É curioso, mas acredito que poucos são os que se debruçaram sobre este assunto.

É curioso, mas acredito que poucos são os que se debruçaram sobre este assunto.

Este é um tema que interessa a todo mundo. Principalmente nos dias atuais e em qualquer parte do mundo, pois vivemos cada dia mais e mais dependentes do Social Mercadológico Globalizado. Não somos mais Indivíduos, porém Pessoas. Um Indivíduo é singular, único, tem uma Identidade que é somente sua. Já uma Pessoa é o produto do Social Mercadológico Globalizado. Vive pelo, por e em função do Mercado. Sem o Mercado a Pessoa desaparece até diante de si mesma e isto é muito grave. E é grave porque acarreta muitos “Transtornos” novos para os Cientistas do Comportamento Humano se deliciarem em suas pesquisas infindáveis, como infindáveis são as facetas do Mercado de Consumo. Aposto que você nunca, antes, atentou para este detalhe de significado importantíssimo para sua auto-compreensão. 

Primeiro é preciso que se compreenda o que significa dilema.

É comum as pessoas se referirem às infindáveis situações conflituosas de seu viver como “problemas”. No entanto, na vida não nos deparamos com problemas. Um problema é uma proposição para a qual, através de fórmulas matemáticas específicas, encontramos sempre uma solução. Um problema solucionado deixa de ser interessante e deixa de nos perturbar.

Ex: 3x + 4 = 100

Este é exemplo de um problema. Através de regras matemáticas chega-se a uma solução adequada. Uma vez encontrada a solução, o problema deixa de existir.

Mas o que é um dilema?

Vamos a um exemplo objetivo.

Um jovem rapaz,

uma jovem moça

uma atração forte entre eles. (Até aqui, estamos com os elementos  estruturais do dilema).

Então surge o dilema: 

Casar ou Não Casar?

É preciso pensar e repensar a vida.

É preciso pensar e repensar a vida.

Não há fórmula nenhuma para que se determine o final BOM ou MAU para o DILEMA do CASAMENTO. Tudo são probabilidades e mesmo estas não possuem fórmulas probabilísticas que assegurem algum coeficiente confiável de resultado positivo ou negativo para o futuro dos jovens.

A nossa vida não nos apresenta problemas, mas dilemas.

Nosso dia, nosso quotidiano, desde que despertamos até quando novamente vamos deitar, está prenhe de dilemas. Alguns parecem tão repetitivos que nós não lhe prestamos atenção. Um equívoco que pode redundar num desastre. Por que?

Ora, porque a base para se sair do melhor modo possível de um dilema é a tomada de decisão.

Uma tomada de decisão implica vários raciocínios baseados, todos eles, em eventos probabilísticos; em expectativas de possibilidades.

No entanto, eventos probabilísticos implicam sempre variáveis intervenientes, isto é, acontecimentos que não foram considerados ou, mesmo considerados, não possuem meios de que se possa servir para controlá-los.

Acidente de automóvel. O auto em que morreu o cantor Cristiano Araújo. Um imprevisto que ninguém ali dentro previu.

Acidente de automóvel. O auto em que morreu o cantor Cristiano Araújo. Uma variável interveniente que ninguém ali dentro previu.

Exemplo de variável interveniente imprevisível e incontrolável: uma pessoa programa ir passar um domingo numa cachoeira. Prepara-se toda; verifica a previsão do clima e toma medidas cautelares contra a virada imprevista do tempo (uma variável interveniente). Verifica as condições de seu automóvel e tudo está perfeito – freios, pneus, óleo de motor, extintor de incêndio, triângulo etc, etc… Parte, certo de que irá chegar ao seu destino sem contratempos.

