A FORÇA OCULTA – FINAL 

Primeira Morte Misteriosa

Ele engoliu Khamal e seis cães. Depois, sumiu...

Ele engoliu Khamal e seis cães. Depois, sumiu…

              — Expus para as senhoritas todas as possibilidades psicológicas e analíticas a respeito dos pesadelos e das visões de ambas – disse Khamal levantando-se e indo novamente à grande janela. – Não sou adepto da idéia da transmigração das almas, embora isto lhes possa parecer incongruente, uma vez que me esmero em estudar este assunto através da T.V.P. Se eu conseguir hipnotizá-la, Mara, e você me narrar coisas capazes de impressionar, quero que fiquem prevenidas de que o que disser não terá qualquer valida­de científica. Suas memórias estão contaminadas por suas leituras e as respectivas fantasias que elas lhes suscitaram. A regressão pode ser ape­nas fruto desta conjunção subjetiva. Em outras palavras, uma fraude. Ago­ra — e o médico olhou as duas amigas de frente — se me compreenderam bem, eu lhes pergunto: ainda querem tentar?

           — Queremos — responderam uníssonas as duas moças.

           — Muito bem. Suponho que Mara queira ser a primeira, não é? — in­dagou o médico jovialmente.

           — Sim — respondeu a repórter de “EL MONDO”.

Naquele exato momento, sem que pudesse ser visto ou sentido sensorialmente de modo perceptivo, ondas flutuantes desciam das mais altas camadas da Ionosfera e bailavam sobre o Rio de Janeiro, afundando na crosta da Terra até mais ou menos 2.000 metros. Uma sutil mudança ocorreu em vários lugares da grande área abrangida por aquela onda misteriosa — que se estendia por uma longa faixa marítima —, conhecida como Efeito Schumann. Na ilha de Milena Fórcis sua ação foi muito intensa e como havia mentes empenhadas numa regressão tempo-espaço, ali sua ação foi devastadora e muito demorada…

           — Por favor, tome a posição mais relaxada possível nesse divã, porém não se deite. Use as almofadas para se reclinar… — instruiu delicadamente o médico.

           Mara fez conforme lhe era solicitado. O Dr. Khamal sentou-se a seu lado e lhe tocou de leve a testa, olhando-a fixo nos olhos.

           — Quero que relaxe — começou ele, com voz monocórdia e constante.

           — Quero que não pense em nada… não veja nada… só meus olhos… Agora, à medida em que vou contando, quero que você abra e feche os olhos naturalmente. Ao chegar a trinta e três seus olhos estarão cansados e vo­cê os fechará…

           O Dr. Khamal começou a contagem sem perceber que Ludmila também lhe seguia as instruções, fixando uma garrafa de licor verde, onde o sol se refratava. Também ela cerrou os olhos ao número trinta e três e entrou em sonolência.

           — Quero que você só ouça a minha voz… apenas a minha voz… está entendendo, senhorita? Ótimo! Agora, quero que você volte ao passado… você está voltando… voltando… ao passado… voltando… tem 15 anos… você tem 15 anos…

           Mara balbuciou: “eu tenho 15 anos…” no que foi seguida por Ludmila às costas do médico.

           — O que você está vendo, agora, Mara? — perguntou o Dr. Khamal.

           — Meus pais… eles estão na sala de jantar de nosso apartamento, em São Paulo… Eu brinco com um quebra-cabeças… A TV está ligada…

           — Ótimo, Mara, ótimo. Regrida mais… vamos para os sete anos.. você está com sete anos… é noite… você está em seu quarto… Como se sente, Mara?

           — Eu…eu estou… estou na… na minha cama…

           — Sim, sim, você esta em sua cama. O que sente, Mara? Diga, o que está sentindo?

           — Me…medo… tenho medo… Não quero dormir… A boneca… Ela é uma…uma…

           O corpo de Mara sofreu violento estremecimento e ela começou a suar. Sua pele avermelhou-se.

