparência de ser pré-histórico.

            Tamara esperava por Ludmila à porta do prédio. Nem as deixou descer do carro. Ao contrário, meteu-se ela lá dentro.

            — Toca pra um lugar mais agradável do que isto aqui, Ludi — foi dizendo enquanto se ajeitava no banco de trás. Era uma morena quase mulata, mas tinha cabelos castanhos claros e lisos e rosto de formato grego. Corpo esguio, musculatura rija e mãos bem tratadas. Olhos caramelados e olhar arguto. Boca bem feita e bem pintada com um baton de cor discreta. Vestia jeans e uma blusa simples, que realçava seus seios pontudos. Ti­nha estatura mais alta que a média, mas não se podia considerar uma mu­lher alta. Olhava firme para o seu interlocutor e mantinha na expres­são um ar sereno, mas que dava a impressão de uma forte determinação. Mara gostou dela logo de cara.

            — Ludi, quem é a nossa amiga? — perguntou a recém-chegada.

            — Desculpe, Tamara, esta é Mara. É uma colega muito boa.

            — Era quem estava com você, lá casa dos Kamuratti?

            — Era.

            — Você é muito arguta — disse Mara — Como é que pôde reconhecer a Ludmila naquele disfarce? Eu achava que nem a mãe dela a reconheceria daquele jeito.

            — Já trabalhamos juntas e eu sei do que a Ludi é capaz — falou, sorrindo, Tamara. — Aliás, gostaria de formar um par com ela. Pena que a gente trabalha em jornais diferentes.

            — Ludmila tem uma parceira muito boa, a Karina — disse Mara.

            — Concordo, concordo. Mas Karina é muito apressadinha. Ela ain­da não sabe cozinhar a notícia a fim de fazê-la fermentar… Você me entende?

            — Sinceramente, não.

            — Qual é a sua especialidade?

            — Como assim? — estranhou Mara.

            — Qual a seção em que você trabalha? — esclareceu Ludmila.

            — Ah… As sociais… futilidades — disse Mara, como se se desculpando.

            — Nem sempre, se se sabe dali tirar proveito — comentou Tamara.

            — Concordo com você — reforçou  Ludmila.

            — A propósito, o que vocês colheram junto àquela víbora do Kamu­ratti? Eu, sinceramente, não acredito em seqüestro — disse Tamara.

            — Nós também não — falou Ludmila pelas duas.

            — Por que você levou uma novata, em lugar de sua parceira, a Karina? Esta, eu não entendi — perguntou curiosa Tamara.

            — Mara é nova, sim, no nosso ramo. Mas é esperta e discreta as­sim como nós duas. Sabe como agir, entende? — explicou Ludmila.

            — Ah… Bem, o que vocês têm a me contar?

            — Sem informação ao jornal, certo? — disse Ludmila.

            — Certo. Ao menos, por enquanto — concordou Tamara.

            — Muito bem. Nós não acreditamos que o tal de Anteu tenha sido pura e simplesmente raptado por um grupo qualquer — continuou Ludmila — Ele andava metido…

            — … com o Kantor Antratos — completou Tamara. — Isto não é novidade para nós. Todos sabemos, até mesmo os jornais menos avisados.

            — Pois é — continuou Ludmila. — Por que um banqueiro de tanto prestígio se meteria com um marginal daqueles e poria seu prestígio em risco?

            — Você ainda não sabe? — estranhou Tamara.

            — Não. Você sabe?

            — Sei, sim.

            — E então?

            — Chantagem.

            — Chantagem?! Como assim? Ninguém é doido o suficiente para chantagear um Kamuratti — disse Mara.

            — O Dr. Anteu é metido a gavião conquistador. Vai daí, envolveu­-se com uma tal de Andréa, uma Maria-ninguém qualquer. A única coisa que a piruazinha tinha era um palminho de cara bonito. Emprenhou e pariu um filho do tal de Anteu. Foi assassinada.

            — Credo! Quem fez esta barbaridade? — espantou-se Mara.

            — Não se sabe. Desconfia-se que tenha sido o Dr. Anteu, o mandante. Mas eu particularmente acredito que não.

            — Por que? — quis saber Ludmila.

            — Porque ele ficou muito abalado com o fato e corre a boca pequena, no Banco Kamuratti, que ele brigou feio com os pais. Pa­rece que suspeita… ou suspeitou, se já se foi desta pra melhor, que a morte se deu a mando deles.

            — Pais adotivos, sabia? — disse Ludmila.

            — O que??? Então, o Dr. Anteu não é um Kamuratti de sangue? — foi a vez de Tamara se assustar.

            — Não.

            — Ah! Então, isto torna mais sólida minha suspeita. Ludmila, a gente tem de trabalhar juntas. Você tem informações importantes que completam as minhas. E eu tenho outras que completam as suas.

