Capítulo IV – O Ritual (Parte III)

O belo chalé onde ninguém esperava o que estava por vir.

O belo chalé onde ninguém esperava o que estava por vir.

          Milena não se deitou. Tomou demorado banho de imersão, enxugou­-se, penteou-se e sentou-se em confortável sofá, lado oposto à cama e de costas para a janela. Tinha uma xícara de chá de tília que preparara para si mesma na elegante chaleira de prata sobre a cômoda de pau-brasil e cedro-do-líbano. A bebida quente lhe revigorava o corpo. Em sua cabeça turbilhonavam as memórias daquele dia atabalhoado e sinistro. Sua vida, a ilha, tudo fora virado pelo avesso desde que aquela estranha repórter viera com ela. Milena meditou em como se haviam encontrado. Nas conversas e nos acontecimentos insólitos que lhes tinham acontecido durante o dia. A corcova no mar ainda lhe trazia forte emoção.  O que teria sido aquilo? A milionária começava a achar que não fora uma boa idéia ter convidado Ma­ra a vir até a ilha. Aquele seu cantinho paradisíaco nunca mais seria o mesmo depois daquela tarde macabra. Pobre e querido amigo Khamal, que fim trágico.

Quem poderia adivinhar que ele morreria em um dos locais mais belos do Brasil, Angra dos Reis, devorado por um bicharoco pré-histórico e antepassado dos feios dinossauros? Aquilo era inglório demais para um ho­mem da estatura científica de Khamal. E de onde diabos surgira o maldi­to jacaré? Será que era o mesmo bicho que Mara fizera sair do esconderijo quando as duas subiam da praia? Milena inquietou-se diante da dúvida. E se houvesse dois deles?   “Não” — pensou ela.  — “Eles são raros. Um já é uma probabilidade em cem. Dois? Eu não creio. Prefiro acreditar que o amaldiçoado réptil é um só. Mesmo assim, por que tinha de estar na ilha justamente agora, quando Mara, Khamal e os outros vieram? Talvez desti­no… essa coisa misteriosa que ninguém sabe definir. Seria seu destino ter sido a intermediária da morte para Khamal? Fora ela, afinal de con­tas, quem o juntara a Mara, na ilha. Fora ela quem lhe telefonara insistindo para que viesse. Se não tivesse tido a bendita idéia de chamá-lo, tudo poderia ter sido bem diferente. Ele não estaria morto. Esta linha de pensamento fê-la sentir-se culpada e Milena não gostou. Sacudiu a cabeça. “Não, eu não sou culpada de nada. Também sou vítima. Como todos, aliás. Mara nem sabe do poder que possui. Eu não posso jogar toda a res­ponsabilidade sobre ela. Aliás, nem sei se ela tem alguma… Oh, meu Jesus, é tudo tão confuso… A única verdade que eu tenho é que minha adorada ilha agora tem um morto. O resto são… são… como posso dizer? O resto são imponderabilidades. Talvez até eu tenha alucinado tudo… Não e não. Assim é negar demais, ora. Aquela corcova no mar eu vi bem claramente. Havia um bicho enorme sob a água. Seria o jacaré? Não, eu não o creio. Ele não nadaria tão rapidamente sob a água…”

 

Coqueiros não existiam na ilha da milionária. De onde aqueles vieram?

Coqueiros não existiam na ilha da milionária. De onde aqueles vieram?

