Assim era o carioca. Ainda é assim, mas esta espontaneidade está reprimida pelo MEDO e pelo SOFRIMENTO.

Assim era o carioca. Ainda é assim, mas esta espontaneidade está reprimida pelo MEDO e pelo SOFRIMENTO.

Uma cidade é maravilhosa não somente pela sua situação geográfica e pelas dádivas naturais que a Mãe Natureza lhe deu, mas também e principalmente pelo povo que nela vive. O Rio de Janeiro foi lindo, sim, mas há tanto tempo que parece já fazer um século. Não que o carioca não continue mantendo em seu íntimo aquele modo alegre de viver, aquela jovialidade na interação humana, aqueles braços abertos para o adventício. Ele continua nascendo com tudo isto de presente tanto do local geográfico mesmo, quanto da herança cultural inserida em sua genética. Não, quiçá, na genética física, estudada, esmiuçada e fuçada pelos pesquisadores científicos, mas naquela genética cultural, mental e emocional que impregna até a atmosfera que se respira. Em nenhuma parte do Brasil há um povo mais hospitaleiro, mais alegre, mais jovial que no Rio de Janeiro, mesmo depois de nossa gente ter descambado para o animalismo sem controle, sem freios, feio, degradante da condição humana e comportamentalmente repulsivo.

Aqui eu vivi durante alguns anos, depois de chegar à Cidade Maravilhosa.

Aqui eu vivi durante alguns anos, depois de chegar à Cidade Maravilhosa.

Sou nordestino, piauiense. Cheguei à Cidade Maravilhosa em 1957. Vinha brabo, cheio de preconceitos idiotas, tipicamente nordestinos. Machão até a alma. Desconfiado, irritadiço, com forte complexo de inferioridade. Encontrei um povo alegre, que ria de tudo, que brincava com tudo e que, maravilha, era respeitoso ao extremo. Morei muito tempo na Ladeira de Santa Teresa, número 50. O prédio é este da foto acima, só que no meu tempo ele estava muito bem conservado e era locado por minha tia Sinhá, irmã de meu pai. O casarão tinha quatro quartos e em cada um cabia em média oito camas. Ela alugava vagas para marinheiros. Era casada com um deles, mais jovem que ela vinte e dois anos. Até hoje não sei a razão daquele homem de 27 anos ter aceitado casar com uma mulher com o dobro de sua idade. Enfim, tem gosto pra tudo…

Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Um templo do Futebol.

O antigo Estádio do Maracanã, no rio de Janeiro. Um templo do Futebol onde não havia brigas nem sangue após as partidas.

No Rio daquele tempo o pão e o leite eram deixados de madrugadinha, ainda no escuro do romper do dia, pelo padeiro. Ninguém roubava. O leite vinha em garrafas de um litro que, depois, era recolocada no mesmo lugar, à noite, para que o padeiro a trocasse pela manhã. Também não se trancava a porta de casa. Mesmo que ela ficasse totalmente vazia, nenhum carioca se preocupava com isto. Ninguém entrava para roubar nem mesmo um palito de fósforo. 

Ia-se ao Maracanã verdadeiramente torcer pelo time do coração. Não se quebrava nada. Não havia brigas com mortes e muitos feridos. O time perdedor não tinha seus jogadores agredidos. Todo o povo alegre do Rio sabia respeitar os outros.

Colégio Pedro II, na Av. Marechal Floriano Peixoto. Era uma honra estudar aqui.

Colégio Pedro II, na Av. Marechal Floriano Peixoto. Era uma honra estudar aqui.

As escolas realmente eram escolas e os professores eram extremamente respeitados. Lembro-me que no Colégio Pedro Segundo pontificavam os mais destacados professores da língua portuguesa, como Rocha Lima, Napoleão Mendes de Almeida e outros. Naqueles tempos o carioca falava corretamente. A língua do morro, da favela, inculta, não era adotada sob a capa de “curtura”. Era reconhecidamente inculta e não disseminada entre a classe média e média alta. Empregava-se corretamente a concordância verbal e a concordância verbo-nominal e o falar errado era motivo de chacota. Nunca, jamais, se misturavam as pessoas verbais (“Eu TE amo, mas VOCÊ não me quer”). Na velha Rio de Janeiro falava-se na segunda pessoa do singular, mas nunca se errava na concordância verbal. Mas aí veio a TV Globo e suas novelas chinfrins com seus escritores de terceira categoria (propositadamente, claro, pois são cultos e bons de português) e seu esforço danado, tenaz e persistente para disseminar o erro gramatical como “curtura papular”. E conseguiu. Hoje, não sei mais que idioma se fala naquela região…
O banzo vira nossa vida de cabeça para baixo... Como na capoeira, a expressão viva do banzo negro.