Mas eis que o fundo de uma garrafa de cor escura e com uma ponta afiada está no meio da pista de rolamento. A pista passa sob a sombra de densa folhagem. O motorista não enxerga o perigo que está ali, naquela ponta afiada. O pneu dianteiro de seu carro sofre um grande rasgão e isto faz que a roda bata no asfalto. Ele não vai correndo, mesmo assim, é uma curva em declive, o carro está com o peso todo lançado para a frente. A direção sofre um violento puxão para a esquerda, o motorista não consegue controlar o automóvel, o pisão no pedal de freio só piora a situação, pois trava a roda e aumenta o puxão para a esquerda. O automóvel sai da pista, capota e todos vão parar no hospital, com escoriações e alguns ferimentos graves.

Você entendeu o que é uma variável interveniente? Pois bem, os dilemas de nossas vidas são cheios de variáveis intervenientes.

Agora, que você está mais ou menos compreendendo sua vida – e a de todos nós – que tal pensar um pouco no seu sistema de vida?

"Você não acerta nada. Se não fizer como eu lhe ensino, vai dar tudo errado!"

“Você não acerta nada. Se não fizer como eu lhe ensino, vai dar tudo errado! Você não sabe pensar!”

Pode parecer verossímil, mas acontece que todos nós, sem exceção, nos deixamos levar pelo “piloto automático”. Com isto quero dizer que não pensamos nas nossas tomadas de decisão senão o suficiente para o momento de urgência que pensamos que o dilema possui. E por isto, quase sempre cometemos erros que só nos levam a dilemas mais profundos, mais complexos e mais difíceis quanto às novas tomadas de decisão que temos de fazer. E eu digo “pensamos que o dilema possui” porque sempre estamos apressados e nossos juízos são influenciados não apenas pela nossa pressa, mas também pelas nossas necessidades subliminares tanto quanto pelas nossas expectativas irreais ou reais. Além destes fatores psicológicos, há, ainda, fatores inerentes à nossa Identidade Individual, como, por exemplo, a necessidade de estar sempre no controle de tudo.  Há pessoas que ficam ansiosas se percebem que outros estão agindo fora de seu controle. Há casos de esposas ou esposos que são castradores que irritam, pois vivem dizendo “não” aos parceiros. Seja o que seja que o outro queira fazer, sua iniciativa é sempre má, defeituosa, errada. O par controlador, então, grita-lhe um “não!” e toma a si ensinar como é que a ação deve ser realizada. Este conflito de Identidade é muito sério e mais comum do que se pode imaginar, entre casais. 

"Oh, Diabo, ela vive me dizendo 'não!'. Só ela sabe o que e o como fazer as coisas. Eu não suporto isto!"

“Oh, Diabo, ela vive me dizendo ‘não!’. Só ela sabe o quê e o como fazer as coisas. Eu não suporto isto!”

A totalidade de nossos dilemas de vida, no que nos diz respeito, está sempre interligada, por mais que não pareça. Isto pode assemelhar-se complexo, mas pensemos no seguinte: a vida de nenhuma pessoa é feita com seqüência de interrupções. Mesmo quando se dorme nossa vida continua sendo contínua. Ainda que não nos lembremos deles, dos nossos sonhos, eles nos mantêm ligados com a realidade fenomenológica que aparentemente deixamos para trás com o findar de um dia. No entanto, centenas de fios soltos por tomadas de decisões equivocadas ou, pior, por não termos decidido nada, estão perturbando nosso inconsciente e este tenta, através dos sonhos, muita vezes aparentemente desconexos, mostrar-nos que necessitamos retornar a um dilema — ou vários — e fazer algo para sair dele o melhor possível.

A fim de que se compreenda o que estou dizendo, vejamos um esquema onde tento mostrar a complexidade de um sistema de dilemas que uma pessoa enfrenta a cada hora de seu dia-a-dia. Neste esquema tento levar o leitor a tomar consciência de como vive literalmente bombardeado por dilemas que pipocam como luzes incandescentes diante de seus olhos, cegando-o para situações ambientais cruciais para sua felicidade e saúde na vida.