           — Calma, Mara, fique calma… não há motivo para ter medo… você está em sua cama… seus…pais estão em casa… você está protegida… te­nha calma… fique calma.

           — Não! Meus pais não acreditam em mim! Não quero dormir…

           — Por que, Mara?

           — A boneca…

           — O que tem a boneca?

           — Ela… ela…

           O corpo de Mara tremeu convulsivamente e uma algaravia incompreen­sível se fez ouvir de sua boca. 0 Dr. Khamal tentou segurá-la para impe­dir que caísse, mas a moça livrou-se de suas mãos com um safanão. Seus o­lhos abriram e o Dr. Khamal tomou um susto. Estavam avermelhados e injeta­dos. Além disto, estavam amarelos e tinham o formato dos olhos de um felino. Khamal recuou o corpo inconscientemente, fugindo àquele o­lhar diabólico. A boca de Mara torceu-se num rito macabro e seus lábios tão bonitos se tornaram secos e enrugados como os de uma velha asquerosa. As mãos estavam ressecadas e os dedos curvos como as garras de uma harpia. O médico fez menção de se levantar, mas aquela garra segurou-o com força, obrigando-o a sentar-se novamente. O coração de Khamal disparou. Estava totalmente confuso e muito assustado com o que via. Não acreditava em de­mônios, mas não podia negar que tinha um ali, bem diante de seus assusta­dos olhos.

           — Mara…? — Balbuciou com voz rouca.

           Olhando-o fixamente, aquilo em que Mara se transformara falou. E sua voz era roufenha, rascante e tinha o tom da voz de uma mulher velha, muito velha.

           — Não, Khamal, não é ela. O seu trabalho terminou aqui, Khamal. Eu não vou permitir que você bisbilhote o que não deve ser mexido. Agora, é você que está sob o meu poder e fará o que vou ordenar.

           O médico, assombrado, tentou reagir, mas aqueles olhos chamejan­tes e felinos penetravam através dos seus com um olhar perfurante e demoniacamente irresistível. Chegava a seu cérebro e o paralisava. Aterrorizado, o médico percebeu que uma força poderosíssima impunha-se à sua vontade. Sentiu que aquela coisa desejava sua morte e compreendeu que, ao morrer, algo muito precioso e somente seu seria absorvido por aquilo. A1go em que jamais crera com convicção e que, naquele instante crucial e inevitável percebia com toda a clareza, para seu desespero absoluto, era a sua imortalidade, a sua alma. Ia perder a energia de sua alma e a própria alma para aquela coisa. Mais que medo, uma indescritível onda de pavor inundou-lhe o Ser. Seus cabelos ficaram totalmente brancos e seu rosto enrugou-se como o de uma múmia.

           — Lá fora, no lado oposto ao poente, três mulheres estão em perigo — disse a estranha aparição, de cuja boca corria um filete de baba. — Você vai salvá-las. A morte o espera lá, Khamal. Vá e morra, Eu também tenho fome. Sua alma será meu primeiro alimento nestes últimos dois séculos de solidão, Khamal. Agora, vá! Estou faminta, Khamal. Estou faminta e tenho pressa. Vá! Vá!

           Khamal levantou-se e se dirigiu para a saída com passos rígidos e Ludmila levantou-se para segui-lo, mas a coisa em Mara gritou-lhe irada:

           — Sente-se, Menta. Sua hora ainda não chegou. Há milênios eu que­ro sua alma, mas você sempre me escapou. Desta vez estou mais forte e muito mais sábia. Vou preparar o seu momento, mulher. Mesmo a proteção de Plutão não vai conseguir salvá-la de mim. Mas não é a hora, agora. Sente­-se e durma e esqueça tudo. Eu lhe ordeno!

           Ludmila desabou sobre os almofadões bordados em sono profundo. O corpo de Mara caiu ao chão e a moça permaneceu desmaiada.

*   *   *

           — Onde está o bicho? Alguém o vê?

           Tamara buscava entrever a fera por entre as ramagens, mas não lograva divisar nada. No entanto, o jacaré estava lá. Podiam sentir a maligna presença no ar cheio de neblina.