         Milena levantou-se inquieta. Depositou a chávena de chá sobre a cômoda e ficou andando a esmo dentro da luxuosíssima suíte. De repente sentiu-se extremamente frágil e só. Sentiu uma necessidade premente de ligar para seu noivo. Tomava consciência, agora, de que passara o dia querendo Luis Filipe a seu lado. A força dele, seu forte magnetismo e o seu alegre bom-humor preenchiam o espaço onde quer que estivesse. Mile­na queria demais que ele estivesse ali, a seu lado. Decidiu ligar para ele. Foi à cabeceira da cama e pegou o celular. Discou o número do ra­paz e só ouviu estática e silvos estranhos. Depois da sexta tentativa ela desistiu. Jogou o celular sobre a cama e foi à janela. Abriu as cor­tinas para respirar ar fresco e decidir se acordava o seu piloto para que fosse à cidade buscar Luis Filipe. Talvez de terra firme fosse pos­sível evitar a estática que interferia com o celular… A moça recuou de olhos esbugalhados diante do que viu lá fora. Aquilo não era possí­vel. Aquilo não existia em sua ilha. Milena correu para o banheiro am­plo e se olhou no espelho de cristal. Estava com as mãos geladas. “Este banheiro é real. É o meu banheiro. E aquela lá no espelho sou eu. Estou em minha casa, na minha ilha. Aquilo lá fora não existe. Foi só uma alucinação. Estou estressada, é isto. Foi o stress deste dia horroroso que me fez ver aquela miragem. Eu… eu vou voltar lá e tudo terá desaparecido.”

          A moça respirou fundo fechando os olhos com força e, depois, resoluta, voltou à janela. Estava firmemente decidida a confirmar que o que vira fora pura alucinação de seus sentidos. “Quando contar aos ou­tros o que me aconteceu vão morrer de rir” pensou e abriu as cortinas de supetão. Ficou paralisada e de respiração suspensa. Lá fora estava uma mulher que lhe acenava aflita, chamando-a insistentemente com gestos desesperados. Parecia que gritava, mas a milionária não lhe ouvia a voz. O vento que soprava forte não deixava que o som chegasse até seus ouvidos. O lugar era totalmente desprovido de árvores e só alguns coqueiros podiam ser vistos à luz da lua cheia. A mata nativa da sua ilha sumira como por encanto. Em seu lugar, pedras enormes e um chão arenoso que brilha­va à luz do luar. Longe, um maciço impressionante. Atrás da mulher e bem distante, Milena pôde ver uma vila de casas de sapé. Muita gente andava freneticamente em torno de uma grande fogueira.

          “De onde saiu toda aquela gente? E quem é a mulher que me acena tão aflita? Isto não existe em minha ilha… E aquilo lá fora não é mi­nha bela ilha. Onde estão as árvores? Onde, o canil?”

          Milena ficou a olhar perplexa para a estranha mulher. Ela esta­va descalça, desgrenhada e trajava uma roupa rústica. Apenas um vestido liso, sem enfeites e curto, acima um pouco dos joelhos. Ela lhe acenava e com a outra mão apontava em direção do estranho vilarejo. O espanto a pouco e pouco foi cedendo lugar à curiosidade. Coração aos pulos, boca seca e mãos geladas, Milena resolveu pular a janela. Precisava tirar aquilo a limpo. Seu intelecto negava peremptoriamente aquela visão. Seus sentidos tinham de estar errados. Não existia a mulher, nem a vila, nem o caminho entre as pedras escuras, nem o populacho que via dali. Cuida­dosamente Milena tocou o chão com os pés. Era sólido, em que pese todo o seu conhecimento de chalé lhe afiançar que era impossível haver chão sob a janela de sua suíte, construída a mais de nove metros de altura.

          Dependurada na janela e segurando-se com força ao peitoril, Mi­lena socou o chão com os pés. “É sólido. Não é possível, mas é verdade. Como diabo a Psicologia explica uma alucinação tão concreta?”  Cuidadosamente a milionária firmou os pés no solo arenoso, embora segurando-se ainda firmemente no peitoril. O chão, contudo, era firme. Milena abaixou-se mantendo sempre uma das mãos no peitoril e apanhou um seixo do chão olhando-o contra a luz do luar. Era de mica. Sua ilha não tinha aquilo. Ela jogou o seixo para dentro da suíte e o viu cair sobre a cama. Ainda o estava olhando fascinada quando uma mão forte lhe segurou o braço. Milena deu um pequeno grito de susto. Era a estranha que lhe estivera acenando lá de longe há poucos instantes. A milionária não teve tempo de dizer nada. Foi arrastada pela desconhecida e, absolutamente estupefata com o que lhe acontecia, viu, à medida que se afastava na corrida forçada, que acabara de deixar para trás não a sua linda casa, mas uma rústica construção de pedra, com teto de palha de coqueiro, diante da qual uma grande rede de pescar estava estendida num varal.