Desde quando alguém se entende como gente que vive cercado de dilemas. A vida é eminentemente dilemática. Ela lhe impõe que viva o tempo todo tendo de tomar decisões.  E se você ainda não atentou para a importância disto, preste atenção nos sistemas de seleção empresarial. Neles, o saber decidir é crucial para o candidato, mormente se está sendo selecionado para um cargo de Gerência, onde o tempo todo é de sua competência decidir dentro dos parâmetros que indique o melhor para a Organização. E nossa vida é como uma empresa que exige que tomemos a melhor decisão diante de um dilema. Se erramos, pagamos a conseqüência disto. Invariavelmente. Às vezes decidir entre dois dilemas “bobos” parece tão fácil e simples que agimos sem pensar. Por exemplo: ir buscar um copo d’água na geladeira para alguém que está sedento e em estado neuroglicopênico (isto é, com baixa concentração de glicose no sangue), ou esperar terminar o noticiário que discorre sobre tema de interesse da pessoa. Se esta decide aguardar mais um pouco para ouvir a notícia, pode estar causando uma impressão desfavorável em seu visitante (ou amigo, ou parente) e este, até mesmo de modo subliminar, pode-se sentir desconsiderado pelo outro. Isto não é uma grosseria daquele que “não soube esperar”, pois até mesmo as condições de cansaço ou estresse, que diminuem o nível de glicose no sangue, causam tendência à depressão, irritabilidade e disforia, isto é, tendência à percepção distorcida da realidade objetiva e das relações interpessoais. Estados fisiológicos disfóricos lançam o processo psicológico da percepção e da cognição em negatividade. E a partir disto, a pessoa percebe tudo com “sinal invertido”, isto é, tende a ver tudo de modo negativo.

A tomada de decisão de esperar para ver o final da notícia, fazia parte do dilema

(buscar um copo d’água) X (esperar o final da notícia).

A tomada de decisão pelo segundo termo deste dilema gerou uma nova estrutura perceptiva naquele que estava em estado de neuroglicopenia e, por isto, disfórico. Dependendo de outras estruturas psicoemocionais do percebedor, esta nova estruturação perceptiva poderá, em futuro próximo, levar este indivíduo a criar um Dilema altamente incômodo e até perigoso para outras relações afetivas daquele que errou na tomada de decisão.

Esquema dos Dilemas
Esquemas de Dilemas

O conjunto de dilemas acima pode ser restrito à família do indivíduo, mas isto não significa que não esteja de algum modo interligado com o conjunto de dilemas em seu dia de trabalho e, ainda, interligado com os dilemas de seus parentes mais afins. Como se vê, é humanamente impossível a alguém dominar todos os “campos dilemáticos” em seus diversos ambientes – familiar, trabalhista, parentais e outros.

Geralmente uma pessoa não consegue lidar bem senão com no máximo três dilemas de cada vez, sendo que sua atenção é quase totalmente engolfada pelo que é mais pregnante, mais urgente, mais ansiogênico dentro da constelação dilemática que se lhe apresenta constantemente e de modo variado. No entanto, uma vez tomada uma decisão relativa a cada um deles não quer dizer que ela não termine por acarretar novo campo ou conjunto dilemático que, muitas vezes, era inesperado. Até porque o dilema mais pregnante em sua percepção interior pode urgir uma tomada de decisão apressada, o que poderá conduzi-lo a cometer erros de avaliação das conseqüências resultantes disto. Daí que, remediando o dilema angustioso, a pessoa criou mais dois ou três outros que, em futuro mediato poderá vir a se tornarem prementes. 

Mas se você pensa que seu Campo Dilemático Pessoal se restringe aos acima, erra fragorosamente. Há os dilemas que lhe são criados pelos Governos Municipais, Estaduais e Federal e que terminam por interferir poderosamente nos campos de seus dilemas pessoais, nos quais você se debate para conseguir encontrar a melhor tomada de decisão para eles.