           — O que vamos fazer? — indagou Karina. — Eu não quero passar a noite trepada aqui, não.

           — Essa coisa corre muito? — quis saber Milena.

           — Corre sim — respondeu Tamara. — Eu só não sei é a persistência dele na perseguição da presa.

           — De qualquer modo, não temos muito pra onde correr — disse Mile­na desanimada. — Atrás de nós só tem o mar. Para os lados, muita mata fe­chada e pedras altas. O único caminho é subindo a ilha. Nós estamos encurraladinhas da silva, minhas caras.

           — Está tudo muito quieto — observou Tamara. — Será que a fera se foi?

           — Não, ela está lá. Esses bicharocos não são de andar — disse Ka­rina apreensiva.

           — Se nós puséssemos a boca no mundo… quero dizer, se a gente se pusesse a gritar juntas… Será que alguém nos ouviria lá no chalé? — perguntou Milena.

           — Acho que nos ouviriam até nos iates ancorados por perto — res­pondeu Tamara. — Mas podemos colocar quem nos ouvir em perigo mortal.

           — Tem razão… — concordou Milena sentindo-se horrivelmente impotente. “Que hora para essa coisa voltar, droga”, pensou a milionária. “As repórteres vão ter muito que falar de minha ilha… E não vai ser nada a­gradável.”

           — Nós temos de descer e sair daqui. Se ficarmos paradas alguém poderá vir atrás de nós e cair nas garras do jacaré — falou Karina preocupada. — Acho que vou fazer uma manobra arriscada.

           — O que você pretende? — perguntou Tamara apreensiva. Sabia muito bem que sua amiga era afoita e não era dada a esperar por nada.

           — Eu vou… — ía responder Karina, mas foi interrompida por um gesto imperioso de Milena.

           — Escutem! — exclamou a anfitriã. — Estão ouvindo? São passos!

           As três mulheres aguçaram os ouvidos. Sim, alguém vinha descendo a trilha diretamente para o lugar onde estava o jacaré, oculto entre as folhas. Elas se entreolharam angustiadas. Quem quer que fosse vinha dire­to para a morte. Milena Já vira o réptil e sabia que era grande. Uma pes­soa desarmada não teria nenhuma oportunidade de salvação. Em uníssono começaram a gritar a plenos pulmões:

           — VOLTE! QUEM VEM LÁ, V O L T E ! RETORNE PARA O CHALÉ! HÁ UM JACARÉ NO CAMINHO! HÁ UM JA-CA-RÉ! JA-CA-RÉ! VOLTE! NÃO VENHA PRA CÁ! HÁ PERIGO DE MORTE! V O L T E ! ! !

           Pararam para escutar. Os passos não se detiveram. Cada vez a pes­soa se aproximava delas. Parecia não ter ouvido a gritaria.

           — Meu Deus! — exclamou Milena angustiada. — Não é possível que e­la ou ele não tenha ouvido a gente. Vamos gritar mais alto…

           E as três mulheres quase arrebentaram as cordas vocais de tanto gritar. Quem vinha pela senda, contudo, ignorou os avisos desesperados e continuou a descer pisando estranhamente duro no chão. Os passos se apro­ximavam inexoravelmente.

           — É estranho que não tenha ouvido nossos gritos — repetiu Milena.

           — Ouviu, sim, mas os ignora propositadamente — disse Tamara preo­cupada. Pensava intimamente que talvez fosse Ludmila. Ela era outra a­foita. Mas, quem sabe, viesse armada?

           — Você tem arma no chalé, Milena? — perguntou com um fio de esperança.

           — Não. Nem um facão — disse a milionária. — Por que?

