Como se Formam o “Indivíduo” e o “Caráter”?

Karl Gustav Jung. Ele muito contribuiu para a compreensão do que realmente somos.

Karl Gustav Jung. Ele muito contribuiu para a compreensão do que realmente somos.

Segundo Jung, toda a produção Mental de qualquer pessoa integra o que ele denominou de Inconsciente Coletivo. Este Inconsciente Coletivo não contém produções passageiras, tolas, fúteis, mas sim aquelas aquisições mentais que são compartilhadas por um grupo de pessoas durante muito tempo. Assim, imagens como Deus, Pai, Mãe etc… são comuns a todas as culturas humanas e integram o Inconsciente Coletivo como Arquétipos. Estes Arquétipos são comuns a toda a humanidade e seu conjunto é como o ar que é igual em qualquer lugar da Terra.

Quase sempre a tomada de decisão dissonante com sua Identidade gera DILEMAS posteriores que você terá de enfrentar buscando novas tomadas de decisão para safar-se deles do modo menos traumáticos e conflituosos possível.

A vida não é fácil; os dilemas não são fáceis. Como esperar um estalo mágico para sanar suas angústias?

A vida não é fácil; os dilemas não são fáceis. Como esperar um estalo mágico para sanar suas angústias?

O Vazio Existencial em nosso Viver Moderno

Até aqui você já adquiriu o Conhecimento necessário para se voltar em estado de alerta para as armadilhas sub-reptícias de sua vida – O Dilema. Também já terá compreendido que não existe Dilema fácil. Todos eles contêm armadilhas e todos eles abrem um leque de caminhos aos quais levam as opções que você tomar a partir de qualquer um.

Agora, quero chamar sua atenção para um fato crucial no nosso sobreviver moderno. E digo sobreviver porque a época em que realmente se vivia findou e não retornará jamais. O tempo em que as famílias, ao fim do dia, sentavam-se nas calçadas de suas casas para prosear entre si e com seus vizinhos acabou. Hoje, as casas são cubículos funcionais, uns em cima de outros, chamados de “apartamentos”, uma designação absolutamente correta, pois que este modo de vida realmente “aparta” os “mentos” das Pessoas, tomando-se aqui “mento” no sentido de pensamento = comunicação, não no seu sentido lato (parte anterior e inferior da face; o queixo).

Você já notou que as pessoas, desde as mais jovens até os mais idosos que se deixaram viver enfaticamente pelas suas Pessoas em detrimento de seus Indivíduos, estão tristemente solitárias? Já foi tema de reportagens escritas e televisivas a solidão em que a juventude se encontra. Uma solidão tão grande que elas, ainda quando sentadas juntas ao redor de uma mesa, não conversam entre si senão através da telinha de seu I-phone. No entanto, se se disser a qualquer membro de um desses grupos de alienados (no sentido correto do termo = afastado, desviado, separado) que ele sofre de Solidão, certamente que esta Pessoa soltará aquela gargalhada e apontará o grupo todo ao redor da mesa, dizendo: “que alienado que nada, cara. Olhaí o grupão! Estamos todos juntos nos divertindo”.

No entanto, aquelas Pessoas estão juntas fisicamente, mas separadas emocional e psicologicamente. Estão-se ocultando ou se defendendo dos demais, filtrando o que desejam dizer e dizendo o que não teriam coragem de fazer olho no olho. Se se fizer uma pesquisa entre jovens de tais grupos é altamente provável que se descubra que eles sentem uma vontade enorme de se soltarem, de dizer o que sentem de verdade e, não, as frases-clichês que circulam nos programas de comunicação instantânea.

Este vazio na Comunicação interpessoal se alastra como sarampo para toda a entidade Pessoa de cada um que adota o I-phone (ou aparelho similar) para tentar comunicar-se. Há uma censura entre os comunicadores. Uma censura que eles não percebem claramente, mas que deixa sempre um sabor de vazio em seus íntimos. E é justamente esta sensopercepção de vazio em suas existências que faz que surja uma nova doença entre as pessoas – A tão falada NOMOFOBIA.

O nomofóbico é um dependente mórbido de seu celular. Sua vida gira ao redor da telinha terrivelmente “mágica”. Esta compulsão em busca de comunicação nos mostra o desastroso vazio existencial que assola as Pessoas da atualidade. Isto é muito bom para o Mercado, mas um desastre para a Condição Humana.

O Ser Humano precisa de se comunicar olho no olho; precisa de ouvir tanto quanto de ver a expressão facial e corporal daquele que com ele se comunica. Precisa de sentir o cheiro do outro, principalmente se é de sexo oposto. Tudo isto satisfaz uma Necessidade Básica de todos nós: a Necessidade de Aceitação. Ouço freqüentemente Pessoas dizerem que já não sabem mais viver sem o celular. E que não imaginam como era a vida quando ele não existia. Pois bem, eu lhes respondo, a vida era muito, muito melhor. Infinitamente melhor. Algumas contra-argumentam que, hoje, a comunicação é instantânea. A pessoa vê um desastre ou um assalto, fotografa a ocorrência e envia para algum órgão público a fim de agilizar as providências. Mas, eu pergunto: por que a necessidade disto, desta prestatividade? O motivo real, acho que ninguém desconfia qual seja. No entanto, ele é um grito de alerta, pois o que jaz por debaixo da ação caridosa e cidadã é um grito de socorro: “Vejam-me! Eu existo! Eu estou aqui!”