Qual o resultado disto tudo no sistema psicofisiológico e emocional individual? No Sistema Social em que vivemos, totalmente dominado pelo “ciberespaço”, é desastroso e logo falaremos destas conseqüências. Neste momento, quero discorrer um pouco sobre um dos mais atrozes dilemas que o viver moderno nos coloca a todos. Um dilema que não está dentro de nosso campo vital, mas que é a ele imposto de fora, através de movimentos sociais confusos, conflituosos e que se chocam com séculos de condicionamento religioso.

A FAMÍLIA E O CHOQUE ATUAL EM SUA CONCEITUAÇÃO

Toda família é prenhe de choques dilemáticos.

Toda família é prenhe de choques dilemáticos.

O que é uma família? Este é um conceito que está ficando cada vez mais confuso neste início do terceiro milênio cristão. Segundo o site WWW.significados.com.br/família/

“família é o conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si e vivem na mesma casa formando um lar. Uma família tradicional é normalmente formada pelo pai” (homem e macho) “e pela mãe” (mulher e fêmea), “unidos por matrimônio ou união de fato, e por um ou mais filhos, compondo uma família nuclear ou elementar.”

UM DILEMA DE ORIGEM SOCIAL

A definição acima está conforme os cânones religiosos cristãos, vigentes há três mil anos. Mas acontece que com o avanço do homossexualismo como “opção sexual” entre machos e fêmeas da raça humana, colocou-se em cheque esta definição e, hoje, o conceito perde cada vez mais seu significado. Além de pleitearem o direito ao “casamento”, eles também querem (e conseguiram) o direito de adotar legalmente crianças para criar, formando, segundo seus entendimentos, uma “família”, um lar.

Esta é uma questão que envolve o foro íntimo de cada um de nós. Há “casamento” entre pessoas de mesmo sexo? perguntam-se muitos. Ora, casamento é um substantivo derivado de outro: casal. E um casal só é formado quando os pares são de sexos opostos. Não há casal quando os dois parceiros são de mesmo sexo, ainda quando um deles se sinta “feminino” ou “masculino”. Este raciocínio é típico exemplo de um conflito dilemático. E ele se encontra, atualmente, na base da relação homoafetiva.

Na junção entre dois indivíduos de mesmo sexo genital, isto é, que possuem órgãos genitais iguais, ambos genitais masculinos ou ambos genitais femininos, não pode haver casal no estrito significado do termo. No máximo, pode acontecer uma parelha. Então, se não há casal, mas sim uma parelha, não há casamento entre eles e, sim, emparelhamento. Esta é outra vertente do raciocínio em que uma facção se debate para defender a idéia contrária a um dos componentes do dilema da homoafetividade. Este exemplo, atualíssimo por sinal, dá a dimensão de quão importante são os Dilemas em nossas vidas. Por isto é crucial atentarmos para eles.

QUAL É A FUNÇÃO PRINCIPAL DA FAMÍLIA?

Gerar prole e educá-la, diriam muitos. Eu, porém, entendo a família como tendo a função principal de Educar a Prole que Gera. E esta é uma tarefa árdua, que requer arte, ciência e rapidez na tomada de decisões corretas na medida do possível e dentro da estrutura dinâmica do momento social em que todos vivem. E nesta vertente, a homoafetividade não é importante enquanto “parelha” ou “casal”, desde que saiba educar a prole adotada de conformidade com suas tendências inatas, sem tentar influir na formação de suas Identidades Pessoais.

Gerar prole é fácil e nós temos inúmeros grupos “familiares” onde o que se faz é somente “colocar filhos no mundo“. Os responsáveis pela geração deles não se incomodam muito com educá-los.

Está na Bíblia, dirão os religiosos cristãos: “Crescei e multiplicai-vos”. E muitos irresponsáveis poderão alegar que ali não está dito “Crescei, multiplicai-vos e educai vossa prole”. E o “esperto” que assim argumentar estará totalmente e absolutamente correto. 

Cópula entre leões.

Cópula entre leões.