           Ouviu-se uma arrancada brusca. O jacaré dava o bote. Um grito estridente ecoou, pondo os cabelos das mulheres de pé. Era voz de homem. Um enorme barulho de arbustos arrancados. Alguém fora apanhado pela fera. Os gritos de agonia arrepiavam até a alma das três impotentes moças. Uma brisa espantou a neblina e elas puderam entrever o corpo escamoso do animal. A enorme bocarra sacudia furiosamente algo branco com manchas vermelhas. A gritaria de quem fora apanhado decrescia rapidamente. Terminaram num gor­golejo terrível, como de quem se engasga com o próprio sangue. Então, o enorme jacaré precipitou-se por entre a mata. Levava na boca algo muito ensangüentado e Milena divisou um pé humano sendo arrastado pelo chão. A moça sentiu-se tonta e quase caiu ao solo. O grito de Tamara é que a trouxe de volta.

           — Vo… vocês viram? — perguntou numa voz trêmula.

           — Sim. Era uma perna humana — disse Karina estupefata e num fio de voz.

           Ouviram o baque do corpo da fera nas águas da baía, lá na praia. Um silêncio oprimente e um vazio esquisito apossou-se de cada uma delas.

           — Meu Deus! —  exclamou Milena. — Isto nunca aconteceu antes…

           — Quem terá sido o infeliz? — murmurou Tamara persignando-se.

           — Vamos descer! — gritou Karina subitamente agitada. — Vamos para o chalé. Saberemos lá quem teve destino tão cruel.

           Freneticamente as três moças escorregaram para o chão e correram pela senda. No local onde o jacaré atacara o mato estava todo esmagado e arrancado do chão. Havia muito sangue por toda a parte. Um pé de sapato tipo mocassim, branco, estava largado no chão. Karina o apanhou e correu atrás das outras duas que sumiram lá no alto. Ela ouviu aquele bocejo me­donho e compreendeu que o bicho estava de volta. “Isto aqui é um pedaço do paraíso com o diabo solto dentro dele”. Pensou a repórter literalmente voando senda acima. Ouvia nítido o jacaré voltando e não queria ser a próxima.

           Milena entrou em casa aos gritos.

           — Clóvis! Luis! Andréa! Aqui, já! Venham todos para cá!

           Os três chegaram acompanhados do comandante do iate, Argos. Estavam atônitos com os gritos desesperados de Milena.

           — Comandante Argos inquiriu a milionária, enquanto Tamara su­bia as escadas correndo, — onde estão Raul e Silas?

           — No iate, senhorita, juntamente com Pedro, João e Lázaro. O que houve? Por que o nervosismo?

           — Uma desgraça, comandante — respondeu Milena, histérica. Neste instante Karina entrava com o sapato ensangüentado nas mãos.

           — Ele voltou! — gritou a repórter ainda ofegante. — O desgraçado voltou.

           — Quem voltou? — indagou desconcertado o espantado comandante.

           — O jacaré… — disse Karina, apoiando-se num móvel para recobrar o fôlego.

           — Jacaré?! — ecoaram Clóvis, Luis e Andréa entreolhando-se com assombro.

           — Sim, jacaré. Uma bruta fera! — exclamou a milionária afogueada pela corrida. — Comandante, ligue para o iate e diga à tripulação que fique lá. Não venha à ilha de modo algum. Andréa, ligue para a polícia. Quero falar com o delegado. Clóvis, solte a matilha. Quero os cães caçando o monstro antes que faça mais alguma…

           Tamara surgiu no alto da escada seguida por Mara e Ludmila, ainda sonolentas.

           — Onde está o Dr. Khamal? Alguém sabe dele? — perguntou a repórter do alto da escada.

           — Não está aí em cima? — surpreendeu-se Argos. — Ele mandou que todos fôssemos para a cozinha — completou.

           — Khamal! Dr. Khamal, onde está o senhor? Procurem o Dr. Khamal dentro do chalé! — gritou Milena afobadamente. — E não saiam da casa. Os cães são ferozes. Só o Clóvis pode lidar com eles. Agora, vão!

           — Esperem! — gritou Karina já refeita da corrida. — É inútil. Ele foi devorado pelo jacaré.

