O Cantareira está locando seu leito para invasão de sem-terras. Quem se habilita?

O Cantareira está locando seu leito para invasão de sem-terras. Quem se habilita?

Comecemos pela seca no Brasil. Há menos de 20 anos atrás ninguém acreditaria que nosso país, riquíssimo em águas, colocaria São Paulo em apuros porque o regime de chuvas birrentamente mudou de modo drástico (é claro que a eliminação da Mata Atlântica não tem nada haver com isto). E eis que, neste terceiro milênio, estamos na seguinte situação: a) Chove a cântaros no Estado de São Paulo e em estados do Nordeste brasileiro. As capitais destas regiões viram verdadeiros lagos, com peixe entrando nas casas e nas lojas e, com eles, urina de ratos, muita urina de muitos ratos. Mas no campo mesmo, nadica de nada. É seca de rachar. Por isto, os açudes nordestinos estão em petição de miséria, o cantareira está permanentemente na UTI e o São Francisco morre devagarinho.

"Vai botar fogo no rabo da tua mãe!"

“Vai botar fogo no rabo da tua mãe!”

Logicamente, quem me acompanha, já sabe em quem vou colocar a culpa: nos Polititicas Nacionais Brasileiros. Uma classe de inúteis, que nós sustentamos com luxos absurdos (vejam os exageros do Furioso, um sem-vergonha de marca, viciado no bem-bom e em desprezar plebeus). O inútil Alckiimin (e eu ainda não sei porque diabos não houve um único paulista que atendesse o pedido do sujeito e tacasse álcool com fogo no peste), depois do sufoco danado do ano passado, não tratou de realmente TRABALHAR para prevenir São Paulo, ao menos a Capital do Estado, do apuro que, agora, todos vão enfrentar. Sovaqueira danada, capaz de espantar os casais dos motéis, pois ninguém gosta de fungar cêcê na hora do rala e rola, é o que mais vai haver em São Paulo – Estado. A par com ela, sede e chulé, pois pés suados – o calor anda danado por lá e a temperatura varia em 20ºC em um só dia – fechados em sapatos sociais terminam exatamente dando nisto: chulezinho insuportável, ô xente!

"Seigneur, il n'a pas été moi, je le jure"

“Seigneur, il n’a pas été moi, je le jure”

Tudo bem. Os brasileiros amam ferozmente a França, logo, têm de aprender a viver à moda dos nativos de lá: pão debaixo do “suvaco” cabeludo e sem papel a embrulhá-lo; peidões dentro do metrô soltando aqueles puns danados de fedorentos sem que alguém faça careta ou reclame. O negócio é aguentar até a próxima estação, quando as portas se abrem e a turbamulta se lança para fora, agoniada e sufocada. Banho com toalha molhada esfregada pelo corpo todo e nada de chuveiro. Mas é Paris, gente. Quem vai reclamar? Pode ser que neste terceiro milênio os franceses tenham aprendido a tomar banho de verdade, já que a canícula do Saara anda dando umas voltinhas estranhas pelas “oropa” e a França fica exatamente naquela região. Quem vai continuar com a mania de peidar escandalosamente no meio da rua e dos outros são os chineses. A cultura de lá é inversa à de cá. Aqui, nós esprememos as nádegas para sufocar o alívio de nossas tripas até que se chegue a um lugar mais discreto, sem narizes sensíveis por perto e olhares furiosos contra a gente, como se todos nós não soltássemos nossos fétidos gases. Ou então, damos um jeito de soltar nossos flátulos em silêncio, junto a uma vitrine nos objetos das quais não estamos de modo algum interessados, mas fingimos que é uma beleza só o tempo em que conseguimos envenenar o ar à nossa volta. Então, é dar nos calos rapidinho antes que o mau cheiro nos denuncie. E se estamos sentados, olhamos rapidamente ao redor, inclinamos um pouco o corpo para o lado e lá se vai o pum empestar  os arredores. A gente faz aquela cara de criança inocente e se dá por satisfeito, certo de que, se alguém fungar o peido não poderá jamais localizar o peidão.