Por outro lado, pode-se alegar que aquela sentença supostamente ordenada por Deus já é obsoleta. Pode-se alegar que este conceito foi ali introduzido porque nos tempos antigos imperava o “machismo” na maioria esmagadora das culturas avançadas da época. E para reforçar este comportamento machista entre os hebreus, colocaram tal conceito na “boca de Deus” para que tivesse mais impacto nas mentes das pessoas. E pode-se alegar que entre os gregos e os romanos (gigantes em cultura naqueles idos) havia total liberdade coital. Aceitava-se e até se incentivava o conúbio entre parelhas humanas machas. Há até quem se baseie no comportamento de animais selvagens, como o leão, a girafa, o elefante, o cão e outros (até entre insetos como a libélula), para justificar a prática do coito entre seres de mesma espécie e sexos genitais diferentes defendendo este ato como “natural”. No entanto, temos de convir que somos uma espécie que se diferencia enormemente dos irracionais. Agir por impulso; pelo acicate temporal do impulso reprodutor, é muito diferente de agir com plena consciência do que se faz.

Esta digressão, contudo, teve a finalidade de chamar a atenção para um Dilema que o viver social moderno está “empurrando” para dentro dos Grupos Familiares mais tradicionalistas. Não quer dizer que eu esteja defendendo esta ou aquela postura. E este Dilema,

[aceitar o homossexualismo X não aceitar o homossexualismo],

não mais pode ser alijado de nosso viver atual, pois ele é, neste momento, mundial.

Entre os humanos, as duas funções principais da família tem sido, por milênios:

  1. Multiplicar a espécie para a sua conservação;
  2. Prover a Educação Social da prole gerada pelo casal.

Independentemente da batalha travada socialmente entre os que defendem e os que condenam o homossexualismo, este trabalho toma o conceito de família segundo os estereótipos tidos e aceitos por séculos como o modelo correto: um homem macho e uma mulher fêmea unidos para gerar filhos e criar um lar. O atual Dilema Mundial ainda não faz parte do interesse desta abordagem.

O que é um lar?

Parece que, nos dias atuais, perdeu-se o real significado deste vocábulo: LAR.

Um LAR vai muito além do conceito de CASA. Aliás, nada tem haver com este outro conceito. Casa é apenas o local de residência da família. É concreta, pode ser vista, tocada, sentida, vendida, derrubada, modificada etc…

Já um LAR é um substantivo abstrato, porquanto não se constitui real, palpável, odorífero, palatável, visível ou audível.

No lar tradicional, os modelos de HOMEM e de MULHER têm de ser exercidos pelo homem macho e pela mulher fêmea respectivamente, que se uniram para gerar prole. O modelo de homem estereotipava-se numa figura decidida, firme em seus propósitos, determinado, defensor, objetivo, corajoso, assertivo, protetor, verdadeiro, tolerante, compreensivo, empreendedor, amoroso e confiável. Já o modelo de mulher estereotipava-se em ser receptiva, obediente, cooperativa, caseira, educadora da prole, alimentadora, amorosa e dependente de seu parceiro, o marido.

Entretanto, alguns destes “atributos masculinos e femininos” vêm perdendo sua objetividade nos dias atuais. A decisividade ou liderança masculina, por exemplo, outrora centrada no “cabeça do casal”, o pai, hoje, mescla-se com a aceitação da parceria com a mulher e recusa a antiga visão de alguém que toma a si toda a responsabilidade pelos destinos do grupo familiar.

A decisividade ou liderança masculina no grupo familiar, atualmente, está restrita e forçada a uma reestruturação à qual ainda não se adaptou. Há vários impositivos legais que a cerceiam, inibem e limitam. Por exemplo: um pai de família não tem mais a liberdade (nem a obrigação) de ser o provedor do sustento de todos, pois o Sistema Social mudou e a regulação dos salários é fluídica, uniforme e função da especialização e do tempo de experiência e não mais é fixa, determinada e controlada como há dois séculos passados.

O Mercado impõe a globalização de preços e salários e o Neoliberalismo exige muito das pessoas em termos de formação e especialização em troca de salários que não correspondem ao que desejam de seus empregados, chefes de família na maioria.