            — É… Mas qualquer uma de nós terminaria por descobrir toda a história…

            — Talvez… talvez… Se estivéssemos vivas no final…

            — Caramba! Você acredita que há perigo de morte…? — Mara recordou-se de pronto do sufoco que haviam passado na praia.

            — Não acredito, menina, há. E você, se tem medo, entrou pela estrada errada. E advirto que não tem volta. Os Kamuratti vão estar nos calcanhares de vocês duas até descobrir quem são. Não sejam tolas. Ele já sabe a verdade quanto à alegada noiva do Dr. Anteu. E sabe que o disfarce, qualquer que tenha sido, que vocês duas adotaram apenas encobre a verdadeira identidade de ambas. Vocês correm perigo, sim. Não relaxem.

            — Eu sei disso — disse Ludmila — mas não queria colocar Mara em ansiedade antes do tempo. Ela precisa de tempo para amadurecer a idéia de que, agora, anda sobre um fio de náilon acima de uma fogueira.

            — Lamento — disse Tamara à guisa de desculpa. — Mara, você sabe alguma defesa pessoal?

            — Por que?

            — Porque, se não sabe, comece já, agora mesmo, a treinar. Vai necessitar disto, acredite. Quem é de nossa profissão e lida com este tipo de gente tem de ser muito boa em alguma arte marcial. Principalmente se mexe com um vespeiro venenoso como o que vocês assanharam. Por que fize­ram aquela jogada tão arriscada? Praticamente chamaram a matilha de lo­bos enfurecidos para cima de vocês duas. Qual foi a finalidade?

            — Eu queria fazer com que eles se mexessem. São extremamente cautelosos e a gente, por vias menos arriscadas, não conseguiria penetrar a muralha de silêncio que eles colocam em torno de si — explicou Ludmila.

            — E eu simplesmente fui arrastada por esta doida — disse Mara aborrecida.

            — A vida só vale quando a gente está enfrentando desafios — falou Tamara com um sorriso e um brilho nos olhos que desarmaram Mara. — O que há de gostoso em ficar pacificamente executando uma rotina de segu­rança, Mara? Ter os dias seqüencialmente iguais, previsíveis? O que se pode aprender, vivendo assim? Nada! A não ser velhos e caducos estereótipos, não é?

            — Eu não sei… — respondeu Mara, dubitativamente.

            — Pois aprenda — sentenciou Tamara, incisiva — a mesmice só envenena a mente e envelhece… entorpece a alma.

            O carro enveredou pela estradinha da Floresta da Tijuca e termi­nou no Restaurante dos Esquilos. Um lugar tranqüilo, sem ninguém durante a semana e ideal para que pudessem conversar livremente.

            Tomaram uma mesa e pediram cerveja com lingüiça como tira-gosto.

            Após terem sido atendidas, deram início à conversa que lhes interessava. Ludmila, secundada por Mara, contou detalhadamente o encontro com os Kamuratti e a perseguição que sofreram. Tamara as ouvia atentamente, cenho franzido e ar de preocupação. Quando as duas terminaram, disse decidida:

            — Vocês conseguiram meter-se numa camisa de 22 varas, minhas ca­ras colegas. E eu não quero ficar de fora, de modo algum. Isto vai engrossar e eu quero estar no meio, entendido?

            — Pois eu bem que gostaria de sair disto, agora mesmo — falou Mara, desolada.

            — Não dá mais — lamentou Ludmila.  — Sinto muito, Mara.

            — Não vamos chorar o que passou. A gente não pode mudar o passa­do, não é? Então, vamos cuidar de organizar o presente para não termos um futuro escuro e fatal. Que tal?

            — Rimou — disse Mara, sem entusiasmo.

            — Eu concordo com Tamara. E creio que nosso primeiro passo, ago­ra, é descobrir o que o Kantor Antratos, ou Celso Cerqueira Lima, tem de trunfo para obrigar o Anteu a lhe obedecer e se arriscar junto à pró­pria família.

            — Mas isto é mole — exclamou Tamara entusiasmada — ele tem o filho do Dr. Anteu. Ele o escondeu em algum lugar bem escondido. E tem com a criança um exa­me médico de gene que comprova, cabalmente, que a criança é herdeira di­reta dos Kamuratti. E isto é um transtorno para aqueles usurários.

            — Se é – disse Ludmila, — temos sangue espúrio na família! Que furo, hein gente? Que furo!

            — Pequeno, minha cara, pequeno. Pode ser muito maior, se souber­mos investigar e aguardar. Jogar sujeira no ventilador, agora, só vai feder pro nosso lado — contra-argumentou Tamara. — Este negócio de remessa de dólares pra Israel, os assassinatos e… — Tamara parou.

            — E…? — instou Ludmila.