Capoeira só como exercício livre, de demonstração. Não se pode jogar a capoeira de verdade, pois ela é uma luta de morte.

Pancadaria só nas agremiações de artes marciais ou em rodas de capoeira, onde a pancadaria era (e continua sendo) de mentirinha, pois a verdadeira capoeira é para matar e, não, para dançar. E era divertido andar dependurado nos estribos dos bondes, onde portugueses bigodudos andavam cobrando as passagens.

 Sim, o Rio era verdadeiramente lindo.

E as cariocas não deixavam espaço para nenhuma outra mulher. Era difícil encontrar carioca feia… Hoje, a “barangada” se espraiou de  tal modo que encontrar uma carioca realmente bonita é ganhar na loteria. Que saudade daquelas que um dia brilharam nas ruas, nas avenidas, nos cinemas e nas praias da velha e bela Rio de Janeiro.

Ele saiu do Rio Grande do Sul para fazer soar a trombeta do Apocalipse sobre a Cidade Maravilhosa. Era o "princípio do fim" para a cidade e, talvez, para o Brasil.

Ele saiu do Rio Grande do Sul para fazer soar a trombeta do Apocalipse sobre a Cidade Maravilhosa. Era o “princípio do fim” para a cidade e, talvez, para o Brasil.

Mas o tempo passou. O Pangaré dos Pampas (Leonel Brizola) foi o primeiro Anjo do Apocalipse a soprar a trombeta do Crime sobre a bela cidade. E a partir dali, o Rio só desceu a ladeira. Não a de Santa Teresa, mas a Ladeira da Decência, da Paz, da Moralidade e da Honra.

Mas justiça seja feita, não foi somente o Pangaré dos Pampas que emborcou a Cidade Maravilhosa. Ele abriu suas portas para a Criminalidade Brutal, mas não se lhe pode conceder com exclusividade este triste galardão. Os “polititicas” que se seguiram a ele nos des-Governos do velho Rio trataram esmeradamente de tornar feia, horrível, inóspita e temível a cidade que fôra a mais bela do nosso país.

A Favela da Maré, bem ao lado do famoso Aeroporto do Galeão (Tom Jobim).

A Favela da Maré, bem ao lado do famoso Aeroporto do Galeão (Tom Jobim).

E hoje, os polititicas estão às voltas com a desgraceira que eles mesmos criaram. O favelão da Maré, encravado num lugar privilegiado para o Crime Organizado, pois está na entrada e na saída da cidade, quer por terra, quer pelo ar, quer pelo mar, é uma chaga aberta das mais fedorentas que qualquer cidade do mundo poderia ter. Nada menos que cento e trinta mil moradores das classes D e E vivem ali. E de mistura com eles, O CRIME. As drogas, as armas contrabandeadas e muito, muito sangue, muita violência, muito terror. E os polititicas? Contemporizaram e negociaram com os criminosos até mais não poder; mas o carioca, cansado desta infelicidade mantida constante pelos que deviam dar combate a isto, começou a gritar e a gritar. E aí, com incêndios de ônibus, mortes à granel, menores transformados em bestas-fera, Central do Brasil transformada em celeiro de bandidos mirins, o povo desorientado e na iminência de infartar ou sofrer violento AVC pelo cultivo constante do MEDO, tudo isto junto levou o carioca, estafado e já depenado de tudo o que o distinguia do restante do Brasil, a espernear. Mas era tarde. Os bandidos dominavam (e continuam dominando) a outrora Cidade Maravilhosa. E onde mora bandido, não há “maravilha”. Apenas medo e morte.

"Liberdade, Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós..."

Eles, cariocas da gema, não mais são humanos. Foram transformados em bestas-fera pelo Crime Organizado.

E veio a esparrela maior: convocaram o Exército, a Marinha e a Aeronáutica para dar suporte à Polícia Militar, pois esta já não mais possuía contingente suficiente para dar conta de tantos ataques terroristas e de cunho guerrilheiro. Hoje, não mais se sabe quem é cidadão ou quem é bandidão. Quando alguém senta ao nosso lado, no ônibus, a gente reza para que não se trate de um assaltante.