          — Espere! Pare! – gritou Milena safando-se da mão que a obriga­va a correr. – Para onde me leva? O que diabos está acontecendo aqui? E quem é você?

          — O ritual — gritou a mulher. — É preciso cumprir com o ritual. Você não pode fugir ao ritual. Sabe que seria uma desgraça. Venha, va­mos logo. Estão-lhe esperando.

          E a rude e desgrenhada mulher tomou-lhe o braço à força e a ar­rastou atrás de si até uma choça circular, onde entraram esbaforidas e cansadas de lutarem uma com a outra. À luz das velas feitas com cera de abelha Milena viu, surpresa, que trajava apenas uma grosseira e não muito limpa túnica de fibra grossa. Sua finíssima roupa de dormir havia desaparecido como sumira o seu chalé. Na choça ela viu mais quatro moças. Tão logo a viram, elas se puseram de pé e correram a despi-la e a limpá-la com toalhas molhadas. Atônita, a milionária se viu limpa e vestida com roupa de algodão simples — apenas uma túnica de enfiar pela cabeça, mas alvíssima e perfumada com alfazema. Em sua cabeça foi colocada uma co­roa de flores roxas vivíssimas e seus cabelos foram trançados com pequenas flores brancas muito olorosas entre eles. Uma cinta amarela, de se­da, foi cingida à sua cintura e em seus pés colocaram sandálias fei­tas de cetim, cujas tiras rosadas cruzaram à frente e atrás de suas per­nas até à altura dos joelhos. Trouxeram-lhe uma bebida de cor escura e a fizeram engoli-la quase à força. Milena sentiu-se sonolenta. A partir do momento em que a bebida lhe caiu no estômago ela passou a sentir tu­do em volta como se distante. Seu corpo não lhe pertencia. Sentia-se manipulada à vontade, mas não tinha a mínima capacidade de reagir. Pinta­ram-lhe as faces com um pó carmesim, defumaram-na com incenso e mirra e finalmente saíram arrastando-a pelas mãos. Alguém lhe enfiou pela cabeça um colar de flores amarelas, mas ela já não conseguia distinguir bem as pessoas. Andava como sonâmbula. Milena já não era dona de seu corpo, embora sua mente trabalhasse plenamente. “Não pode estar acontecendo comigo. É um sonho. Um pesadelo. Vou acordar logo, logo” pensava. Enquanto isso, as moças a entregaram a uma outra, mais jovem, vestida toda de preto e descalça. A jovem lhe tomou delicadamente as mãos e lhe sorriu de modo carinhoso. Milena enterneceu-se com ela. Simpaticamente a moça lhe mostrou o caminho. A jovem postou-se à sua frente abanando um turíbulo de prata de onde saía uma fumaça azula­da e muito cheirosa. Milena seguiu-a sem resistência. Atrás vinham as outras quatro que a tinham preparado daquele jeito esquisito. No meio do aglomerado de choças de pescado­res, a pouca distância da praia, uma praça muito enfeitada com flores e tiras de fitas coloridas. Num tablado de uns dois metros de altura, uma figura esquisita, vestida como um ser mitológico, com cabeça de macaco, bico de águia e garras de tigre nas mãos, dançava ao som de tambores cujo ritmo frenético e tonitruante parecia vibrar dentro do corpo da milionária.