            — Bem, só digo se houver o compromisso de que vocês não irão colo­car no jornal antes do tempo.

            — Tudo bem, tem nossa palavra — disse Ludmila.

            — Você está de acordo, Mara? — insistiu Tamara.

            — Sim — respondeu a moça.

            — Muito bem. Acho que Anteu andou investigando por conta própria as atividades de seus pais adotivos e descobriu algo muito fedorento. No dia em que foi com Karina para o motel…

            — Você também sabe disto? — espantou-se Ludmila.

            — Claro! Eu estava nos calos deles. Segui-os desde que ele foi apanhar sua companheira no apartamento dela. Eu usava um disfarce de rapaz, mas esqueci que Anteu já conhecia o fulano.  Eu os perdi por um momento, quando ele me despistou na estrada. Mas consegui, depois, saber, pela Karina mesma, que tinham ido ao motel.

            — Ela lhe contou isto? — estranhou Ludmila.

            — Não. Eu… Eu grampeei o telefone dela…

            — Como é que é? Você… Mas isto é crime! — enfureceu-se Mara.

            — Na guerra, nada é crime, minha filha. E estamos em guerra con­tra aqueles abutres — defendeu-se Tamara. — Mas não se preocupe, já man­dei tirar o grampo. Não me interessa a vida sexual da amiga de vocês. O que eu desejava era descobrir até onde ela e o tal de Anteu estavam envolvidos. E foi assim que fiquei sabendo do seqüestro.

            — Ele despistou você. Então, sabia quem você era? — perguntou a ruiva.

            — Sim. O Dr. Anteu me conhece muito bem… na pele do tal rapaz. Ele sabe que o talzinho anda atrás do Celso Cerqueira como cão de fila. Uma vez tentou conseguir mi­nha ajuda, como repórter, mas naquela  época  eu sabia  pouco  da  história e me mostrei agressiva contra ele. Não me atacou, como tem feito o Kantor, que já tentou me matar umas cinco vezes…

            — Você já sofreu cinco tentativas de assassinato? — espantou-se Mara, olhando temerosa em volta.

            Tamara fitou-a e percebeu o olhar preocupado. Sorriu.

            — Não se preocupe. Não estão aqui por perto. São primitivos nos seus modos e…já  aprenderam que comigo o buraco é mais em baixo. Mas co­mo eu dizia, Anteu não atentou contra mim. Só passou a me evitar, temendo que eu o ligasse ao Kantor e, com isto, o colocasse em maus lençóis. Os Kamuratti não lhe perdoariam um escândalo deste tipo.

            — É verdade — confirmou Ludmila. — Mas não sendo Anteu filho legítimo deles, não sei por quê não o deserdaram ainda.

            — Não podem. O escândalo não agradaria à cúpula a que servem.

            — Que cúpula? — quis saber Mara.

            — Eu ainda não sei, mas eles não agem por conta própria, não. Recebem instrução de fora do País. Sei disso porque interceptei uma correspondência deles.

            — Como? — quis saber Ludmila.

            — Não quero que fiquem coradas — disse Tamara, rindo — Só lhes digo que o carteiro ficou muito feliz…

            — Ah… — fez Ludmila, rindo.

            — Você…? — Ia perguntar Mara, mas Ludmila cortou-a.

            — O que ela faz com o corpo dela é assunto só dela, tá?

            Mara deu de ombros.

            — Ei, não foi como vocês estão pensando, não. Eu paguei a uma famosa modelo atriz para que fosse atender o meu amigo, no motel. Só isto. Foi caro, mas valeu a pena.

            — Muito melhor — disse Mara, aliviada.

Tamara olhou intrigada a recém conquistada amiga.

— Ainda donzela? — perguntou, à queima-roupa. Mas Ludmila cortou o rumo da conversa. Não queria que sua companheira se visse em palpos de aranha com Tamara. Esta, certamente, pegaria no seu pé se respondesse que sim.

            — E o que continha a correspondência? — perguntou a ruiva, ansiosa.

            — Um amontoado de palavras gregas, russas e alemãs que não faziam sentido. Falo bem o alemão e só entendi a ordem final: “CUMPRA COM O QUE MANDAMOS”. Havia um timbre esquisito no lado esquerdo do papel.

            — Como era ele? — quis saber Mara.

            — Uma espécie de cobra emplumada e com asas — disse Tamara. — E eu nunca vi aquilo em lugar nenhum, antes. Nem depois, pois tentei descobrir o que é e o que significa, mas inútil. Em lugar nenhum há informação a respeito.

            — Quem gosta muito destas geringonças são os chineses, não é?

            E Mara, ao dizer isto, lembrava-se do dragão que seu mestre chinês usava nas costas. Lembrava uma cobra emplumada e com asas.