Além do mais, o Mercado sobrevive do Consumismo. Por isto, ele incentiva as famílias a consumirem mais e mais, sem ligar a mínima para as condições financeiras em que elas se encontrem. Sem o consumo, o Mercado vai à falência e se ele falir o desemprego em massa é a conseqüência imediata. Então, ainda que sendo um vilão para o grupo familiar, o Mercado é indispensável para a sobrevivência deste grupo.

Há duas ferramentas cruciais para o Mercado: a Propaganda e o Marketing. De certa forma, estas duas ferramentas mercadológicas são inimigas da Família. Esta ingerência do Mercado no grupo familiar através de seus instrumentos de sobrevivência — Propaganda e Marketing — impõe que todos os membros válidos de uma família busquem empregar-se para também contribuir com a sustentabilidade do grupo familiar. Esta mudança de hábito conceitual da família; esta reestruturação da tradicionalidade familiar coloca diante de todos os membros do grupo um dilema que também é de todos – a reorganização de valores e de importância dos indivíduos dentro do grupo de família, independentemente da idade cronológica e do processo maturacional natural fisiológico e psicológico.

E temos, aqui, um exemplo de

DILEMA FAMILIAR por mudanças drásticas no Sistema Social.

As Administrações públicas e privadas, por seu lado, têm agido de tal modo que obrigam os membros das famílias a participarem em conjunto dos esforços para encontrar um meio-termo nas decisões relativas ao padrão de vida que podem alcançar sem o sacrifício de um único membro. Não há mais a figura do “cabeça do grupo familiar”. Hoje, no máximo pode-se falar em “cabeças do grupo familiar”, sendo estes não somente os pais, mas também os filhos adolescentes, cujos direitos às decisões grupais familiares são, em muitos casos, assegurados por Lei, mas que, nas famílias classe A — e em algumas da classe B — já se vem tornando natural. Em muitas famílias da Classe A, os filhos ainda crianças são convidados a participar das tomadas de decisão familiar, com o intuito de introduzi-los na dinâmica social em que deverão crescer, viver e também gerar grupos familiares. Esta, tem sido uma tomada de decisão imposta ao grupo familiar mercê da complexidade que o desenvolvimento Social cria a cada ano que passa. Temos, ainda no processo social, um exemplo atualíssimo de

DILEMA SOCIAL de origens Políticas

 Interferindo direta e decisivamente na estrutura familiar do Lar. Note-se que os dois dilemas explicitados acima, não nasceram dentro do grupo familiar, mas sim em ambientes externos a ele que, no entanto, o englobam e se lhe impõem.

Um complicador que se tornou um dilema crucial no meio familiar é o início muito cedo da adolescência, atualmente. Outrora, em passado recente, este período era considerado iniciado quando a menina ovulava ou o menino ejaculava, o que acontecia entre os 13 e os 14 anos. Até esta idade os jovens eram considerados pré-adolescentes e crianças. Nos dias atuais este limite foi encurtado drasticamente e as meninas já menstruam a partir dos dez ou onze anos. Há centenas de garotinhas com idade de 11 anos e, às vezes menos, apenas com 10 anos, que engravidam por terem tido relação sexual cedo demais. A gravidez, porém, só acontece se a mulher já ovula, o que significa que as meninas da atualidade ovulam cada vez mais cedo, assim como os meninos produzem espermatozóides também cada vez mais cedo. Estes fenômenos fisiológicos, contudo, não correspondem a um amadurecimento psicológico concomitante. Um fato nada tem haver com o outro.

Eis outro exemplo de DILEMA SOCIAL de origens psicológicas (estimulação visual e sonora precoce) e químicas (excesso de hormônios aplicados nos alimentos ingeridos), que se tornam a causa de interferências complexas no funcionamento natural do organismo humano e que também interfere diretamente na dinâmica da estrutura familiar.  