Na verdade, nos dias atuais, também há outro motivo imperioso por baixo daquela prestatividade cidadã: o Medo do viver em comunidade. O Medo que faz gelar o íntimo daquele que fotografa e denuncia a ação do criminoso. Uma tentativa de defesa prévia, pois, em qualquer dia no futuro mediato, aquele criminoso, ou outro similar, poderá estar atentando contra a vida da Pessoa em estado de ansiedade.

Então, os dois fatores primordiais para a ação cidadã são estes: necessidade de se fazer notar e ser valorizado; e defesa por medo antecipado de uma ação danosa de parte de terceiros.

Estes complexos estados psicoemocionais são Dilemas de difícil percepção para o indivíduo e para os quais mais difícil é uma Tomada de Decisão. No caso do acidente ou do assalto, a tomada de decisão de denunciar a ocorrência oculta a frustração de saber que sua ação vai-se esvair no nada. O que vier a ser feito não prevenirá o denunciante de ser a próxima vítima, mormente em países como o nosso, onde o valor da vida é banal e os Governos são totalmente incompetentes para aquilo para o quê foram eleitos.

Estamos vivendo intensamente uma crise de existência ou um novo existencialismo angustiante.

O Existencialismo foi uma reação à aridez na conceituação da entidade homem, melhor notada na obra de Hegel. Este filósofo de certa forma deixou a entidade homem fora de suas elaborações. Hegel não deu muita importância ao Medo em sua filosofia, o que a tornou fraca, visto que esta emoção é a base da existência Social da Pessoa.

Quem não vive tomado de medo nas cidades do mundo? No nosso Brasil o Medo se levanta conosco, passa o dia acelerando a todo momento nossos batimentos cardíacos e aumentando indevidamente nossa pressão sangüínea e vai deitar-se conosco, pronto o tempo todo para nos levar a um glorioso infarto do miocárdio.

Kierkegaard e Nietzsche foram os dois mais acurados observadores do crescente desespero da Pessoa social humana e do fracasso constante de sua satisfação Pessoal. Nietzsche buscou encontrar a solução para este terrível Dilema Humano na construção de um “homem acima do homem”, ou seja, um super-homem, que devia obter a vitória de sua angústia pairando acima de sua alienação mediante um poder auto-gerado. Super-homens assim só são encontradiços nos já quase extintos mosteiros lamaístas do Himalaia antigo, quando os comunistas chineses ainda não tinham envenenado até o solo que pisaram naquela montanha. Isolados de tudo e de todos, sentados em eterno estado de meditação, eles se alienavam da realidade Consumista e Mercadológica em que a quase totalidade da humanidade vive atualmente. Em assim vivendo, podiam criar o tal poder auto-gerado e é até fácil construí-lo, pois não há desafios gritantes a cada respiração que se dá no nosso meio social enlouquecedor.

Se se vive na companhia dos humildes trabalhadores do campo no interior do Brasil; gente que do amanhecer até o anoitecer só tem para interagir a terra que ara ou o gado que tange. Gente que não sabe falar bem sua língua e, por isto, são limitados tanto no pensar quanto no expressar seus pensamentos, encontra-se facilmente tais super-homens. São felizes, são satisfeitos com o que têm e só se preocupam com o alimento de seu dia-a-dia.

Mas se se vive no intenso rebuliço das cidades, desde as pequenas até às megalópoles, todas invadidas pelas redes wifi, todas prenhes de TV dando notícias e mais notícias do mundo todo, cada qual mais catastrófica que a anterior, então, é impossível se encontrar tais super-homens.

O conceito de Sorge, de Heidegger a respeito da interdependência das pessoas abalou profundamente a filosofia do passado. Os pais do positivismo lógico defendiam a tese de que a verdade devia ser descoberta de modo explícito, e que podia ser replicada e redemonstrada por qualquer um que tivesse tempo e disposição. Mas eu, quando estudava a Psicologia Experimental e atuava fora do laboratório em que se sacrificavam ratinhos para comprovar os acertos da teoria do estímulo-resposta, percebi que aquele ideal não passava disto: um ideal. Em condições não controladas de laboratório é simplesmente impossível se ter qualquer verdade, por mínima que seja, demonstrada e redemonstrada repetidas vezes. A dimensão dilemática humana não se repete. Uma Pessoa não é a mesma trinta minutos após nós a termos entrevistado com um determinado objetivo, ou com ela conversado livremente. Ela mudou em algo, por menor que seja, e isto faz grande diferença. Sua mudança altera alguma dicotomia Dilemática (isto ou aquilo?) em sua vida, em seus pensamentos, em seus desejos ou em suas expectativas. Nos trinta minutos de intervalo a pessoa pode ter sofrido um acidente doloroso, ou ter encontrado alguém que lhe deu uma informação importante para ela, que lhe exirge uma tomada de decisão precisa e rápida. Esta condição já altera todo o sistema psicossomático da Pessoa e se voltamos a entrevistá-la sobre o mesmo assunto que tínhamos escolhido como base de pesquisa veremos invariavelmente que suas respostas mudam em algo. Toda a pesquisa vai pelo ralo só porque algo ou alguém alterou o nosso objeto de pesquisa, a Pessoa.