          A coisa fixou-lhe um olhar desvairado e começou a chamá-la com as mãos cheias de garras. Milena sentiu o corpo mover-se independente de sua vontade, ao som dos tambores profundos. A princípio seu quadril só se me­xia suavemente, mas o movimento foi ficando mais e mais acentuado e logo era um requebrado muito sensual e provocante. “Eu estou dançando… Estou dançando contra a minha vontade… Isto é loucura… Não sou a dona de meu corpo… O que está havendo comigo? Não sei dançar o ritmo afro, mas estou dançando… e sinto muito prazer em fazer isto… É loucura! Vou a­cordar daqui a pouco em minha cama e nos meus lençóis de cetim e vou ver que tudo isto não passou de um pesadelo… É só isso, um pesadelo…”

Ela executava uma dança muito parecida com a dança do ventre.

Ela executava uma dança muito parecida com a dança do ventre.

          Seus quadris moviam-se freneticamente para a frente e para trás e o movimento era plenamente sexual. Suas mãos desciam-lhe pelo baixo-ventre e acariciavam maliciosamente o púbis por cima da saia que levantava até quase mostrar a calcinha. Sua cabeça inclinou-se para trás e ela sentiu a língua lamber voluptuosamente os lábios. “Estou indecente. O que é que estou fazendo no meio destes bárbaros? Eles vão ficar excitados e vão-me atacar. Mas não posso parar, meu Deus, não posso parar. E isto é delicioso. Sinto um prazer profundamente sensual e excitante. Quero mais…”

         

Ela se sentia atraída pelo réptil, embora soubesse que tinha horror ao bicho...

Ela se sentia atraída pelo réptil, embora soubesse que tinha horror ao bicho…

Sem se dar conta, Milena subiu o tablado pela rampa lateral. Os tambores recrudesceram nas batidas e ela se viu enrolando-se no corpo do homem fantasiado de monstro. Faziam movimentos de cópula em pé e Milena, apesar de censurar-se por isto, sentia muito prazer e muita excitação com aquilo. O homem sob a roupa estranha era muito forte e másculo. Milena podia sentir-lhe os músculos de aço sob a pele e aquilo lhe punha toda molhada no sexo. Ela desceu a mão por entre as pernas dele e lhe segurou o pênis. Estava ereto e era muito grande e grosso. Uma confusão lhe nublou o raciocínio. Queria copular quase animalmente. Ali em cima, à vista de todos. Queria que eles a vissem ser possuída pelo homem-monstro. Manteve a mão segurando o membro erétil do homem e dançaram assim por alguns momentos, ela o masturbando maliciosa e deliciadamente. O homem se contorcia e rangia os dentes. Pronunciava palavras que ela não entendia, mas compreendia que era um pedido de mais. Ela continuou a remexer-se colada a ele. O homem entrou em espasmos e ela sentiu-lhe o sêmen nas mãos. Estava suada e fascinada por tudo aquilo, embora, lá em seu mais profundo íntimo se censurasse horrorizada com o que fazia. Então, o homem a esbofeteou violentamente e ela foi atirada de costas no tablado. Sentiu o gosto de sangue na boca, mas ria idiotamente. “Que diabo está acontecendo comigo?” A milionária lutava para conseguir controlar-se, mas sem sucesso. Ainda estava excitada e tentava sem o conseguir levantar-se de novo. Os tambores cessaram e os gritos da turba, também. O súbito silêncio a incomodou. Ela quis protestar e mandar que continuassem com a música, mas não tinha voz, As quatro moças subiram ao tablado e a levaram para cima de uma mesa rústica e muito fina. Ela foi deitada no madeiro cru. Uma mulher trajando uma roupa esfarrapada, cabeleira em desalinho e com muitas cãs, com uma horrenda máscara na face deu início a uma litania interminável cujas palavras a milionária não conhecia nem compreendia. Mas a gesticulação era feroz e acusadora e Milena sentiu medo. Seus braços foram amarrados e as suas pernas, também. Ela quis protestar, mas só conseguiu ficar na vontade. O corpo não lhe respondia. Sua cabeça foi erguida e um pequeno travesseiro de areia foi colocado sob ela, de modo que podia ver bem o seu corpo até os pés. A megera parecia ter grande raiva de Milena e gesticulava e invectivava contra ela, apontando-lhe dedos de unhas em garras naturais. Idiotamente, Milena começou a rir. A princípio era um riso bobo, fraco, apenas um riso desconexo. Mas aquilo foi num crescendo e logo era uma gargalhada estúpida e incontrolável. Ela brotava do mais profundo do ser da milionária. Para o intelecto da mulher aquele rir era descabido e até mesmo indecente, mas ela não conseguia fazê-lo parar. A megera apro­ximou-se e lhe aplicou dois sonoros tapas nas faces. Milena sentiu a dor dos bofetões, mas não pôde sustar o riso nem gritar. Com os olhos marejados, ela continuava a rir. A estranha mulher voltou a lhe bater. “Mas que diabo esta desgraçada pensa que está fazendo?” pensou a milionária e continuou a gargalhar estupidamente. “Droga, isto está indo longe demais” pensou a milionária. — “Eu sinto dor e sonho não dói… Ou será que dói?”

