"Eu sou quem sou", disse o Senhor a Moisés. E eu O repito: eu sou quem sou e não mudo por causa da mesquinhez de ninguém.

“Eu sou quem sou”, disse o Senhor a Moisés. E eu O repito: eu sou quem sou e não mudo por causa da mesquinhez de ninguém.

Um mentor espírita, conhecido como André Luis, é o autor desta sentença. E ele continua: “Se alguém o magoou, se alguém o ofendeu com calúnias, não o imite repetindo os mesmos erros. Coloque-se acima dele sabendo relevar” – claro que ele se refere a relevar as ofensas do odioso. “E procure esquecer, porque o pensamento negativo da raiva atrai, para o raivoso a onda de maldade que o infeliz odioso lançou contra você. Para sua felicidade ser completa; para que seu sossego seja presente em seu ser, basta que você saiba relevar os insultos e esquecer o insultante”.

Fácil falar. O diabo é conseguir realizar esta façanha.

Não posso falar dos outros, mas posso falar da pessoa que eu mais conheço profundamente – eu mesmo. E se alguém me ofende, me magoa, me agride por coisa que eu tenha feito com boa intenção, mas tenha cometido algum deslize na ação, não me dando a chance de explicar-me, aí o bicho pega pra valer.

E foi isto que aconteceu com três pessoas a quem eu dedicava muito amor. Achei a atitude dos três muito baixa, mesmo. E fiquei danado da vida. Mas já estou acostumado a certas ingratidões, daí que faço como o macaco que, quando sente uma vontade danada de trabalhar, senta bem quietinho num canto e deixa a vontade passar. Eu, quando sinto uma raiva danada de alguém, fico bem calado e me entrego de corpo e alma a fazer outra coisa e deixo o tempo escorrer. Cansada de não ter vez, a raiva se manda e eu volto ao meu sossego.

Eis como se apresenta o Nirmanakaya Babajiananda, mais conhecido como Pai Tomé das Almas, nos terreiros de Umbanda.

Eis como se apresenta o Nirmanakaya Babajiananda, mais conhecido como Pai Tomé das Almas,em Casas Espiritas regidas por entidades espirituais superiores.

Pensava nisto, sozinho em minha varanda, esperando a hora de ir para a Casa de Ramatis, onde aceitei fazer uma “penitência” à qual chamam de “Culto no Lar”, por 76 dias (gozado, 7+6= 13. E este arcano é o Arcano da mudança irreversível), quando passou um carro de evangélicos gritando a todo pulmão sobre as curas milagrosas de um certo pastor que vinha para cá, para a Igreja X, também curar os que estivessem necessitando disto. Sempre me irrito com tais coisas, mas desta vez o carro de som foi embora e eu permaneci perdido em minhas reflexões.

O que Ramatis quer que seja mudado de modo irreversível em mim e naqueles por quem oro? Não sei a razão de me terem solicitado que fizesse este “culto no lar”, que vejo como uma penitência, visto que não sou dado a rituais de nenhuma espécie. Mas como não me custa nada, senão uns vinte minutos (se tanto) e o esforço para dominar minha rebeldia incurável, comecei a fazer o culto, que é o seguinte. Devo colocar-me em sintonia mental com a Casa de Ramatis e procurar sentir a Presença deste Mentor sobre mim. Então, mentalmente, devo visualizar as residências de meus parentes, ex-companheiras, filhos, filhas, irmãos, irmãs, cunhados e cunhadas e respectivos filhos e filhas e solicitar aos “irmãos do Astral Superior” que recolham todos os irmãos sofredores, almas penadas, para ser mais exato, que estejam obsidiando essas pessoas. Devo convocá-las para ouvirem trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo que devo ler em voz alta ou em silêncio, tanto faz, e, depois, encerrando o “encontro” com a Oração de São Francisco de Assis, pedir ao meu Mentor Espiritual (Pai Tomé das Almas ou Nirmanakaya Babajiananda) que conduza aquelas almas sofredoras para o local conhecido dos espíritas como Nosso Lar, onde deverão continuar sendo doutrinadas e tratadas de suas mazelas emocionais.

Meu amado amigo tem, a seu serviço, um verdadeiro batalhão de Nirmanakayas.

Meu amado amigo tem, a seu serviço, um verdadeiro batalhão de Nirmanakayas.

Até aquele dia eu não sabia que Pai Tomé das Almas, que se manifestava através de mim no Terreiro de Umbanda, há exatos quarenta e três anos (4+3 = 7, o Arcano da Luta e da Vitória), era um Nirmanakaya. (Só por curiosidade, eu comecei a me desenvolver no Centro Espírita Caboclo Itaquarussu, no Rio de Janeiro, em 1972, cuja soma esotérica dá o Arcano Um, que é o Arcano do Princípio, do Começo. E realmente naquele ano eu começava, sem ter a mínima idéia disto, o início de uma caminhada fantástica que levei muitos anos para compreender).