Por outro lado, as comodidades que a tecnologia coloca à disposição das pessoas também requerem que todos participem do esforço conjunto para a obtenção de ganhos suficientes que possibilitem a inserção do grupo familiar no grupo social robotizado, “cibernetizado”. Isto faz que a decisividade passe de uma pessoa central para, inicialmente, uma dupla, um casal; depois, à medida que a prole amadurece, a ser responsabilidade de todos os membros da família. E é aí que o dilema familiar se torna delicado. As opiniões diferem muito devido ao choque de interesses entre os membros com poder decisório. A prole, cada vez mais cedo, volta-se para as novidades oferecidas pela onda “cibernética”. Estar “logado” é a “onda” do momento atual. Só que este mau hábito tem colocado muitos jovens em situações até de perigo de vida e isto causa não somente preocupação para seus genitores, mas também os lança em confronto direto, por visões diferentes que possuem do viver e conviver moderno. E não é somente este o perigo em que a juventude atual se encontra. O isolamento humano é cada vez mais crescente entre eles e isto intensifica um dilema já acusado há muito tempo, pelos Humanistas de outrora: o estado de sofrimento ao qual chamaram de “Vazio Existencial”. Embora já se tenha falado muito sobre esta condição humana, ela será abordada aqui, mais adiante, pois muito mais intensamente está presente nos indivíduos deste novo milênio do que já esteve nos seus antepassados.

Eis mais um exemplo de DILEMA SOCIAL, agora de origem tecnológica, que interfere poderosamente na estrutura e na dinâmica do grupo familiar.

Eis um típico "estudante" brasileiro da atualidade. O choque entre padrões familiares diferentes pode ser a causa de um comportamento tão agressivo.

Eis um típico e doentio padrão de “estudante” brasileiro da atualidade. O choque entre padrões familiares diferentes, ou conflituosos, ansiogênicos, pode ser a causa de um comportamento tão agressivo.

Se, outrora, o choque de gerações se iniciava tardiamente, lá pelos dezesseis ou dezoito anos, geralmente, na atualidade ele começa cedo, pois crianças voltaram a ser “adultos em miniatura”, só que com direitos assegurados em Leis. Leis que, às vezes, tolhem nos pais a ação Educadora que lhes competia desde sempre. Erradamente, as Administrações Públicas transferiram este direito sagrado dos pais para a Escola e esta passou a ser responsabilizada pela Educação de centenas de proles de famílias diferentes entre si, cujos pais não mais possuem de fato e de direito o famoso “poder pátrio” sobre elas. Em nossos dias, este “poder pátrio” tem existência apenas no Direito.

No entanto, a função primeira da Escola é instruir. Ela tem o dever de colocar ao alcance da Identidade da criança em desenvolvimento uma grande quantidade de informação técnico-científica e de História formal do país. Esta é uma carga que se vem tornando quase impossível para os professores. Mas isto não parece óbvio aos legisladores, pois estes irrefletidamente transferem para a Escola, uma entidade abstrata, o dever de também Educar pessoas cujas Identidades estão em efervescência pelo processo mesmo de amadurecimento. Jogam-lhes, aos professores, sobre os ombros as proles de classes sociais as mais diversas, desde a mais baixa, a classe “D”, até à mais alta, a classe “A”. Às vezes, como acontece agora no Brasil, as conjunturas político-administrativas lançam o país em situação calamitosa e os egressos destas classes se vêm repentinamente misturados nas Escolas. O choque cultural e de estereótipos entre os jovens destas diferentes classes é inevitável e não é competência da Escola trabalhar tais choques oriundos das diferenças sociais, mas é, sim, responsabilidade dos responsáveis pelos membros jovens das famílias – os pais. Só que o Estado vem confundindo de modo desastroso os pais quanto a seus poderes na Família.

E temos, agora, um exemplo cruciante de DILEMA POLÍTICO interferindo desastrosamente na estrutura do grupo familiar.