          As moças se retiraram dançando voluptuosamente. Milena continuava a rir estupidamente. Aquilo já era um sofrimento atroz. A barriga já lhe doía horrivelmente, mas o riso não parava. “Eu preciso acordar! Eu preciso despertar desta loucura…”

          A milionária sentiu que sua veste estava sendo retirada. O homem rasgara-a nos ombros. Fez um esforço sobre-humano e sacudiu a cabeça para limpar a vista. Conseguiu. O riso também diminuiu, para seu alívio. Era a megera que lhe arrancava o parco vestido. Quis protestar, mas sua língua ficou presa no céu da boca. Tinha a garganta seca. Duas moças vestidas de preto subiram ao palco e ela as viu aproximarem-se da mesa e se porem a girar duas alavancas situadas a cada lado de onde estavam suas pernas. Estas começaram a se a­brir, expondo seu sexo aos olhos do povo lá embaixo.

          “Isto é indecente, suas canalhas. O que estão fazendo comigo?”

          Milena só conseguiu pensar, pois as palavras pesavam como chumbo em sua boca. As suas pernas foram abertas até quando ela sentiu a viri­lha doer. Tentou lutar para fechá-las, mas não conseguiu nada. Seus olhos fixavam o seu baixo ventre e ela queria chorar, mas só conseguia rir. A dor era quase insuportável. Ela se contorceu um pouco e foi só o que pode fazer. Então, o homem voltou. Desta vez vestia-se com uma pele de carneiro negro… Não, não. Era um bode preto. Milena podia ver acima da cabeça do homem a cabeça dissecada do bode e seus chifres enormes. Ele se aproximava diretamente entre suas pernas e trazia uma cobra preta e vermelha acima da cabeça. Aproximou-se e passou o réptil perto do rosto da milionária, conseguindo fazê-la parar de sorrir. Milena tinha pavor a cobras e aquela era horrível. Era particularmente repulsiva. Tinha olhos lúbricos e expressão maliciosa. O réptil fixava firmemente o sexo da mulher e a língua bífida parecia lamber avidamente a boca sem lábios. O homem deixou que o réptil tocasse o ventre da moça. O frio contato com a pele escamosa do bicho fez a jovem se contorcer mais fortemente. O homem, então, olhou-a nos olhos e riu ferozmente. Depois, virou-se para o popu­lacho e ergueu a cobra acima da cabeça. Uma tremenda ovação saiu do povo que se acotovelava lá em baixo. O homem-bode voltou-se ainda com a cobra ao alto. O réptil olhou Milena nos olhos e esta sentiu um misto de angústia e prazer. Não conseguia desviar a vista daquela coisa nojenta e, simultaneamente, sentia-se excitada. Então o homem aproximou-se de Milena, lentamente, enquanto o povo silenciava em expectativa. A cobra foi descida até ficar bem entre as pernas da milionária que a olhava com pavor e excitação ao mesmo tempo. Os olhos do réptil estavam fixos no sexo da mulher…