"Veja bem, nós estamos tentando encontrar um meio termo que agrade a plebe e a nós, os eleitos. E isto dá trabalho!"

“Veja bem, nós estamos tentando encontrar um meio termo que agrade a plebe e a nós, os eleitos. E isto dá trabalho! Não podemos mudar uma cultura centenária, ora bolas.”

Mas retomando o assunto dos inúteis, que é que você achou da tal “Reforma Política”, hein? Gostou? Aplaudiu? Concordou com a trupe de mandriões que nos sacaneia descaradamente?

Pois é. Eles consumiram uma dinheirama nossa em jetons e sei lá mais o quê, apenas para falar, gritar, agitar, ler papéis escritos por seus assessores, esbravejar contra a Dilma (a Judas de Sais por excelência para eles e para todos nós) e, no final, aprovaram o que já era desde sempre. Não mexeram em nenhuma vírgula realmente importante para o Brasil, ao qual traem sempre e sempre e sempre. 

A "peste" nem se toca. Olha para fora para disfarçar...

A “peste” nem se toca. Olha para fora para disfarçar…

Minha implicância com os “de gravata” pode até ser criticada por alguns leitores já de saco cheio de mim. Podem dizer com desdém: “Isto é coisa de velho que não tem o que fazer”. Querem saber? A velhice não é uma merda, como leio no vidro traseiro de alguns veículos. Na verdade, ando descobrindo que a velhice é uma bênção “danada de boa”. Primeiro: a gente perde o tesão e é uma maravilha. Aquele negócio de andar à cata de consolo para o dedão inquieto, rezando pra não pegar uma DST ou, pior, uma tremenda e única dose de AIDS; o aumento do débito no cartão de crédito (os comes e bebes antes do rala e rola sai caro); vez por outra, uma zinha se pregando na gente que nem carrapato, enfim, tudo isto e mais ainda vai pro beleléu. Que paz, gente. Só quem já chegou a este estágio sabe do que estou falando. E que economia! Principalmente para quem tem um fogo feroz, como eu tive. Segundo: depois que inventaram a Lei 10.741, conhecida como Estatuto do Idoso, nós, idosos, nos divertimos à grande. A gente entra num ônibus e nos lugares que dizem ser reservados a nós (devido ao reumatismo, ao bico de papagaio, aos “cambitos” enfraquecidos etc e tal) damos de cara com jovens robustos ou robustas, sadios e sadias (tem-se de separar machos de fêmeas, agora, na escrita também, senão as feministas e as petralheiras vão pôr a boca no trombone e nos chamar de machões) aboletados (ou aboletadas) ali, olhando de pescoço duro para fora a fim de fingir que não nos viram de pé, fazendo careta e nos esforçando para agüentar os solavancos e as curvas ou freadas bruscas que os motoristas executam sadicamente, pois os danados devem saber que há velhos de pé e devem torcer para conseguir derrubar ao menos um, a fim da fazer a alegria do FHC. Vai que o desgraçado cai e morre! Menos um para dar despesa ao INSS, não é mersm?

Foi "danado" de divertido...