Nesta nossa atualidade, os pais de famílias estão desorientados. O Estado ameaça-os se tentam usar para com seus filhos os métodos educacionais que foram usados para com eles por seus próprios pais. Mas estes métodos estão marginalizados por Leis que não oferecem alternativas viáveis aos pais destituídos do poder de Educar seus filhos. Há Leis para puni-los, mas não há treinamento que os capacite atuar de um modo novo, ideal segundo os ditames das Leis aprovadas nas Casas Regimentais. Eles têm a obrigação de, uma vez promulgadas as Leis, cumprirem-nas a partir da data limite estabelecida para a mudança, como se a Mente humana fosse algo mecânico, automático. Este comportamento é um erro desastroso de nossos Legisladores.

E estamos diante de outro exemplo cruciante de DILEMA POLÍTICO interferindo de modo desastrado na estrutura do grupo familiar.

A firmeza de propósito dos pais de família se dissolve em um emaranhado de Leis que tolhem e restringem de modo abusivo e perigoso a responsabilidade dos homens para com os filhos que gera. E isto se torna gritante quando surge no meio familiar adolescentes que, conscientes de seus “direitos legais”, abusam desastradamente da Liberdade de Ser. Por outro lado, os legisladores não se preocupam, por total impossibilidade real para isto, com o cumprimento das Leis que promulgam. Uma Lei nova devia ser trabalhada intensamente para que toda a população da Nação aprendesse a absorvê-la, aceitá-la como boa e passasse a praticá-la quase de modo automático. Mas não é o que acontece. Uma vez promulgada uma Lei, cabe a órgãos específicos fazer que os cidadãos as cumpram, sob pena de serem punidos até de modo desastroso. Não há a preocupação com o trabalho de EDUCAR OS CIDADÃOS para as modificações introduzidas pelas Leis novas.

E estamos, de novo, diante de mais um exemplo cruciante de DILEMA POLÍTICO interferindo desastrosamente no meio familiar.

O ser humano, ao longo de sua História, sempre se viu diante de um dilema terrível para suas vidas: o peso do Estado sobre seus ombros. A carga tributária sempre foi onerosa para o trabalhador e, apesar disto, nunca lhe devolveram em benefícios o dinheiro recolhido compulsivamente pelos Administradores Públicos. Temos, entre nós, vívidos exemplos de como a Administração Pública desastrada sobrecarrega os cidadãos, esmagando-os e os sugando como vampiro insaciável. Nossa hipertributação estarrece até os países comunistas, como a China e a Rússia. Aliada à hipertributação temos, agora, a corrupção desenfreada e a inflação que ameaça perigosamente se descontrolar e voltar a lançar o país no caos que já viveu há algumas décadas passadas. Descontrole que foi causa de muitos desequilíbrios psicoemocionais graves, com a desestruturação total dos grupos familiares.

Estamos, mais uma vez, diante de DILEMA POLÍTICO-ADMINISTRATIVO interferindo desastrosamente no meio familiar.

Muitos “cabeças de família”, homens e mulheres que se tornaram genitores e genitoras, se vêem totalmente desorientados diante de dilemas para cujas exigências não têm opções de tomada de decisão acertada. Então, muitos enveredam pelo caminho do alcoolismo, da drogadicção, da prevaricação compensatória e da prostituição de valores familiares.

Estamos, agora, diante de exemplo de DILEMA PSICO-EMOCIONAL fruto da ação deletéria de Governos cujos administradores não sabem realmente governar.        

Bem, até aqui creio que levei o leitor a pensar seriamente em quanto os Dilemas da Vida, sejam eles gerados no ambiente intra-familiar, sejam gerados em ambientes mercadológicos ou políticos, são cruciais para o viver de cada ser humano, não importando em que país viva ou que idioma fale. Devido mesmo à Globalização, os dilemas políticos e mercadológicos se tornaram comuns a toda a humanidade. E eles, mesmo tendo origens em situações sociais totalmente distantes dos grupos familiares e dos indivíduos que os compõem, caem sobre todos como uma rocha lançada por um gigante.

O que resulta disto para a saúde psicossomática dos indivíduos no grupo familiar?

Será este o tema de nosso próximo encontro.