            — Sim, mas não é símbolo chinês. O desenho é… Bem, é diferen­te. Não tem o prata, o vermelho e o dourado, cores que os “chins” gostam muito de colocar em seus dragões. Tem o preto e algo assim como o magenta…um furta-cor nas escamas…

            — Que escamas? – perguntou Mara.

            — Bem, a cobra emplumada tem escamas. É de entre elas que saem as plumas — informou Tamara. — E no rabo tem um ferrão que lembra o do escorpião.

            — Esquisito… — disse Ludmila, reflexiva.

            — Também achei.

            — O que fez com a correspondência? — perguntou Mara.

            — Coloquei no envelope e ela foi entregue normalmente — respondeu Tamara. Eu não queria levantar suspeitas.

            — Fez bem. Mas por que será que mandaram isto pelo correio? Fax é muito mais…

            — … eficiente? Concordo. Mas não transmite aquele símbolo, entende? As ordens deviam ser importantes e o símbolo e suas cores talvez fossem algo assim como o certificado de garantia de que elas partiam da cúpula.

            — E a televisão a cabo? E a internet? — sugeriu Mara. Eles podem ter estes serviços totalmente privado.

            — Podem e têm. Mas não é muito seguro. Pode ser violado. O ve­lho correio é o mais seguro, mesmo. Ninguém vai desconfiar de que algu­ma coisa tão valiosa venha pelo correio pura e simplesmente. E se se extraviar… quem vai dar importância a um amontoado de palavras sem ne­xo? Devem, além do mais, obedecer a um código secreto. Muito trabalho, não é?

            — É  verdade. Eles parecem espertos — disse Mara.

            — Não parecem. São espertos — sentenciou Ludmila.

            — O que faremos, agora? — perguntou Tamara.

            — Cada qual segue seu caminho — falou Ludmila. — Nós vamos continuar a agir à nossa moda e você, à sua. Mas nos encontraremos regularmente para trocar informações. Divididas estaremos mais seguras… eu acho assim. E você, Tamara?

            — Hummmm… Sei não. Se uma for apanhada, a outra fica sem sa­ber o que ela descobriu, não é? — ponderou Tamara.

            — É… Mas vamos seguir assim, pelo menos por enquanto, certo? — insistiu Ludmila.

            — Tudo bem. Quando nos encontramos de novo?

            — Em uma semana. Se houver novidade, a gente se fala por telefone e marca um encontro de emergência. Que tal?

            — Não me parece um bom plano, mas à falta de outro… — hesitou a quase mulata.

            — Então, estamos combinadas quanto a isto. Agora, quero saber é sobre a criança. Você está investigando isto, não é? — perguntou Ludmila.

            — Estou, Mas não tenho conseguido nada a respeito — respondeu Tama­ra desconsolada.

            — Quer que a ajudemos? — perguntou Mara.

            — Não. Eu acho que muita gente mexendo no caldo ele azeda.

            — Tudo bem. Você fica só nesse trabalho. Quanto a nós duas, va­mos correr atrás do destino do tal Anteu.

            — Você acredita que ainda esteja vivo? — indagou Tamara.

            — Acredito. Eles não podem matá-lo assim, sem mais nem menos. É mais provável que o tenham deportado para algum lugar longe do Brasil. Tenho uma pista que indica que foi despachado para o Oriente Médio. Mas não é consistente. Eu não descobri como poderiam ter feito isto sem despertar suspeitas e não creio que tenham tido a coragem de colocar o herdeiro dos Kamuratti dentro de uma caixa… um baú ou coisa parecida.

            — E quanto ao jornal…? — perguntou Mara.

            — O meu vai muito bem, obrigada. E o seu, Ludmila?

            — Vai ótimo — respondeu, rindo, a ruiva.

            — Então, vamos deixá-los quietos. Em time que está indo bem não se mexe, não é o que se costuma dizer? — falou irônica, Tamara.

            — É — concordou Ludmila, rindo da cara de espanto de Mara.

            — Vamos, Mara — disse conciliadora — você ainda tem muito a a­prender. Vamos que está na hora.

            — Hora de que? — quis saber Tamara, chamando o garçom.

            — De nossa consulta.

            — Estão doentes?

            — Oh, não. Nós, não.

            — Quem, então?

            — Uma certa analista fixada sexualmente num tal de Édipo.

            — Como é que é?

            Mara e Ludmila se entreolharam e caíram na gargalhada.

            — Vamos nessa. Você não vai mesmo entender nada — disse Ludimila apanhando a bolsa.

            — Hei, que história é esta de analista? Quem está precisando de uma? Vocês?

            — Não seja curiosa. Nossa vida não está em pauta, queridinha.

            E Ludmila saiu puxando Mara pela mão, seguidas de Tamara que as olhava com cara de quem não está gostando da história.