Militar, no entanto, não é treinado para ser polícia e eu digo isto de cadeira. Militar é treinado para matar o inimigo. Raramente o militar das forças armadas faz prisioneiros. Ele é treinado para ver seu semelhante como o alvo de suas balas e só isto. Prendê-los, ser “complacentes” com ele; agir “humanamente”, respeitando os “direitos humanos” de “bestas-fera” não é coisa que militar das forças armadas aprendam nos quartéis. Ali o militar é treinado para enxergar inimigos e matá-los.

E lá se vieram o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Em princípio, surpreendidos e temendo o poderia de fogo das Forças Armadas, tocou barata-voa entre a criminalidade. E o que se viu foi bandido se escafedendo a pé, de carro, se arrastando ou saltitando numa perna só, fugindo desordenadamente. E se pensou que a guerra estava vencida.

Que tolice.

Soldados do Exército são treinados para a GUERRA, não para praticar o policiamento "delicado" urbano.

Soldados do Exército são treinados para a GUERRA, não para praticar o policiamento “delicado” urbano.

Os bandidos não têm Leis a obedecer, senão aquelas que eles mesmos criam. Eles sabem que são inimigos públicos e que mais dia menos dia vão morrer com um pedaço de chumbo encravado em suas caveiras. A dura vida dentro do Medo termina por endurecer-lhes coração e mente. E para se defender, unem-se em facções. E estas facções voltaram e retomaram o controle da cidade, agora sem mais qualquer compromisso com a eleição de tal ou qual polititica. E o Rio de Janeiro voltou a ser prisioneiro dos AR-15, AK-45, das pistolas automáticas e das metralhas potentes até para derrubar aviões. De onde vieram tais armas? Do Oriente, dizem alguns. Mas todos sabemos que há o “dedinho podre” das FARC e de outros grupos terroristas sul-americanos nesta história fétida, graças à Sombra da Segunda Trombeta do Apocalipse Brasileiro.

Marinha e Aeronáutica se foram. Ficaram os tontos e perdidos soldados do Exército dentro da Maré. Se não podiam matar, o que fazer? Passear com seu fuzil inútil como pênis decrépito de um velho de noventa anos? A proximidade entre os matadores do crime e os matadores profissionais manietados, terminou por gerar um estranho conluio entre eles. E a guarnição se desinteressou da bandidagem e até passou a confraternizar-se com a periferia do mundo do Crime Organizado. E o Comando do Exército decidiu, sabiamente, retirar as tropas de um local que, ainda que prenhe de inimigos do povo carioca, logo, do povo brasileiro, é estupidamente protegido pela Lei e pelos idiotas (ou muito espertos) defensores dos Direitos dos Bandidos.

E, agora, os polititicas cariocas estão novamente com o abacaxi nas mãos. Abacaxi que pensavam poder manter nas costas das Forças Armadas por tempo indeterminado.

Os petistas que trouxeram a esperança de volta aos miseráveis do Brasil.

A Dupla Satânica.

Mas isto não é tudo. A desgraceira do Brasil não se restringe ao Crime Organizado nas favelas do Rio de Janeiro. Veio a Segunda Trombeta do Apocalipse, desta vez tocada por um barbudo do ABC paulista e que os brasileiros, incautos e revoltados, colocaram no Poder Maior da Nação.

E a Saúde Pública foi de vez para o brejo.

E a Segurança Pública se mudou de país.

E a Educação se desmantelou de Norte a Sul.

E a infra-estrutura em toda a Nação foi desmontada e abandonada.

E a sombra do Anjo Negro do ABC foi colocada em seu lugar no Poder do Brasil e aí foi que o som da Segunda Trombeta se fez ouvir com força. Tudo se danou no nosso país. Ela, o par da Dupla Satânica, fez o diabo não com o Rio, somente, mas com todo o Brasil. Que horror!

Enfim, nosso país foi transformado em celeiro de dinheiro para tiraniquinhos vizinhos nossos. Cuba fez festa. Chavez dançou de alegria e escarneceu até do barbudão brasileiro. E Maduro continua amando o “brasil” dos Petralhas.

Mas surge uma luz no fim do túnel. Fraquinha, fraquinha, mas enfim é uma luz. Chama-se Juiz Moro. E este juiz está pondo o PT para dançar miudinho. Ele nos mostra que devemos unir-nos para desmanchar o Mal a partir do final e ir avançando até o começo.

Talvez assim, seguindo sua indicação, consigamos resgatar o Velho Rio para nossos Netos e Bisnetos. Ele já está perdido para nós, da minha geração. Mas tomara que um dia venha a de novo mostrar aquela face alegre que jaz no fundo dos corações e mentes dos cariocas de agora.

Mesmo que as mulheres continuem barangas por muito tempo, ainda…