           Houve pesado silêncio e os rostos voltaram-se para ela, pálidos e surpresos uns, incrédulos outros.

           — Este é o sapato dele — informou Karina mostrando a peça ensangüentada em sua mão. — Eu o apanhei quando voltava para cá. Estava lá no lugar onde o jacaré atacou a pessoa que descia a senda. Era o Dr. Khamal.

           Diante dos fatos todos se entreolharam horrorizados. Os olhos se prenderam naquele pé de sapato vermelho de sangue.

           — Mara, Ludmila — chamou Milena ainda de olhos fixos no fatídico pé de sapato suspenso no ar pela mão de Karina, — o que aconteceu? Por que o Dr. Khamal deixou vocês e desceu atrás de nós?

           — Elas não sabem de nada — informou Tamara descendo as escadas seguida pelas colegas ainda sonolentas. Eu as encontrei inconscientes. A Ludi estava no divã e Mara, no chão. Ambas me deram trabalho para acordar.

           — O delegado está na linha, senhora – informou Andréa com o telefone em mãos.

           — Ótimo. Traga-me o aparelho — pediu Milena.

           Ouviram-se os latidos furiosos dos cães. Eram oito Rotweiller e quatro Dobermann que seguiam os enormes dinamarqueses, cinco ao todo, todos treinados para atacar e matar.

           — Quem é o delegado? — quis saber Karina.

           — É o Dr. Azevedo — informou Milena tomando o fone e atendendo.

           — Péssimo — comentou Karina fazendo careta de descontentamento. — O Dr. Gerião Azevedo é homem de Kantor Antratos. Está enterrado até as orelhas com o crime organizado. Suspeita-se que seja quem dá cobertura aos êmulos do marginal na distribuição de drogas aqui em Angra.

           Milena não a ouvia. Contava, atabalhoada, o sinistro ocorrido e pedia ajuda. Permanecia ao telefone quando se ouviu o alarido dos cães. O barulho era enorme e um deles ganiu desesperado.

           — Meu Deus — exclamou Tamara. — A fera pegou um dos cães.

           Ludmila agarrou-lhe o braço pedindo que contasse o que estava havendo. Em meio ao alarido dos cães, ganidos, rosnados furiosos, latidos e “bocejos” que chegavam como uma orquestra macabra, Tamara narrou o que acontecera. Mara e Ludmila horrorizaram-se com a tragédia. Milena desli­gou o telefone. Lá fora o combate dos cães contra o jacaré recrudesceu. A luta chegava ao chalé e desesperava os impotentes expectadores. Pelo menos três cães ganiram em agonia e os outros pareciam atacar com fúria demoníaca.

           — É estranho — comentou Argos. — Eu nunca ouvi dizer que jacarés enfrentassem cães. Geralmente eles fogem para a água.

           Ninguém pareceu ouvi-lo. Estavam como que hipnotizados pelo ruído dantesco: todos calavam, tensos. Então, o alarido começou a se des­locar em direção ao mar. Minutos depois só se ouviam alguns latidos esparsos.

           Clóvis, que estava no canil, fez soar o apito ultrassônico, audível apenas pelos cães. Dos quinze, só nove voltaram. Dos nove, dois eram Dinamarqueses, três Rotweiller e quatro Dobermann. Estavam ensangüentados, mas após um jato d’água, Clóvis pôde verificar que o sangue não era deles. Não estavam feridos. Clóvis voltou para o chalé.

           — E então? — perguntou Milena, ansiosa.

           — Perdemos seis cães, mas parece que o jacaré foi expulso. Devia ser um bicho danado de grande. Deu cabo de dois dinamarqueses.

           — É uma pena, — lamentou a milionária — mas a gente compra outros para substituí-los. Agora, enquanto aguardamos o delegado, eu gostaria de tomar um trago. Alguém me acompanha?

           — Eu — disse Argos e foi preparar as bebidas.

— Eu gostaria de ligar para um detetive amigo meu — informou Karina. — Posso?

— À vontade — disse Milena encaminhando-se para o bar.