Que resultou para a humanidade a partir do assim chamado positivismo lógico? A Psicologia de Skinner do E-O-R (estímulo-organismo-resposta) ou a cirurgia estereotáxica do cérebro para controle do comportamento e isto é muito, muito pobre.

Os objetivos ditos “positivos” – saúde e longevidade, bem-estar econômico, mobilidade com um mínimo de dificuldade, educação universal, ampla, irrestrita, uso eficiente e ecológico da Terra etc… causaram um efeito muito curioso sobre o século XX, que se prolonga, ainda, neste Século XXI. Quanto mais estes progressos avançavam em descobertas e aprimoramento, menos satisfação a Pessoa encontrava em sua existência. Mais que isto: os mitos e símbolos com os quais seus pais e avós viviam, agora perderam sua dinâmica, seu significado místico e com eles também se perdeu o sentido da vida.

Deus estava morto – diziam os filósofos do século passado. Havia outro Deus em seu lugar – a Tecnologia. E, agora, este também está ultrapassado e em seu lugar há o Deus Mercado com seu séquito de Anjos Diabólicos – a Propaganda, o Marketing, o Neoliberalismo e a Globalização.

O número de dilemas cresceu em proporção geométrica para a vida de qualquer cidadão em qualquer parte do mundo humano. E com eles, também cresceu sub-repticiamente e perigosamente a sensação de Vazio Interior. Aquilo que era chamado de Vazio Existencial pelos Existencialistas do passado e ainda o é pelos Humanistas do presente. É a este vazio que cabe a responsabilidade pelo aumento intenso de drogas como fuga a um Social cruel, desumano e cínico. É a este vazio que compete a responsabilidade pela crueldade humana exacerbada nas mais diversas e diversificadas atividades humanas, com destaque para aquela, política. Vemos homens, como Collor de Melo, que roubaram desenfreadamente e adquiriram bens dos quais nem podia usufruir em nosso país, como carros caríssimos e velocíssimos, porque nossas estradas não são preparadas para eles. Com uma ganância espantosa, o Senador da República, egresso de uma família abastada, não se contentou com o que tinha de sobra. Precisava compulsivamente ter mais e mais e mais e mais… Esta é uma das seqüelas horríveis do “vazio existencial”. Collor jamais foi amado pelo que julgava ser. Sua busca desesperada por ter mais e mais no fundo escondeu, sempre, uma angustiosa necessidade de aceitação. Ele nunca terá como satisfazer isto, para desespero de seu Espírito.

O que aconteceu com Collor de Melo acontece com todos os cidadãos do mundo, seja qual seja sua classe social. Todos viramos “vampiros” de todos. Sugamos os outros e pelos outros somos sugados. E no centro deste comportamento assustador estão os DILEMAS.

Como ao menos tentar escapar deste vórtice de misérias?

  • Tome a si mesmo como o fulcro de um esquema que irá construir;
  • Ao redor de si, coloque os dilemas que o cercam com mais intensidade e maior premência;
  • Atribua a estes dilemas o grau máximo (100, por exemplo);
  • Herarquize os graus de dificuldades destes dilemas, de modo que eles formem uma pirâmide onde na base estejam os com menos grau de urgência ou dificuldade e no topo aquele que mais implique urgência e perigo ou imprevisibilidade;
  • Trace, a partir do mais agudo, do mais imprevisível, os caminhos prováveis para pelo menos cinco tomadas de decisões possíveis para ele.
  • Trace, para os de segundo escalão, os mesmos caminhos;
  • Trace, para os de terceiro escalão, os mesmos caminhos;
  • Deixe os de quarto e seguintes para depois. Eles não lhe são de grande premência e preocupar-se agora com eles é perda de tempo e desorientação.

Agora, estude atentamente cada caminho (estes caminhos sempre levarão você a outros dilemas, os quais você terá de levantar as hipóteses prováveis de ocorrência e suas opções possíveis de tomadas de decisão. Não exagere. Não vá além das três mais seguras para você, caso contrário poderá se perder num emaranhado inútil e seu trabalho lhe será improfícuo).

A princípio você cometerá erros de previsão espantosos, mas com o tempo adquirirá uma “intuição” para a escolha da melhor opção de tomada de decisão. Sua vida, então, começará a lhe parecer mais agradável e menos angustiosa.

Experimente.