Para quem não sabe o que é isto, um Nirmanakaya é um Espírito Iniciado que já saiu da Roda das Encarnações e está livre para seguir para fora do Sistema Solar e se integrar às falanges dos Anjos e Arcanjos que trabalham diretamente com o Inominado e criador de todos os Universos. No entanto, quase todos os Nirmanakayas abdicam deste direito e permanecem no orbe terrestre tentando retirar almas selecionadas por eles da próxima hecatombe que muito em breve recairá sobre a Terra, eliminando os humanos atuais e selecionando aqueles cujos espíritos se encontram aptos para passar à Cadeia Planetária Seguinte. Pois Babajiananda cismou comigo e se grudou em mim na “pessoa” de Pai Tomé das Almas. E tem feito muitas coisas espantosas, até hoje, como curar uma garota muito pobre, que padecia de dores terríveis no baixo-ventre e cuja origem os médicos não conseguiam detectar. Ele mandou que eu colhesse a casca de determinada árvore, fizesse um chá e dessa a ela para beber. E não é que a moça ficou sã? Até engravidou e passou a dormir profundamente, sem dores (o que não conseguia fazia já há quatro anos) e, melhor, pariu um garotinho lindo, pelo qual eu caí de amores. Esta é só uma das façanhas de “Pai Tomé das Almas” atuando através de mim. E olha que não sou frequentador de nenhum centro espírita ou terreiro de Umbanda. Quando ainda eu estava em “desenvolvimento” um meu cunhado, que era meio desmiolado atrás da direção de um carro, sofreu um acidente violento. Entrou em coma com um coágulo no lóbulo frontal. Os médicos diziam que ele não se salvaria. Minha cunhada, irmã dele, ligou para minha esposa, sua irmã também, e chorando pediu que eu chamasse Pai Tomé e pedisse a ele que salvasse meu cunhado que estava em coma profundo. Fiquei aturdido. Eu ainda nem sabia direito o que acontecia no tal processo da “incorporação”. Mas às pressas acendi uma vela, coloquei um copo d’água perto, no chão mesmo do apartamento e, totalmente desorientado, ajoelhei-me e orei um Pai Nosso e três Ave-Marias e… fui pro espaço. Perdi a consciência. Duas horas depois, quando eu, ainda estava me sentindo tonto e desorientado, com um pouco de náusea e leve dor de cabeça, recebemos um telefonema da irmã de minha mulher rindo e chorando ao mesmo tempo, dizendo que meu cunhado tinha saído do coma e estava bem, apesar de ter sido desenganado por três neurologistas (inclusive por ela que também é neurologista). Estas e outras “estrepolias” de Pai Tomé fazem parte do rosário de feitos paranormais que ele realizou através de mim. Ainda assim, nunca fui um Umbandista de garfo e faca. Sempre fui mais um pesquisador, um curioso, não me sentindo de modo algum comprometido com as entidades espirituais. Sempre tive comigo que meu corpo, minha mente e meu Ser Superior (meu verdadeiro Eu Imortal) são meus e não os entrego à subserviência de ninguém. Ressalvo: atualmente, eu os entrego com muita alegria à subserviência de um Ser Fantástico, ao qual eu detestei por mais da metade de minha vida: Yehoshua, o Jesus de Nazaré. Quem conhece este “cara” não pode resistir à sua aura de felicidade, alegria e amor.

Desde que a babalorixá que “me desenvolveu” faleceu, eu nunca mais aceitei “trabalhar” fosse onde fosse. Mesmo assim, não me livro dos espíritos que desejam realizar algo aqui entre os “mortos” que se pensam vivos.

Eis como se apresenta o Nirmanakaya Babajiananda nos terreiros de Umbanda, o Preto Velho Pai Tomé das Almas.

Eis como se apresenta o Nirmanakaya Babajiananda nos terreiros de Umbanda, o Preto Velho Pai Tomé das Almas.

Isto coloca meu íntimo em choque comigo mesmo, pois entre essas pessoas por quem devo orar estão muitas contra as quais estou raivoso. E sei muito bem que, pelo menos uma, está carregada até o último fio de cabelo com cargas espirituais negativas trabalhando incansavelmente para levá-la à derrota em seus ingentes esforços para vencer na vida. Estive em sua casa e na de sua mãe, meus guias trabalharam para limpá-la e a eles mesmos e, depois, eu senti o peso daquilo. Estou velho para tais dispêndios de energia vital.

Mas, como há muito tempo decidi combater em mim o “mau gênio” que tenho (e que não é nada fácil, quando se manifesta), vou levando em frente, galhardamente, a missão que me foi dada. O que me chateia é que tenho de comparecer todo sábado, às 18 horas, na Casa de Ramatis para receber orientações que me são dadas em poucas palavras que escondem mensagens às quais devo descobrir por meus próprios esforços. E já me avisaram que não vou me livrar dali em pouco tempo, como espero ansiosamente. Detesto compromissos espirituais. Mas aprendi a respeitá-los pois, pelo menos no meu caso, desrespeitá-los é levar um cacete baiano da melhor qualidade.

Pelo que posso ver, o Nirmanakaya é teimoso e não está disposto a largar de mim. E eu sou muito cabeça-dura em determinados processo emocionais, como o que vivo agora. Mas reconheço que, de certa forma, estou sendo mais uma vez ajudado, pois se não fosse por isto, eu já teria chutado o pau da barraca.

Vontade não me falta…