Foi “danado” de divertido…

E falando no nosso Estatuto, ali se lê: “Art. 4o Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”. Pois é. Está lá. É Lei e devia ser do conhecimento da criança no primário até o barbadão já nos sessenta e quatro anos, onze meses e vinte e nove dias (mais um dia e ele entra no Estatuto e, logicamente, passa a ser idoso). E apois, como diria o velho Orozimbo. Só que eu tenho comprovado que a juventude desconhece solenemente este direito – que também é dos pais dos jovens, por estranho que isto possa parecer para a garotada. Ora, ultimamente eu não tenho andado de ônibus, graças à minha querida irmã, que me ajudou a comprar uma bike elétrica danada de boa e resistente. Vou aonde quero e aonde necessito montado nela. E vou rapidinho. Enquanto os berdoéguas ficam suando em bicas (aqui no Centro-Oeste, quando faz calor, a secura do ar vem danada sobre a gente e tem-se uma amostra do que será o inferno, se a gente tiver de ser mandado pra lá)  eu passo por eles serelepe, a 40 km/h, mais veloz que os Hyundai e Honda Civic que se arrastam a 15 ou 20 km/h, consumindo uma gasolina danada e fazendo a alegria dos futuros ladrões de colarinho branco que irão reeditar o Petrolão dentro de alguns anos (podem crer) e vou fazer o que quero sem ter de enfrentar flanelinhas (eu sempre fui radicalmente contra esta praga e quando morava no Rio de Janeiro, cheguei a ir parar numa delegacia, em Copacabana, porque esquentei as “oreias” de um maldito que arranhou meu fusca só porque eu me neguei a lhe pagar o espaço público pelo qual já pagamos todos nós), vândalos que nos furam os pneus do carro só para “se divertir” ou arranham com prego bem pontudo toda a pintura, descarregando em nosso bem sua raiva e sua frustração por pertencer à Classe C ou D, as quais novmente não podem comprar nem mesmo um milzinho. Mas como eu dizia, não costumo andar de ônibus, contudo, outro dia, fui obrigado a me servir deste instrumento público de tortura dos cidadãos brasileiros. Claro que busquei aquele assento amarelo reservado para gente como eu, “imprestável e inútil” no ver de FHC e seus apaniguados do PSDB. Mas os quatro assentos estavam ocupados por rapazes troncudos, forçudos, tatuados e mal-encarados. Como suo um velho arreliado dos diabos, não hesitei em pedir a um deles que me cedesse o lugar, pois ele era reservado a idosos como eu. O mal-educado sem mãe me mandou tomar no… e inchou que nem sapo cururu. Acho que ele queria me impressionar com a exibição de seu tronco musculoso, trabalhado na malhação (ou na corrida fugindo da polícia). Sei lá! O que sei é que sou danado de teimoso e desaforado e engrossei o caldo. O “bicho” babou na camisa (a juventude de hoje não usa gravata e faz muito bem. Até hoje não entendi para que serve aquele pedaço de pano inútil dependurado em nosso pescoço, apesar de ter trabalhado com ele me sufocando durante longos e sofridos 27 anos de minha vida). Aí, eu me lembrei de minha santa mãe que, quando ficava furiosa conosco, meus irmãos e eu, dependurava-se em nossas orelhas e era aquela maravilha. A gente acertava rapidinho com o caminho da verdade. Pois bem, foi o que fiz. Dependurei-me na “urêia” do peste e de propósito cravei as unhas atrás da dita cuja, fazendo correr sangue ali. Ah, como funciona este método educativo das antigas, gente. Eu nem imaginava! Pois não é que o rapaz se levantou rapidinho, fazendo uma caretona de prazer e soltando um altissonante grito de cantor de ópera em treinamento para uma apresentação no Municipal do Rio de Janeiro? E eu me sentei, ignorando os comentários que ouvi dos que estavam em pé, sacolejando e impotentes, sobre minha “agressividade”. Que se danem! Que vão à merda! Se não têm coragem de defender os direitos deles, por que diabos criticam quem tem? Por que cargas d’água não fazem a mesma coisa? Afinal, o Estatuto do Idoso nos protege e nós podemos educar os rebentos mal-educados por famílias que estão mais perdidas que cego em tiroteio, graças aos inúteis que, para disfarçar a roubalheira que levam a efeito, danaram de elaborar e aprovar leis absurdas, decidindo até quando e como os pais devem educar seus filhos. Um abuso!

Nós, os idosos, estamos com a faca e o queijo nas mãos para fazer pelos filhos dos outros o que esses outros não podem fazer devido a leis idiotas. Então, velharia, façamos nosso dever antes de sermos chamados para subir, ora essa.

Sugiro ao idosos que me lêem que pensem bem nisto: nós podemos educar os filhos das famílias modernas cujos pais não podem nem mesmo dar uma palmadinha no braço do futuro filho-da-…. porque uma chusma de sem-mães virão sobre eles como gatos sobre ratos.

Que tal começar o treinamento? É fácil. Basta entrar num ônibus aí em sua cidade…